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Tata Amaral: Recuperação dos rios a grande pauta ambiental de São Paulo

13/07/2012 | Publicado por Renato Rovai em Sem categoria

São Paulo, a maior e mais rica cidade do país, viabilizou o seu progresso sem um planejamento que evitasse a destruição de grande parte dos seus recursos naturais. O preço do “desenvolvimento” foi alto para a capital paulista. Desenvolvimento, evidentemente, entre aspas. Afinal, a noção de que se mede o sucesso de uma cidade ou país com base na quantidade de recursos financeiros que ela produz felizmente começa a ser questionada.

Um dos símbolos deste “desenvolvimento” paulistano são seus rios. A primeira vítima deste processo foi o Anhangabaú, canalizado e tapado em 1906. Depois foram sendo retificados em suas curvas, contornos e volteios o Tamanduateí, o Tietê e o Pinheiros. Os quatro são os maiores rios cidade, que foram sendo destruídos para facilitar a ocupação dos seus arredores.

O Tietê, que nas primeiras décadas do século XX chegou a abrigar em suas margens três clubes de regatas e onde se disputavam até provas de natação, e o Pinheiros, de curvas originalmente sinuosas, e em cujas margens havia vários campos de várzea, se transformaram em “marginais”. Em esgotos à céu aberto, cercados por centenas de milhares de carros.

As artérias de São Paulo estão entupidas, sufocadas, poluídas e longe do convívio com o paulistano. O cidadão da cidade não olha para elas como se se tratassem de um patrimônio natural que precisa ser recuperado para que a cidade viva melhor.

É uma falácia debater o  meio ambiente em São Paulo sem discutir a recuperação dos rios da cidade. É preciso que este debate entre na pauta das eleições de forma séria e que o próximo prefeito tenha juízo e pulso pra cobrar do governo do Estado que haja com seriedade em relação a isso. E que pare de enterrar bilhões de reais em projetos cujos resultados são ridículos, para dizer o mínimo.

Há aproximadamente 1 ano fiz um post aqui no blogue sobre o documentário Entre Rios. Trata-se de um excelente Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Caio Silva Ferraz, Luana de Abreu e Joana Scarpelini. Ele ajuda a compreender um pouco mais da história de São Paulo, além de gerar um debate sobre o impacto que intervenções urbanísticas têm para as gerações futuras.

E agora acabo de assistir uma entrevista com a cineasta Tata Amaral, no canal na internet do candidato Fernando Haddad (PT), o Pensenovo.tv. Tata Amaral, acredita que a recuperação dos rios paulistanos é possível e que isso seria uma verdadeira revolução para a cidade. Concordo em gênero, número e grau com ela. E acho que se aqueles que hoje colocam o debate ambiental como primeiro ponto de pauta nas suas prioridades políticas tornassem esta a grande bandeira do movimento em São Paulo, avançaríamos muito. Sem seus rios, São Paulo continurá uma cidade entupida, feia e com baixa qualidade de vida.

Entrevista com Tata Amaral 


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5 comentários

  • francisco niteroi says:

    rovai
    Os paulistanos farao um grande serviço ao Brasil se a questao dos rios urbanos entrar na pauta da sociedade.
    Vc sabe que a gente sempre copia tudo, principalmente se for USA ou de uma certa elite.
    Assim, Brasil afora esta copiando o “modelo de desenvolvimento” paulista.
    Sou de uma cidade do interior que tem uma praca na beira do rio paraíba, praca de 200 anos. Tempos depois a cidade cresceu ignorando a “delicia de andar na beira rio”. Mas felizmente fiquei surpreso de ver mudanças recentes. Também temos como comparar com a antiga pracinha da qual me lembro todo dia.
    Assim, o debate paulista é bom pro Brasil todo.
    Agora uma provocaçao: Aelite paulista, tao viajada, so gosta de caminhar na margem do sena, tamisa, tevere e outros. Pessoalzinho mequetrefe este.

  • Pingback: Os rios e as cidades | Ani Dabar

  • O processo para recuperar os rios de SP é relativamente simples: se TODO o esgoto (pricipalmente o industrial) for tratado corretamente, o próprio rio se abastece com água limpa todos os dias.
    Mas, é necessário que haja vontade política e HONRA dos governantes para se fazer cumprir a legislação que já existe. Coisa que não dá prá se esperar dos ‘abutres’ do poder (nada contra a ave).
    Pobre São Paulo…

  • O governo do estado já captou mais de R$ 2 bilhões de um banco japonês – o Sumitomo, se não me engano – para despoluir o rio. O dinheiro foi usado onde? Os paulistas estão hipnotizados, e se não saírem logo de seu transe, quando acordarem descobrirão que São Paulo virou sucata.

  • No que diz respeito ao rio Anhangabau, fizemos varios encontros pelo Forum do Centro de SP, com a inestimavel ajuda do Prof Sadalla Domingos da poli usp. O rio anhangabau é parte do vale do anhangabau, que comeca na Avenida Paulista, do lado do centro e tem numa margem a av liberdade e na outra a av consolaçao. sao aprox 500
    hectares de area. Concluimos contrarios a construçao de um piscinao e sim pela desimpermeabilizaçao de ruas e avenidas, calacadas verdes e outras solucçoes de baixo custo e alto impacto na paisagem urbana e na micro temperatura local.
    Estas eleiçoes podem ser a chance de levantar este assunto.

    Estamos fazendo um conversa sobre o centro com os candidatos Nabil Bonduki e o Cel.Camilo em 31 de julho
    as 19 hr na Rua Barao de Itapetininga 163 quinto andar sala L e o assunto Anhangabau será um dos que serao conversados.



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