28 de janeiro de 2012 às 12:02
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Pós conceitos
(conceitos que você não vai encontrar em nenhum dicionário)
Bolo fecal – bolo feito de fécula. Não é saboroso, muitas pessoas acham que é uma merda.
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Poroso – numa relação homossexual, é o que põe. O outro, que leva, é o levoso.
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Blush – cosmético que Bush, ex-presidente dos Estados Unidos, passava no rosto para se apresentar com aquela cara de pau. Equivale a óleo de peroba.
Desaforismos
(aforismos meio desaforados)
No Brasil tem deputado federal que usa seu mandato como se fosse um vereador… e vereador que rouba como se fosse deputado federal.
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Há situações em que rico é que não vai pra frente. Na guerra, por exemplo.
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Para quem não tem nada na cabeça, tudo é um bicho de sete cabeças.
23 de janeiro de 2012 às 11:11
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No final da manhã de domingo eu estava dando uma caminhada e ouvindo rádio, e ouvi a notícia de que uma ação policial feita de surpresa cumpria um mandado de reintegração de posse, dada pela Justiça, na área chamada Pinheirinho, em São José dos Campos, ocupada por milhares de famílias.
Um repórter entrava ao vivo e dava notícia de que houve vários choques e pelo menos quatro pessoas estavam hospitalizadas, uma delas em estado grave, baleada pelas costas.
Fiquei surpreso, porque no meio da semana havia lido que a reintegração estava suspensa por um acordo com a Justiça, dando um prazo de quinze dias para tentar uma solução.
Mas eu mesmo me critiquei: “E quem é que acredita em acordo com Justiça, governo ou patrão?”. Só gente besta. Acordo, só pobre cumpre.
O repórter entrou várias vezes no noticiário, mas deu meio-dia e entrou um programa de esportes. Mudei para outra emissora para tentar ouvir mais notícia da ação no Pinheirinho.
30 de novembro de 2011 às 15:21
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“Mas ela não era comunista?”
O pai angustiado à procura da filha desaparecida ouviu essa pergunta várias vezes, ao falar com pessoas que julgava poder ajudar a encontrá-la, como se ser comunista justificasse tudo o que fizessem com ela, e era um tempo em que os comunistas e a esquerda mais radical não tinham a menor possibilidade de tomar o poder ou causar qualquer “mal” ao país.
Era o ano de 1974. As organizações guerrilheiras já tinham sido destroçadas no Brasil. Quem militou em organizações políticas guerrilheiras ou não, se não tivesse sido morto nem preso nem exilado, estava derrotado, sem ação, se limitando à procura da sobrevivência, alguns procurando atuar politicamente pelas vias legais.
Mas a ditadura continuava prendendo, torturando, matando, “desaparecendo” pessoas ligadas a essas organizações ou meramente suspeitas. Sadismo? Demonstração de poder? Maluquice?
24 de novembro de 2011 às 15:28
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Nos programas de calouros do rádio e da televisão de décadas atrás, sempre apareciam imitadores de passarinhos.
Se fosse hoje em dia, alguns petistas podiam concorrer neles, com muita chance de ganhar, fazendo imitação de tucano.
O Chacrinha, ou quem quer que fosse, provavelmente diria que não conhece o canto do tucano, para saber se a imitação seria bem feita ou não, e ele responderia: “Eu não vou cantar, vou privatizar. Privatizo estradas, privatizo aeroportos…”.
A justificativa para o caso das estradas é que os pedágios das estradas privatizadas pelos petistas são mais baratos. Certo. E os aeroportos que vão ser privatizados agora? Qual é a desculpa?
15 de novembro de 2011 às 12:09
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Pós-conceitos
(conceitos que você não vai encontrar em nenhum dicionário)
Avalanche – sanduíche de arrasar!
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08 de novembro de 2011 às 20:02
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Andei pensando numas coisas que gostaria de publicar aqui, mas que não justificam uma crônica inteira. Então juntei algumas delas. Confiram.
* Morando no último dos quatro andares de um prédio na Vila Madalena, minha área de serviço é invadida frequentemente por bem-te-vis, maritacas, sabiás e sanhaços, que vão comer as frutas que deixo para eles, às vezes atacando também frutas que estão na cozinha. Ouvindo os bem-te-vis, concluí que os pássaros também têm sotaque.
Aqui eles cantam rápida e repetidamente “bem-te-vi-bem-te-vi-bem-te-vi”, e na minha memória os bem-te-vis do interior cantam com mamolência: “beeeemmmm-te-viiiiiiii”. Confirmei isso recentemente, em São Luiz do Paraitinga, ouvindo um bem-te-vi cantar assim, com sotaque caipira, igual ao da minha terra.
* A ciência tem evoluído com uma rapidez danada, e não sei por que ainda não inventaram pílulas de friorias. Isso mesmo, o contrário de calorias. Assim, a gente podia traçar uma feijoada com duas mil calorias e contrabalançar com algumas pílulas.
* Dona Maria das Graças, beata solteira, virgem militante, ouvindo notícias sobre a ideia de se criar um “Dia do Orgulho Heterossexual”, como contraponto ao “Dia do Orgulho Gay”, está pensando em juntar colegas como ela (uma raridade, convenhamos – isso é que é minoria!) para lançar a proposta de criação do “Dia do Orgulho Virginal”.
04 de novembro de 2011 às 15:46
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Dois livros importantes serão lançados na semana que se segue:
Dia 10 (quinta) – das 18h30 às 21h30, na Livraria da Vila (rua Fradique Coutinho, 915 – Vila Madalena – São Paulo) – uma espécie de “obras completas” do Glauco. Quem organizou e editou foi o Toninho Mendes.
Dia 11 (sexta) – a partir das 18h30 na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Rua Araújo Porto Alegre, 71, 7º andar, Rio, RJ. – “Líbia – barrados na fronteira”, de Mário Augusto Jakobskind, um repórter de verdade, e com uma visão de esquerda.
Os releases estão abaixo:
31 de outubro de 2011 às 14:51
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Poder Legislativo, Poder Executivo e Poder Judiciário: estão aí as raízes do mal, andei pensando.
Pensem comigo sobre a palavra “poder” nesse contexto:
O Poder Legislativo tem o poder de legislar. Quer dizer, ele “pode” legislar. O Poder Executivo, assim, “pode” executar. E Poder Judiciário “pode” fazer Justiça.
Ou seja: eles podem, mas só fazem se quiserem.
O Poder Legislativo “pode”, mas não legisla. A gente vê o que acontece no Legislativo e nota que deputados e senadores mais parecem delegados de polícia e juízes, passam a maior parte do tempo investigando crimes e mutretas. Fazem interrogatórios e julgam o tempo todo. Legislar fica para um segundo plano.
24 de outubro de 2011 às 11:10
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Pronto! Khadaffi (ou Gaddafi ou não sei quê, cada um escreve como quiser) caiu. Pior, morreu. Pior ainda: morreu sob tortura, aparentemente. E um filho dele também.
Tinha que ser assim?
No Brasil, o fim da ditadura foi “civilizado”: não houve violência nenhuma contra os ditadores e sua turma. Civilizado até demais. Os próceres civis da ditadura continuaram numa boa, com cargos políticos e alguns até falando como se tivessem sido opositores ferrenhos da dita-cuja.
Sem contar que os torturadores e criminosos instalados no aparelho do Estado foram devidamente anistiados. Hoje, dizem que a anistia valeu para todo mundo, mas não foi isso que aconteceu: os opositores do regime que houvessem cometido “crimes de sangue” não foram anistiados. Está claro na Lei da Anistia assinada por João Baptista Figueiredo, o último general no poder.
Os presos políticos acabaram saindo porque, no rastro do processo de democratização, as penas absurdas que sofreram foram revistas e baixadas. Assim, por exemplo, meu amigo José Roberto Rezende, condenado pela ditadura a duas prisões perpétuas e mais 69 anos de cadeia teve a pena reduzida para um total de 15 anos, e ele já estava preso havia 8 anos e 7 meses, saiu em liberdade provisória.