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O juiz federal Alderico Rocha Santos, responsável pelo processo da Operação Monte Carlo, que culminou com a prisão de Carlinhos Cachoeira, afirma ter sido chantageado por Andressa Mendonça, esposa do contraventor. Ela alegava ter um dossiê contra ele e que seria publicado na revista Veja por iniciativa do diretor de redação em Brasília, o jornalista Policarpo Jr.

Mulher de Cachoeira envolveu nome de jornalista da Veja em chantagem contra juiz federal (Foto: José Cruz / ABr)

“Narra o magistrado [Alderico Santos] que a requerida [Andressa] noticiou a existência de um dossiê contendo informações desfavoráveis a ele, que seria publicado pelo repórter Policarpo na revista Veja, mas que ela poderia evitar a publicação. Para tal, bastaria que o juiz federal concedesse liberdade ao réu Carlos Augusto de Almeida Ramos e o absolvesse das acusações ofertadas pelo Ministério Público”, destaca o juiz  Mark Yshida Brandão, no texto de sua decisão que que determinou o comparecimento de Andressa Mendonça à Polícia Federal e buscas em sua residência.

O nome de Policarpo Junior coincidência (ou não) já apareceu outras vezes no círculo próximo de Carlinhos Cachoeira.

Em depoimento à Comissão de Ética da Câmara dos Deputados, em 2005, Policarpo Junior ajudou Cachoeira a comprovar que era vítima de chantagem pelo ex-deputado André Luiz, que acabou cassado. O caso havia sido publicado pela revista Veja, com exclusividade, cerca de três meses antes. A matéria “Vende-se uma CPI”, de 27 de outubro de 2004, assinada por Policarpo Junior, denunciava André Luiz e tratava Carlos Cachoeira como empresário do ramo de jogos.

Em maio deste ano, o site Carta Maior publicou matéria com o título: “Os encontros entre Policarpo, da Veja, e os homens de Cachoeira”. O levantamento apontou que o jornalista esteve pelo menos 10 vezes com Cachoeira e membros de sua organização. Encontros pessoais, ao menos quatro. Em geral, as conversas se transformaram em matérias de Veja.

Gravações da Operação Monte Carlo também indicam como Cachoeira seria beneficiado pela Secretaria de Educação de Goiás na construção de escolas no modelo chinês. E como o “empresário do ramo de jogos” buscou a revista Veja para divulgar o negócio.

Cachoeira ligou para Policarpo Junior, pedindo que fosse feita uma matéria sobre a “revolução na educação” que estaria sendo feita em Goiás. Na gravação, afirma que o secretário de educação de Goiás “tá fazendo uma revolução na educação” e pergunta “com quem que ele vê? (…) Como é que a gente pode fazer uma divulgação disso?”.

Policarpo respondeu que a ligação estava cortando. Em dezembro de 2011, a capa da revista é: “A arma secreta da China: a educação de qualidade e baixo custo para milhões é o verdadeiro segredo dos chineses em sua corrida para a liderança mundial”. Será que agradou?

Outro indício de proximidade entre o jornalista e Cachoeira é uma conversa telefônica entre o “empresário” e o então diretor da construtora Delta no Centro-Oeste, Cláudio Abreu, interceptada em  10 de maio de 2011, durante a Operação Monte Carlo da Polícia Federal (PF). Na conversa, Cachoeira afirma que Policarpo Junior queria sua ajuda para provar que o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, havia ajudado a Delta a “entrar em Brasília” durante a gestão do ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda.

Policarpo ainda teria afirmado que o acordo foi fechado em uma reunião em Itajubá e que estaria atrás de um flagrante da entrega de “dinheiro vivo”. Cachoeira teria dito a Policarpo que “não existiu essa reunião”.

Em determinado ponto da gravação, Cachoeira demonstra seu grau de proximidade com o jornalista. “O Policarpo, ele confia muito em mim, viu?”, afirma.

O deputado Paulo Teixeira (PT-SP), vice-presidente da CPMI, afirmou que pretende convocar o jornalista da revista Veja para depor. “Com os acontecimentos de hoje, está colocada a relação do jornalista com a organização criminosa. Já iremos discutir a convocação na primeira reunião da CPMI”, disse.

Cachoeira é apenas uma das peças do quebra-cabeça que pode ser montado quando a história deste último período de Veja vier à tona. O que o panfleto da editora Abril se tornou é algo que não se pode nem de longe ser chamado de jornalismo. É algo que envergonha a profissão e seus profissionais. E dá nojo.

O senador Demóstenes Torres (ex-DEM, PFL e quetais) foi cassado do Senado por ampla maioria dos votos, 56 a 19. Provavelmente só senadores do DEM e do PSDB votaram pela sua permanência na Casa. O voto secreto nesses casos é algo absurdo. Seria muito importante saber quem votou por ele.

Demóstenes, que foi herói da mídia comercial tradicional por muitos e muitos anos, fazia parte de um esquema bandido. E usava seu mandato para favorecer um grupo criminoso. Mas a sua cassação é apenas um detalhe neste caso.

Há muito o que se investigar na CPI do Cachoeira. Como, por exemplo, a relação entre a revista Veja e o grupo do bicheiro.

A cumplicidade entre um grupo criminoso e um grupo midiático é o mais importante a ser investigado neste caso. Se houvesse alguma punição para aqueles que fizeram acordo com bandidos, avançaríamos.

E neste caso, o que mais precisamos é avançar.

Quanto a Demóstenes, já vai tarde.

Mas não se iludam, em breve nossa doce mídia vai ressuscitá-lo com outro nome. E talvez outro partido. Mas com o mesmo discurso, de paladino da democracia.

Hoje o auge da CPI do Cachoeira foi chilique do deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), um dos arautos da moralidade pública tucana.

Ele quase teve um treco quando o relator Odair Cunha (PT-MG) perguntou ao governador de Goiás por que este não abria mão de seu sigilo bancário, já que estava sendo tão prestativo com a CPI.

Carlos Sampaio, que se parece muito com o senador Demóstenes Cunha no jeito de agir com seus colegas, começou a gritar e tentar criar um clima de guerra.

O pedido do relator parecia uma agressão. Uma quebra das regras. Mas será que é isso mesmo?

No dia 7 de julho de 2005, como você pode ver aqui nesta notícia do Portal Terra, toda a direção do PT que estava sendo acusada no que ficou conhecido como o caso do Mensalão abriu mão de todos os sigilos.

José Dirceu, José Genoíno, Delúbio Soares e Silvio Pereira fizeram o que o governador Perillo pelo jeito não quer fazer.

À época, a deputada Denise Frossard (PPS-RJ ) chegou a propor à CPI abrir os dados fiscal, bancário e telefônico de todos os 513 deputados federais e 81 senadores. “Homens públicos não podem ter sigilo”, argumentou.

Marconi Perillo, até onde consta, é homem público.

Qual o problema de ele abrir mão de seus sigilos bancário e telefônico? Por que o deputado Carlos Sampaio tão zeloso no trato com a coisa pública entrou em pânico quando o assunto foi levantado pelo relator?

Este blogue só faz as perguntas por curiosidade. Nada mais. Pura curiosidade.

A jornalista Cynara Marques, da Carta Capital, publicou ontem um artigo no site da revista denunciando como farsa a matéria que ilustra a capa da última edição da revista Veja.

No artigo, Cynara aponta que o documento apresentado pela Veja, com exclusividade, como uma produção do PT para orientar a atuação de seus parlamentares na CPI do Cachoeira, na verdade não passa de um conjunto de recortes de reportagens de jornais, revistas e sites.

A inspiração para o artigo de Cynara partiu de um e-mail enviado por um leitor que colocava a seguinte questão: “manual do PT ou matéria do 247?”. Apurando a informação, a jornalista percebeu que o leitor tinha razão e que a reportagem de capa da Veja era uma fraude.

Segundo Cynara, a revista copiou e colou trechos de reportagens de terceiros, sem mudar uma virgula, e afirmou, no estilo Veja de tentar enganar trouxas,  que eles fariam parte de um “documento preparado por petistas para guiar as ações dos companheiros que integram a CPI do Cachoeira”.

No artigo, Cynara apresenta os trechos publicados pela revista e os trechos originalmente publicados pelo site Brasil 247 e pelos jornais Folha de S.Paulo e Estado de S.Paulo.

A repercussão da denúncia levou o artigo ao Trending Topics do Twitter. Durante todo o dia de ontem, a hashtag #CtrlCCtrlVeja figurou entre os assuntos mais comentados do serviço de microblogs no Brasil.

Veja a íntegra do artigo:

Control C + Control Veja

No centro do furacão desde que vieram à tona suas relações no mínimo pouco éticas com os bandidos da quadrilha de Carlinhos Cachoeira, a revista Veja parece ter perdido toda a noção de ridículo. Sua capa desta semana é uma farsa: o “documento” que a semanal da Abril alardeia ter sido produzido pelo PT como estratégia para a CPI de Cachoeira é, na verdade, um amontoado de recortes de reportagens de jornais, revistas e sites brasileiros.

Confira neste link (clique AQUI) os fac-símiles do suposto “documento” que a revista apresenta com “exclusividade” e compare com os outros links no decorrer deste texto.

Segundo a revista, os trechos que exibe fariam parte de um “documento preparado por petistas para guiar as ações dos companheiros que integram a CPI do Cachoeira”. Mas são na realidade pedaços copiados e colados diretamente (o manjado recurso Ctrl C+ Ctrl V dos computadores) de reportagens de terceiros, sem mudar nem uma vírgula. O primeiro deles: “Uma ala poderosa da Polícia Federal, com diversos simpatizantes nos meios de comunicação, não engole há muito tempo o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal” saiu de uma reportagem de 6 de abril do site Brasil 247, um dos portais de notícia, aliás, que os colunistas online de Veja vivem atacando com o apelido de “171″ (número do estelionato no código penal). Mas quem é que está praticando estelionato com os leitores, no caso? (confira clicando AQUI).

Outro trecho do “documento exclusivo” de Veja é um “copiar e colar” da coluna painel da Folha de S.Paulo do dia 14 de abril: “Gurgel optou por engavetar temporariamente o caso. Membros do próprio Ministério Público contestam essa decisão em privado. Acham que, com as informações em mãos, o procurador-geral tinha de arquivar, denunciar citados sem foro privilegiado ou pedir abertura de inquérito no STF”. (Confira AQUI)

Mais um trecho do trabalho de jornalismo “investigativo” com que a Veja brinda seus leitores esta semana: “Em uma conversa entre o senador Demóstenes Torres e o contraventor Carlinhos Cachoeira, gravada pela Polícia Federal (…)”, é o lead de uma reportagem do jornal O Estado de S.Paulo do dia 28 de abril (leia AQUI).

Pelo visto, os espiões da central Cachoeira de arapongagem, que grampeavam pessoas clandestinamente para fornecer “furos” à Veja, estão fazendo falta à semanal da editora Abril…

Acabo de rever o vídeo que segue do conflito no STF entre os ministros Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa. Ali estão todos os componentes que me levam a crer que Gilmar Mendes está botando Lula na roda para constranger petistas na apuração do que pode haver contra ele nos grampos da operação Monte Carlo.

Neste bate-boca, entre outas coisas, Joaquim Barbosa diz: “Vossa excelência quando fala comigo, ministro Gilmar, não está falando com os seus capangas do Mato Grosso. Respeite-me, respeite-me…”

Para meio entendedor meia palavra basta… Capangas, região do Centro-Oeste brasileiro…

Além disso, Barbosa ainda pede para que Mendes sai à rua. E quando este responde que está nas ruas, ouve de Barbosa:

“Vossa excelência não está na rua não. Vossa excelência está na mídia, destruindo a credibilidade do judiciário brasileiro.”

Segue o vídeo.

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A TV Record fez jornalismo de qualidade ontem no Programa Domingo Espetacular.
Muita gente critica a emissora por conta da relação dela com a IURD. E com razão. Não há dúvida que no melhor dos mundos grupos religiosos seriam impedidos de controlar concessões de redes abertas com caráter nacional.
No Brasil real, porém, o fato de a Record não ser grupo tradicional midiático brasileiro é algo que ajuda muito.
Veja perde muito com essa matéria de ontem. E isso é bom para a democracia brasileira.
Quase tudo que está na matéria já havia circulado pela rede, mas agora muita gente entendeu o que é a relação da Veja com a contravenção. E isso faz grande diferença. Assista ao vídeo abaixo.

egue um texto publicado há pouco pelo jornalista Mino Pedrosa, que segundo o Brasil 247, de Leonardo Attuch, foi assessor de Carilinhos Cachoeira.

Aliás, Leonardo Attuch, que segundo Mino Pedrosa, trabalha para Daniel Dantas.

O texto é forte e parece uma ameaça a Marconi Perillo, governador de Goiás. Principalmente porque termina com um enigmático “não vai sobrar pedra sobre pedra”.

Como o governador dificilmente vai se manifestar, o que você acha do texto? Acredita que Perillo deveria se preocupar com ele.
EXCLUSIVO: PROPINA DE CACHOEIRA NO PALÁCIO DE PERILLO

Foi no Palácio das Esmeraldas que o governador de Goiás Marconi Perillo (PDSB) recebeu de Carlos Cachoeira um pacote de dinheiro no valor de R$ 500 mil. Isto foi parte do pagamento de “negócios” entre o governador e o bicheiro. O contato era feito por Wladimir Garcês, preso na operação Monte Carlo e, apontado como braço direito do contraventor. Cachoeira monitorou a entrega do dinheiro pelo telefone e chegou a brincar com Garcês.

O contraventor pediu  pra que Wladimir tomasse cuidado para não se envolver em acidentes que pudessem incendiar e queimar as notas. Enquanto isso, o governador de Goiás Marconi Perillo aguardava no Palácio ansioso.

Tudo isso e muito mais está dentro do processo da Operação Monte Carlo. O que é curioso é que o procurador geral da República Roberto Gurgel em nenhum momento pensa em denunciar Perillo. Mas comentou com um dos procuradores do caso que está cada vez mais difícil deixar Perillo fora disso por conta do episódio envolvendo propina. O inquérito que era extremamente sigiloso, hoje circula livremente nas mãos da imprensa e de políticos com interesse em pinçar adversários envolvidos no escândalo.

Demóstenes, Perilo e Cachoeira

Tudo parecia estar sob controle do ex-presidente Lula para se vingar de Perillo e do senador goiano Demóstenes Torres (sem partido), mas o vazamento do processo trouxe à luz a maior empreiteira e fornecedora do Governo. A Delta teve uma ascensão meteórica no Governo Lula. Como disse o presidente da empresa, Fernando Cavendish, políticos se compram, principalmente durante as campanhas, quase todos têm seu preço.  As declarações bombásticas de Cavendish foram reveladas na semana passada com exclusividade pelo Quidnovi.

Agora Lula desembarcou em Brasília a fim de tomar as rédeas dessa história novamente para evitar que Cavendish sofra a falência, só que revelando a parceria com os políticos que ajudaram a Delta a crescer.

O mais estranho é que o procurador Gurgel não está rezando na cartilha de Lula e Marconi Perillo diz ao vento que com ele nada vai acontecer. Até agora, não tinha sido revelado o envolvimento de Perillo com Cachoeira falando-se em dinheiro. Mas o inquérito não pode esconder o pagamento de propina que o bicheiro fazia para conquistar espaço no poder e engordar sua fortuna usando empresas de fachada com a conivência das autoridades.

Perillo tem algo a mais para explicar. O ex-governador José Roberto Arruda esteve depondo secretamente no Ministério Público Federal para o procurador criminal Ronaldo Albo e fez revelações bombásticas entregando documentos e mostrando como o governador de Goiás amealhou parte de sua atual fortuna.

É preciso se aprofundar nas relações políticas de Perillo, porque Carlinhos Cachoeira atuava em todo o Brasil, credenciado por Perillo e Demóstenes. O pagamento de propina a Perillo no Palácio das Esmeraldas teve uma ação cinematográfica. O Quidnovi trouxe à tona mais um capítulo da Operação Monte Carlo.

Com a CPI instalada no Congresso e outra na Câmara Distrital em Brasília, que fisgou o governador do DF Agnelo Queiroz, passam a ser três alvos: Demóstenes, Marconi e Agnelo. Não vai sobrar pedra sobre pedra.

A partir do post escrito aqui, uma leitora conseguiu, por meio de uma empresa de clipping, a edição de 30 de março do Jornal Nacional. Prestem atenção nos personagens envolvidos e em como essa história dos grampos que desencadearam na crise política de 2005 ainda tem muito a revelar.

Reportagem de hoje do jornal o Globo revela troca de torpedos e trechos de um telefonema entre o famoso Carlinhos Cachoeira e Eliane Gonçalvez Pinheiro, que vem a ser a chefe de gabinete do governador tucano de Goiás, Marconi Perillo. Num dos momentos da conversa, Cachoeira pergunta a Eliane se ela conversou com o maior. Ela diz estar com ele.

Nos campos de várzea das menos nobres áreas de Goiás a pergunta que não quer calar é quem é o maior?

Como a maior autoridade política do estado e chefe direto de Eliane Gonçalvez Pinheiro é o excelentíssimo senhor governador Marconi Perillo, este blogue ousa encaminhar esta pergunta a ele. Governador, quem é o maior?

Será que o pessoal do esquema Cachoeira que trabalha numa avenida que atende pelo nome de marginal (pura coincidência!) em São Paulo saberia explicar o caso? Tem blogueiro da editora da marginal que ousa falar sobre tudo. Pois então, que tal explicar essa? Quem é o maior, senhor blogueiro da reação organizada a favor de Cachoeira que anda fazendo de tudo para achar algo para tirar esse assunto da pauta?

Segue matéria de O Globo de hoje. Alguns trechos em negrito foram destacados pelo blogue.

PS: Marconi Perillo é aquele governador que com cara de santo veio a público em 2005 para dizer que tinha avisado Lula sobre o caso do mensalão antes de o escândalo acontecer. Cachoeira é o contraventor acusado de organizar a gravação tanto do caso Waldomiro Dinis quanto do escândalo dos Correiros, que flagrou Maurício Marinho, é que desencadeou a história do mensalão.  Santa coincidência, Batman…

 

Cachoeira vazava operações da PF para chefe de gabinete de Perillo

 

BRASÍLIA – O contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, usou sua rede de policiais para obter informações sobre operação da Polícia Federal e vazá-las para a chefe de gabinete do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Segundo relatório da Operação Monte Carlo da PF, Cachoeira trocou telefonemas e mensagens com Eliane Gonçalves Pinheiro que, como o senador Demóstenes Torres (sem partido), também foi presenteada com um telefone criptografado comprado no exterior para poder falar com o contraventor. Cachoeira usou o mesmo esquema de acesso a policiais para repassar informações sobre ações da PF à construtora Delta.

Num dos trechos das gravações interceptadas com autorização judicial, o contraventor pergunta a Eliane se ela falou “pro maior” (sic). Ela responde que sim, e acrescenta: “Estou com ele aqui. Tá aqui. Imagina como que tava”. Não fica claro se “o maior” é o próprio governador.

A ação em questão foi desencadeada no dia 13 de maio de 2011 com o nome de Operação Apate. O objetivo foi combater um esquema de fraudes contra a Receita Federal nos estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Pará e Minas Gerais. Foram expedidos 82 mandados de busca e apreensão e 13 mandados de prisão. A Receita Federal havia identificado indícios de que em Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), apresentadas por prefeituras e outros órgãos municipais, havia informações falsas sobre retenções do imposto de renda. Os operadores do esquema contavam com a colaboração de alguns prefeitos e servidores do primeiro escalão municipal. A estimativa da Receita Federal é que o prejuízo aos cofres públicos tenha alcançado cerca de R$ 200 milhões.

Antes do telefonema, o contraventor trocou mensagens de texto com a chefe de gabinete de Perillo, informando da ação da PF. O primeiro torpedo ocorreu no dia 12 de maio do ano passado, às 20h16. Ele anuncia: “vai ter busca na casa e prefeitura, ok”. E ela responde: “ok, entendi.” Depois, continua Carlinhos: “somente busca.” E ainda dá conselhos: “pede a ele que tire as filhas de lá.”. Eliane tranquiliza o interlocutor: “elas estão na casa dele em Taguatinga. Vc. acha q eles vão procurar lá tbem? Ele tem as duas residências”. Carlinhos responde: “acredito q não. Uruaçu, Minaçu”, informa, referindo-se a dois municípios onde deveriam se desencadear as ações da Polícia Federal. Depois encerra: “Entendeu? Falou pro chefe?”

Delta também pediu dados

Doze minutos depois da troca de torpedos, o contraventor telefona para Eliane para confirmar se ela recebeu as mensagens.

Carlinhos: Eliane?

Eliane: Estou ouvindo.

Carlinhos: Falou pro maior (sic)?

Eliane: Falei, estou com ele aqui. Tá aqui. Imagina como que tava.

Antes de encerrar o diálogo, a chefe de gabinete de Marconi Perillo procura saber se a operação da Polícia Federal tem mais gente envolvida.

Carlinhos: Não. Já, já eu te falo. O que eu sei é esses aí (sic). Num (sic) tem ninguém grande não.

Mas Eliane insiste para que ele a avise sobre as novidades: Se você ficar sabendo, me fala. Tem uns pequenos aí que interessa (sic) a gente.

Por meio da assessoria de imprensa, Eliane confirmou que conhece Carlinhos desde 2003. Sobre os diálogos, ela afirma, que a Eliane citada em relatório da PF pode ser uma advogada. No relatório da PF, Eliane é identificada pelo sobrenome, número do CPF e até os telefones utilizados por ela. A chefe de gabinete de Marconi Perillo negou que tenha recebido um Nextel de Cachoeira e afirma que foi um amigo, Wladimir Garcez, que lhe emprestou um aparelho quando ela fez uma viagem ao exterior. Garcez é ex-vereador e, segundo a Polícia Federal, também integra o esquema de Carlinhos Cachoeira. Há vários diálogos interceptados entre os dois. O governador Marconi Perillo disse, por meio da assessoria, que desconhece qualquer relação entre sua chefe de gabinete e Carlinhos Cachoeira.

Relatório da Polícia Federal mostra que Cachoeira também repassou informações para Cláudio Dias Abreu, ex-diretor da construtora Delta em Goiás. Conversas interceptadas pela PF revelam que Abreu recorreu ao amigo para se proteger de eventual investigação sigilosa da Polícia Federal. Integrantes da organização conversam também sobre movimentação financeira supostamente irregular da empresa.

Abreu recorreu aos serviços de Cachoeira em 14 de julho do ano passado para saber sobre operação que a Polícia Federal faria no Pará.

- É deixa eu te falar, nós ficamos sabendo que vai ter uma operação lá no Pará, dá pra você levantar se vai ter reflexo aqui? – pede o executivo.

Cachoeira diz que, se houvesse reflexo, um dos delegados subordinados à organização já teria vazado a informação. Segundo relatório da polícia, Cachoeira tinha uma extensa rede de espionagem.

Em outros diálogos, aparecem referências a suposta lavagem de dinheiro utilizando fornecedores da empreiteira. Por intermédio da assessoria de imprensa, o presidente do conselho da Delta, Fernando Soares, negou qualquer vínculo da empresa com Cachoeira. Segundo ele, Abreu foi afastado em 8 de março, uma semana depois da deflagração da operação. “A Delta Construção está em atividade há 50 anos. Tem uma longa tradição no mercado de construção civil e hoje figura entre as sete maiores e mais respeitadas empresas do setor”, disse a assessoria da empresa.

 

A história política é repleta de senões e detalhes é preciso ficar atento a eles. Há uma cena que sempre me vem à mente quando o caso do mensalão volta à tona. Ao fim da entrevista do presidente Lula com os “blogueiros sujos” foi sugerida uma foto oficial. Antes de fazê-la, senti Lula pegando-me pelo braço e ao mesmo tempo dizendo: “Deixa eu dizer uma coisa, deixa eu dizer uma coisa…”, o que fez com que os “sujos” se reunissem em torno dele. Sem que ninguém tivesse tocado no assunto, disparou. “Uma coisa que quero combinar com vocês é que depois que eu desencarnar vou contar tudo o que sei dessa história do mensalão. Sabem por quê? Porque o Zé Dirceu pode ter muitos defeitos, mas o que fizeram com ele nessa história foi um absurdo… Depois de desencarnar, quero dar uma entrevista para vocês para falar disso, combinado?”

Dito isto, falou: “Cadê o cloaquinha, vem cá cloaquinha, fica do meu lado”. Foi quando foi tirada a foto abaixo.

Hoje depois de ler algumas matérias relacionando o caso Demóstenes e Cachoeira ao episódio do mensalão, recordei-me de uma reportagem publicada no Jornal Nacional em março de 2004, mais precisamente no dia 30 de março.

Ela trazia o conteúdo de um grampo que envolvia Carlinhos Cachoeira e o subprocurador da República, José Roberto Santoro. Aliás, o mesmo subprocurador do famoso Caso Lunus, que atropelou a candidatura de Roseana Sarney.

Não estou aqui a fazer insinuações nem ilações. Mas nesse grampo da época Santoro diz textualmente como o leitor poderá ver mais abaixo, que:

“Ele (Cláudio Fontelles, procurador à época) vai chegar aqui e vai dizer o sacana do Santoro resolveu acabar com o governo do PT, e pra isso arrumou um jornalista (Mino Pedrosa, da Veja), juntaram-se com um bicheiro, e resolveram na calada da noite tomar depoimento. Não foi nem durante o dia, foi às 3h da manhã. (…) Ele vai vir aqui, e vai ver, tomando um depoimento pra, desculpe a expressão, pra ferrar o chefe da Casa Civil da Presidência da República, o homem mais poderoso do governo, ou seja, pra derrubar o governo Lula.”

Foi a partir desse episódio de Waldomiro Diniz que José Dirceu começou a cair.

Mais à frente, outro grampo, neste caso de Maurício Marinho, diretor dos Correios, publicado pela Revista Veja, detonou o escândalo do Mensalão. Roberto Jefferson, então presidente do partido de Marinho, o PTB, resolveu sair atirando e afirmando que o esquema tinha relação com uma mesada para deputados federais.

E escolheu José Dirceu como alvo.

A revelação de que Demóstenes era quase como um “sócio” de Cachoeira e de que o caso está na gaveta do procurador Roberto Gurgel desde 2009 são elementos suficientes para que essa história do mensalão comece a ser relida a partir de outros ângulos. Um deles:

“Quem armou para arrancar Zé Dirceu do governo Lula?”

Segue a degravação do JN do dia 20 de março, que revela depoimento de Cachoeira ao subprocurador da República José Roberto Santoro, antes de o caso se tornar um escândalo. Ao ler essa degravação a luz dos novos acontecimentos o leitor talvez imagine o tamanho da pulga que está atrás da orelha deste blogueiro sujo.

APRESENTADORA FÁTIMA BERNARDES : Surge uma nova fita do caso Waldomiro Diniz. Ela registra um depoimento extra-oficial que o dono de casas de jogos, Carlos Cachoeira, prestou ao subprocurador da República, José Roberto Santoro, antes de o escândalo vir a público pela revista Época.

APRESENTADOR WILLIAM BONNER : O objetivo do subprocurador era obter oficialmente, de Cachoeira, a fita em que Waldomiro pede dinheiro a ele. O depoimento teria durado quatro horas, mas somente 28 minutos foram gravados.

APRESENTADORA FÁTIMA BERNARDES : O Jornal Nacional obteve a fita, sábado passado, de um intermediário que se disse a mando de Carlos Cachoeira. Ao investigarmos o intermediário, constatamos que ele, de fato, tinha relações próximas com Cachoeira. A fita foi levada à perícia, que atestou que ela não apresentava montagem.

APRESENTADOR WILLIAM BONNER : Ontem, a Procuradoria da República, ao oferecer denúncia no caso do contrato da G-Tech com a Caixa, pediu o perdão judicial para Carlos Cachoeira, com a alegação de que ele estaria colaborando com a Justiça. Hoje, quando o Jornal Nacional finalmente conseguiu falar com Cachoeira, ele negou ser o autor da gravação, como o intermediário tinha dito. E disse nada saber sobre ela. O intermediário não soube explicar a atitude de Cachoeira.

APRESENTADORA FÁTIMA BERNARDES : Como a fita foi aprovada pela perícia, o Jornal Nacional decidiu divulgá-la. Procedendo assim, considera que está contribuindo para a elucidação de todos os aspectos que o escândalo tem. A fita teria sido gravada, segundo o intermediário, na noite do dia 12 de fevereiro. O procurador Santoro admite que os diálogos existiram, mas disse que o depoimento ocorreu no dia 8 de fevereiro. Dele, participaram, além de Santoro e Cachoeira, o procurador Marcelo Serra Azul, um delegado da Polícia Federal, Jácomo Santoro, um advogado de Cachoeira e a mulher dele.

APRESENTADOR WILLIAM BONNER : Na fita, o procurador Santoro se mostra preocupado com o adiantado da hora. Eram 3h da manhã. Diz a Cachoeira que seu superior hierárquico, o procurador Cláudio Fontelles, costuma chegar cedo ao trabalho. Que se o encontrasse ali, poderia estranhar a reunião e veria um subprocurador geral da República empenhado em derrubar o governo do PT.

REPÓRTER : A fita foi examinada pelo perito Ricardo Molina. No laudo, ele certifica que a gravação não apresenta indícios de montagem. O subprocurador José Roberto Santoro ouviu o depoimento de Cachoeira e pediu que ele entregasse a fita de vídeo em que o ex-assessor do Palácio do Planalto, Waldomiro Diniz, aparece pedindo propina, porque, segundo ele, seria uma prova lícita.

GRAVAÇÃO:
SANTORO : Faz o seguinte: entrega a fita, não depõe, diz que vai depor mais tarde pra ver o que que aconteceu, porque aí você acautela que você colaborou com a Justiça, entregou a fita, acautelou prova lícita o cacete a quatro. Então. E aí vem o cafofo

REPÓRTER : A fita de vídeo, a que se referia o subprocurador, foi gravada por Cachoeira em 2002.

GRAVAÇÃO:
Um por cento.
No total?

REPÓRTER : O subprocurador já tinha uma cópia dessa gravação, que segundo ele havia sido entregue pelo senador Antero Paes de Barros, do PSDB de Mato Grosso, mas queria uma cópia do próprio Cachoeira. Ele, porém, durante horas recusou-se a entregar espontaneamente a gravação. Como alternativa, Cachoeira propôs que a Polícia Federal fizesse uma busca para apreender a fita.

GRAVAÇÃO:
CACHOEIRA: Eu entrego o endereço, entrego tudo… Combino o local.
SANTORO: Você sabe o que vai acontecer com essa fita?
CACHOEIRA: Ham?
SANTORO: A busca e apreensão vai ser feita pela Polícia Federal, a Polícia Federal vai lá bater. É isso? A primeira coisa que vai ser, vai ser periciada e a primeira pessoa que vai ter acesso a essa fita é o Lacerda, o segundo é o ministro da Justiça e o terceiro é o Zé Dirceu. E o quarto o presidente.
CACHOEIRA: Ah, é desse jeito?

REPÓRTER : Em vários trechos da fita, Santoro procura encerrar logo a conversa. Diz que quer evitar o encontro com o procurador geral da República, superior dele. No diálogo, Santoro diz que o procurador poderia ver motivações políticas na investigação realizada naquelas condições.

GRAVAÇÃO:
SANTORO: Daqui a pouco o Procurador Geral vai dizer assim, porra, você tá perseguindo o governo que me nomeou Procurador Geral, Santoro, que sacanagem é essa? Você tá querendo ferrar o assessor do Zé Dirceu, o que que você tem a ver com isso aí eu vou dizer: não, eu não tenho nada, tô ajudando, porra, ajudando como, você é um subprocurador Geral, você não tem que ficar na madrugada na Procuradoria tomando depoimento dos outros.
CACHOEIRA: É claro.
SANTORO: Ele vai chegar aqui e vai dizer o sacana do Santoro resolveu acabar com o governo do PT, e pra isso arrumou um jornalista, juntaram-se com um bicheiro, e resolveram na calada da noite tomar depoimento. Não foi nem durante o dia, foi às 3h da manhã.

REPÓRTER :O jornalista a que se refere Santoro é Mino Pedrosa, dono de uma empresa de comunicação e que foi assessor de Cachoeira. Num diálogo, fica claro que Pedrosa foi uma das duas pessoas que tiveram acesso à fita com a conversa entre Waldomiro e Cachoeira. Em outro trecho, Santoro volta a mostrar preocupação com o tempo.

GRAVAÇÃO:
SANTORO: Daqui a pouco o Procurador Geral chega, que ele chega 6h da manhã. Ele vai ver o carro, ele vai vir aqui na minha sala. Ele vai vir aqui, e vai ver, tomando um depoimento pra, desculpe a expressão, pra ferrar o chefe da Casa Civil da Presidência da República, o homem mais poderoso do governo, ou seja, pra derrubar o governo Lula. A primeira coisa que ele vai dizer é o seguinte,o Santoro é meu inimigo, porque ele podia, como meu amigo, ter ligado pra mim e ter dito assim, olha, vai dar porcaria pro Zé Dirceu”. E eu não fiz isso. Não vou fazer mais, por quê? Porque chega. (ouviram?)

REPÓRTER : E adiante, mais uma vez, revela preocupação com a possibilidade da chegada do procurador geral, Claudio Fonteles.

GRAVAÇÃO:
SANTORO: Ó, estourou o meu limite, daqui a pouco o Cláudio chega, chega às 6h da manhã, vai ver teu carro na garagem, vai ser o que tem e vai ver um subprocurador geral empenhado em derrubar o governo do PT , você vê,3h da manhã, bicho…

REPÓRTER : O subprocurador José Roberto Santoro reconheceu que a conversa existiu, mas disse que a gravação é só de uma parte do diálogo, e que esse trecho está fora de contexto. José Roberto Santoro, o depoimento foi marcado à noite porque esse foi o horário escolhido por Carlinhos Cachoeira. Os outros depoimentos dados por ele também foram à noite. Sobre os trechos em que fala das conseqüências políticas e da possível reação do procurador-geral, Santoro disse que isso foi uma forma de pressionar Cachoeira, já que era tarde e ele se recusava a entregar a fita ou dar um depoimento consistente.
O subprocurador disse que insistiu para receber a fita de Cachoeira, porque a Justiça poderia ter dúvidas sobre a validade da cópia entregue pelo senador Antero Paes de Barros.

APRESENTADORA FÁTIMA BERNARDES :O procurador geral da República, Cláudio Fontelles, disse que não iria se manifestar porque, pela Constituição, todos os integrantes do Ministério Público têm autonomia e independência funcional. O jornalista Mino Pedrosa disse que teve acesso à fita, mas que devolveu a Cachoeira sem ter feito cópia ou ter entregue a gravação a outra pessoa.

APRESENTADOR WILLIAM BONNER : A revista Época, editada pela Editora Globo, informou que obteve a fita do senador Antero de Barros no dia 4 de fevereiro e que imediatamente mandou fazer uma perícia nela. Constatada a ausência de fraude, a revista ouviu os envolvidos. E obteve, em entrevista, a confissão de Waldomiro Diniz de que, de fato, tinha pedido dinheiro a Carlos Cachoeira para campanhas eleitorais e propina para um amigo. Diante disso, a revista Época publicou a reportagem que revelou ao Brasil o escândalo Waldomiro – como agora o caso é chamado – e cumpriu seu dever com os leitores e com o país, sua única motivação.

APRESENTADORA FÁTIMA BERNARDES : A direção da Caixa Econômica Federal entrou com representação no Ministério Público Federal, questionando o trabalho feito pelo procurador Marcelo Serra Azul no inquérito que investigou a renovação de contrato entre a Caixa e a GTech, empresa americana que opera o sistema de loterias no Brasil. O inquérito denunciou o presidente da Caixa, Jorge Mattoso, por gestão fraudulenta e corrupção na negociação de renovação do contrato. Jorge Mattoso negou que vá se afastar do cargo ou demitir funcionários também denunciados pelo promotor.