Tenho visto ultimamente, a pé, nos ônibus e no metrô, muitos jovens carregando instrumentos musicais, e fico otimista, pensando que teremos mais e mais músicos de alta qualidade no futuro,
É gente com violino, violoncelo, violão, flautas diversas, sax, trompete…
Um amigo meio pessimista diz que eles estudam música, mas se quiserem ganhar dinheiro vão ter que esquecer tudo o que aprenderam e bandear pro sertanejo universitário, pagode ou axé.
No meu otimismo, insisto que há bons grupos musicais formados por jovens.
Esse amigo me disse o seguinte:
― Nas praias frequentadas por surfistas, tem uns caras que ficam andando com uma prancha pra lá e pra cá, mas nem entram na água. Usam a prancha pra se passar por surfistas e paquerar as meninas. São chamados de surfistas da areia.
E completou:
― Será que esses caras que carregam instrumentos musicais não estão fazendo a mesma coisa? Podem estar fazendo pose de músicos só pra impressionar as meninas.
Refutei, dizendo que existem também muitas meninas carregando instrumentos musicais. E elas não precisam disso pra impressionar os rapazes.
Mas lembrei-me de um caso que pode dar razão ao meu amigo crítico. Aconteceu há bastante tempo.
Eu trabalhava num escritório no centro da cidade, e um dos meus colegas de trabalho era o Carlos, que morava na zona leste, e gostava muito de música.
Por isso, ele tinha sempre vontade de puxar assunto com um cara que tomava o mesmo ônibus que ele, de manhã, carregando sempre uma caixa de violino. Era do tipo de oclinhos redondos, cara de intelectual, que não se enturmava com o pessoal do ônibus.
Tanto o Carlos como o suposto violinista quase sempre tinham que ficar de pé, no ônibus superlotado. E o Carlos olhava a cara do sujeito que parecia estar nas nuvens, agarrado ao seu violino como se o considerasse uma preciosidade, e tocando mentalmente alguma música.
Um dia, o Carlos chegou bem atrasado ao trabalho, mas rindo sem parar. Perguntei o que era e ele contou:
― Sabe aquele sujeito que eu te contei que vem de ônibus com um violino? Bom… Hoje, o ônibus bateu num caminhão, ele estava de pé, caiu e a caixa do violino abriu. Só que, em vez de violino, o que tinha dentro era uma marmita.
Em fevereiro, saiu a lista de 11 mil vestibulandos da USP e da Faculdade de Medicina da Santa Casa convocados pela Fuvest na primeira chamada, e me bateu a curiosidade de olhar se alguns nomes ainda sobrevivem.
Exemplos? Sebastião, Benedito, Baltazar, Alaor, Nair, Olímpia, Inácia e Janete.
Nomes que foram comuns há algumas décadas hoje são raridades. A moda funciona até em relação aos nomes das pessoas, e atualmente as novelas têm muito a ver com isso, assim como jogadores de futebol e artistas.
É curioso ver as mudanças. Uns nomes que, na minha infância, eram considerados caipiras, de repente se tornaram moda nas cidades e sobrevivem até hoje, com força. É o caso de Gabriela, Joana e Manuela.
Em 2009 e 2011, os jornais noticiaram pesquisas sobre nomes registrados em cartórios de todo o Brasil, e deu uma coisa óbvia: Maria e José eram os campeões, mas só em nomes compostos, como Maria Eduarda, Maria Clara, Maria Luísa, José Carlos e José Luís. Ana quase empata com Maria nos nomes compostos femininos. Nos masculinos, há muitos nomes compostos com João, Antônio e Francisco.
Os campeões mesmo são outros. Os nomes femininos mais registrados eram Júlia, campeão absoluto, além de Giovana, Sofia, Isabela, Beatriz, Manuela e Yasmim. É interessante notar que as pessoas gostam de dar um toque “estrangeiro” nos nomes, colocando Giulia em vez de Júlia ou escrevendo Isabella com ll e Yasmim em vez de Jasmim.
Entre os nomes masculinos, Gabriel e Miguel foram os campeões, seguidos de Artur, Mateus, Davi, Lucas e Rafael e Felipe.
Na lista da Fuvest, vi que alguns nomes sobrevivem, mas precariamente. Muitos apareceram só uma vez. É o caso de Rute, Fátima, Rosa, Aparecida, Aurora, Rita, Fausto, Célia, Cleide, Neusa, Geraldo, Afonso, Clóvis, Ari, Horácio e Vicente. Então, entre os calouros de 2013, se alguém tiver um nome desses, não vai ter nenhum xará entre os colegas.
Surpreendente é que não há nenhuma Elizabeth, Hélia, Rosa, Ivana, Madalena, Nilza, Amélia, Roseli, Rosali, Dulce, Iracema e Iraci, por exemplo. E nem Rui, Batista ou João Batista, Cristóvão, Jurandir, Américo, Afrânio, Ernesto Ari e Sebastião.
Isso sem contar alguns que eu já suspeitava que são nomes de maiores de não sei quantos anos, e que não apareceram em nenhum dos convocados, como Ademar, Jacinto, Ubiratã, Ubirajara, Eugênio, Juraci, Euclides, Bento, Norberto, Nivaldo, Dionísio, Nilo, Zacarias, Adalberto, Gualberto, Zeferino, Alípio, Jânio, Silas, Agnaldo, Agildo, Rozendo, Orozimbo, Boaventura, Benício, Onofre, Rivaldo, Roberval e Baltazar.
Na mesma situação estão os nomes femininos Margot, Dalva, Neide, Diva, Odete, Jandira, Celeste, Nair, Eunice, Nadir, Araci, Ofélia, Benedita, Sebastiana, Mércia, Idalina, Magda, Margarida, Ida, Margarete, Eudóxia, Maria Aparecida, Cândida, Zulmira, Hortênsia, Eneida, Zuleica, Zulmira, Zélia, Zilda e Zenaide.
Mais uma coisa interessante a notar: nomes que inspiraram muita gente de esquerda na nomeação dos filhos já são coisa do passado. Vladimir ou Wladimir ausente nos nomes dos calouros da Fuvest é um deles. Aliás, lembrando de Lênin tenho uma teoria: quando se coloca um nome numa criança em homenagem a um grande cara, o sujeito tende a crescer contrariando a homenagem. Nenhum Lênin ou Lenine que conheci (não conheço o cantor Lenine) era de esquerda.
E tem as homenagens que viram anti-homenagem: um cara colocou no filho o nome Ernesto, em homenagem a Che Guevara. Poucos anos depois, o general Ernesto Geisel assumiu o governo… Ah, Ernesto não aparece nenhuma vez na lista da Fuvest. Nem Fidel. Luís Carlos, nome que homenageava Prestes, também vai sumindo: só apareceu um, ao contrário de muitos outros nomes compostos com Luís. Luís Carlos agora é raro, é nome do passado.
Lembro-me também de nomes que foram moda numa época específica, como os indígenas Maíra, depois do lançamento do livro de Darcy Ribeiro com esse nome, e Aritana, quando apareceu com destaque na imprensa um Aritana índio do Xingu que era um verdadeiro galã.
Mas nessas listas de nomes sempre aparecem alguns bem diferentes. Vi na lista da Fuvest nomes como Exupério, Cairo, Caira e Quedima. E tem também dois chamados Zeca, que antes só vi como apelido de José.
Nomes raros, “diferentes”, podem ter consequências inesperadas, sua raridade pode até virar problema. Um dos meus amigos de juventude tinha uma namorada chamada Onofra, uma menina bonita e simpática. Mas adolescente é implicante, e amigos dele gozavam tanto do nome dela que se deu o fim do namoro depois de uma discussão. Uma bobagem, não é? Mas acontece.
Com certeza algum leitor está pensando: “Que moral tem esse cronista com esse nome atrapalhado pra falar dos nomes alheios?”. Pois é… Não tenho.
Termino lembrando que nome diferente, esquisito, tem uma vantagem e uma desvantagem. A vantagem é que não vou entrar na lista da Sociedade de Proteção ao Crédito por culpa de ninguém. A desvantagem é que se entrar, ou cometer alguma besteira, não dá pra inventar que é um xará. F
Esta crônica é parte integrante da edição 120 da revista Fórum
PÓS-CONCEITOS
(conceitos que você não vai encontrar em nenhum dicionário)
Mistérios gozosos - aquela cara de satisfação da mulher chegando em casa, que ela não conta de jeito nenhum o que aconteceu.
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Equivalente – que vale o mesmo que um equino.
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Seringueira - viciada em tóxicos injetáveis. Tem sempre uma seringa na bolsa.
DESAFORISMOS
(aforismos meio desaforados)
Em flagrantes de corrupção, quem é vivo nunca aparece.
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Tem crise de tudo quanto é coisa, menos de hipocrisia.
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Um policial achava que encadeando as idéias prenderia a atenção da gente.
KAI-KAIS
(desaforismos imitando haicais)
A poder de chumbo
Governos bregas
Revelam-se chumbregas
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Ficou rico,
Subiu na vida!
Mas que ridico!
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Bordadeira no navio
Borda a bombordo
E a estibordo
PREGUNTAS
(perguntas perfurantes)
Ratazana é um rato que atazana?
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A rainha Vitória nunca foi derrotada?
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Camaleão é um leão na cama?
Ao invés de ter um mascote que é apenas uma marca comercial, a Copa do Mundo no Brasil poderia ter pelo menos outras dez opções que diriam muito mais a respeito do nosso folclore e da nossa história
Tenho dó do tatu-bola. O coitado estava e está em extinção, e uma aliança da Fifa e da CBF resolveu “salvá-lo”, tornando-o mascote da Copa de 2014. Mas claro, faturando em cima. Simularam um plebiscito para escolher seu nome entre três palavras feias e imbecis previamente registradas como marca industrial às quais qualquer aventureiro que lançar mão terá que pagar uma grana.
E, segundo foi noticiado, milhões de pessoas votaram (fico pensando: será que há milhões e milhões de babacas dispostos a isso?) e escolheram Fuleco como nome do infeliz. Imagino que se o tatu-bola pudesse falar, diria: “Cacete! Deixem-me extinguir em paz, não mereço um nome desses”.
Com todo o respeito ao tatu-bola e aos outros tatus, essa mascote oficial poderia se chamar “Fuleco, o tatu fuleiro”. Um dos significados da palavra fuleiro é “que não tem valor, medíocre, reles”, segundo o dicionário Houaiss. O tatu-bola tem valor sim, não é fuleiro, mas Fuleco, ora…
Bom, não vou defender aqui o Saci como mascote. Com toda a submissão do Brasil ao imperialismo da Fifa, acho desmoralizante. E como já disse, o Saci tem um nome a zelar.
Antes de voltar ao tema de possíveis mascotes bem brasileiras para uma Copa de futebol realizada no Brasil, fico pensando nessa submissão à Fifa. Ela decide quais serão as sedes, e não os brasileiros. Assim, Belém, por exemplo, que tem já pronto um belo estádio com grande capacidade, e que conta com uma enorme torcida de futebol, ficou de fora.
Em São Paulo, tem um estádio pronto, o Morumbi, mas exigiram a construção de outro, em Itaquera. Sou simpatizante do Corinthians e acho excelente que o clube tenha um belo e excelente estádio, mas não construído por ordem da Fifa. Na Europa, a Fifa aceita qualquer estadiozinho mixuruca, sem chiar, e aqui é toda mandona, exige isso, exige aquilo, diz que o Morumbi precisaria rebaixar o gramado em um metro, e por aí vai.
No Rio de Janeiro, onde o governo tinha gasto uma fortuna imensa de dinheiro público para reformar o Maracanã para os Jogos Panamericanos, a Fifa exigiu outra “reforma”, que não é reforma coisa nenhuma, foi a destruição do estádio histórico para construção de um outro no lugar, de acordo com as exigências descabidas dos cartolas-burocratas-gigolôs do futebol. E lá se vai mais dinheiro público suficiente para resolver um monte de problemas do Rio.
E assim vai… Temos que fazer tudo de acordo como manda a Fifa, com dinheiro brasileiro, mas para lucro do Império, a própria Fifa. Por que ela mesma não custeia a construção do jeito que quer, se o lucro vai ser dela?
Alternativas para o Fuleco fuleiro
Nada contra o tatu-bola. Talvez ele até ganhasse um plebiscito de verdade para a escolha da mascote. Mas a figura dele que aparece nas festividades fifeiras é ridícula, quase tanto quanto o nome que lhe deram.
Nesse processo de escolha, se democrático, poderíamos incluir vários personagens da nossa cultura.
Por exemplo: o Curupira, mito importante, protetor das matas. Com seus pés virados para trás, ele “dribla” caçadores que matam animais por diversão, leva-os para o meio da mata, onde às vezes lhes dá uma surra bem dada. Se já é acostumado a “driblar” caçadores, ele poderia inspirar nossos jogadores para, voltando aos tempos do bom futebol brasileiro, driblar de verdade os adversários, levá-los para seu campo e aplicar-lhes uma surra futebolística, uma lavada, uma penca de gols.
Se há realmente um critério de defesa do meio ambiente para a escolha da mascote, o Curupira é personagem primordial. Mas supondo que fosse escolhido democraticamente, teríamos que, também democraticamente, exigir que seu nome fosse Curupira mesmo, e não uma adaptação comercial como fizeram com o coitado do tatu-bola. Nada de Curupeco, Curubol, qualquer nome comercial fifeiro.
Confundido com o Curupira, tem o Caipora, protetor dos animais da floresta, também um ente mágico chegado a castigar quem mata animais à toa. Montado num cateto, ele guia o bando todo desses animais para longe dos caçadores.
Além de ter esse lado “ambiental”, de proteção de animais, o Caipora tem algumas características interessantes, como a de dar azar a quem o vê. É que, dizem, ele só aparece para gente de mau-caráter. Ah, como ele daria azar a um monte de cartolas nacionais e internacionais.
E mais: os catetos, animais que o acompanham sempre, são como pequenos porcos, mas valentes e perigosos. Seus bandos são temidos até pela onça-pintada, maior predador das Américas. Unidos, os pequenos catetos têm um poder enorme. Assim como homens, onças também sobem em árvores para escapar dos bandos de catetos, quando pressentem a sua vinda. Eles sabem da força da união do bando e andam sempre juntos. Tem até um ditado caipira referente a isso: “Cateto sozinho é comida de onça”. É um incentivo à união dos brasileiros, coisa muito necessária, inclusive para se proteger da cartolagem que esfola o nosso futebol e nosso povo.
Então, ecologia e união fariam parte do cacife desse nosso mito para ser eleito mascote. Fora a já citada capacidade de dar azar aos seus desafetos.
Com o diabo no corpo
Quem procurar a palavra Jurupari em nossos dicionários vai encontrar neles que ele é o “diabo dos índios” ou coisa parecida. Uma grande mentira essa definição, fruto do imperialismo português, que precedeu em alguns séculos o da Fifa.
Jurupari é o grande deus civilizador de um monte de povos indígenas não só do Brasil, mas também do Caribe. Não tem corpo, é só um espírito. Para receber suas orientações, pajés usam maracás – grandes chocalhos em forma de cabeça humana, com buracos simulando olhos, boca, nariz e ouvidos – e soltam fumaça por esses buracos, pois nas cerimônias eles enchem os maracás de ervas e as queimam.
Com o barulho ritmado dos chocalhos e a influência da fumaça, dançando freneticamente, os pajés entram em transe e contatam o Jurupari, que lhes transmite normas civilizatórias. Por exemplo: não bater em criança, não bater em mulher… Os pajés transmitem essas normas aos seus povos, e quem não as cumpre é castigado pelo Jurupari com pesadelos terríveis. O sujeito fica até com medo de dormir. Por causa disso, os padres passaram a dizer que Jurupari é o “senhor dos pesadelos”, o diabo.
Taí um ser digno de nos representar frente à cartolagem, que só faz malfeitos e precisa de um castigo desses. Não tem corpo, mas poderia ser representado por um maracá.
A cobra fuma e Garrincha diverte
Durante a Segunda Guerra, quando o povo brasileiro se manifestava nas ruas, defendendo a entrada na luta contra o nazi-fascismo, os incrédulos diziam que “o Brasil só vai entrar na guerra quando a cobra fumar”. Pois o Brasil entrou na guerra. E a FEB – Força Expedicionária Brasileira – escolheu como símbolo uma cobra fumando.
Penso agora: o Brasil só vai peitar a Fifa quando a cobra fumar. Pois que peite, e ponha uma cobra fumando como mascote da Copa. É outra alternativa.
Bem… Podem achar que não precisamos repetir mascotes, pois temos muitas possibilidades.
Penso então numa ave. Nada de canarinho, pois esse é um símbolo da nossa seleção. Mascote é outra coisa. Que tal a cambaxirra, também conhecida como corruíra? Podem estranhar… Mas outro nome desse passarinho é garrincha, palavra que virou apelido de um dos maiores ídolos do futebol brasileiro, por causa de suas pernas tortas. A palavra cambaxirra, em tupi, significa “peito chilrador”. Chilrar, ou chilrear, é cantar ou falar livre e despreocupadamente. Coisas boas de se fazer, não?
Garrincha tinha um futebol que era como um canto livre, uma maravilha, um futebol-arte em dois sentidos: de artista e de arteiro. Era despreocupado, divertia, e isso é que deveria continuar sendo nosso futebol. Garrincha tinha essa característica, de encarar o esporte como uma diversão, talvez porque era descendente de índios fulniô – seu pai veio desse povo, de Alagoas (existem fulniôs em maior número em Pernambuco), – e índio não vê o lazer, os jogos, as disputas, como um negócio. É alegria. Alegria do povo. Garrincha, a ave, juntando com Garrincha, o homem, seria uma alternativa excelente para mascote.
Boto e guará: magia pura
O boto, apesar de ser um animal da água (e sem pernas) tem suas qualidades também, Aliás, à noite ele vira homem dos mais sedutores, é irresistível, namora quem ele quer e esparrama filhos pelas beiras de rios. Tem algo a ver com a imagem que se faz do brasileiro e das brasileiras, no exterior. Lembrando o velho ditado “futebol é bola na rede”, podemos lembrar que, em relação ao que quer (seduzir mulheres), o boto também não vacila, com ele é “bola na rede” (entendam como quiserem). Vale também.
Já o lobo-guará, outro animal com fama de qualidades mágicas, é outro ser bem brasileiro, diferente de qualquer lobo do hemisfério norte. Para começar, não é exclusivamente carnívoro, come frutas, engole sementes e vai “soltando-as” pelo caminho, junto com as fezes. Essas sementes brotam e se transformam em plantas. Uma delas é uma fruta redonda, grande, conhecida como fruta do lobo, antigamente usada para fazer doces, e em muitos lugares usada pela molecada como bola de futebol. Então, o lobo-guará é um plantador de “bolas de futebol” para crianças pobres, que um dia podem se transformar em atletas.
Além disso, o lobo-guará é um símbolo do Cerrado, o bioma brasileiro que vem sendo castigado com maior violência nos últimos tempos, pela ganância do agronegócio. Destroem o Cerrado com uma rapidez jamais vista. Demoraram uns quatro séculos para arrasar a Mata Atlântica até o estado em que ela se encontra hoje, mas no ritmo de hoje, o Cerrado – com suas dez mil espécies vegetais, grande parte delas de uso medicinal, ainda não pesquisadas – vai deixar de existir.
E mais uma coisa, que é um azar desse animal que de tão feio se torna bonito, com sua magreza e suas caminhadas solitárias: seu olho é considerado um amuleto. Matam o animal para retirar seus olhos e transformá-los em amuletos que, na opinião dos babacas, os tornarão irresistíveis para atrair mulheres.
Eis aí, então, um animal que representaria muito se fosse escolhido mascote, pois estudando seus modos de vida, seus hábitos, certamente se tomaria consciência dos prejuízos que a destruição do Cerrado causará ao Brasil. Maiores que os prejuízos causados pela Fifa.
E tem mais…
Prometi aos editores sugerir dez alternativas para o Fuleco fuleiro. Poderia ser até mais. Mas aí vão os três que faltam.
Um deles é a arara, uma bela ave, defendida por vários grupos para ser mascote. Vale pela beleza, embora não seja exclusivamente brasileira. Posso sugerir como mais “brasileiro”, no caso, seu parente papagaio, personagem de piadas e de gozações. Mas não o Zé Carioca, alternativa imbecil sugerida pelo prefeito do Rio. Para começar, a Copa não é só no Rio, é no Brasil inteiro, e, mais importante que isso, Zé Carioca é fruto da Guerra Fria, quando os gringos, na figura de Walt Disney, resolveram criar um personagem de filmes e quadrinhos que agradasse o que acham ser o “quintal”, deles. E se a gente discorda do Fuleco por causa dos royalties, da exploração financeira da mascote, a coisa aí seria pior ainda: teríamos que pagar royalties também aos gringos da Disney.
Pensando bem, até que o papagaio podia agradar os cartolas brasileiros: ele é um imitador. E a cartolagem vai transformando o futebol brasileiro em uma reles imitação…
Outro animal que tinha seus adeptos como o que representaria bem a brasilidade como mascote é a onça-pintada. Chamada jaguar pelos tupis, é símbolo da valentia, da esperteza na caça, e é cheia de mistérios. Ah, se o futebol brasileiro não usar salto alto… Bom, é também um animal em quase extinção. Respeitável.
Para completar, se a seleção continuar com um jogo teimoso, que não dá certo, com patadas e empacações, o símbolo perfeito não é originário do Brasil, mas é bem adaptado aqui, principalmente nos sertões, onde trabalha, trabalha, e nada ganha, como a maioria do povo brasileiro. É o jegue, como o chamam no Nordeste, mas também conhecido como jerico ou jumento. Bom… Ele representaria bem muitos dos cartolas brasileiros, assim como alguns técnicos e muitos políticos. Além, claro, desse lado bem brasileiro, de ser explorado sem misericórdia.
Esta crônica é parte integrante da edição 119 da Fórum
Pós-conceitos
(conceitos que você não vai encontrar em nenhum dicionário)
Tendão de Aquiles – barraca enorme, para acampamento. Aquiles, chefe militar grego, em suas campanhas ficava numa tenda grandona, que ficou famosa. Perto delas, as outras tendas não chegavam nem no calcanhar.
• • •
Vergastar – situação de pobre diante de ricos gastões: só fica vendo e invejando.
Fragilidade – velhice. Idade em que as pessoas têm os ossos frágeis, que se quebram facilmente.
Desaforismos
(aforismos meio desaforados)
Foi a Roma e não viu o Papa… Lá tem muita coisa melhor pra se fazer, não?
• • •
Quem nasceu pra ladrão pé-de-chinelo nunca chega a corrupto.
• • •
No fundo, no fundo, o pensamento de certos intelectuais está abaixo de raso.
Kaikais
(desafiorismos em forma de haicais)
Enchente ou seca: o povo sofre
E o político safado
Recheia seu cofre
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De mente aberta
Sua fama
É de demente
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Águas passadas
Movem moinhos
Pelo rio abaixo
Preguntas
(perfuntas perfurantes)
Japona é japonesa grande, tipo jogadora de basquete?
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Búfalo grande é bufão?
• • •
Alegria de roceiro é dinheiro, mulher e bicho de pé, porque, o que adianta dinheiro e mulher se o “bicho” não ficar de pé? (Caipira anônimo)
Luizim não tinha ainda nem um mês de São Paulo. Saiu do Sul de Minas disposto a trabalhar e estudar e já estava empregado. Tinha também arrumado um colégio para fazer o curso noturno.
Nesse pouco tempo de São Paulo, aprendeu a se virar bem na cidade, conhecia razoavelmente o centro e o bairro de Pinheiros, onde foi morar, mas ainda não tinha se acostumado com certas coisas.
Em Minas, numa cidade pequena, não tinha essa coisa de pegar ônibus diariamente. Aliás, andar em qualquer veículo motorizado era um luxo. Quando pegava a jardineira — o que era só de vez em quando, pra ir às cidades “grandes” da região, Guaxupé e Muzambinho — ela esperava o passageiro se acomodar, ainda que de pé, e saía devagarinho, ele se equilibrava fácil dentro dela.
Em São Paulo era uma loucura, tudo era muito apressado, achava que ninguém tinha paciência pra nada, e muitas pessoas não eram dispostas a ter uma atitude compreensiva com quem não estava acostumado ao ritmo da cidade.
Num sábado, início da tarde, fazendo quatro semanas de vida na Pauliceia, o Luizim foi visitar um conterrâneo num bairro próximo. Depois de um bate-papo em que rolaram muitas saudades da família e da cidade natal, mas ao mesmo tempo uma vontade de encarar a cidade grande e “vencer” nela, foi pegar o ônibus de volta para casa.
Estava na rua da Consolação, longe do ponto, viu o ônibus que queria tomar se aproximar e passar por ele. O ônibus parou para pegar alguns passageiros, ele correu e o alcançou quando já ia saindo, com a porta aberta. Entrou correndo e o ônibus deu uma arrancada brusca, antes que ele se segurasse “naqueles canos de travessado”. Perdeu o equilíbrio, rodopiou e caiu em direção a uma mulher que estava sentada num banco que fica de costas para a janela, o que na época se chamava “banco dos bobos”. Uma mão dele passou rente ao rosto dela e se afirmou na janela do ônibus. A outra foi direto num seio da danada. Pra quê! Foi um escândalo!
A mulher começou a falar alto:
— Sem-vergonha! Finge que tá caindo pra se aproveitar da gente. Pensa que eu não vi suas intenções?
E xingou, xingou, conquistando aos poucos alguns adeptos, a começar por uma mulher com cabelo cheio de laquê, que afirmava ser essa uma nova tática dos tarados: fingir que estava caindo pra apalpar os seios das moças. Luizim nem chiou. Achou que não valia a pena tentar explicar, que ninguém ouviria, e ficou calado, injuriado. Outros foram aderindo à “vítima” daquele tarado. Uns cinco minutos depois já estavam quase querendo linchar o rapazinho tão novo — pela cara nem tinha dezoito anos ainda — e já tão safado.
Como ele não falava nada, não respondia nem reagia, uma das esbravejadoras desconfiou:
— Acho que ele é surdo-mudo. Não ouviu nada, não falou nada…
Aí outros foram olhando, aderindo ao pensamento dela e por fim a própria vítima estava reconhecendo:
— Coitado… acho que ele caiu sem querer… Foi desequilíbrio…
E o Luizim achou divertida a conversão de todos. Pagou a passagem e passou a roleta sem falar nada e ficou escutando as declarações de pena dele, enquanto pensava: “Quer dizer que surdo-mudo não faz sacanagem? Só porque acham que sou surdo-mudo agora sou um santo?”.
Bom, se fosse hoje teria que censurar seus pensamentos politicamente incorretos. Hoje em dia cara que não ouve nada não é mais surdo, é “deficiente auditivo”. E mudo também… Seria deficiente áudio-oral?
Fechemos o parêntese, voltemos ao Luizim no ônibus. Ficou na dele, sendo olhado com piedade por pessoas que minutos antes queriam matá-lo. Aí chegou ao ponto em que devia descer. Desceu. No chão, andou uns três metros, virou-se para trás e gritou para todo mundo no ônibus:
— Ô, mudaiada!
Aí sim, viu gente braba. O ônibus parou e abriu a porta para a horda correr atrás dele. E como corriam!…
Esta crônica é parte integrante da edição 118 da Fórum
Andei me lembrando de umas histórias de apreciadores de cachaça da minha terra, que já andei contando no livro Santa Rita Velha Safada. Como pouca gente leu esse livro, acho que vale repetir aqui, juntando três delas.
1. Na minha infância, eu era um grande admirador de um grande poeta analfabeto, o Rosário, que declamava suas “décimas” (esse era o nome que dava aos poemas) em troca de doses de Levanta e Cai, a cachaça mais popular da cidade.
Um dia, ele entrou na venda do Luizinho, pediu uma cachaça, e o vendeiro disse que a cachaça tinha acabado. Na verdade, não queria vender ao Rosário, que já estava meio calibrado. Só que o poeta acreditou, fez uma cara muito triste e sapecou:
Cachaceiro entrou na venda,
sentiu mágoa e chorou,
quando o vendeiro disse
que a cachaça acabou.
Oh! Que notícia cruel!
Oh! Que notícia tirana!
Não sei pra que tanto engenho,
não sei pra que tanta cana!
2. Outro apreciador da Levanta e Cai era o Micuim. Num sábado à noite, bebeu bastante e dormiu na porta da casa de uma velha que odiava cachaceiros. No domingo de manhã, quando saía para ir à missa, ela deu de cara com o Micuim dormindo atravessado em frente à sua porta. Resolveu dar-lhe uma reprimenda e uns conselhos. Cutucou-o com o bico do sapato, ele acordou, e ela disse:
– Seo Micuim, você vive bêbado, parece que perdeu o gosto pela vida, não acredita em Deus, não acredita em nada…
Ele a interrompeu:
– Pera aí! Eu acredito em dois santos.
Ela se admirou e pensou que ele até podia ter salvação, perguntou em que santos ele acreditava. Ele fez uma cara séria e respondeu:
– São Risal, quando tô de ressaca, e São Duíche, quando com fome.
3. Por falar em “São Risal”, isso não existia por aquelas bandas. Apareceu no final da década de 1950. E vejam o que aconteceu na venda do Zé Fernandes.
Tinha um ou outro freguês sentado em latas de óleo ou caixões e ele quase cochilando atrás do balcão, esperando o tempo passar, quando Bastião Ponte entrou agitado, reclamando mais e mais alto que de costume:
– Olha, seu Zé, eu não aguento mais a Gioconda. É o dia inteiro “Bastião faz isso, Bastião faz aquilo”, não me dá sossego! Não aguento mais, eu quero é morrer pra descansar um pouco, é o único jeito! O senhor tem um veneno bom aí?
Gioconda era uma irmã dele, e ele vivia com ela, fazendo pequenos serviços.
– É verdade, Bastião. A tua vida é ruim mesmo, vou te arranjar um veneno que é batata, mata mesmo – respondeu o vendeiro.
Bastião não esperava isso. Pensou que ele ia começar com aquela conversa de “não faça isso, calma…” e lhe dar uma boa dose de pinga. Mas em vez disso, Zé Fernandes não só concordou com a sua vontade de se suicidar como até começou a procurar o veneno. Ele começou a ficar incomodado e falou com um freguês da venda:
– Eu vou me suicidar!
– Também… Com uma vida ruim como a tua, tem que se suicidar mesmo.
Quando ia falar com outro freguês, Zé Fernandes lhe mostrou o veneno, num envelope escrito “Sonrisal”:
– É um veneno novo, mata na hora!
Colocou o Sonrisal em meio copo d’água e ele começou a ferver. Bastião nunca tinha visto aquilo, um veneno que ferve no copo, e dirigiu-se a outro freguês:
– Vou morrer. O Zé Fernandes tá preparando um veneno pra mim!
– Isso mesmo! Só assim a Gioconda para de te encher o saco.
E ele foi de um em um, esperando um “deixa disso” pra dizer “tem razão” e se mandar rápido. Mas só recebeu estímulos para o suicídio. Já estava apavorado, quando Zé Fernandes chamou:
– Ô, Bastião, o veneno tá pronto. Vai tomar ou não vai?
– Mas esse veneno mata mesmo?
– Ora, se mata! Quero até pedir pra você beber depressa e colocar imediatamente o copo no balcão. Não quero que você caia morto com o meu copo na mão e ele quebre, vai me dar prejuízo.
Esta crônica é parte integrante da edição 116 de Fórum.
A Copa do Mundo é deles! (Com a Fifa há quem possa?)
09/01/2013 | Publicado por em Sem categoria - (0 comentários)Amijubi? Dizem que é uma união de parte das palavras amizade e júbilo. Mas você poria esse nome num filho?
E Zuzeco, mistura de azul com ecologia?
E Fuleco, mistura de futebol com ecologia? A palavra lembra mais o adjetivo “fuleiro”.
Que a Fifa e a CBF tenham escolhido o tatu-bola como mascote da Copa de 2014, vá lá. Ele é um bicho inofensivo, não faz mal a ninguém, as pessoas é que fazem mal a ele. Tanto que o coitado está em perigo de extinção.
A sua escolha tem sentido, é um animal que vira bola, portanto tem algo a ver com o futebol, embora mais uma vez como vítima dos homens: bola, no futebol, é para ser chutada.
A Sociedade dos Observadores de Saci (Sosaci) tinha proposto que nosso ídolo, o Saci, fosse o escolhido. Seria legal para estimular o maior conhecimento da nossa cultura popular, da riquíssima mitologia indígena, no caso a tupi-guarani. Mas há algum tempo eu mesmo já vinha pensando que se a Copa for mal organizada e causar vergonha, ou se a seleção brasileira for uma porcaria e não chegar nem às quartas-de-final, tendo o Saci como mascote, uns bobões iriam dizer: “Também, com um mascote como o Saci”.
Iam culpar nosso perneta. E uns mais bobões ainda iriam, com a história de serem “politicamente corretos” (no resto podem ser incorretos em tudo), ficar remoendo que o Saci fuma. Para eles, tudo bem que Baco, romano, fosse homenageado com bacanais; Dionísio, grego, fosse homenageado com festas dionisíacas; que Zeus, o principal mito grego, forçasse a barra para se tornar amante de muitas mulheres e matasse ou mandasse matar os maridos delas. O grande mal é o Saci, porque ele fuma!
Bom, o Saci se livrou dessa. Se formos mal ou promovermos uma Copa bagunçada, a culpa já não será do nosso ícone, nosso mito mais popular.
A escolha que a Fifa e a CBF fizeram até que foi boa. Tem algo a ver com o meio ambiente, uma causa que é de quase todo mundo. O que acho ruim é a forma que fazem as coisas, e a finalidade maior dessas instituições por acaso futebolísticas: ganhar dinheiro, faturar, faturar, faturar…
Decidem tudo às escuras e tomam todas as providências para que ninguém ouse não dar lucro elas. Usou, tem que pagar. O Saci já tem desenhos aos montes por aí, e muitas outras pessoas desenhariam seu próprio Saci. Seria difícil controlar, não?
Mas o tatu-bola só foi anunciado depois de devidamente registrado na caixa registradora, epa!, nos cartórios, como propriedade delas. Não vou ser “do contra”, minha torcida é para que a Copa seja um sucesso, e a seleção seja campeã, jogando bonito.
Voltando à Fifa e à CBF, para dar um toque “democrático”, fazem um concurso para escolher o nome do personagem. E, coitado, que alternativas! Amijubi, Zuzeco ou Fuleco? Olha, dona Fifa… Não, não vou falar.
Antes já nomearam a bola de futebol oficial com o nome de Brazuca, com Z mesmo. Mais uma submissão dos “brasucas” aos gringos. O sufixo “uca” é pejorativo, e nem puseram brasuca com “s”, é com “z”. Será que viramos colônia da Fifa?
Agora, vamos escolher “democraticamente” o nome oficial do tatu-bola da Fifa. Amijubi, Zuzeco ou Fuleco! Que horror!
Lembrei-me agora dum caso que contei num livro, sobre um tatu. Não era tatu-bola, mas vá lá. Na verdade, é sobre um conhecido meu. E repito o causo aqui. Que tal Celsão, para o nome do tatu mascote? Leiam abaixo e pensem se não é merecido.
Celsão é separado da mulher e se mantém irredutível na atual solteirice.
– Mulher é que não me falta – diz ele.
Mas às vezes falta! E naquelas noites de frio, em que um cobertor de orelhas é melhor do que qualquer outro, pode-se ocasionalmente ver o Celsão descer sorrateiramente o Beco da Cadeia, olhar para os lados assegurando-se de que ninguém está vendo (a gente fica de tocaia), bater levemente na janela da ex-mulher, a janela se abrir e ele pular sorrateiramente para dentro.
Uma manhã, flagrado quando saía da casa de sua ex-mulher, explicou:
– Tatu que é esperto não esquece buraco antigo. F
Esta crônica é parte integrante da Fórum 115.
Amigos,
Recebi o texto abaixo, achei interessante e tasco aqui pra quem se interessar.
Os gringos gostam de aparecer ao mundo como os grandes defensores das liberdades, de vangloriar de terem a melhor qualidade de vida do planeta, que nada é melhor do que o “american way of life” (o modo de vida americano)… bom, não é bem assim como mostram alguns fatos chocantes do país dos gringos. Dê uma olhada e veja como os EUA também têm telhado de vidro como todo mundo… a diferença é que eles não gostam de mostrar esse lado, nem pra eles mesmos… confira.
Dez fatos chocantes sobre os Estados Unidos
Fonte: http://www.luamansa.com/
1. Maior população prisional do mundo
Elevando-se desde os anos 80, a surreal taxa de encarceramento dos EUA é um negócio e um instrumento de controle social: à medida que o negócio das prisões privadas alastra-se como uma gangrena, uma nova categoria de milionários consolida seu poder político. Os donos destas carcerárias são também, na prática, donos de escravos, que trabalham nas fábricas do interior das prisões por salários inferiores a 50 cents por hora. Este trabalho escravo é tão competitivo, que muitos municípios hoje sobrevivem financeiramente graças às suas próprias prisões, aprovando simultaneamente leis que vulgarizam sentenças de até 15 anos de prisão por crimes menores como roubar chicletes. O alvo destas leis draconianas são os mais pobres, mas, sobretudo, os negros, que representando apenas 13% da população norte-americana, compõem 40% da população prisional do país.
2. 22% das crianças americanas vive abaixo do limiar da pobreza.
Calcula-se que cerca de 16 milhões de crianças norte-americanas vivam sem “segurança alimentar”, ou seja, em famílias sem capacidade econômica para satisfazer os requisitos nutricionais mínimos de uma dieta saudável. As estatísticas provam que estas crianças têm piores resultados escolares, aceitam piores empregos, não vão à universidade e têm uma maior probabilidade de, quando adultos, serem presos.
3. Entre 1890 e 2012, os EUA invadiram ou bombardearam 149 países.
O número de países nos quais os EUA intervieram militarmente é maior do que aqueles em que ainda não o fizeram. Números conservadores apontam para mais de oito milhões de mortes causadas pelo país só no século XX. Por trás desta lista, escondem-se centenas de outras operações secretas, golpes de Estado e patrocínio de ditadores e grupos terroristas. Segundo Obama, recipiente do Nobel da Paz, os EUA conduzem neste momente mais de 70 operações militares secretas em vários países do mundo. O mesmo presidente criou o maior orçamento militar norte-americano desde a Segunda Guerra Mundial, superando de longe George W. Bush.
4. Os EUA são o único país da OCDE que não oferece qualquer tipo de subsídio de maternidade.
Embora estes números variem de acordo com o Estado e dependam dos contratos redigidos por cada empresa, é prática corrente que as mulheres norte-americanas não tenham direito a nenhum dia pago antes ou depois de dar à luz. Em muitos casos, não existe sequer a possibilidade de tirar baixa sem vencimento. Quase todos os países do mundo oferecem entre 12 e 50 semanas pagas em licença maternidade. Neste aspecto, os Estados Unidos fazem companhia à Papua Nova Guiné e à Suazilândia.
5. 125 norte-americanos morrem todos os dias por não poderem pagar qualquer tipo de plano de saúde.
Se não tiver seguro de saúde (como 50 milhões de norte-americanos não têm), então há boas razões para temes ainda mais a ambulância e os cuidados de saúde que o governo presta. Viagens de ambulância custam em média o equivalente a 1300 reais e a estadia num hospital público mais de 500 reais por noite. Para a maioria das operações cirúrgicas (que chegam à casa das dezenas de milhar), é bom que possa pagar um seguro de saúde privado. Caso contrário, a América é a terra das oportunidades e, como o nome indica, terá a oportunidade de se endividar e também a oportunidade de ficar em casa, torcendo para não morrer.
6. Os EUA foram fundados sobre o genocídio de 10 milhões de nativos. Só entre 1940 e 1980, 40% de todas as mulheres em reservas índias foram esterilizadas contra sua vontade pelo governo norte-americano.
Esqueçam a história do Dia de Ação de Graças com índios e colonos partilhando placidamente o mesmo peru em torno da mesma mesa. A História dos Estados Unidos começa no programa de erradicação dos índios. Tendo em conta as restrições atuais à imigração ilegal, ninguém diria que os fundadores deste país foram eles mesmos imigrantes ilegais, que vieram sem o consentimento dos que já viviam na América. Durante dois séculos, os índios foram perseguidos e assassinados, despojados de tudo e empurrados para minúsculas reservas de terras inférteis, em lixeiras nucleares e sobre solos contaminados. Em pleno século XX, os EUA iniciaram um plano de esterilização forçada de mulheres índias, pedindo-lhes para colocar uma cruz num formulário escrito em idioma que não compreendiam, ameaçando-as com o corte de subsídios caso não consentissem ou, simplesmente, recusando-lhes acesso a maternidades e hospitais. Mas que ninguém se espante, os EUA foram o primeiro país do mundo oficializar esterilizações forçadas como parte de um programa de eugenia, inicialmente contra pessoas portadoras de deficiência e, mais tarde, contra negros e índios.
7. Todos os imigrantes são obrigados a jurar não ser comunistas para poder viver nos EUA.
Além de ter que jurar não ser um agente secreto nem um criminoso de guerra nazi, vão lhe perguntar se é, ou alguma vez foi membro do Partido Comunista, se tem simpatias anarquista ou se defende intelectualmente alguma organização considerada terrorista. Se responder que sim a qualquer destas perguntas, será automaticamente negado o direito de viver e trabalhar nos EUA por “prova de fraco carácter moral”.
8. O preço médio de uma licenciatura numa universidade pública é 80 mil dólares.
O ensino superior é uma autêntica mina de ouro para os banqueiros. Virtualmente, todos os estudantes têm dívidas astronômicas, que, acrescidas de juros, levarão, em média, 15 anos para pagar. Durante esse período, os alunos tornam-se servos dos bancos e das suas dívidas, sendo muitas vezes forçados a contrair novos empréstimos para pagar os antigos e assim sobreviver. O sistema de servidão completa-se com a liberdade dos bancos de vender e comprar as dívidas dos alunos a seu bel prazer, sem o consentimento ou sequer o conhecimento do devedor. Num dia, deve-se dinheiro a um banco com uma taxa de juros e, no dia seguinte, pode-se dever dinheiro a um banco diferente com nova e mais elevada taxa de juro. Entre 1999 e 2012, a dívida total dos estudantes norte-americanos cresceu à marca dos 1,5 trilhões de dólares, elevando-se assustadores 500%.
9. Os EUA são o país do mundo com mais armas: para cada dez norte-americanos, há nove armas de fogo.
Não é de se espantar que os EUA levem o primeiro lugar na lista dos países com a maior coleção de armas. O que surpreende é a comparação com outras partes do mundo: no restante do planeta, há uma arma para cada dez pessoas. Nos Estados Unidos, nove para cada dez. Nos EUA podemos encontrar 5% de todas as pessoas do mundo e 30% de todas as armas, algo em torno de 275 milhões. Esta estatística tende a se elevar, já que os norte-americanos compram mais de metade de todas as armas fabricadas no mundo.
10. Há mais norte-americanos que acreditam no Diabo do que os que acreditam em Darwin.
A maioria dos norte-americanos são céticos. Pelo menos no que toca à teoria da evolução, já que apenas 40% dos norte-americanos acreditam nela. Já a existência de Satanás e do inferno soa perfeitamente plausível a mais de 60% dos norte-americanos. Esta radicalidade religiosa explica as “conversas diárias” do ex-presidente Bush com Deus e mesmo os comentários do ex-pré-candidato republicano Rick Santorum, que acusou acadêmicos norte-americanos de serem controlados por Satã.
Artigo originalmente publicado no portal galego Diário Liberdade

