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Hoje, 12, a TV Fórum, em parceria com o Fora do Eixo, exibe seu segundo programa na Pós TV. Depois de entrevistar a deputada federal Luiza Erundina, desta vez o convidado será o candidato à Prefeitura de São Paulo pelo PSOL, Carlos Giannazi

Giannazi é professor e está no segundo mandato como deputado estadual na Assembleia Legislativa de São Paulo. Ele será entrevistado por este que vos escreve, pelo jornalista e blogueiro Rodrigo Vianna (Escrivinhador), a blogueira e professora Maria Frô (Blog da Maria Frô) e o blogueiro Eduardo Guimarães (Blog da Cidadania).

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Eduardo, meu amigo, como você percebeu que era possível levar sua ação do virtual para o real e se transformou no blogueiro do megafone?

Renato, companheiro, na verdade foi meio que por acidente, pois lá por 2007, com aquela tentativa de golpe branco, eu começava o blog e em certo momento eu e os leitores começamos a cogitar fazer uma “vaquinha” para colocar uma matéria paga nos jornalões. Daí concluímos que não seria aceita. Um belo dia, eu com esse meu gênio “calminho” que você conhece disse para o pessoal que estava farto daquilo tudo e que ia comprar um megafone e iria para diante de um desses veículos dizer na “cara” deles tudo o que pensava e, para minha supresa, centenas de leitores começaram a dizer que se eu fosse eles iriam comigo. Poucos meses antes, eu disse que um dia ainda ia criar um movimento que seria uma paródia do Movimento dos Sem Terra (MST), o Movimento dos Sem Mídia. Quando fomos, em duas centenas, diante da Folha fazer o ato público (2007), após o ato fomos até a Praça Princesa Isabel e lá decidimos criar o Movimento dos Sem Mídia. Um mês depois, 5 0 alugamos um auditório e 50 pessoas fundaram a ONG.
Hoje você é um dos blogueiros políticos mais lidos no Brasil, isso mudou tua vida de alguma forma?

Meu estilo de vida, não. Continuo vivendo como vivia. Mas, claro, mudou a minha rotina, pois acabei assumindo certas responsabilidades com os leitores – escrever, fazer ativismo político. Além disso, claro, tornei-me conhecido. Frequentemente alguém me pára na rua ao me reconhecer. Parece meio ridículo, até, dizer isso. Mas é inevitável depois que a gente põe a cara na internet…rs
Na sua opinião qual é o papel da rede na democratização do debate político?

Ah, Renato, acho que é imenso. Veja, eu leio jornais desde os 13 anos. Apaixonei-me por política em 1972 e nunca mais parei de me informar o quanto pudesse durante toda a vida, dali em diante. Era terrível, mesmo depois da democratização. Só quem tinha voz eram os grandes veículos e os que eles escolhiam para dar voz. Isso, como sabemos, acabou. Hoje, um sujeito como eu, sem formação jornalística, pode falar para milhares, influir no debate político. E isso está ao alcance de qualquer um que se dedique. A rede está mudando a correlação de forças das sociedades ao menos no que tange o debate político. Nada nunca mais será o mesmo.
Edu, se você fosse ministro da Comunicação, o que faria no primeiro mês do seu mandato?
Sorrio enquanto escrevo, meu amigo, porque sei que você sabe a resposta. Mas vamos lá: apresentaria à presidenta o projeto de regulamentação da Comunicação, a tão falada “ley de medios”. E se não obtivesse apoio, pediria demissão imediantamente, pois sem uma comunicação de país desenvolvido e democrático este país jamais será plenamente desenvolvido e democrático.

Recorro ao blog do amigo Renato Rovai porque o Blog da Cidadania está fora do ar por excesso de tráfego e só estará normal na terça-feira, quando entrar no ar o novo servidor, pois o antigo não estava dando conta do tráfego crescente, que subiu muito na reta final da campanha eleitoral à Presidência da República.

A oferta do Renato, desse bom amigo, me dá oportunidade de extravasar um sentimento de indignação que está se tornando insuportável devido a me sentir aleijado sem o Cidadania para canalizar meus sentimentos. É ilegal, inconstitucional e pervertido o que fez a Folha de São Paulo na quinta (11) e na sexta-feira (12). Publicou dois textos cujos títulos denunciam seus autores. Ambos foram publicados na seção Tendências / Debates, na página A3. L

Leandro Narloch (dia 11) é jornalista e autor do livro “Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil” (LeYa). Foi repórter do “Jornal da Tarde” e da revista “Veja”. Seu texto tem como título “Sim, eu tenho preconceito”.

 Janaina Conceição Paschoal é advogada e professora associada de direito penal na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Seu texto tem como título “Em defesa da estudante Mayara”.

 Para sintetizar, excluindo o monte de bobagens preconceituosas e alguns dados – como descreveu uma leitora – “torturados”, Narloch rebelou-se contra o direito de voto aos nordestinos mais pobres difamados na internet por supostamente não entenderem de política, e Paschoal afirmou que quem inspirou Mayara a pregar assassinato de nordestinos foi Lula, argumentando para que não a punam por isso.

 Não importa o que digam para tentarem dizer que não disseram o que efetivamente foi dito. Os títulos dos seus textos denotaram o que pensam. Um tem preconceito e a outra quer defender Mayara. Enfim, ambos distorcem fatos enquanto tentam dissimular o que escancaram num paradoxo absolutamente esquizofrênico. Qual é o limite para o que um meio de comunicação pode fazer para aparecer e/ou para propugnar as idéias mais degeneradas que acalenta?

 Quando a Folha ataca Lula, diz que ele é assassino, estuprador, cachaceiro, “tudo bem”. Lula é o presidente da República e, assim, tem muitos meios de reagir. Muitos mais do que supõe o jornal, como por exemplo um apoio dos “nordestinos” que vai além da idolatria e se fixa na racionalidade e na politização mais completas. Agora, quando a Folha ajuda a difundir concordância e proteção a idéias racistas, segregacionistas, difamatórias, desumanas, assassinas, no mínimo, aí passa dos limites. De qualquer limite aceitável em uma sociedade que se pretenda civilizada.

 O fato é que não se pode concordar mais com esse tipo de atitude. Na última quinta-feira, na Câmara Municipal de São Paulo, participei de um ato público que ajudei a promover e que fiz de tudo para difundir desde a noite de 31 de outubro, quando o racismo explodiu de vez na internet. Foi um ato de desagravo aos nordestinos.

Não quis propugnar um ato de criminalização de ninguém, nem de confrontação, nem de politização do problema. No Blog da Cidadania – que, conjunturalmente, encontra-se na UTI virtual por excesso de tráfego, mas que volta ao bom combate na próxima terça –, defendi que fosse um ato de solidariedade.

O resultado foi que o racismo recrudesceu e ganhou roupagens de vítima daqueles que o combatem. Por isso, penso que está na hora de o Movimento dos Sem Mídia, Organização que presido, propor atitudes de confrontação ao crime ideológico organizado. Não nos furtaremos ao papel que a história tem nos delegado.

PS: É um prazer colocar este blog à luta e ao compromisso do meu amigo Eduardo Guimarães. Em breve ele estará de volta no seu espaço. Enquanto isso, o meu está à disposição para ele continuar escrevendo (Renato Rovai).

Enquanto estava viajando os amigos Altamiro Borges, Rodrigo Vianna, Eduardo Guimarães, Conceição Lemes e Azenha se reuniram num restaurante de São Paulo e decidiram colocar em pé uma idéia que já vínhamos alimentando há algum tempo, realizar um encontro de blogueiros progressistas.

A idéia foi anunciada pelo Azenha e tinha 379 comentários quando entrei pra escrever esta nota. Só pela quantidade de comentários já dá para sacar a animação da galera.

Aproveito pra dizer publicamente, estou dentro. E vou ajudar na mobilização para que este evento seja um marco e amplie ainda mais a força da mídia livre.