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	<title>Blog do Mouzar &#124; Revista Fórum</title>
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		<title>O que interessa é a vida sexual de Zumbi?</title>
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		<pubDate>Thu, 10 May 2012 13:53:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mouzar</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[13 de Maio]]></category>
		<category><![CDATA[abolição da escravatira]]></category>
		<category><![CDATA[Quilombo dos Palmares]]></category>
		<category><![CDATA[Zumbi]]></category>
		<category><![CDATA[Zumbi gay?]]></category>

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		<description><![CDATA[Vem chegando o 13 de maio, data oficial da libertação dos escravos no Brasil, mas hoje em dia muito pouca gente leva essa comemoração a sério. O dia comemorado pelos movimentos negros é 20 de novembro, data da morte de Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares. Muitas discussões acontecem agora, e vi que está sendo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: medium;">Vem chegando o 13 de maio, data oficial da libertação dos escravos no Brasil, mas hoje em dia muito pouca gente leva essa comemoração a sério.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">O dia comemorado pelos movimentos negros é 20 de novembro, data da morte de Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Muitas discussões acontecem agora, e vi que está sendo lançado um livro questionando a história de Zumbi. </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Realmente, é muito difícil fazer uma biografia de alguém que morreu há muito tempo, no Brasil, que não era da elite do país. Se era um lutador contra o poder colonial ou imperial, então, mais difícil ainda.</span></p>
<p><span id="more-422"></span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Há anos, uma editora me pediu para fazer uma biografia de Chico Rei. Fiquei interessado, mas acabei desistindo, depois de concluir que muito do que se fala desse rei escravizado é lenda. </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Em outro livro, sobre Luiz Gama, um negro de grande inteligência, libertador de escravos, foi menos difícil, mas não foi fácil. E ele era um intelectual militante, jornalista, poeta e rábula, quer dizer, advogado não formado, já no século XIX, no Império.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">E sobre a mãe dele, então, a mitológica Luíza Mahin, que participou de muitas rebeliões na Bahia, não havia nada.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Por isso, acredito que pode haver erros de informação sobre Zumbi, mas tem gente exagerando nas interpretações. E se preocupam com coisas que não têm nada a ver com a grande luta dos quilombolas.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Uma dessas coisas, tratadas como informação não confirmada, uma lenda, é que ele</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"> era homossexual. Podia ser ou não, isso não tem nada a ver com a importância histórica do Quilombo dos Palmares.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Foi o antropólogo Luiz Mott, do Grupo Gay da Bahia, que começou com essa história. Em outros trabalhos, ele conclui que praticamente todo mundo que teve importância na história do Brasil era gay.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Por exemplo: Lampião, segundo ele, entrou para o cangaço e sua valentia seria para esconder que era homossexual. O escritor Gilberto Freyre é outro colocado na lista.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Dá a impressão que quem quer que seja o personagem estudado por ele, a primeira conclusão é essa: era gay.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Agora, li numa entrevista que, segundo Luiz Mott, não há provas de que Zumbi era heterossexual.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Estranho: se não há provas de que ele era heterossexual, fica provado que era homossexual?</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Nessas circunstâncias, eu me lembro do personagem “Seu Peru”, da Escolinha do Professor Raimundo. Qualquer pergunta sobre um personagem qualquer feita por Chico Anysio, o professor Raimundo, ele respondia: “Era gay”.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Depois fazia um ar de afetado e concluía com algo que não me lembro bem, mas era coisa como “mais um para a confraria”.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Ainda vão concluir que Adão e Eva existiram, sim. E que Adão era gay e Eva era lésbica. Tiveram algumas transas, só para procriar. Afinal, o próprio Luiz Mott diz que foi casado e tem duas filhas.</span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Viver tem que ser chato!</title>
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		<pubDate>Wed, 09 May 2012 16:14:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mouzar</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[moral]]></category>
		<category><![CDATA[proibição]]></category>
		<category><![CDATA[religião]]></category>

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		<description><![CDATA[Ler os jornais, hoje em dia, me faz lembrar do Febeapá – Festival de Besteiras que Assola o País – retratado nas crônicas de Stanislaw Ponte Preta, numa época em que o autoritarismo e a imbecilidade reinantes eram basicamente atribuídos à ditadura militar. Agora temos aí os Poderes Legislativo e Judiciário funcionando plenamente – embora [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>Ler os jornais, hoje em dia, me faz lembrar do Febeapá – Festival de Besteiras que Assola o País – retratado nas crônicas de Stanislaw Ponte Preta, numa época em que o autoritarismo e a imbecilidade reinantes eram basicamente atribuídos à ditadura militar.</div>
<div>Agora temos aí os Poderes Legislativo e Judiciário funcionando plenamente – embora pessimamente –, mas o Febeapá de hoje não perde em nada para o dos tempos da ditadura.</div>
<div>Uma das coisas é o intervencionismo do Estado em coisas que ele não tem nada que se meter na vida da gente. Temos um Estado que nos trata como incapazes de saber o que podemos e o que não podemos fazer. E nos impõe comportamentos imbecis que certas minorias gostam.</div>
<p><span id="more-417"></span></p>
<div>O Estado laico tornou-se uma mentira. E pior: os princípios que querem impor a todo mundo não são da igreja majoritária. Religiões minoritárias impõem suas regras a todo mundo.</div>
<div>Um exemplo que já cansei de citar: em Sorocaba, dois vereadores evangélicos “obrigaram” o prefeito a não referendar o projeto de lei, aprovado na Câmara, que oficializava 31 de outubro como Dia do Saci, ameaçando pular para a oposição. Para eles, mitologia é coisa do diabo. Dois vereadores impuseram sua vontade a uma grande maioria.</div>
<div>Outro exemplo: no litoral norte de São Paulo, não me lembro onde, certa vez um prefeito mandou tirar a estátua de Iemanjá de uma praia, para conseguir o apoio de um vereador que via nela a representação de um culto satânico. Sorte que o povo viu e impediu. Fez o que todos deviam fazer: obrigar os cretinos a respeitar as religiões alheias.</div>
<div>Enfim, o que vemos no Congresso Nacional, nas Assembleias Legislativas e nas Câmaras Municipais é isso: a minoria mandando na maioria.</div>
<div>E presidentes, governadores e prefeitos aceitam essa dominação, com medo de perder dez por cento dos votos dos congressistas, que é mais ou menos a proporção desses religiosos. Os outros 90 por cento que se danem! Ora, acho que nesse caso vale um ultimato da maioria, aos presidentes, governadores e prefeitos: se acatarem essa minoria, nós todos ficamos contra você.</div>
<div>Pior é que os religiosos (nisso se incluem muitos católicos também) encaram certas coisas como se eles fossem vítimas. No caso da lei do aborto, tratam do assunto como se todas as mulheres que engravidassem fossem obrigadas a abortar. Ora&#8230; Sua religião é contra? Então não pratique isso. Ninguém é obrigado.</div>
<div>Ah! no Febeapá tem os “não pode”: “não pode isso”, “não pode aquilo”. Pior é que os “não pode” se espalham. Um estado copia o outro, proibindo coisas que são questões individuais, ou práticas sociais, nunca questões de Estado.</div>
<div>Agora cheguei ao “não pode” que me levou a escrever esta crônica. O deputado estadual Campos Machado, do PTB de São Paulo, fez um projeto de lei que proíbe a venda de bebidas alcoólicas em ambientes públicos. Isso inclui calçadas, praias, festa e feiras. Pior: essa aberração já foi aprovada nas comissões que decidem sobre a constitucionalidade e outras coisas. Falta ir a plenário e, se aprovado, vai ao governador para ser referendado.</div>
<div>Certamente, a bancada evangélica vai aplaudir e aprovar esse projeto, pois ela é a favor de tudo que é proibição de coisas prazerosas. Beber cerveja em mesas na calçada? Jesus deve estar olhando lá de cima e amaldiçoando. Nas praias, nas feiras, nas festas&#8230;</div>
<div>Como será que são as festas do ilustre deputado? Devem ser piores que velórios, pois neles sempre rola uma bebida. Imagino que ele goste é que fique todo mundo gritando “Aleluia, Senhor!”, e orando.</div>
<div>Mas, chegando ao governador, ele vai vetar essa babaquice? Ah, o apoio dessa turma&#8230; Acho que vai gritar junto: “Aleluia, Senhor!”. E a vida em São Paulo vai ficando cada vez mais besta. Padrão talibã.</div>
<div>Previno: não adianta mudar daqui. Outros estados copiarão ou o próprio governo federal ”federaliza” o “não pode”, talvez até radicalizando um pouco, para o mal de todos e infelicidade geral da Nação.</div>
<p><em><strong>Este artigo é parte integrante da <a href="http://www.revistaforum.com.br/conteudo/edicao_mes.php">edição 109 da revista Fórum</a>.</strong></em></p>
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		<title>Léa se foi</title>
		<link>http://revistaforum.com.br/blogdomouzar/2012/04/23/lea-se-foi/</link>
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		<pubDate>Mon, 23 Apr 2012 13:30:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mouzar</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Léa Depresbiteris]]></category>

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		<description><![CDATA[Amigos, Tenho o dever de colocar uma notícia triste aqui. Na madrugada de 21 de abril, morreu a minha amiga (e de muita gente) Léa Depresbiteris, mulher do também amigo Mário Candido da Silva Filho, ex-presidente da Sosaci (Sociedade dos Observadores de Saci) e seu atual tesoureiro. A Léa era muito generosa, estava sempre ajudando [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Amigos,</p>
<p>Tenho o dever de colocar uma notícia triste aqui. Na madrugada de 21 de abril, morreu a minha amiga (e de muita gente) Léa Depresbiteris, mulher do também amigo Mário Candido da Silva Filho, ex-presidente da Sosaci (Sociedade dos Observadores de Saci) e seu atual tesoureiro.</p>
<p>A Léa era muito generosa, estava sempre ajudando as outras pessoas. Tinha uma sensibilidade muito grande em relação à pobreza e seus trabalhos como pedagoga tinham sempre uma preocupação em relação ao assunto.</p>
<p>Nos últimos anos, depois de aposentada pelo Senai, dava cursos, treinamentos e palestras por todo o Brasil e no exterior. Foi com os excessos de milhagens dela, que me presenteou, que viajei para a Bolívia, o Amapá, Roraima e Tocantins. E estávamos planejando uma viagem dela com o Mário, a Célia e eu para o Equador.</p>
<p><span id="more-413"></span></p>
<p>Independente das milhagens, desde antes, várias vezes nós viajamos juntos, em dois ou mais casais, sempre incluindo ela, o Mário, a Célia e eu  A viagem mais longa foi para a Espanha. Uma vez fomos de carro, pelo litoral, de Vitória, no Espírito Santo, até Sergipe. Outra vez rodamos boa parte de Minas Gerais (Sete Lagoas, Diamantina, São Gonçalo do Rio das Pedras, Serro, Colégio Caraça, Catas Altas, Ouro Preto, Congonhas etc.). Íamos muito a São Luiz do Paraitinga e Poços de Caldas, e, de vez em quando, a Nova Resende.</p>
<p>A Léa deixou um monte de projetos. E o principal: muitos e muitos amigos. Em seu apartamento, hospedava sempre visitantes de várias partes do Brasil, do Japão, da Colômbia, de Cuba, dos Estados Unidos&#8230; Fez tantos amigos que apenas os que puderam comparecer foram suficientes para superlotar o velório do Cemitério do Araçá e o da Vila Alpina, onde foi cremada no domingo, dia 22.</p>
<p>Enfim, foi um fim de semana muito triste para muita gente. Mas a Léa deixa boas lembranças.</p>
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		<title>Apóstolo Atleta</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Apr 2012 23:11:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mouzar</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[A impressão que tenho quando converso com homens da minha geração que moravam em pequenas cidades mineiras é que quase todos foram coroinhas. Eu mesmo não escapei disso. Quer dizer, “não escapei” entre aspas, fui ser porque quis, ninguém me forçou. É que eu via outros moleques indo ajudar nas missas e rezas e, como [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A impressão que tenho quando converso com homens da minha geração que moravam em pequenas cidades mineiras é que quase todos foram coroinhas.</p>
<p>Eu mesmo não escapei disso.</p>
<p>Quer dizer, “não escapei” entre aspas, fui ser porque quis, ninguém me forçou. É que eu via outros moleques indo ajudar nas missas e rezas e, como a gente quase não tinha o que fazer, deu vontade de entrar nessa também.</p>
<p>Num tempo em que não existiam bibliotecas públicas nem escolares na cidade, não havia quadra de esportes nem piscinas, o que fazíamos eram brincadeiras impensáveis hoje.</p>
<p>Víamos os filmes do Tarzã e imitávamos. Numa capoeira que chamávamos “selvinha”, havia cipós para ir de árvore em árvore e alguns meninos eram craques nisso. Eu não. Mas até que com o arco e flecha eu não era tão ruim, embora não fosse um craque como uns outros.</p>
<p><span id="more-410"></span></p>
<p>Treinávamos esse “esporte” na beira da selvinha, onde tinha um pasto e ali perto um monte de bananeiras. Cortávamos um tronco de bananeira do nosso tamanho e púnhamos de pé, amarrado com cipó a uma árvore e ele se tornava nosso alvo. Montávamos em pelo numa égua chamada Realina que ficava no pasto e, galopando, passávamos a uns quinze ou vinte metros do tronco disparando flechas para acertar o tronco de bananeira, inimigo imaginário.</p>
<p>Outras brincadeiras eram roubar frutas, brincar em córregos, pescar lambaris&#8230; Alguns caçavam passarinhos para colocar em gaiolas, mas eu não gostava disso. E trabalhava, fosse como engraxate, vendedor de frutas ou balconista de boteco.</p>
<p>Então, ser coroinha era uma novidade, algo diferente, e o padre Caio me aceitou para o bando, quando eu tinha uns oito anos. Mas logo ele viu que eu seria um problema: nas rezas, gostava de ficar encarregado do turíbulo, um vaso de queimar incenso, de metal, pendurado em três correntes. Então, o turíbulo era cheio de brasas e a gente tinha que segurá-lo por um pegador no alto das correntes que o prendiam, e ficar chacoalhando de leve, de um lado para o outro, para manter as brasas vivas.</p>
<p>E o que eu gostava era de rodear, na vertical, o turíbulo cheio de brasas, o que era proibido. Mas era só o padre virar para o altar que eu cometia isso. Algumas pessoas riam e ele se virava para mim fazendo cara feia. Tinha que rezar com um olho no altar e outro em mim.</p>
<p>Acabei expulso com alguns outros, porque achamos algumas garrafas de vinho de igreja na sacristia, bebemos, ficamos bêbados e aprontamos um monte de coisas. Um dos coroinhas era implicado com um sino que batia sozinho, dando as horas; subiu à torre ao meio-dia, a fim de impedir que funcionasse uma espécie de martelo que batia no sino de meia em meia hora. Ao meio-dia, daria doze badaladas. Quando o martelo se levantou para bater, ele segurou e só soltou uns minutos depois. Quebrou.</p>
<p>Um ou dois anos depois fui aceito para ser um dos doze apóstolos na missa do lava-pés, na Semana Santa. Ensaiamos uma vez e o padre recomendou:</p>
<p>— Antes de vir para cá, lavem bem os pés e passem talco, porque eu só dou uma lavadinha de leve e depois tenho que ir beijando os pés de um a um&#8230;</p>
<p>Na quinta-feira, dia da missa em que haveria a cerimônia do lava-pés, fui jogar futebol no início da tarde. Lá pelas três e meia, saí do campo para ir embora e uns moleques do time adversário começaram a gritar:</p>
<p>— Tá com medo&#8230; tá com medo&#8230;</p>
<p>Voltei com muita vontade de meter uns gols neles. E cada vez que alguém ameaçava sair era a mesma coisa. Quando vi, estava escurecendo. Foi o tempo de correr, vestir a túnica de apóstolo e entrar na igreja, sem tempo para nada. Acho que fui o primeiro apóstolo de Cristo a entrar na igreja de chuteiras.</p>
<p>Na hora da cerimônia mais esperada, quando o padre Caio chegou em mim, vi sua cara de pavor ao olhar meus pés dentro das chuteiras em estado precário. Desamarrou as chuteiras, tirou-as, deu uma lavadinha nos meus pés e teve que quase encostar os lábios neles sujos e fedorentos, com um olhar que parecia dar fuziladas em minha direção.</p>
<p><strong><em>Este texto é parte integrante da <a href="http://revistaforum.com.br/conteudo/edicao_mes.php" target="_blank">edição 108 de Fórum</a></em></strong></p>
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		<title>O silêncio que vem do Araguaia</title>
		<link>http://revistaforum.com.br/blogdomouzar/2012/04/03/o-silencio-que-vem-do-araguaia/</link>
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		<pubDate>Tue, 03 Apr 2012 15:22:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mouzar</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Araguaia]]></category>
		<category><![CDATA[desaparecidos políticos]]></category>
		<category><![CDATA[guerrilha do Araguaia]]></category>
		<category><![CDATA[Liniane Brum]]></category>

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		<description><![CDATA[Amigos, Li os originais do livro da Liniane. É ótimo, emocionante. Vou ao lançamento (segunda, dia 9, a partir das 18h30) na Livraria Cultura da Avenida Paulista, e recomendo que compareçam também. Vejam mais informações sobre o livro: ANTES DO PASSADO O silêncio que vem do Araguaia de Liniane Haag Brum LANÇAMENTO · SÃO PAULO [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">Amigos,</p>
<p style="text-align: center;">Li os originais do livro da Liniane. É ótimo, emocionante. Vou ao lançamento (segunda, dia 9, a partir das 18h30) na Livraria Cultura da Avenida Paulista, e recomendo que compareçam também.</p>
<p style="text-align: center;">Vejam mais informações sobre o livro:</p>
<p style="text-align: center;"><strong>ANTES DO PASSADO</strong><br />
O silêncio que vem do Araguaia</p>
<p><span id="more-408"></span></p>
<p style="text-align: center;">de Liniane Haag Brum<br />
LANÇAMENTO · SÃO PAULO<br />
Data: 9 de abril (segunda-feira)<br />
Horário: 18h30<br />
Local: Livraria Cultura do Conjunto Nacional<br />
(Av. Paulista, 2073 &#8211; São Paulo – SP)</p>
<p style="text-align: left;">
Cilon Cunha Brum foi visto pela última vez em 9 de junho de 1971.<br />
Militante comunista, deixou para trás a faculdade e uma carreira promissora<br />
para combater a ditadura na chamada Guerrilha do Araguaia, um dos mais<br />
controversos episódios do período do regime militar. Cilon nunca voltou da<br />
selva. Seu sumiço foi encoberto pela mesma névoa de segredo e temor que a<br />
de outros desaparecidos políticos. Mas ele nunca foi — nem poderia ser —<br />
esquecido.<br />
Antes do passado é um livro único porque ilumina um momento crucial<br />
da história brasileira pelo ponto de vista do núcleo familiar, sem cair nas<br />
armadilhas do interminável embate ideológico entre esquerda e direita, civis<br />
e militares, vítimas e algozes. Durante quase vinte anos, Liniane, a afilhada<br />
que Cilon não viu crescer, refez o percurso do padrinho, revirando arquivos<br />
e entrevistando pessoas que o conheceram.<strong><br />
</strong>Entre viagens ao Araguaia e mergulhos na intimidade familiar, Liniane<br />
traça um perfil emocionante do homem que sempre lhe pareceu um<br />
mistério. Os acontecimentos são narrados em crônicas — escritas a partir de<br />
depoimentos, recortes de jornal, fotos e documentos — e cartas endereçadas<br />
à avó Lóia, mãe de Cilon. O resultado é uma prosa ao mesmo tempo cortante<br />
e poética, revelando uma história de família que é também a história de um<br />
país inteiro.<br />
Obra selecionada pela Bolsa Funarte de Criação Literária 2010.<br />
Sobre a autora:<br />
Liniane Haag Brum, nascida em 1971, é gaúcha de Porto Alegre. Formada<br />
pela PUC do Rio Grande do Sul, atuou como publicitária e professora<br />
universitária. Foi produtora, editora e roteirista em dezenas de produções<br />
audiovisuais para o cinema e a televisão.</p>
<p style="text-align: left;">.</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Como me tornei um matador sádico</title>
		<link>http://revistaforum.com.br/blogdomouzar/2012/03/29/como-me-tornei-um-matador-sadico/</link>
		<comments>http://revistaforum.com.br/blogdomouzar/2012/03/29/como-me-tornei-um-matador-sadico/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 29 Mar 2012 19:26:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mouzar</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[como acabar com as drosófilas]]></category>
		<category><![CDATA[drosófilas]]></category>
		<category><![CDATA[matador de drosófilas]]></category>

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		<description><![CDATA[Pra começar, todo matador diz que suas vítimas mereciam morrer, e eu não sou diferente nisso. Estou me referindo às drosófilas, um mosquitinho maldito. Para quem não sabe qual é, explico: é aquele bem pequenininho que aparece quando temos, por exemplo, bananas muito maduras em casa. O problema é que podemos jogar as bananas fora, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pra começar, todo matador diz que suas vítimas mereciam morrer, e eu não sou diferente nisso.</p>
<p>Estou me referindo às drosófilas, um mosquitinho maldito. Para quem não sabe qual é, explico: é aquele bem pequenininho que aparece quando temos, por exemplo, bananas muito maduras em casa.</p>
<p>O problema é que podemos jogar as bananas fora, limpar tudo que, de repente, aparece um ando das malditas.</p>
<p>Já aconteceu de viajar de férias, passar um mês fora, tendo o cuidado de não deixar em nenhum lugar qualquer coisa que poderia servir de alimento para as malditas e, na volta, parecia que elas tinham se convencido que não tinham mais o que comer na minha casa.</p>
<p><span id="more-405"></span></p>
<p>A alegria durou pouco. Parece que adivinharam que tínhamos voltado. No dia seguinte, estava lá um bando de drosófilas nos rodeando. E picando.</p>
<p>Esse é outro problema: a maldita pica a gente também, incomoda.</p>
<p>Tentamos todo tipo de inseticida, e nada! Parecia até que elas apreciavam o cheiro de inseticida spray.</p>
<p>Resolvi, então, recorrer à internet. No Google haveria de ter a recomendação de alguma forma de acabar com elas.</p>
<p>Mas o que encontrei foi gente amaldiçoando a dita-cuja também, sem saber o que fazer.</p>
<p>Tinha também uns trabalhos de biólogos que usam as drosófilas em não sei que tipo de pesquisas, e ao contrário de dicas para acabar com elas, tinham receitas para criar mais e mais drosófilas.</p>
<p>Pois um dia desses estava caminhando pelo centro da cidade e, numa loja de bugigangas, encontrei uma arma contra todo tipo de mosquito, segundo a propaganda. Era uma raquete parecida com aquelas de tênis, só que com fios eletrificados no meio.</p>
<p>Fiquei em dúvida se funcionaria, mas custava barato, só quinze reais. Arrisquei. Cheguei em casa e foi uma alegria. Dava um prazer sádico ouvir aquele barulhinho de drosófila torrada cada vez que matava uma.</p>
<p>Agora, fico torcendo para que apareça mais alguma. Quando acontece, minha mulher, sabendo do meu sadismo, me mostra e me dá a raquete. Mas as drosófilas estão rareando aqui.</p>
<p>Já estou prevendo que algum dia vou oferecer meus serviços aos vizinhos, como matador de drosófilas, talvez de graça, só pelo prazer.</p>
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		<title>O prêmio da loteria</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Mar 2012 19:02:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mouzar</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[loteria]]></category>

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		<description><![CDATA[No final de 2011 liguei a televisão algumas vezes em programas rotulados como telejornais e me enchi de lembranças de outros tempos que a juventude atual poderia até rotular como “de vidas passadas”, porque parecem muito antigas. Mas não são tão antigas assim. O que me provocou umas lembranças divertidas foi uma matéria sobre a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No final de 2011 liguei a televisão algumas vezes em programas rotulados como telejornais e me enchi de lembranças de outros tempos que a juventude atual poderia até rotular como “de vidas passadas”, porque parecem muito antigas. Mas não são tão antigas assim.</p>
<p>O que me provocou umas lembranças divertidas foi uma matéria sobre a Mega Sena de fim de ano, com a clássica pergunta dessa época de falta de assunto: “Se você ganhasse sozinho, o que faria com a grana?”.</p>
<p>A resposta era sempre um festival de mesmice: comprar uma casa era a mais comum, por pessoas que tentavam parecer “responsáveis” e merecedoras. Outra resposta era aquilo de “ajudar todo mundo”, uma falsidade. E uma resposta muito besta, natural do nosso tempo de culto ao automóvel, em que se gasta mais tempo para ir de carro a alguns lugares do que a pé: “Comprar um carro para cada filho”.</p>
<p><span id="more-400"></span></p>
<p>Pois é. Primeiro, lembrei-me de um órgão público em que fiz uns trabalhos. Tinha um sujeito que era semianalfabeto, mas com um alto cargo, muitíssimo bem remunerado. Arriscaria a dizer que o salário seria equivalente a uns R$ 10 mil de hoje. Sua única função real era fazer o bolão da loteria esportiva entre os colegas.</p>
<p>Como era possível alguém ganhar do Estado para isso? Bom, era amigo dos militares. Fiquei pensando nas pessoas que ficam falando que os funcionários públicos de hoje não trabalham e esbravejando que no tempo dos militares não tinha corrupção.</p>
<p>A loteria esportiva foi a primeira depois das tradicionais loterias federal e estaduais, em que se comprava (existem ainda, mas sem charme) bilhete com valores fixos de premiação. E durante um bom tempo era a única desse estilo, de preencher um volante e jogar na casa lotérica.</p>
<p>Então, lembrei-me também que no início da loteria esportiva – na época, uma novidade –, durante várias semanas ganhava uma pessoa, às vezes duas, sempre uma boa bolada. Interessante era que quem ganhava geralmente não entendia nada de futebol, pois quem entendia jogava sempre prevendo vitórias dos grandes times, mas sempre ocorriam zebras. Quem não entendia nada, achava bonito o nome de um time e jogava nele&#8230; Daí houve uma série de ganhadores surpreendentes, como uma lavadeira, um vaqueiro&#8230;.</p>
<p>E as pessoas sonhavam com o que fariam se ganhassem. Uma vez, depois de uma série de edições em que ganhavam no máximo três apostadores, soube de um cara que odiava o chefe autoritário e, quando viu no final da noite de domingo, tinha ganhado. Planejou uma coisa que muita gente sonha, e cumpriu na segunda-feira de manhã: chegou ao trabalho, entrou na sala do chefe, subiu na mesa e “defecou”, para usar um termo menos chocante.</p>
<p>Aí teve uma surpresa: veio a notícia de que mais de três mil pessoas ganharam na loteria esportiva. Foi a primeira vez que aconteceu isso. E o prêmio, dividido por esse bando, foi uma mixaria para cada ganhador. Ficou sem dinheiro e sem emprego. Outros fizeram coisas semelhantes e dançaram também.</p>
<p>Uma noite, tomando cerveja num bar da entrada da Cidade Universitária, surgiu o assunto besta e recorrente: o que você faria se ganhasse sozinho na loteria esportiva?</p>
<p>Uns faziam elucubrações mirabolantes; outros falavam de projetos grandiosos, afinal todos nós éramos estudantes universitários. Aí chegou a vez do Heitor contar o que faria com o prêmio. Casado com a Teresa, todo certinho, ele começou:</p>
<p>— Primeira coisa: compraria um apartamento em Perdizes.</p>
<p>Provocou indignação:</p>
<p>— Ô, classe média!</p>
<p>— Segunda coisa: compraria um Corcel zero quilômetro.</p>
<p>Levou vaia. De novo, os velhos sonhos de gente da classe média.</p>
<p>— Terceira coisa: compraria uma butique numa galeria da rua Augusta, que desse renda líquida de uns dois mil dólares por mês.</p>
<p>Aí já tinha gente querendo vontade de bater nele, que respirou fundo e falou:</p>
<p>— Então dava tudo isso pra Teresa e me mandava pra cair na gandaia.</p>
<p>— Eeeebaaaa! — enfim foi aplaudido com entusiasmo.</p>
<p><em><strong>Esta crônica é parte integrante da <a href="http://www.revistaforum.com.br/conteudo/edicao_mes.php" target="_blank">Fórum 107</a></strong></em></p>
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		<title>Quero o Paysandu no campeonato brasileiro!</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Mar 2012 17:23:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mouzar</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[campeonato brasileiro]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[futebol]]></category>
		<category><![CDATA[Paysandu]]></category>

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		<description><![CDATA[Diante do tropeço do Santos frente ao invencível Barcelona, uma espécie de seleção mundial, lembro dos bons tempos do futebol brasileiro em que o campeonato nacional era chamado de “o melhor do mundo”, quando, em vez de brasileiros acompanhando campeonatos europeus, eram os europeus que acompanhavam com inveja, pela TV, os jogos dos nossos times. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Diante do tropeço do Santos frente ao invencível Barcelona, uma espécie de seleção mundial, lembro dos bons tempos do futebol brasileiro em que o campeonato nacional era chamado de “o melhor do mundo”, quando, em vez de brasileiros acompanhando campeonatos europeus, eram os europeus que acompanhavam com inveja, pela TV, os jogos dos nossos times.</p>
<p>O futebol brasileiro já teve momentos absurdos também, como no tempo da ditadura. “Onde a Arena vai mal, um time no nacional. Onde a Arena vai bem, um time também”, era a brincadeira que se fazia. O futebol quase sempre foi e é utilizado politicamente, e a ditadura brasileira fez isso com muito sucesso.</p>
<p>Além de faturar em cima da conquista da Copa de 1970, aproveitou a euforia futebolística para agradar o eleitorado, colocando timecos regionais para disputar o campeonato nacional. Em 1979, chegou a 94 o número de times na disputa.</p>
<p><span id="more-395"></span></p>
<p>Houve uma reação muito justa contra essa inflação de times colocados politicamente na “elite do futebol brasileiro”, sem nenhum merecimento. Mas acho que acabaram exagerando na dose.</p>
<p>O Brasil imita a Europa, sem necessidade. Nos países europeus, como Itália, Espanha, Alemanha e França, são vinte times que disputam o campeonato? Então tem que ser vinte no Brasil também.</p>
<p>Bobagem.</p>
<p>Pergunto aos leitores quantos times espanhóis disputaram a final do campeonato mundial de clubes. Real Madrid, Barcelona&#8230; Mais algum? E os italianos? E os ingleses? E os alemães?</p>
<p>Pois vejam que no Brasil nove times chegaram a isso. Sete times – Santos, São Paulo, Corinthians, Palmeiras, Flamengo, Grêmio e Internacional – já foram campeões mundiais. Cruzeiro e Vasco disputaram e perderam, foram vices. Que país tem tantos times no topo do futebol assim? Nove disputaram a final do mundial de clubes!</p>
<p>Então, por que temos que ter campeonato com vinte times, como os europeus? Proporcionalmente, o campeonato paulista já equivale ao de um país europeu. Tem quatro times de primeira linha – Corinthians, São Paulo, Santos e Palmeiras – e vários equivalentes aos de segunda linha dos campeonatos europeus. Portuguesa, Ponte Preta, Guarani&#8230; de vez em quando mais algum ascendente, como Bragantino, Santo André, São Caetano&#8230;</p>
<p>Então é isso: campeonato de vinte times é o paulista. O brasileiro tem que ir além.</p>
<p>Não temos um Barcelona aqui, mas vejam que o campeonato espanhol tem Barcelona e Real Madrid disputando com dezoito coadjuvantes – de vez em quando algum deles desponta, como o Atlético Madrid, o Valência e o Sevilla –, aqui temos muito mais times disputando o campeonato de verdade.</p>
<p>Além dos quatro grandes paulistas, temos os dois grandes gaúchos, os quatro grandes do Rio, os dois grandes de Minas (só aí são doze equipes) e entre os “coadjuvantes” que de vez em quando despontam, três times do Paraná, dois da Bahia, três de Pernambuco e às vezes algum de Goiás, do Ceará ou de Santa Catarina, como foi o caso do Figueirense, no campeonato de 2011.</p>
<p>Por causa dessa imitação que se faz do campeonato europeu ficam de fora do campeonato brasileiro times de outros estados, como o Pará (o Paysandu tem uma torcida enorme), que nada ficam a dever a alguns que disputam o campeonato espanhol: Getafe, Mallorca, Granada, Rayo&#8230;</p>
<p>Por isso, defendo: o campeonato brasileiro de futebol deveria ter 28 times. Tá falado.</p>
<p>Ah&#8230; Me lembrei de uma situação que era o contrário dessa.</p>
<p>Em Nova Resende, minha terra, o lateral Elias foi afastado à revelia da Esportiva, o “grande” time local, quando completou 49 anos. Não queria abandonar o futebol. Fundou então com alguns companheiros “aposentados” do esporte o Sem Futuro Futebol Clube. O problema era arranjar adversário equivalente. Procuraram na região e encontram em Juruaia o Reumatismo Futebol Clube. E só. Jogavam apenas entre eles. Não inventaram um campeonato, mas se inventassem seria interessante. Um deles seria fatalmente campeão e o outro vice. Sem rebaixamentos.</p>
<p><em><strong>Esta crônica é parte integrante da <a href="http://www.revistaforum.com.br/conteudo/edicao_mes.php">edição 106 da revista Fórum</a></strong></em></p>
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		<title>São Paulo sem nenhum problema</title>
		<link>http://revistaforum.com.br/blogdomouzar/2012/03/01/sao-paulo-sem-nenhum-problema/</link>
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		<pubDate>Thu, 01 Mar 2012 21:15:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mouzar</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[eleição prefeito de são paulo]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2012]]></category>
		<category><![CDATA[eleições são paulo 2012]]></category>
		<category><![CDATA[serra candidato a prefeito]]></category>

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		<description><![CDATA[No próximo ano, todos os problemas de São Paulo estarão resolvidos. As escolas municipais serão ótimas e com vagas para todas as crianças. E os professores, bem pagos e bem formados, ganharão um salário muito digno. Vai ter postos de saúde em todos os bairros, e esses postos serão muito eficientes, atendendo todo mundo com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: medium;">No próximo ano, todos os problemas de São Paulo estarão resolvidos.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">As escolas municipais serão ótimas e com vagas para todas as crianças. E os professores, bem pagos e bem formados, ganharão um salário muito digno.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Vai ter postos de saúde em todos os bairros, e esses postos serão muito eficientes, atendendo todo mundo com rapidez. Não faltarão remédios, e o pessoal que trabalha nesses postos vai trabalhar com satisfação, ainda mais que vão ganhar muito bem.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Os ônibus circularão com intervalos mínimos, transportando todo mundo sentado, porque não haverá necessidade de superlotação, serão muitos ônibus à disposição do usuário.</span></p>
<p><span id="more-392"></span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Não haverá ruas com asfalto quebrado nem com bueiros funcionando como chafarizes.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Será o fim das enchentes, porque finalmente vão atacar esse problema pra valer.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Os rios Tietê, Pinheiros e Tamanduateí estarão limpinhos, transparentes, com muitos peixes até. E será possível nadar nesse rios sem nenhuma preocupação. Políticos beberão água dos rios na frente de todo mundo, para mostrar que eles estão totalmente despoluídos.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Otimismo meu? Não! Aposto que as propostas eleitorais dos candidatos a prefeito vão ser meio por aí. Em Recife já teve um candidato a vereador que garantia que iria fazer uma ponte até Fernando de Noronha, mais de quinhentos quilômetros em cima do mar&#8230; Em Belo Horizonte, um dizia que levaria um braço do Oceano Atlântico até a lagoa da Pampulha.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Promessas eleitorais não são feitas para cumprir. Pode-se prometer o que quiser. Passadas as eleições, quem se lembra delas é tratado como um chato, um pentelho.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Afinal, temos aí o tucano José Serra, que já foi prefeito prometendo cumprir os quatro anos de mandato, e largando o osso depois de um ano e pouco, para se candidatar a um cargo mais elevado. Ele poderá até assinar documento em cartório, se comprometendo a cumprir o mandato integralmente, como fez da outra vez. </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Eleitor de São Paulo parece que gosta de ser enganado. Não são só os paulistanos, mas eleitores de tudo quanto é parte do Brasil que moram em São Paulo.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Em todos os lugares políticos prometem o que não vão cumprir, mas aqui existe um fascínio pelo continuísmo. Os eleitores “erram” e repetem os “erros” com a maior alegria e garantia de que tudo vai continuar como está. Nada de mudanças! Afinal, o que está ruim pode ficar pior. Ou melhor. Mas quem é que gosta do melhor?</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Bom, como eu não voto em tucano de jeito nenhum, tenho alternativas. O PSOL deve lançar um bom candidato, que terá meia dúzia de votos, provavelmente o meu, inclusive. </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">E tem mais: Haddad? Chalita? Netinho? Russomano? Paulinho da Força Sindical? </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Em outros tempos, acho que votaria no Haddad, se ele fosse escolhido pelas bases, não imposto goela abaixo. E se o seu partido não tivesse virado privatista.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Ah, parece que vem aí o Tiririca. </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Um candidato palhaço talvez não seja uma boa opção para resolver problemas da cidade, mas como os eleitores são tratados como palhaços, quem sabe? É tudo uma palhaçada mesmo!</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Desculpando-me pelo baixo nível deste meu final, lembro o que sempre digo: nem só um peido pode ser prenúncio de uma grande cagada. Eleição também.</span></p>
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		<title>Yo non soy turista!</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Feb 2012 20:15:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mouzar</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Bar Savoy]]></category>
		<category><![CDATA[boteco]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[dezembro]]></category>
		<category><![CDATA[praia]]></category>
		<category><![CDATA[turista]]></category>

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		<description><![CDATA[Dezembro é um mês difícil pra quem gosta de frequentar bares em São Paulo. As comemorações de fim de ano são infernais. Juntam-se “colegas” de trabalho que no dia a dia às vezes nem se conversam, às vezes se sacaneiam, e vão a um bar brindar e entregar presentes de amigo secreto (em alguns lugares, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dezembro é um mês difícil pra quem gosta de frequentar bares em São Paulo. As comemorações de fim de ano são infernais. Juntam-se “colegas” de trabalho que no dia a dia às vezes nem se conversam, às vezes se sacaneiam, e vão a um bar brindar e entregar presentes de amigo secreto (em alguns lugares, o nome é amigo oculto) entre gritinhos estridentes.</p>
<p>Pessoas que não bebem, tomam umas e outras e se tornam o centro do mundo, falando alto, gritando, dando risadas altas por qualquer motivo. E quem é botequeiro normalmente fica sem ambiente nesses lugares.</p>
<p>Antes de ser um aposentado, um vagabundo que suga o dinheiro da nação segundo alguns por aí (os 35 anos de pagamento de INSS seriam para quê?), eu tentava sair de férias em dezembro não por gostar do calorão desse mês. Era para escapar das festinhas de fim de ano em São Paulo.</p>
<p><span id="more-389"></span></p>
<p>Numa dessas entra o Gutierrez, meio basco meio catalão.</p>
<p>Federico Gutierrez, sogro de um amigo nosso, o Zé Marruais, apesar da diferença de idade, ficou amigo da turma toda e nós o chamávamos de Don Gutierrez.</p>
<p>Chegou a nos acompanhar num acampamento de malucos, onde se tornou nossa salvação, fazendo tortilhas que comíamos aos montes.</p>
<p>Uma vez, estávamos saindo de viagem de férias para o Nordeste e ele disse que também sairia de férias dali uns dez dias e iria encontrar conosco onde estivéssemos. Não acreditamos, mas foi. Naquele tempo não existiam certas facilidades, como os telefones celulares, e a gente não tinha dia certo pra chegar a lugar nenhum, nem sabíamos em que hotel – geralmente espeluncas – iríamos ficar. Então, calculamos que na data da sua saída de férias estaríamos em Recife e marcamos um ponto lá. Combinamos que todos os dias passaríamos pelo Bar Savoy e deixaríamos grudado numa coluna um recado com referências sobre o nosso paradeiro.</p>
<p>No dia em que saiu de férias, pegou um ônibus pra Recife. Deixou as roupas num hotelzinho e foi direto para o Bar Savoy, na avenida Guararapes. E coincidiu que estávamos mesmo na cidade, o Luizinho, o Pretinho, Marinho, eu e um bando de meninas que namoravam ora um ora outro.</p>
<p>Ele chegou lá, não estávamos no bar, procurou na coluna bem no meio dele e achou um papelzinho colado com durex. E foi atrás da gente. Entrou no grupo e continuamos a viagem juntos. Fomos para João Pessoa. Logo em seguida chegaram as meninas que namorávamos em Recife. Resolveram continuar nossos namoros. E continuamos namorando ora uma ora outra. E o Gutierrez junto, sem namorar nenhuma (nem tentou), mas achando tudo muito divertido.</p>
<p>Mas havia um problema: ele andava com um bermudão largo, uma camisa cheia de coqueiros, boné, óculos escuros e uma máquina fotográfica pendurada no pescoço, falando portunhol. A gente fazia tudo pra não parecer turista, e ele era o turista típico, numa época que essa categoria não era tão bem aceita como é hoje. Onde ele passava com aquele jeitão, tudo dobrava ou triplicava de preço, e ele chiava com o que cobravam: “Pero, yo non soy turista!”.</p>
<p>Tentamos convencê-lo a não ser tão ostensivo, mas não tinha jeito. Aí partimos pra sacanagem. Usando a sua máquina, quando se distraía, fotografávamos só besteiras. Eram chinelos na praia, mesas de botecos, troncos de coqueiro, os nossos próprios pés, só bobagens mesmo. E num certo momento pedimos que duas meninas se revezassem pulando no pescoço dele e o beijando. Ficou completamente atrapalhado, com aquelas meninas bonitas, de biquínis minúsculos se esfregando nele e o lambendo, mais do que beijando. E, pra piorar, nem imaginou que fotografamos tudo&#8230; com a máquina dele.</p>
<p>Don Gutierrez só mandou revelar as fotos quando chegou de volta a São Paulo. E só abriu os envelopes quando chegou em casa, para ir vendo as fotos pela primeira vez junto com a dona Angelina, sua mulher. E aí&#8230; surpresa! Como explicar aquelas gostosinhas quase nuas grudadas nele? Não teve explicação. E por pouco não teve divórcio.</p>
<p><em><strong>Esta crônica é parte integrante da <a href="http://www.revistaforum.com.br/conteudo/edicao_mes.php">edição 105</a> da revista Fórum</strong></em></p>
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