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O jornalista  Marco Aurélio Mello (do blog DoLaDodeLá) foi condenado pelo excelentíssimo juiz Ricardo Cyfer a indenizar o excelentíssimo diretor de Jornalismo da Rede Globo, Ali Kamel, em R$ 15 mil. A sentença é de primeira instância, ou seja, apesar de alguns jornalistas muito bem-intencionados, como Lauro Jardim, da coluna Radar, da gloriosa Veja, estarem divulgando a vitória de Kamel, como definitiva, isso não é fato. É factoide. Mas convenhamos, nisso a dupla Kamel e Jardim são experts. Imbatíveis.

Cabe recurso e o Marco Aurélio Mello já afirmou quem seu blog que recorreu (clique aqui e leia a notícia pelo próprio Marco Aurélio, inclusive com links para as postagens que geraram essa condenação).

Kamel venceu essa primeira batalha, alegando ter sido atingido por postagens que lhe teriam causado “dano moral”. Vejam como são as coisas, “danos morais”. É nesses momentos que fico pensando como são bundões certos políticos de um certo partido que são frequentemente esculhambados em certos periódicos e que nunca alegaram “danos morais” para nada.
De acordo com Kamel, seu ex-funcionário escreveu no blog que foi demitido por se recusar a assinar um abaixo-assinado para manipular as eleições presidenciais de 2006. Mello também teria escrito que Kamel mantém uma plantação de maconha em seu apartamento, além de informações distorcidas sobre uma discussão com vizinhos.

O juiz considerou que os textos foram levianos ao tratar de questões da vida particular do diretor da Globo e que seu potencial ofensivo não está relacionado com a intenção de quem os escreveu, mas ao dano que podem provocar. Se esse viés analítico criar uma jurisprudência, a Globo de Kamel e da Veja de Lauro Jardim vão abrir falência de tantas indenizações que terão que pagar.

Enfim, este post é só pra dizer ao Marco Aurélio Mello, siga em frente, irmão. E conte conosco pra arrecadar em moedinhas de 1 centavo o quanto for necessário para entregar na casa do Kamel. Tenho certeza que não hão de faltar fiéis da blogosfera suja para contribuir contigo se porventura essa injusta condenação vier a se confirmar em outras instâncias.

Reproduzo a seguir uma reportagem que acessei pelo Facebook a partir de dica do amigo Eduardo Guimarães. Ela deixa evidente a forma como o presidente do STF respeita a liberdade de imprensa e zela pelo direito à informação livre. No final de semana chamei Joaquim Barbosa de Sinhozinho por conta da nota laudatória de Sonia Racy anunciando o novo afair do ministro, uma garota de 24 anos. “Quem a conheceu atesta ser ela inteligentíssima”, garantiu Racy.

Terminei o comentário com uma simples pergunta: e se fosse o Lula? Não tenho nada a ver com a vida pessoal de Barbosa e acho absolutamente normal relações com grande diferença de idade.  Mas isso não significa que não possa questionar a apaixonada cobertura que certos jornalistas lhe dispensam. E a forma como arrumam muletas para lhe ofertar em qualquer situação que possa exigir um pouco mais de jogo de cintura. Afinal, qual o problema em deixar Barbosa responder sobre o namora. Que nada. Racy já lhe deu a senha, a moça é inteligentíssima.

Mas quem cobre Brasília sabe que Barbosa está longe de ser um gentleman. É um sujeito autoritário e sem limites. E que é sim uma ameça à democracia com o seu desiquilíbrio e com o poder que tem. Leia a matéria abaixo ou ouça o áudio aqui.

Vá chafurdar no lixo’, diz presidente do STF a jornalista

DE BRASÍLIA

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa, chamou nesta terça-feira (5) de “palhaço” um repórter do jornal “O Estado de S. Paulo” e recomendou que ele fosse “chafurdar no lixo”.

A fala ocorreu na saída da reunião do Conselho Nacional de Justiça, que também é presidido por Barbosa.

Ao deixar o local, Barbosa era aguardado por jornalistas. Na primeira abordagem, o ministro interrompeu a pergunta iniciada pelo repórter Felipe Recondo e o destratou aos gritos.

O repórter perguntou: “Presidente, como o senhor está vendo…”. Barbosa não o deixou concluir e respondeu: “Não estou vendo nada. Me deixa em paz, rapaz. Vá chafurdar no lixo como você faz sempre”.

O jornalista questionou o comportamento do ministro. “Que é isso ministro, o que houve?”.

“Estou pedindo, me deixe em paz. Já disse várias vezes ao senhor”, devolveu.

“Eu tenho que fazer pergunta que é o meu trabalho”, retrucou.

Ainda mais irritado, Barbosa afirmou que não tinha nada a declarar. “Eu não tenho nada a lhe dizer, não quero nem saber do que o senhor está tratando”, afirmou.

Afastado por assessores, Barbosa ainda chamou o repórter de “palhaço” ao entrar em um elevador.

Os jornalistas esperavam Barbosa para repercutir a nota divulgada pelas três maiores entidades de juízes do país (AMB, Ajufe e Anamatra) no fim de semana.

As entidades criticaram Barbosa por ele ter dito em entrevista que a magistratura tem mentalidade pró-impunidade, e afirmam que ele vive situação de “isolacionismo” e “parte do pressuposto de ser o único detentor da verdade”.

Em novembro passado, Barbosa já havia criticado um repórter negro como ele que, segundo o presidente do STF, teria replicado estereótipos racistas ao perguntar se ele estava sereno no novo cargo

Segue uma nota publicada no Blog Jornalismo nas Américas, do Knight Center, da Universidade Austin do Texas. Ela é ilustrativa tanto do que é a sociedade americana, quanto dos conflitos dos tempos atuais que vão cada vez mais revelar de que lado estão os que de fato defendem a liberdade de imprensa e de expressão. Vale a pena dar uma lida nesta matéria.

Editor de jornal americano se demite depois de a publicação desistir de pedido de acesso a informações públicas

Em carta aos leitores, Cherokee Scout anunciou que retiraria o pedido por informações sobre armas nos EUA.

O editor de um pequeno jornal da cidade americana deMurphy, na Carolina do Norte, se demitiu depois de a publicação desistir de um pedido de acesso a informações públicas sobre armas no país que havia incomodado moradores da região, informou a Columbia Journalism Review (CJR) reported. O caso é o mais recentes envolvendo solicitações de dados, privacidade e armas.

Segundo a CJR, Robert Horne anunciou que deixaria o cargo de editor do Cherokee Scout e do Andrews Journal no dia 26 de fevereiro, apenas uma semana após fazer um pedido de acesso a informações públicas sobre posse de armas no condado de Cherokee.

O xerife Keith Lovin negou o pedido, argumentando que tais informações não seriam públicas, acrescentou a CJR. Quando Horne tentou insistir, Lovin publicou o pedido na página do departamento de polícia no Facebook.

No dia 21 de fevereiro, em uma carta aos leitores, o editor responsável David Brown afirmou que Horne havia sido ameaçado por moradores histéricos em decorrência da atitude do xerife. Mas, apesar de acreditar que o Scout sairia vitorioso de um processo pelo acesso aos dados, acrescentou que não iria à Justiça.

“Nossos leitores falaram e nós sempre escutamos vocês. Estamos retirando nosso pedido e o assunto está encerrado”, dizia a carta

No dia seguinte, Brown publicou uma nova carta, (reproduzida no blog de Jim Romenesko), pedindo desculpas pelo erro de julgamento.

Como editor do seu jornal local, quero pedir desculpas às pessoas que chateamos sem intenção com nosso pedido de informações sobre posse de armas. Não tínhamos ideia da reação que ele causaria.

A decisão do jornal foi amplamente criticada por especialistas em mídia. Romensko chamou a atitude de “o mais inacreditável pedido de desculpas de um jornal até hoje”.

Em janeiro, um jornal do estado de Nova York havia gerado polêmica ao publicar uma mapa interativo com os nomes de milhares de moradores da região com posse de armas. A decisão levantou uma discussão sobre a responsabilidade dos jornalistas ao lidar com grandes volumes de dados.

O Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu nesta quarta-feira ,20, que o blog Falha S. Paulo deve continuar fora do ar. O blog, criado pelos irmãos Mário e Lino Bocchini, era uma divertida paródia do jornal Folha de S.Paulo e brincava com os recorrentes erros da publicação.

A decisão de manter a CENSURA ao Falha de S.Paulo deixou de lado todo o debate sobre liberdade de expressão e se baseou apenas nas leis de Mercado. O desembargador Edson Luiz de Queiróz manteve o blog fora do ar com a justificativa da similaridade entre o nome Falha de S.Paulo e a marca registrada pela Folha de S.Paulo.

Além de um caso óbvio de censura judicial, a manutenção da CENSURA ao Falha de S.Paulo abre um precedente perigoso para a liberdade de expressão, principalmente em relação a sátira e a ironia.

Por exemplo, que se cuide o programa Pânico da TV, exibido pela TV Bandeirantes. Ao satirizar novelas da Globo, o humorístico costuma utilizar-se do mesmo recurso utilizado pela Falha de S.Paulo. Um quadro que faz uma paródia da novela Salve Jorge, da TV Globo, chama-se Salve George. Todo cuidado é pouco de agora em diante. A não ser que o que se fez com a Falha só seja utilizado contra veículos de comunicação que não se alinham ao piguismo.

Este blogueiro faz coro as palavras do relator especial da ONU para a liberdade de expressão, Frank La Rue, sobre o caso Falha x Folha: “É interessante esse uso da ironia que vocês fizeram usando as palavras Folha e Falha. Uma das formas de manifestação mais combatidas hoje em dia, e que deve ser defendida, é o jornalismo irônico”, disse em visita ao Brasil.

Este julgamento transformou uma questão de liberdade de expressão em um debate comercial com um único objetivo: calar os críticos do jornalão da família Frias. Ou alguém consegue ser ingênuo o suficiente para acreditar que o que incomodou a Folha foi a questão comercial, a similaridade do seu nome com o domínio de um blog sem nenhuma publicidade ou outra modalidade de retorno financeiro?

A vitória da Folha é a vitória da CENSURA. Mas para um veículo de comunicação que colocava seus carros à disposição dos órgãos repressores e que hoje em dia ainda diz que vivemos naqueles dias uma ditabranda, isso não deve representar muita coisa.

No próximo dia 20 será julgado, em segunda instância, o caso Falha de S.Paulo x Folha de S.Paulo. Trata-se de um julgamento de fundamental importância para a defesa da liberdade de expressão.

O site Falha de S.Paulo, criado pelos irmãos Mário e Lino Bocchini, era uma divertida paródia do jornal Folha de S.Paulo e brincava com os recorrentes erros da publicação da família Frias. Porém, Lino e Mário mexeram em um verdadeiro vespeiro. Uma vez parodiada, a Folha convocou ao ataque seus advogados

Com apenas um mês do site no ar, a Folha de S.Paulo entrou na Justiça e conseguiu censurá-lo. O juiz, em julgamento de primeira instância, determinou o congelamento da página por “concorrência desleal” e por provocar suposta “confusão” no leitor.

Pois bem, não vejo como o Falha de S.Paulo pode ser acusado de concorrência desleal contra o gigante Folha de S.Paulo. O Falha não tinha qualquer remuneração: assinantes, venda ou qualquer outra forma de obtenção de lucro. E muito menos pretendia concorrer com os Frias, uma vez que seus públicos são completamente distintos.

O mais interessante é que a ação movida pelo jornal sequer apresentava o argumento de “concorrência desleal”. A ação contra a Falha era baseada no suposto uso indevido da marca do periódico e na confusão que poderia gerar nos seus leitores.

Este caminho também está totalmente equivocado. Falha e Folha não se confundem. A brincadeira com o nome é simplesmente um recurso para que a paródia seja facilmente identificável com o seu alvo. O leitor jamais iria entrar no site Falha de S.Paulo e acreditar que está acessando o site da Folha. Um é uma paródia, com brincadeiras de uma ironia fina; o outro, pretende ser um site de notícias “sérias”.

Um dos casos concretos na jurisprudência apresentado pelo jornal na sua peça inicial refere-se a uma empresa que utilizou-se do nome Dall para a venda de computadores, causando assim confusão com a marca Dell entre os consumidores. Porém, neste caso, o intuito de ambas é o mesmo, a comercialização de produtos de informática. Algo completamente distinto do caso Folha x Falha, onde uma parte é uma empresa de comunicação com fins comerciais e, a outra, uma paródia sem qualquer finalidade comercial.

“O site não possuía sequer um banner comercial. A tese de confusão entre os sites é um desrespeito com o próprio leitor da Folha de S.Paulo. Não vejo como um leitor entraria em um site que, por exemplo, associa a figura do Otávio Frias com o personagem Darth Vaider, e acreditar que estava acessando o site da Folha”, afirma Lino Bocchini.

Sátira com Otávio Frias Filho

No campo dos exemplos, prefiro citar o que foi apresentado pelo relator especial da ONU, Frank La Rue, durante visita ao Brasil. La Rue citou o jornal norte-americano The New York Times, que já sofreu diversas sátiras semelhantes à Falha de S.Paulo, como a feita pelo site Not New York Times, e nunca acionou judicialmente aqueles que o criticavam.

“É o mais lógico”, disse o relator. “É interessante esse uso da ironia que vocês fizeram usando as palavras Folha e Falha. Uma das formas de manifestação mais combatidas hoje em dia, e que deve ser defendida, é o jornalismo irônico”, defendeu La Rue.

Apesar da tentativa de manipulação dos fatos pelos advogados da Folha de S.Paulo, o pano de fundo do julgamento passa longe de questões como concorrência desleal, uso indevido de marca ou confusão no público leitor. Trata-se de uma disputa judicial onde a questão central é a liberdade de expressão. O direito à paródia e à sátira como forma de crítica, não importando o quão poderoso seja o seu alvo.

Leia a análise de Lino Bochini sobre os possíveis desdobramentos do caso:

Esse julgamento é importante porque, segundo o próprio juiz de primeira instância, trata-se de um caso inédito na Justiça brasileira. A disputa que está posta, é um suposto desejo da Folha de defender sua marca e, de nossa parte, a defesa da liberdade de expressão. A jurisprudência que se abrirá para um lado é importantíssima. Em caso de vitória da Folha, outras empresas que quiserem censurar blogueiros ou qualquer conteúdo na internet ganhará uma nova arma. Bastará usar o mesmo argumento vago de “uso indevido da marca” e pronto. A boa notícia é que, no caso de vitória nossa, a jurisprudência que se abre é a favor da coletividade. Ou seja, se outra empresa quiser censurar alguém por via judicial, terá mais dificuldades.

Essa questão coletiva é um dos motivos que tornou o caso tão visado. O outro é o que nos motivou a criar a falha: seu jornalismo extremamente partidário, travestido de imparcial. Isso não é contra lei. Mas denunciar a hipocrisia do jornal, que tem lado e claras preferências políticas, também é permitido. E é esse direito que queremos ter assegurado.

Segue abaixo texto do meu amigo Rodrigo Vianna, um dos jornalistas mais sérios e responsáveis que conheço. Ele foi novamente derrotado na justiça carioca numa ação movida por Ali Kamel, alguém pelo qual neu e muitos brasileiros não têm nenhum respeito (posso dizer isso ou você vai me processar por ter opinião sobre a sua biografia, Kamel?). Se Rodrigo vier a ter que pagar um centavo que seja para este senhor, quero ter o prazer de disponibilizar minha contribuição. A condenação será algo semelhante a que Mandela sofreu na época do Apartheid na África do Sul ou que os escravos brasileiros viviam quando buscavam a liberdade. Kamel é uma espécie de capataz do império midiático brasileiro que mais apoiou a ditadura militar, que torturava e censura. Agora, Kamel quer fazer valer a chibata contra a blogosfera. Torturando-a com processos e buscando com isso o seu silêncio. É possível que venha a conseguir alguns trocados com isso. Mas não atingirá seus objetivos. Nós, somos insistentes.

 

Justiça do Rio: a TV Globo joga em casa; mas Kamel está derrotado pela história

Na praça Clóvis/Minha carteira foi batida/Tinha vinte e cinco cruzeiros/E o teu retrato…

Vinte e cinco/Eu, francamente, achei barato/Pra me livrarem/Do meu atraso de vida

(Paulo Vanzolini, “Praça Clóvis”)

por Rodrigo Vianna

Um advogado amigo costuma dizer: “no Rio, a Globo joga em casa”.

Hoje, tivemos mais uma prova. Ano passado, fui condenado em primeira instância, num processo movido pelo diretor de Jornalismo da Globo, Ali Kamel. Importante dizer: a juíza na primeira instância não me permitiu apresentar testemunhas, laudos, coisa nenhuma. Acolheu na íntegra a argumentação do diretor da Globo – sem que eu tivesse sequer a chance de estar à frente da meritíssima para esclarecer minhas posições.

Recorremos ao Tribunal de Justiça, também no Rio. Antes de discutir o mérito da ação,pedimos que o TJ analisasse um “agravo retido” (espécie de recurso prévio) que obrigasse a primeira instância a ouvir as testemunhas de defesa e os especialistas de duas universidadesque gostaríamos de ver consultados na ação.

O Tribunal, em decisão proferida nessa terça-feira (15/01), ignorou quase integralmente nossa argumentação. Negou o agravo e, no mérito, deu provimento apenas parcial à nossa apelação – reduzindo o valor da indenização que a meritíssima de primeira instância fixara em absurdos 50 mil reais. Ato contínuo, certos blogs da direita midiática começaram a dar repercussão à decisão. Claro! São todos fidelíssimos aos patrões e ao diretor da Globo, na luta que estes travam contra outros jornalistas.

Sobre esse processo, gostaria de esclarecer alguns pontos. Primeiro, cabe recurso e vamos recorrer!

Segundo, está claro que Ali Kamel usa a Justiça para se vingar de todos aqueles que criticam o papel por ele exercido à frente da maior emissora de TV do país. Kamel foi derrotado duas vezes nas urnas: perdeu em 2006 (quando a Globo alinhou-se ao delegado Bruno na véspera do primeiro turno, num episódio muito bem narrado pela CartaCapital, naquela época) e perdeu em 2010 (quando o episódio da “bolinha de papel” foi desmascarado pelos blogs e redes sociais). Contra as quotas, contra o Bolsa-Família, contra os avanços dos anos Lula: Kamel é um dos ideólogos da direita derrotada. Por isso mesmo, era chamado na Globo de “Ratzinger”.

Em 2010, Ali Kamel virou alvo de críticas fortes (mas nem por isso injustas) na internet. Deveria estar preparado pra isso. Dirige o jornalismo de uma emissora acostumada a usar seu poder para influir em eleições. Passadas as eleições de 2010, Kamel muniu-se de uma espécie de “furor processório”. Iniciou ações judiciais contra esse escrevinhador, e também contra Azenha (VioMundo), Marco Aurélio (Doladodelá), CloacaNews, Nassif, PH Amorim… Todas praticamente simultâneas. Estava claro que Kamel pretendia mandar um recado: “utilizarei minhas armas para o contra-ataque; não farei o debate público, de conteúdo, partirei para a revanche judicial”.

Advogados costumam dizer que em casos assim “o processo já é a pena”. Ou seja: o processante tem apoio da maior emissora do país, conta com advogados bem pagos e uma estrutura gigantesca. O processado (ou os processados) são jornalistas e blogueiros “sujos”, sem eira nem beira. O objetivo é sufocar-nos (financeiramente) com os processos.

Está enganado o senhor Ali Kamel. Aqui desse lado há gente que não se intimida tão facilmente.

Não tenho contra Kamel nada pessoal. Conversei com ele sempre de forma civilizada quando trabalhei na Globo. Troquei com ele alguns emails cordiais – como costumo fazer com todos colegas ou chefes. Kamel utilizou um desses e-mails pessoais na ação judicial, como se quisesse afirmar: “ele gostava de mim quando estava na Globo, deixou de gostar quando saiu da Globo.”

Ora, a questão não é pessoal. Tinha por Kamel respeito, até que comprovei de perto algumas atitudes estranhas (vetos a matérias), culminando com a atuação dele na cobertura do caso dos “aloprados” na eleição de 2006. Na época, eu trabalhava na Globo. Saí da emissora por causa disso. E passei a não mais respeitar Ali Kamel  profissionalmente. O discurso que ele fazia na Redação antes de 2006 (“todos podem ser ouvidos, há espaço para crítica”) era falso. Quem criticou ou dissentiu foi colocado na “geladeira” e “expurgado”. Isso está claro. Azenha, Marco Aurelio Mello, Carlos Dornelles e Franklin Martins estão aí para mostrar…

De resto, a utilização de e-mails (estritamente pessoais) numa ação não é ilegal. Mas mostra o grau apurado de ética de quem os utiliza como ferramenta da luta política e judicial.

No meu caso, a acusação é de ter “espalhado” pela internet que ele seria um “ator pornográfico”. Quem lê os textos que escrevi neste blog sobre a infeliz homonímia (um ator pornô nos anos 80, aparentemente, usava o mesmo nome que ele – Ali Kamel) logo percebe: em nenhum momento disse que Ali Kamel (o jornalista) seria o Ali Kamel (ator pornográfico).Não afirmei que eram a mesma pessoa nem neguei que o fossem. Não sabia, e isso pouco importava. Apenas usei a coincidência como mote para a crítica, em textos claramente opinativos: pornográfico, sim, é o jornalismo que Ali Kamel pratica tantas vezes à frente da Globo. Foi essa a afirmação que fiz em seguidos textos. Muitas vezes, de forma bem-humorada.

Na apelação ao Tribunal, mostramos como seria importante a juíza de primeira instância ter consultado especialistas em Comunicação  (indicamos ao menos dois) para entender a diferença entre opinião e informação. E para entender a centralidade do uso do humor na crítica política.

Mostramos em nossa defesa, ainda, como o impoluto comentarista (e ex-cineasta) Arnaldo Jabor utilizou-se de mote parecido no título de um livro que fez publicar: “Pornopolítica”. Se há uma “pornopolítica”, por que não posso falar em “jornalismo pornográfico”?

Só a Globo e seus comentaristas podem recorrer a metáforas? Parece que sim. Especialmente no Rio de Janeiro. No Rio, a Globo joga em casa.

Vamos recorrer aos tribunais de Brasília. Não que eu tenha grandes esperanças de ver magistrados na capital federal a enfrentar o diretor de Jornalismo da Globo. Mas vou utilizar as armas que tenho.

Mais que isso: se Kamel pensava em calar ou intimidar seus críticos, vai se dar mal. Esse processo vai ajudar a mobilizar aqueles que lutam contra os monopólios de mídia no Brasil. Vai ajudar a escancarar a hipocrisia daqueles que na ANJ e na SIP pedem “ampla liberdade de crítica”, daqueles que usam Institutos Milleniuns para exigir “que não se criem travas ao humor como ferramenta de crítica”, mas que fazem tudo ao contrario quando são  eles os objetos da crítica e do humor.

Kamel pode até ganhar no Rio. Pode ganhar no STJ, STF, CNJ, SIP, ANJ, sei lá onde mais.  Mas perderá na história. Aliás, já perdeu. Na testa dele está o carimbo (justo ou injusto? o público pode julgar…) de “manipulador de eleições”. Manipulador frustrado, diga-se. Porque segue a perder. No Brasil, na Venezuela, na Argentina…

A Justiça quer que eu pague 20 mil, 30 mil ou 50 mil pro Ali Kamel? Acho absurda a condenação. Mas se for obrigado, eu pago até com certo gosto. Levo lá no Jardim Botânico o cheque pra ele. Ou entrego no apartamento onde ele vive, de frente pro mar na zona sul – palco, vez ou outra, de brigas com os vizinhos que também acabam na Justiça.

Essa condenação, que ainda lutarei para reverter, lembra-me a belíssima letra de Paulo Vanzolini – com a qual abri esse texto…

Tudo bem, Kamel, se você e a  Justiça fizerem questão, eu pago! Só que seguirei a fazer – aqui – o contraponto ao jornalismo que você dirige.

Tudo bem, Kamel, se você e a Justiça fizerem questão, esgotados todos os recursos, eu pago!

Eu pago. Vê-lo derrotado frente à história: não tem preço.

Dia desses a editora do SPressoSP, a Adriana Delorenzo, me veio com uma inquietação. Enquanto checava os dados da audiência do site no Analytics percebeu que todas as matérias traziam as palavras chaves e Tags, menos a da Marcha da Maconha. Aquela estava indexada apenas com números.

Desconfiei de que o Google tinha criado uma restrição para o evento que busca modificar a legislação brasileira que é proibicionista em relação ao uso dessa droga, mas relativamente generosa em relação a outras. Por que a legislação, por exemplo, ainda permite publicidade de bebida alcoólica?

Fui ao site de busca digitar Marcha da Maconha para ver o que acontecia.

Digitei Marcha da Mac.. Vejam o que aconteceu. E se quiserem façam o mesmo.

E o Google não me sugeriu nada.

Digitei Cerveja B, ele me sugere uma sequência delas.

Digitei Whisky R, ele me também me sugere várias possibilidades.

Ou seja, o Google está utilizando um tipo de censura com a Marcha da Maconha. Não há sentido legal nenhum nisso, porque no dia 15 de junho o Supremo Tribunal Federal (STF), em decisão unânime, por 8 votos, liberou a realização da Marcha da Maconha no país.

Até por este motivo o pessoal que organiza esses encontros está com uma campanha no Catarse buscando apoio financeiro para que as marchas deste ano sejam ainda mais significativas.

O escritório do Google no Brasil tem obrigação de se explicar. E o movimento deveria entrar com um pedido de explicação jurídica para o que julgo ser uma arbitrariedade.

Por outro lado, aqueles que defendem a legalização da maconha têm o dever de apoiar a realização das marchas. A defesa não pode ser só no sofá. Entrem lá no Catarse e façam suas doações. Depois, rua.

Ficar reclamando nas redes sociais que setores religiosos defendem outras posições não resolve o problema. É preciso fazer mais.

Chico Anísio, numa entrevista reprisada da TV Brasil, de 8 de outubro de 2008, acaba de dizer: “o  meu contrato com a Globo reza que não posso criticar os programas da emissora, por isso pedi para o técnico bloquear os canais abertos. Assim não os vejo e não os comento”.

É impressionante a censura que a TV Globo impõe a seus artistas e jornalistas, fazendo de conta que o que faz não é censura.

No I Tribunal da Mídia, em 1987, coordenado à época pelo professor José Carlos Rocha, que lecionava na USP e na Metodista de SBC, uma testemunha não pôde comparecer, Grande Ottelo. O ator global havia confirmado a presença. Ele iria acusar a mídia. Diria, entre outras coisas, que era discriminado. Que não tinha o espaço que seu talento deveria lhe garantir no cenário nacional.

Grande Otelo foi um dos maiores atores da história do Brasil, mas o contrato com a TV Globo o impediu de fazê-lo. Ele não pôde ir.

Quando lancei o livro 16 linhas cravadas, de Mário Lago, vivi algo diferente, mas semelhante. Mário Lago já estava com seus 80 anos, mas não podia decidir sobre o que queria fazer.

Dias antes do lançamento do livro, foi informado que precisava gravar. E numa ligação nervosa, me disse que achava que não poderia ir ao lançamento que estava agendado há meses. Ao fim, conseguiu convencer a direção da TV Globo que merecia aquela distinção. Ir ao lançamento do livro que havia dedicado alguns anos. Mas foi um favor que a emissora lhe prestou.

A Globo não censura?

Ao assistir a entrevista de Chico Anísio entendi melhor o significado dos contratos da TV Globo.

Contratos não têm nada a ver com censura, certo?

Afinal, contratos são contratos.

Censura é querer regulamentar a mídia, a partir de um contrato com a sociedade.

Quem sabe um dia isso mude.

Ontem à noite estive com o Raphael Tsavko, o Lino Bocchini e o Mário Bocchini num debate que foi transmitido pelo Twitter pela TV do pessoal do Fora do Eixo. Na ocasião, discutimos o processo que o Lino e o Mário estão sendo vítimas. Eles parodiaram o jornal Folha de S. Paulo e fizeram um blog com o nome de fAlha de S. Paulo. Claro, uma mera piada, típica das sociedades democráticas.

Algo que a Folha costuma fazer na coluna daquele que talvez seja seu melhor colunista, o José Simão.

Mas o jornal processou o Mário e o Lino e por isso o fAlha completou ontem 300 dias fora do ar. Ou seja, a Folha censurou o fAlha e está fazendo o Lino e o Mário gastarem o que não têm para se defenderem.

Algo que mostra como nossos jornais são coerentes com a defesa que fazem da liberdade de imprensa.

E por acaso vocês leram algum texto desses colunistas marrentos que vivem atacando a censura? Daqueles que se esgoelam pra dizer que regulamentação é censura?

Imagina, nesses casos eles viram ladies. Não abrem o bico. Quando o “doutor patrão” tá no meio eles escondem seus “ideais” no meio das pernas.

Mas para o debate de ontem, o Lino enviou um convite a Folha, aos cuidados do jornalista Vinicius Mota. Merece ser lido:

Vinicius, bom dia.

Escrevo por orientação dos atendentes da Secretaria de Redação, que me passaram seu e-mail e informaram que todo convite para jornalistas ou outros profissionais da Folha participarem de programas e eventos precisam de sua autorização.

Gostaria de convidar um representante da Folha de S.Paulo para participar do programa Desculpe a Nossa Falha, que é transmitido pelo twitter toda quarta-feira à noite. O programa é homônimo do site que mantenho com meu irmão após nosso site original (o Falha de S.Paulo) ter sido cassado pela Justiça a mando da Folha. Fiz um post curto e didático explicando a atração, por conta da edição da semana passada: http://tinyurl.com/3ht6ybm

A ideia geral do programa é dar visibilidade aos diferentes casos de pessoas que sofrem algum tipo de ameaça/perseguição na internet. A maioria dos casos passa pela Justiça, mas há um pouco de tudo, até gente que apanhou por conta de suas postagens. Já entrevistamos, por exemplo, o jornalista Esmael Morais, que acumula mais de R$ 500 mil em multas e é perseguido pelo governador do Paraná. Falamos também com Emílio Gusmão, blogueiro de Ilhéus com 17 processos nas costas abertos pelo poder público municipal por conta de suas denúncias. Essa semana vamos abordar o processo da Folha contra a Falha, aproveitando uma efeméride: exatamente na quarta completamos 300 dias censurados por conta da ação da Folha.

Com o uso da estrutura da casa Fora do Eixo de São Paulo (caso não conheça, recomendo essa reportagem – http://revistatrip.uol.com.br/revista/199/reportagens/ministerio-da-cultura.html), de onde fazemos a transmissão, podemos entrevistar pessoas que não estão no estúdio, recurso que não existe na twitcam convencional. Ou seja, o representante da empresa não precisa ir pessoalmente, o que facilita bastante: basta a pessoa designada estar disponível via Skype no horário combinado.

Achamos muito importante que o jornal faça uso do espaço que estamos abrindo, uma vez que partilhamos do entendimento da Folha de que o chamado “outro lado” é sagrado tem que ser ouvindo sempre. E, nesse programa em específico, certamente algumas pessoas externarão posições contrárias às defendidas pelo jornal.

Por fim, peço desculpas pelo pedido próximo à data do programa, mas sei que você está mais do que acostumado a prazos ainda mais apertados, afinal estamos falando de um veículo diário…

Você pode, por gentileza, confirmar o recebimento deste e-mail?

Aguardo seu retorno,

Muitíssimo obrigado pela atenção e boa semana,

Lino Bocchini

Resposta da Folha:

Caro Lino Bocchini,
A Folha agradece o convite, mas não participará do programa.
Grato,
Vinicius Mota

O jornalista Mauricio Stycer revela no UOL  que o programa  “CQC” , comandado pelo Marcelo Tas, censurou a entrevista do jornalista Jorge Kajuru nas críticas que este fez a Ricardo Teixeira, ao governador Marconi Perillo e a apresentadora Luciana Gimenez.

Esse programa chamado CQC é comando pelo jornalista Marcelo Tas, que vive atacando a falta de defesa da liberdade de imprensa na casa dos outros, como no Congresso.

E que saiu de pau em cima dos blogueiros que foram entrevistar Lula porque, na sua opinião, o time era chapa branca.

Ficaria muito feliz em saber de tão impoluta figura o que ele considera o que o seu programa fez com Kajuru? Se não é censura qual o nome que o lustroso jornalista dá a isso?

A defesa seletiva da liberdade de imprensa é um dos critérios que transforma algumas pessoas apenas em humoristas, não em jornalitas.

PS: Por meio de sua assessoria de imprensa, a Band informou que “o CQC grava muitas horas por semana e nem tudo que é gravado vai para o ar.” (Esclareço que isso não é uma piada da Band nem do CQC. O comunicado é sério.)