O que interessa é a vida sexual de Zumbi?

Vem chegando o 13 de maio, data oficial da libertação dos escravos no Brasil, mas hoje em dia muito pouca gente leva essa comemoração a sério.

O dia comemorado pelos movimentos negros é 20 de novembro, data da morte de Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares.

Muitas discussões acontecem agora, e vi que está sendo lançado um livro questionando a história de Zumbi.

Realmente, é muito difícil fazer uma biografia de alguém que morreu há muito tempo, no Brasil, que não era da elite do país. Se era um lutador contra o poder colonial ou imperial, então, mais difícil ainda.

Viver tem que ser chato!

Ler os jornais, hoje em dia, me faz lembrar do Febeapá – Festival de Besteiras que Assola o País – retratado nas crônicas de Stanislaw Ponte Preta, numa época em que o autoritarismo e a imbecilidade reinantes eram basicamente atribuídos à ditadura militar.
Agora temos aí os Poderes Legislativo e Judiciário funcionando plenamente – embora pessimamente –, mas o Febeapá de hoje não perde em nada para o dos tempos da ditadura.
Uma das coisas é o intervencionismo do Estado em coisas que ele não tem nada que se meter na vida da gente. Temos um Estado que nos trata como incapazes de saber o que podemos e o que não podemos fazer. E nos impõe comportamentos imbecis que certas minorias gostam.

Léa se foi

Amigos,

Tenho o dever de colocar uma notícia triste aqui. Na madrugada de 21 de abril, morreu a minha amiga (e de muita gente) Léa Depresbiteris, mulher do também amigo Mário Candido da Silva Filho, ex-presidente da Sosaci (Sociedade dos Observadores de Saci) e seu atual tesoureiro.

A Léa era muito generosa, estava sempre ajudando as outras pessoas. Tinha uma sensibilidade muito grande em relação à pobreza e seus trabalhos como pedagoga tinham sempre uma preocupação em relação ao assunto.

Nos últimos anos, depois de aposentada pelo Senai, dava cursos, treinamentos e palestras por todo o Brasil e no exterior. Foi com os excessos de milhagens dela, que me presenteou, que viajei para a Bolívia, o Amapá, Roraima e Tocantins. E estávamos planejando uma viagem dela com o Mário, a Célia e eu para o Equador.

Apóstolo Atleta

A impressão que tenho quando converso com homens da minha geração que moravam em pequenas cidades mineiras é que quase todos foram coroinhas.

Eu mesmo não escapei disso.

Quer dizer, “não escapei” entre aspas, fui ser porque quis, ninguém me forçou. É que eu via outros moleques indo ajudar nas missas e rezas e, como a gente quase não tinha o que fazer, deu vontade de entrar nessa também.

Num tempo em que não existiam bibliotecas públicas nem escolares na cidade, não havia quadra de esportes nem piscinas, o que fazíamos eram brincadeiras impensáveis hoje.

Víamos os filmes do Tarzã e imitávamos. Numa capoeira que chamávamos “selvinha”, havia cipós para ir de árvore em árvore e alguns meninos eram craques nisso. Eu não. Mas até que com o arco e flecha eu não era tão ruim, embora não fosse um craque como uns outros.

O silêncio que vem do Araguaia

Amigos,

Li os originais do livro da Liniane. É ótimo, emocionante. Vou ao lançamento (segunda, dia 9, a partir das 18h30) na Livraria Cultura da Avenida Paulista, e recomendo que compareçam também.

Vejam mais informações sobre o livro:

ANTES DO PASSADO
O silêncio que vem do Araguaia

Como me tornei um matador sádico

Pra começar, todo matador diz que suas vítimas mereciam morrer, e eu não sou diferente nisso.

Estou me referindo às drosófilas, um mosquitinho maldito. Para quem não sabe qual é, explico: é aquele bem pequenininho que aparece quando temos, por exemplo, bananas muito maduras em casa.

O problema é que podemos jogar as bananas fora, limpar tudo que, de repente, aparece um ando das malditas.

Já aconteceu de viajar de férias, passar um mês fora, tendo o cuidado de não deixar em nenhum lugar qualquer coisa que poderia servir de alimento para as malditas e, na volta, parecia que elas tinham se convencido que não tinham mais o que comer na minha casa.

O prêmio da loteria

No final de 2011 liguei a televisão algumas vezes em programas rotulados como telejornais e me enchi de lembranças de outros tempos que a juventude atual poderia até rotular como “de vidas passadas”, porque parecem muito antigas. Mas não são tão antigas assim.

O que me provocou umas lembranças divertidas foi uma matéria sobre a Mega Sena de fim de ano, com a clássica pergunta dessa época de falta de assunto: “Se você ganhasse sozinho, o que faria com a grana?”.

A resposta era sempre um festival de mesmice: comprar uma casa era a mais comum, por pessoas que tentavam parecer “responsáveis” e merecedoras. Outra resposta era aquilo de “ajudar todo mundo”, uma falsidade. E uma resposta muito besta, natural do nosso tempo de culto ao automóvel, em que se gasta mais tempo para ir de carro a alguns lugares do que a pé: “Comprar um carro para cada filho”.

Quero o Paysandu no campeonato brasileiro!

Diante do tropeço do Santos frente ao invencível Barcelona, uma espécie de seleção mundial, lembro dos bons tempos do futebol brasileiro em que o campeonato nacional era chamado de “o melhor do mundo”, quando, em vez de brasileiros acompanhando campeonatos europeus, eram os europeus que acompanhavam com inveja, pela TV, os jogos dos nossos times.

O futebol brasileiro já teve momentos absurdos também, como no tempo da ditadura. “Onde a Arena vai mal, um time no nacional. Onde a Arena vai bem, um time também”, era a brincadeira que se fazia. O futebol quase sempre foi e é utilizado politicamente, e a ditadura brasileira fez isso com muito sucesso.

Além de faturar em cima da conquista da Copa de 1970, aproveitou a euforia futebolística para agradar o eleitorado, colocando timecos regionais para disputar o campeonato nacional. Em 1979, chegou a 94 o número de times na disputa.

São Paulo sem nenhum problema

No próximo ano, todos os problemas de São Paulo estarão resolvidos.

As escolas municipais serão ótimas e com vagas para todas as crianças. E os professores, bem pagos e bem formados, ganharão um salário muito digno.

Vai ter postos de saúde em todos os bairros, e esses postos serão muito eficientes, atendendo todo mundo com rapidez. Não faltarão remédios, e o pessoal que trabalha nesses postos vai trabalhar com satisfação, ainda mais que vão ganhar muito bem.

Os ônibus circularão com intervalos mínimos, transportando todo mundo sentado, porque não haverá necessidade de superlotação, serão muitos ônibus à disposição do usuário.

Yo non soy turista!

Dezembro é um mês difícil pra quem gosta de frequentar bares em São Paulo. As comemorações de fim de ano são infernais. Juntam-se “colegas” de trabalho que no dia a dia às vezes nem se conversam, às vezes se sacaneiam, e vão a um bar brindar e entregar presentes de amigo secreto (em alguns lugares, o nome é amigo oculto) entre gritinhos estridentes.

Pessoas que não bebem, tomam umas e outras e se tornam o centro do mundo, falando alto, gritando, dando risadas altas por qualquer motivo. E quem é botequeiro normalmente fica sem ambiente nesses lugares.

Antes de ser um aposentado, um vagabundo que suga o dinheiro da nação segundo alguns por aí (os 35 anos de pagamento de INSS seriam para quê?), eu tentava sair de férias em dezembro não por gostar do calorão desse mês. Era para escapar das festinhas de fim de ano em São Paulo.

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