Entrevistei o Emicida na segunda-feira. Foi um papo muito legal e você vai poder ler na próxima edição da Fórum. Na ocasião, ele lançou o clipe abaixo na Ocupação Mauá, cenário do mesmo. Os atores são todos moradores de lá. E a história é auto-biográfica. Emicida perdeu o pai aos 8 anos, vítima de uma briga de bar. Na briga, o pai bateu a cabeça no chão e encerrou seu ciclo. A história de Emicida é a história de milhões de jovens ou adultos (ex-jovens) da periferia de São Paulo. E de outras periferias do Brasil Este clipe é mais um mini-doc do que um clipe. Vale a pena assistir. E pensar.
Emicida e um clipe que é a história de uma geração da periferia de São Paulo
23/05/2013 | Publicado por em Geral - (0 comentários)A Virada Cultural é tão importante que precisa se reinventar
19/05/2013 | Publicado por em Geral - (8 comentários)A Virada Cultural é um dos principais eventos da cidade de São Paulo, tanto pelo seu gigantismo de público, como pelo fato de que no dia em que acontece, a cultura ocupa as ruas e o centro da pauta. Neste final de semana, isso ficou ainda mais claro. Mesmo com uma final de Campeonato Paulista programada, o paulistano ficou mais ligado na Virada Cultural do que no futebol. Isso é algo para se pensar.
O fato de ser um sucesso de público é algo notadamente importante para a vivacidade cultural da cidade, mas não significa dizer que ela é um evento que está resolvido. Que não deve ser melhorado e repensado em alguns aspectos. Antes de entrar nesta seara, porém, vale um parêtenses. No ano passado, o SPressoSP publicou uma série de reportagens denunciando que a Virada não era só um evento importante, mas que também teria se tornado um negócio interessante para algumas empresas e servidores públicos. Algumas das reportagens dessa série podem ser lidas, aqui, aqui, aqui e aqui. Vale a pena relê-las para refletir sobre algumas questões. Uma delas, é a de que uma das pessoas denunciadas naquele episódio continua à frente da Virada na edição deste ano, mesmo com a mudança do governo. E nem isso impediu que o ex-prefeito José Serra acusasse o evento de estar aparelhado pelo PT pelo seu twitter: “ Só me preocupa que a Virada Cultural seja usada para aparelhamento político-partidário, o que já começou a acontecer este ano”, escreveu hoje.
A verdade é outra. Neste ano, não foi uma única pessoa que mandou sozinha na Virada. A atual administração acertadamente constituiu uma curadoria com pessoas respeitadas no meio cultural. A comissão participou da definição dos palcos, convidados etc. Muita gente boa foi convidada para essa curadoria e você pode conhecê-los aqui.
Esse é um avanço que precisa ser registrado. Essa curadoria da Virada Cultural não pode se desintegrar. Ela pode até ganhar nos integrantes, mas precisa ser permanente para realizar uma mudança no seu conceito. Que a Virada seja menos um evento. E seja mais um processo. O que não significa, em absoluto, terminar com o evento ou torná-lo algo insignificante.
Muita gente séria já defende isso há algum tempo em São Paulo. Há uma necessidade de incorporar a lógica das viradas no dia a dia da cidade. E não apenas em uma data específica. O espaço público precisa ter mais cultura nos finais de semana e isso pode e deve ser feito com intervenções na circulação quando necessário. Além disso, o que há algum tempo já se discute é que a Virada Cultural não poderia ser algo apenas a se realizar no Centro. E esse foi um dos equívocos desta edição. Tudo foi canalizado para o Centro, radicalizando uma opção que já ganhava corpo na gestão Serra/Kassab. Há, na cidade, muitos outros centros, que precisam de cultura e visibilidade. Por que não colocar a Daniela Mercury para tocar em Itaquera? Por que não espalhar a Viradinha, que foi uma excelente ideia, pelos bairros da cidade? Por que não levar programação para a terceira idade para todos os pontos da cidade, fazendo com que a Virada ganhe um público que não vai ao Centro de madrugada por motivos óbvios?
Evidente que esse processo seria impossível de ser construído pela atual gestão que assumiu apenas em janeiro com a responsabilidade de organizar entre outras coisas, o aniversário da cidade, parte do Carnaval e agora a Virada Cultural. É muita coisa, para ser realizada e transformada em curto espaço de tempo. Por isso é preciso começar a olhar desde hoje para frente. Pensar na Virada de 2014, que acontecerá nas proximidades da Copa do Mundo.
Além dessa questão da descentralização e do processo, outra mudança importante é que a Virada Cultural não pode continuar sendo um balcão de negócios nos dias que a antecedem. É preciso abrir editais com muita antecedência para que aqueles que desejarem dela participar se inscrevam e possam ser avaliados pelos curadores. Outro ponto importante a se resolver é a negociação dos valores dos shows e atrações. Isso não pode acontecer no varejo. É necessário que se definam faixas de pagamento e que as atrações sejam classificadas nessas faixas a partir de critérios bem objetivos. Isso ou que o próprio interessado dispute no segmento de cachê que ele considera que se encaixa. Por exemplo, serão 50 atrações de chachê A, 200 de cachê B e 500 de C. O grupo interessado se inscreve para disputar a participação no cachê que considera sua faixa.
Outro avanço, seria que a escolha dos palcos da Virada passasse por uma audiência pública com grande antecedência para que a cidade se envolvesse neste debate da ocupação dos espaços públicos.
Por fim, mas não menos importante. A grande notícia da Virada nos portais durante o dia de hoje foi a da violência que teria levado duas pessoas à morte e ferido várias outras. Esse é um tópico que não pode se perder de vista num evento deste porte. Há quem esteja levantando a hipótese pelas redes sociais de que o governo do Estado não teria atuado com a devida responsabilidade. E que a PM teria feito corpo mole no combate, por exemplo, aos arrastões. Essa matéria do UOL, por exemplo, também precisa ser lida com atenção. O Ministério Público poderia investigar essas suspeitas. Mas também a questão da segurança precisa ser pensada na lógica do processo.
É importante que a Virada Cultural seja grande, mas não é o seu gigantismo que a define como importante. Por isso, seria bom que a edição deste ano fosse o início do seu recomeço. E não a reafirmação do modelo anterior. E se há algo que pode simbolizar essa renovação é a foto do prefeito Fernando Haddad assistindo, em meio ao público, ao show dos Racionais MC´s. A periferia no centro. O centro na periferia. As trocas que a Virada Cultural permite fazer, precisam ser incorporadas no pensar das cidade.
Paulinho Fluxus: “Foi um desagravo por Lobão ter atacado mortos e torturados da ditadura”
19/05/2013 | Publicado por em Geral - (38 comentários)O artista Paulinho Fluxus foi preso há pouco (às 20h) no show de Lobão, na Virada Cultural, por conta de uma intervenção artística. Ele iluminou Lobão, segundo ele, duas vezes por alguns segundos com laser. Era um desagravo por conta das declarações de Lobão que afirmou recentemente que “os torturadores só arrancaram umas unhazinhas durante a ditadura militar”.
Conversei com Fluxus há minutos. Ele estava assinando o depoimento que acabara de dar sobre o episódio na Delegacia de Polícia do Campos Eliseos. Com razão, ele disse que o que fez não foi diferente do que Lobão fez ao dar suas declarações. “ Foi uma agressão simbólica, da mesma forma que ele me agrediu simbolicamente. Eu me expresso através da performance da luz. Sou iluminador e estou deixando de fazer dois shows na Virada por conta dessa prisão”, revelou.
E acrescentou: “Ele se expressa escrevendo livros e fazendo músicas. E atacou a memória das pessoas mortas e torturadas na ditadura e não foi preso.” Fluxus é filho do editor da Oboré, Sérgio Gomes. Ex-professor da ECA-USP, Sérgião, como é conhecido pelos amigos, foi preso na ditadura militar.
“Enquanto eu jogava luz, o Lobão estava de óculos e não esboçou nenhuma reação. Quando eu tinha terminado minha ação e estava saindo para ir embora é que chegou a Polícia Militar e me prendeu.”
PS: Fluxus ficou de me ligar pra gente conversar mais. Qualquer coisa, volto aqui daqui a pouco para atualizar o post.
MP dos Portos acelerou a galopante privatização do Legislativo brasileiro
18/05/2013 | Publicado por em Geral - (1 comentário)Segue artigo do professor André Singer publicado hoje na Folha de S. Paulo. Ele aborda a aprovação da MP dos Portos a partir de um viés público. E não da lógica de uma disputa de grupos econômicos. O melhor texto que li neste período acerca do tema. O governo Dilma parece ter perdido a embocadura em algumas questões. A verdade é que a presidenta assumiu achando que conseguiria entregar ao fim do seu mandato um crescimento médio de 4% ao ano ao fim do seu primeiro mandato. E isso não vai ocorrer. Nem algo próximo. Sua popularidade continua alta, a despeito disso. Mas, inteligente, ela sabe que se terminar o mandato com um pibinho, sua reeleição pode se tornar bastante complicada. E por isso tem feito concessões pra cá e para lá tentando mostrar que é capaz de fazer o Brasil ser o que os grandes grupos econômicos desejam. Pode dar certo a curto prazo. Pode ser uma tragédia a longo. Ou pode só ser ruim mesmo. O quase-impossível é ser bom.
Estranho nacionalismo
Por André Singer
A MP dos Portos, aprovada depois de impressionante guerra político-empresarial no Congresso, deverá marcar o governo Dilma, talvez comprometendo de maneira indelével o caráter nacional-desenvolvimentista que a presidente procurou imprimir aos anos iniciais de seu mandato.
Em primeiro lugar, porque a orientação do projeto é privatista, embora o Executivo não goste que se fale em privatização. É verdade que os portos já estavam parcialmente em mãos privadas desde a reforma de 1993. No entanto, em lugar de restabelecer o primado do Estado numa área vital, a 595 abriu o espaço dos negócios portuários para outras empresas (as quais também já operavam no setor, porém em caráter, digamos, provisório).
Daí a disputa que se estabeleceu na Câmara dos Deputados nesta semana. Os que já estavam não queriam sair. Os “de fora” queriam substituir os antigos donos do pedaço.
Como se trata de interesses que envolvem bilhões de reais, vastos recursos foram usados para mobilizar parlamentares de um lado e de outro. Empresários como Daniel Dantas e Eike Batista e conglomerados como Odebrecht e Oetker (que detém a companhia de navegação Hamburg Süd) foram alguns dos nomes famosos que circularam nas notícias da semana. Ou seja, além de aumentar a privatização dos portos, a MP acelerou a galopante privatização do Legislativo brasileiro.
Em segundo lugar, a pretexto de aumentar a concorrência, o novo marco regulatório parece ter dado a alguns gigantes econômicos benefícios de tal ordem que, no médio prazo, os portos estatais irão quebrar. É o que afirmaram o senador Roberto Requião (PMDB-PR) e, por incrível que pareça, a nota técnica da liderança do PT. Isso explica por que o partido votou em bloco a favor da medida, mas com defesas tímidas do conteúdo, apelando para uma vaga ideia de modernização, tão a gosto dos liberais.
Ao aceitar o argumento neoliberal de que só o mercado é capaz de controlar o mercado, deixou-se de lado a alternativa de reconstruir a capacidade pública para ordenar um setor-chave da economia brasileira. Em outras palavras, aprofundando o viés liberalizante da política iniciada na década de 1990, Dilma pode ter enterrado o sonho de recuperar a soberania nacional em terreno estratégico.
Ainda que possa estar satisfeita com a vitória de última hora, não creio que o instinto desenvolvimentista da presidente a deixe dormir em paz com a perspectiva acima, que o grande capital evidentemente comemora. Resta ver se, pelo menos, tantas concessões irão trazer os frutos esperados em matéria de crescimento do PIB. A conferir.
Leminski, um dos nossos maiores poetas, voltou. Viva Leminski!
17/05/2013 | Publicado por em Geral - (3 comentários)Uma nota do Uol revela que Paulo Leminski está vendendo mais do que 50 tons de cinza. Alvissaras. É uma notícia que dá esperança. O polaco foi um dos nossos maiores poetas. E no momento que a poesia retorna com a força dos saraus da periferia, nada mais lindo do que uma coletânea do Leminski chegar ao topo do ranking dos livros mais vendidos.
A nota do Uol revela que além da coletânea, a vida e a obra de Paulo Leminski e Alice Ruiz (poeta e esposa) também vão se tornar dois filmes. O primeiro, “Alice e Paulo”, um longa, dirigido por Gustavo Tissot, que vai retratar a vida e o amor do casal. E em paralelo está sendo produzido um documentário que será dirigido por Oscar Rodrigues Alvez.
Para quem quer conhecer um pouco mais do poeta, segue um vídeo produzido na década de 80 que teve apoio para a produção do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e da Secretaria Municipal da Cultura de PoA. Os sindicatos, aliás, precisam retomar o apoio à produção cultural. Isso sempre foi muito importante para aqueles que não têm espaço no mainstream. “Poloco loco paca” foi dirigido por João Knijinik.
Se os papas fossem iguais ao do Porta do Fundos a história seria outra
16/05/2013 | Publicado por em Geral - (0 comentários)Imagino que o leitor já tenha ouvido falar do Porta dos Fundos. O grupo faz um sucesso imenso no Youtube. Alguns de seus vídeos-esquetes chegam a ter 10 milhões de views. Este, do Michelangelo, está chegando a 1 milhão. É de morrer de rir. Certamente teríamos um mundo muito melhor se certos grupos religiosos fossem mais desencanados e democráticos. A dica vale pro Papa e pra certos setores da Igreja Católica. Mas também vale para algumas denominações evangélicas, pros felicianos da vida e para aqueles que fazem uma ginástica enorme para não criticá-lo da forma que ele precisa. Ou seja, como um fundamentalista perigoso.
Editora Abril teria plano para demitir mil pessoas até setembro
15/05/2013 | Publicado por em Geral - (14 comentários)Ontem, numa dessas conversas despretensiosas durante um almoço, um amigo me revelou que tinha sido informado por um executivo da Abril, que trabalha mais diretamente com a MTV, que a empresa dos Civitas teria um plano de demissão para ser anunciado que atingirá aproximadamente mil pessoas, sendo que desses, 300 seriam da MTV.
Hoje liguei para quatro ou cinco pessoas que conheço buscando confirmar a informação. Duas disseram que se o número não for de mil demissões, será próximo a isso.
A se confirmar a informação, a Abril estará batendo em retirada da área de comunicação e focando seus negócios no setor educacional. Algo que já vem se consolidando nos últimos anos.
Essa crise não é nova. A Abril tem tomado decisões equivocadas há algum tempo. Foi uma das empresas que pior operou no novo mercado. Sempre tratou a internet como uma ameaça e não como uma oportunidade.
Entendia-se como uma empresa de papel. Não de comunicação. Muito menos de jornalismo.
Erros assim num momento de transformação do mercado costumam ser fatais.
A IBM que o diga.
Marina Silva ataca movimento LGBT que confronta Marcos Feliciano
15/05/2013 | Publicado por em Geral - (26 comentários)O Diário de Pernambuco publica uma matéria bastante reveladora de um certo tipo de discurso que não é de esquerda, de direita e nem de centro. A reportagem do jornal (veja na matéria abaixo) afirma que a ex-senadora teria dito que “Feliciano está sendo mais hostilizado por ser evangélico do que por suas posições equivocadas”. A ex-senadora mente pra não se posicionar claramente sobre o tema. Para não tratar de forma séria e transparente das suas posições.
Além disso, a frase de Marina desrespeita toda a luta do movimento LGBT em defesa dos seus direitos. E mais do que isso, busca construir um conflito que pode existir na cabeça de meia dúzia de alucinados, mas que não tem nada a ver com o posicionamento real dos que debatem o assunto a sério.
Se a deputada Benedita da Silva (PT-RJ) fosse a presidente da Comissão de Direitos Humanos o movimento LGBT estaria questionando sua legitimidade à frente do cargo por ser evangélica, Marina? Você de fato acredita nisso? Você acha que se você fosse a presidente da Comissão de Direitos Humanos, o movimento LGTB estaria lhe perseguindo por ser evangélica?
Marina sabe que mente se disse isso. É uma política experiente, não aquela quase garota que entrevistei quando veio de Rico Branco recém eleita senadora para ficar uns dias na casa de um ex-dirigente do PT, Ozéas Duarte.
Sua intenção ao fazer isso, por um lado é não desagradar o segmento evangélico. E por outro é com o discurso de que não é de centro , nem de direita e nem de esquerda tentar rotular de “radical” boa parte do movimento LGBT. Mas ao fazer isso, ela transforma o movimento em um grupo fundamentalista, que não aceita a pluralidade de opiniões e nem respeita a democracia. Para dizer o mínimo, é deprimente que alguém com responsabilidade política se comporte dessa forma. Que ao invés de centrar suas críticas nas frases asquerosas de Feliciano, aponte o dedo para a luta dos que o confrontam.
Em agenda no Recife, Marina Silva sai em defesa do pastor Marco Feliciano
Tércio Amaral, do Diário de Pernambuco.
A virtual candidata do novo partido Rede Sustentabilidade à Presidência da República nas eleições de 2014, a ex-senadora Marina Silva saiu em defesa do atual presidente da Comissão de Direitos Humanos, o deputado e pastor Marco Feliciano (PSC). Na noite desta terça-feira (14), diante de um auditório repleto de estudantes na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), a ex-verde declarou que o parlamentar estava sendo “hostilizado mais por ser evangélico do que por suas declarações equivocadas”.
“Não gosto como este debate vem sendo conduzido (legalização do aborto e casamento gay). Hoje, se tenta eliminar o preconceito contra gays substituindo por um preconceito contra religiosos”, defendeu. Segundo ela, Marco Feliciano entra neste “jogo de injustiças”, e claro, pode se tornar uma das vítimas nesta inversão de valores. “Feliciano está sendo mais hostilizado por ser evangélico que por sua declarações equivocadas”, completou, afirmando ainda que gostaria que um ateu fosse julgado pelo que disse e não pelo fato de ser ateu.
Feliciano é acusado de estelionato e o crime será julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O parlamentar também defende que os gays são pessoas “doentes” . Na Comissão de Direitos Humanos, o religioso colocou em pauta o projeto polêmico que defende a “cura” dos homossexuais. O religioso ainda confrontou o movimento negro por afirmar que os descendentes dos africanos são “amaldiçoados” segundo a Bíblia.
Candidata à Presidência nas eleições de 2010, Marina foi alvo de polêmicas sobre suas pautas conservadoras. A ex-senadora se posicionava contra o casamento gay, a legalizações do consumo da maconha e da prática do aborto. Algumas pautas, inclusive, eram defendidas, na época, por alguns membros históricos do PV, partido em que Marina se desfilou após ser derrotada no primeiro turno das eleições com um saldo de 19,5 milhões de votos (19,4% dos votos válidos).
Na palestra intitulada “Democracia e Sustentabilidade”, a possível candidata também debateu temas sociais e econômicos. Defendeu que além de uma crise mundial, o planeta é vítima de uma “crise civilizatória” pelo qual todos os povos passam, que é fruto da ênfase no fazer e não do ser.
“Não temos em quem se espelhar como modelo de como passar por uma crise civilizatória. Egito, Grécia e Roma passaram por essa crise e não conseguiram superar. A diferença é que hoje a crise da civilização envolve todo o planeta. Mas temos uma vantagem. Desconfio que eles não perceberam que estavam em crise e tentavam apagar o fogo com gasolina. Nós podemos evitar isso”.
Com informações do repórter Tauan Saturnino, especial para o Diário
Quantos escravos trabalham para você? Que tal fazer o cálculo?
14/05/2013 | Publicado por em Geral - (4 comentários)No dia 13 de maio de 1888 era assinada a lei áurea, abolindo de forma oficial a escravidão do Brasil, o último país das Américas a tomar tal iniciativa. O nosso passado escravocrata influencia a vida brasileira até hoje. Somos o país do racismo velado. Muitos são racistas, mas ninguém se assume racista. Ou pior, não reconhece o racismo nas suas próprias atitudes racistas.
Muitos pensam que a escravidão tornou-se um assunto de livros de história. Uma passado manchado de vergonha na história da humanidade. Mas não é bem assim. Hoje, milhões pessoas trabalham em condições análogas à escravidão. Essas pessoas fazem parte da cadeia produtiva de produtos que eu, você e todo mundo consome.
No Brasil, essa situação fica mais evidente na exploração de imigrantes bolivianos nas confecções, que prestam serviços a marcas de prestígio, e nas carvoarias “escondidas” nos nossos rincões. Entretanto, essas situações não são uma exclusividade brasileira. Se reproduzem na cadeia produtiva industrial em todo o mundo.
Para denunciar essa situação, a ONG Slavery Footprint desenvolveu um SITE onde podemos descobrir quantos trabalhadores escravos estão envolvidos na cadeia produtiva dos produtos que fazem parte do nosso “estilo de vida”.
Sem informar marcas, o cálculo tem como base as informações sobre os processos de fabricação dos 400 produtos mais consumidos mundialmente, incluindo informações obtidas em investigações das cadeias produtivas. Os dados base são do Departamento de Monitoramento e Combate ao Tráfico de Pessoas e do Departamento de Trabalho dos Estados Unidos, da Transparência Internacional, da Organização Internacional do Trabalho, entre outros órgãos.
De acordo com a ONG, o objetivo é incentivar hábitos de consumo conscientes e mandar uma mensagem dos consumidores as marcas: “Nós queremos saber o que vocês fazem para combater o trabalho escravo!” Para isso, a Slavery Footprint também criou o aplicativo gratuito Made in a Free World, desenvolvido para celulares com sistema Android e Iphones. A ideia é o usuário fazer check-in em lojas e questionar se há escravos envolvidos na fabricação dos produtos. O recado é repassado para as marcas e para outros consumidores que estão no Twitter e no Facebook, que podem colaborar com a discussão.
Acesse o site e comece a pensar se os seus hábitos não estão contribuindo para que pessoas continuem trabalhando como escravos.
Chico Buarque em uma entrevista sincera e forte sobre racismo
12/05/2013 | Publicado por em Geral - (2 comentários)Cheguei a essa entrevista no Youtube a partir de uma dica do estudante de Direito do Largo São Francisco, André Esteves, que participa do Coletivo Contraponto, grupo de ativistas da Faculdade. De tão forte e importante, deveria ser utilizada em todas as escolas deste país para debater a questão do racismo. Num dos trechos, Chico fala da agressão que sua filha, Helena Buarque, e seu genro, Carlinhos Brown, teriam sofrido num condomínio classe média na Gávea, em decorrência da cor de Brown e de seus netos. Por conta disso, eles teriam deixado de ficar no local quando vão ao Rio.
A tese de Chico é de que não há mais brasileiros brancos. E pra fazer graça, provoca, “exceto a Xuxa”. Vale a pena assistir e compartilhar. Abaixo do vídeo, pra quem quiser debater mais o tema, fica a dica da atividade organizada pelo Coletivo Contraponto, nesta terça-feira (14), sobre o mito da democracia racial no Brasil.
Evento do Coletivo Contraponto,
O mito da democracia racial no Brasil – terça-feira, 14 de maio, às 19h, no Pátio das Arcadas, na Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco.
Debatedores:
- Matilde Ribeiro – ex-ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e atual Secretária-Adjunta da SEPPIR municipal em SP;
- Silvio de Almeida – Presidente do Instituto Luiz Gama e Doutor em Filosofia do Direito pela USP;
- Flavio Jorge Rodrigues e Silva – CONEN (Coordenação Nacional de Entidades Negras);
- Orlando Silva – Vereador em São Paulo (PCdoB); ex-ministro dos Esportes e primeiro Presidente negro da UNE, entre 1995-97.
PS: Enquanto finalizava este post, em uma reportagem no Globo Esporte, o jogador Paulinho, do Corinthians, diz que quase deixou o futebol por conta do racismo que viveu quando jogou na Lituânia. Dureza…




