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Quase uma semana após o término das eleições municipais, agora é o momento de olhar com atenção e calma para os seus resultados. Neste primeiro post, serão avaliadas as regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, onde o PSDB não elegeu nenhum prefeito de capital.

Sudeste

Vitória/Espírito Santo  

Eleitorado: 255.367

Em Vitória, o candidato do PSDB, Luiz Paulo, foi derrotado por Luciano Rezende, do PPS. Rezende substitui, a partir de 2013 o atual prefeito, João Coser, do PT.

Rio de Janeiro/Rio de Janeiro

Eleitorado: 4.619.607

No Rio de Janeiro, o PSDB teve um resultado pífio, com o candidato Otávio Leite recebendo 2,47% dos votos, o que evidencia que apenas 80.059 depositaram sua confiança no candidato tucano. O prefeito Eduardo Paes se reelegeu com 64,60% dos votos no primeiro turno, apoiado pelo PT, que elegeu o vice. Entretanto, a votação expressiva de Marcelo Freixo, do PSOL, mostra que há alternativa em terras cariocas.

Belo Horizonte/Minas Gerais

Eleitorado: 1.870.672

A única capital do sudeste onde o PSDB pode considerar-se em certa medida “vitorioso”  é Belo Horizonte. Márcio Lacerda, do PSB, foi eleito no primeiro turno, com 52,69% dos votos. Lacerda contou com o apoio de uma aliança robusta que, entre os 21 partidos coligados, estava o PSDB.

São Paulo/São PaulO

São Paulo, sem dúvida, foi a maior derrota tucana. A “cidade antipetista” elegeu  Fernando Haddad. Isso porque antes do PSDB definir seu candidato, Serra saiu das catacumbas tucanas para impor sua candidatura, adiar as prévias do seu partido, e apresentar-se como o único capaz de vencer o PT.

A campanha de Serra tentou de tudo: associou Haddad a José Dirceu e ao “mensalão” , criou joguinhos que atacavam o candidato do PT, montou uma rede social, importou do Rio de Janeiro o pastor Silas Malafaia, atacou o “kit gay”, e, por fim, tentou espalhar o boato de cancelamento do Enem. Nem mesmo com o Jornal Nacional dedicando 23 minutos para martelar o julgamento do “mensalão” na cabeça do eleitor, Serra foi capaz de vencer Haddad.

Enfim, o PSDB perdeu boa parte da sua força no Sudeste.

SUL

Curitiba/Paraná

Eleitorado: 1.172.939

A Prefeitura da capital do Paraná ficou com Gustavo Fruet, do PDT. A aliança vitoriosa em Curitiba foi formada por PDT, PT e PV. O candidato apoiado pelos tucanos, Luciano Ducci (PSB), sequer chegou ao segundo turno. Ducci tentava se reeleger na capital paranaense.

Florianópolis/Santa Catarina

Eleitorado: 322.875

Em Florianópolis, o candidato apoiado pelo PSDB saiu vitorioso em uma decisão apertada. Cesar Souza Júnior, do PSD, foi eleito com 52,46% dos votos. Gean Loureiro (PMDB), candidato apoiado pelo atual prefeito, Dário Berger (PMDB), conseguiu 47,36% dos votos.

Porto Alegre/Rio Grande do Sul

Eleitorado: 1.076.263

Porto Alegre reelegeu já no primeiro turno, com 65,22% dos votos, o atual prefeito Fortunati, do PDT. O candidato tucano, Wambert Di Lorenzo, teve apenas 19.514 votos, equivalente a apenas 2,46% dos votos válidos.

Centro Oeste

Campo Grande/Mato Grosso do Sul

Eleitorado: 561.630

No Mato Grosso do Sul, a população da capital Campo Grande elegeu o candidato do PP, Alcides Bernal, que derrotou Giroto, do PSDC. Bernal teve 62,55% dos votos válidos no segundo turno. A partir de 2013, Bernal substitui o atual prefeito, Nelsinho Trad, do PMDB.

Goiânia/Goiás

Eleitorado: 850.777

Goiânia elegeu o petista Paulo Garcia já no primeiro turno, com 57,68% dos votos. O candidato apoiado pelo PSDB, Jovanir Antunes (PTB), teve apenas 14,25% dos votos válidos. Garcia se reelegeua partir

Cuiabá/ Mato Grosso

Eleitorado: 397.626

Já Cuiabá elegeu Mauro Mendes no segundo turno, com 54,65% dos votos. O candidato do PSB derrotou o petista Lúdio, que teve 45,35% dos votos válidos. Mendes substitui o atual prefeito, Francisco Bello Galindo Filho, do PTB.

Placar por partido – Sudeste

PT – 1 (São Paulo)

PSB – 1 (Belo Horizonte)

PMDB – 1 (Rio de Janeiro)

PPS – 1 (Vitória)

Placar por partido – Sul

PDT – 2 (Curitiba e Porto Alegre)

PSD – 1 (Florianópolis)

Placar por Partido – Centro Oeste 

PT – 1 (Goiânia)

PP – 1 (Campo Grande)

PPS – 1 (Cuiabá)

Os institutos de pesquisas e os resultados que produzem se tornaram instrumentos importantes tanto de arrecadação como de desequilíbrio no jogo eleitoral.

O caso do Datafolha em São Paulo é exemplar, mas não é o único. O instituto dos Frias manteve o candidato petista sempre em terceiro lugar e com relativa distância dos seus opositores. Em vários momentos da campanha, treckings e pesquisas realizadas por empresas já apontavam Haddad embolado com Serra.

No sábado anterior ao pleito, o Datafolha entrevistou 3.959 pessoas e cravou Serra, 28, Russomanno, 27, e Haddad, 24. Errou feio. Faltavam apenas algumas horas para a eleição cujo resultado foi  Haddad com com sete pontos à frente de Russomanno. Quando o Datafolha afirmou que ele estava a três pontos atrás. Uma diferença de 10 pontos.

Pode-se dizer que o problema é metodológico, mas depois do que vi e vivi em Bragança Paulista onde contribui na comunicação do candidato a prefeito que venceu a eleição por apenas 21 votos, passei a ter convicção de que há algo muito mais do que estranho no reino das pesquisas eleitorais.

Nos dias 24 e 25 de setembro, o Ibope fez uma pesquisa na cidade encomendada pelo jornal Diário de Bragança, veículo vinculado ao grupo político da família Chedid que apoiava o candidato derrotado do DEM, o médico Renato Frangini. Pelo resultado, que virou imediatamente a estrela do programa eleitoral do candidato e que passou a ser veiculado insistentemente na rádio FM do mesmo grupo político, o candidato estava disparado na frente com 37%. E o do PT, Fernão Dias, tinha apenas 23%.

Uma diferença de 14% a dez dias da eleição.

Acontece que além de ter pesquisas de outros institutos que registravam a eleição embolada, com pequena vantagem para o candidato do DEM, a campanha de Fernão Dias também havia tido acesso a uma pesquisa do mesmo Ibope, contratada por um empresário local. O campo havia sido realizado praticamente nos mesmos dias da contratada pelo jornal e nela a diferença entre o candidato do DEM e o do PT era de apenas 4%.

Evidente que um resultado com diferença de 10% em pesquisas realizadas pelo mesmo instituto praticamente nos mesmos dias enseja mais do que uma desconfiança de um problema metodológico na apuração dos resultados.

Mas como essa pesquisa pareceu não ter sido suficiente para enterrar as chances do candidato do PT na cidade, as vésperas da eleição o jornal Gazeta Bragantina publicou outra ainda mais favorável ao candidato do DEM, onde ele vencia por 39,7% a 18,4%.

E para completar a lambança, na sexta-feira (dia que o jornal não costuma circular) esse mesmo Gazeta Bragantina fez uma edição especial vinculando o PT a atos criminosos. A tiragem foi muito superior à normal e o jornal foi distribuído em quase em todas as casas da cidade. O PT representou contra o jornal e a justiça eleitoral condenou-o a veicular direito de resposta para o partido, o que vai acontecer na próxima edição, com a eleição já decidida.

Mesmo assim, o candidato Fernão Dias venceu por 21 votos.  É quase certo, porém, que a vitória teria sido mais folgada não fosse toda essa armação entre mídia local, grupos conservadores e institutos de pesquisa.

O que vivenciei em Bragança certamente se repetiu em várias outras cidades do Brasil. E o que o Datafolha tentou fazer com Haddad, em São Paulo, talvez passe pelo mesmo circuito do que vivenciei na região bragantina. Essa relação entre grupos de pesquisa, veículos de mídia e partidos políticos têm sido uma tônica. E desequilibram a disputa política. É preciso denunciar e levar à investigação casos como este. Antes que isso se naturalize no processo eleitoral.

PS: A proposito, o resultado final percentual em Bragança foi Fernão Dias 38,07% e Frangini, 38,05. Como podem notar, muito diferente dos apontados pelas pesquisas.

 

O debate realizado na noite de ontem pela RedeTV e pelo jornal Folha de S.Paulo teve uma audiência pífia, marcou apenas 3 pontos no Ibope. A emissora ficou apenas em quarto lugar, com menos de um terço da audiência do terceiro lugar, o SBT (10 pontos). Ou seja, poucas pessoas o assistiram e dificilmente ele vai impactar nos futuros resultados das pesquisas eleitorais.

Porém, do ponto de vista psicológico eleitoral, ele teve um grande significado. O candidato do PSDB, José Serra, se comportou e foi tratado como um “nanicão”. O que é o “nanicão”.

O “nanicão” é um candidato um pouco maior que o candidato nanico. Quais são os candidatos nanicos? Levy Fidélix e Eymael são dois exemplos. Sempre disputam todas as eleições e sabem que suas chances são inexistentes. Porém, cumprem um papel de coadjuvantes no processo eleitoral e mantêm a legenda partidária, que lhes garantem tempo de TV para acordos políticos em diversas cidades brasileiras.

No caso de Serra, seu papel não é esse e por isso ele não pode ser chamado só de nanico. Entretanto, durante o debate ficou claro que seus principais concorrentes não o tratavam como o principal adversário. Por exemplo, no bloco de perguntas entre candidatos, vários preferiram perguntar a outros do que a Serra. Em outros tempos ele seria o primeiro escolhido para o enfrentamento. Seria o alvo preferencial de todos. Não foi isso que aconteceu ontem.

Russomano e Haddad não o trataram como o adversário a ser batido. Além disso, nos únicos confrontos que teve, com Chalita e Giannazi, o tucano saiu derrotado.

No embate com o candidato do PMDB, Serra tentou insinuar que o peemedebista era mentiroso. Quando Chalita teve direito à palavra lançou logo um Paulo Preto e um Aref na testa do tucano, deixando-o completamente grogue. Gianazzi também não perdeu a oportunidade de mandar o Privataria Tucana no pescoço de Serra.

Quanto aos outros candidatos, a situação deve permanecer inalterada.

Russomanno cometeu algumas gafes que podem ser utilizadas na internet e em outros momentos da campanha. Por exemplo, o candidato do PRB afirmou que seu partido “aceita até candidatos homossexuais”, veja bem, “ATÉ”. Ato falho  que permite um grande debate sobre o posicionamento de Russomanno nessa seara da orientação sexual.

O candidato do PRB também afirmou que a Igreja Universal não é a dona do PRB. Quando até as quase inexistentes esquinas de Brasília sabem que isso é mentira. Hoje a Universal controla o PRB da mesma forma que controla a Rede Record e o jornal Folha Universal. Ou seja, faz de conta que é algo mais amplo, mas tudo precisa passar pelo crivo da igreja.

Enfim, o debate de ontem não muda a situação eleitoral na cidade de São Paulo, mas pode ter sido a pá de cal que faltava para enterrar as pretensões de Serra chegar ao segundo turno.

A constatação óbvia do debate de ontem é que o tucano está sem pegada, sem discurso e sem condições de se reabilitar.

Na última terça-feira o candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, anunciou que caso seja eleito vai criar uma tarifa mensal fixa para o Bilhete Único. A tarifa seria de R$ 150 para usuários comuns e R$ 75 para estudantes. De acordo com a proposta, o bilhete mensal daria ao usuário o direito de realizar trajetos ilimitados de ônibus na capital paulista.

Anunciada a proposta, o PSDB e o seu candidato José Serra não demoraram para criticar o projeto  petista e taxá-la de retrocesso por excluir o Metrô e a CPTM.

“É o maior retrocesso que São Paulo já ouviu falar em matéria de transporte coletivo. O avanço do Alckmin e do Serra de integrar o metrô e o ônibus iria por água abaixo”. Afirmou o coordenador de eventos da campanha de José Serra, deputado estadual Orlando Morando.

Acontece que Haddad não excluiu Metrô e trens. Como é candidato a prefeito de São Paulo e não ao governo do Estado, falou do que lhe cabia. Mas deixou claro que iria procurar o governador buscando integrar o sistema.

A turminha do Kassab e do PSDB é boa a modalidade “atirar na proposta alheia”. Mas poderia fazer um curso, de “olhar o que propôs e não cumpriu”. Veja, no vídeo abaixo, as promessas que o prefeito Gilberto Kassab fez para o transporte público de São Paulo.

Cadê o metrô até a Freguesia do Ó. Cadê o corredor de ônibus da Zona Leste, ligando o Parque D.Pedro até o Itaim Paulista?

Apesar de ter colocado como meta a construção de 66 km de corredores de ônibus à esquerda na cidade de São Paulo, até agora Kassab não entregou 1 mísero metro.

Será que o Serra vai prometer tudo igualzinho? Tudo do mesmo jeito? Ou será que dessa vez eles só vão ficar criticando o que os outros propusserem?

 

 

Só 13 cidades brasileiras das 5.465 não protocolaram o PAR (Plano de Ações Articuladas) que garante recursos para Educação. São Paulo foi uma delas

O PT divulgou ontem, 4, uma nota em resposta as acusações de Alexandre Schnider, candidato á vice-prefeito na chapa do PSDB, sobre o repasse de verbas do MEC (Ministério da Educação) para a construção de creches na cidade de São Paulo. A nota afirma que na reunião entre Haddad, na época Ministro da Educação, e Schneider, então Secretário Municipal de Educação de São Paulo, realizada em junho de 2011, o ex-secretário foi orientado sobre os procedimentos para parcerias com o governo federal na área de educação.

O comunicado ressalta que São Paulo, juntamente com apenas 12 cidades de todo o país, não elaborou o PAR (Plano de Ações Articuladas), documento exigido, nos moldes do Decreto 6.094/2007, para parcerias com o governo federal para a educação. Por fim, a nota afirma que “nunca houve manifestação efetiva de interesse da Secretaria de Educação de São Paulo em firmar parcerias com o Ministério da Educação, na forma da legislação, o que subtraiu de São Paulo mais de R$ 300 milhões de reais em investimentos na educação”.

Falta de documentação impediu repasse de recursos do MEC para a educação de São Paulo (Foto: Juvenal Pereira / www.camara.sp.gov.br)

Este embate começou no primeiro pronunciamento de Schneider como candidato a vice-prefeito de São Paulo, no qual o ex-secretário deferiu críticas às gestões petistas na área de educação e atacou diretamente o candidato Fernando Haddad pela forma com que conduziu programas do setor enquanto ocupava o cargo de Ministro da Educação. Schneider afirmou que Haddad falhou na tentativa de ampliar o acesso a creches no Brasil e o acusou de não destinar recursos para São Paulo, mesmo ele tendo comparecido pessoalmente no Ministério da Educação para solicitar verbas.

A troca de acusações entre o ex-secretário e o ex-ministro da Educação fez com que o próprio MEC respondesse as alegações de Schneider. De acordo com a pasta, o ex-secretário assinou um documento, em 10 de março de 2009, abrindo mão dos repasses da União para políticas educacionais, incluindo a construção de unidades.. “Considerando as providências em andamento que contemplam os mesmos objetivos do programa ora em apreço, esta pasta optou pela não participação no PDE-Escola”, diz o documento. Na nota, o MEC afirma que Schneider “sempre se pautou pela recusa de qualquer tipo de colaboração com o governo federal. Nenhum dos programas do PDE (Plano de Desenvolvimento da Educação) jamais foi requisitado ou requerido pela municipalidade paulistana”. A campanha de Serra afirma que o ofício se refere apenas a recursos destinados para questões administrativas.

Veja a íntegra da nota divulgada pelo PT:

1.  O secretário Alexandre Schneider, da Educação do Município de São Paulo, foi a Brasília, em fevereiro de 2011, e solicitou, de ultima hora, um encontro com o então ministro da Educação, Fernando Haddad. O secretário estava pressionado pelo Ministério Público do Estado, que se preparava, como de fato ocorreu, em março de 2011, para ajuizar ação civil pública de improbidade pela incapacidade da municipalidade de suprir o déficit de 120mil vagas de creche.

2.  O secretário foi recebido pelo então ministro Fernando Haddad, que estava assessorado pela então secretaria de Educação Básica, Maria do Pilar Lacerda, e pelo secretário executivo do ministério, José Henrique Paim Fernandes.

3.  Na reunião, o secretário foi orientado a manifestar formalmente seu interesse na parceria, na forma do Decreto 6.094/2007, que estabelece que a assistência técnica e financeira só pode ocorrer mediante adesão ao Plano de Metas Todos Pela Educação (o que São Paulo fez) e pela elaboração do PAR (Plano de Ações Articuladas), o que somente 13 cidades de todo o Brasil, até o presente momento, não fizeram (incluindo São Paulo).

4.  Só a partir da manifestação formal de interesse pelo preenchimento do PAR o ente federado pode reivindicar recursos do Ministério, o que já beneficiou 3.193 municípios desde 2007, resultando na contratação de 5.562 obras.

5.  Em junho de 2011, antes mesmo do preenchimento do PAR, o secretário Alexandre Schneider encaminhou ofício, pelo correio, solicitando a inclusão de São Paulo no programa Pró-infância, elencando 140 locais na cidade, de forma inadequada. O ofício foi encaminhado ao FNDE.

6.  O presidente do FNDE, José Wanderley de Freitas informou, por meio de ofício, que a Secretaria Municipal de São Paulo deveria cadastrar sua pretensão em ambiente virtual desenvolvido para esta finalidade desde 2007 e se colocou à inteira disposição para solucionar eventuais problemas. Além disso, registrou que São Paulo era uma das 1.466 cidades pré-selecionadas pelo PAC 2 e poderia se beneficiar com 172 creches pelo Pro-Infância.

7.  Dessa forma, não houve qualquer “recusa” conforme afirma o ex-secretário Alexandre Schneider. Depois de receber esse oficio, a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo não se cadastrou nem manifestou interesse.

8.  O ex-ministro Fernando Haddad reitera que, apesar dessa agenda de encaixe, única ao longo de seis anos de sua gestão, nunca houve manifestação efetiva de interesse da Secretaria de Educação de São Paulo em firmar parcerias com o Ministério da Educação, na forma da legislação, o que subtraiu de São Paulo mais de R$ 300 milhões de reais em investimentos na educação.

Vereador Antônio Donato, presidente do Diretório Municipal do PT/SP e coordenador da campanha de Fernando Haddad.

(Por Felipe Rousselet)

A senadora Marta Suplicy não foi ontem ao lançamento oficial da candidatura de Fernando Haddad pelo PT para disputar a prefeitura de São Paulo. Sua atitude não é só de indelicadeza, mas de desrespeito político.

Marta sempre teve a militância petista em todas as campanhas majoritárias que disputou. E não foram poucas.

Em 1998, sua primeira candidatura a cargo majoritário só não foi melhor sucedida porque uma pesquisa “bem arrumada” pela dupla Ibope/Globo a tirou do segundo turno contra Paulo Maluf. Covas venceu-a por 0,4% dos votos.

Na ocasião foi o ex-presidente Lula quem bancou sua candidatura. Havia muita gente achando que José Genoino ou Mercadante deveriam ser os candidatos petistas àquela disputa. Lula queria Marta. E convenceu o partido do jeito dele. Aliás, convenhamos nem sempre Lula ganha. Perdeu com Plínio para Erundina, em São Paulo. E teve que engolir a candidatura de Luizianne Lins, em Fortaleza, em 2004. E ambas se elegeram. O que significa que nem sempre Lula impõe sua vontade ao PT. E que nem sempre acerta também.

Mas voltando a 1998, Genoino topou sair da disputa também porque vislumbrava a eleição da capital, em 2000, como algo mais interessante. Mas a votação de Marta ao governo do Estado levou-a a se tornar um nome natural do partido para a disputa de São Paulo.

E Marta foi a candidata e se elegeu prefeita em 2000.

Montou um grupo político e controlou o partido localmente com mão de ferro. Alguns de seus desafetos não tiveram espaço na gestão municipal.

Não há grande novidade nisso e faz parte do jogo político.

Marta, deste ponto de vista, realizou algo que Luiza Erundina não conseguiu. O PT governou com Marta. Sem lhe dar maiores dores de cabeça.

Na reeleição, em 2004, Marta e uma parte de seus articuladores achavam que a eleição seria vencida pelas qualidades de seu governo. Que eram muitas, muitíssimas. Mas havia o fator Marta. A prefeita, até por preconceito midiático, se tornou uma candidata pesada. Muita gente a via como uma pessoa arrogante, prepotente, metida etc.

Havia muito de razoável nesta avaliação.

Marta não se esforça nenhum pouco para se mostrar diferente. Ao contrário, Marta é difícil. Uma pessoa bem difícil.

Em 2004, por exemplo, não se esforçou para ter o PMDB como aliado na disputa pela reeleição. Fez bico e deu de ombros. Ouvi de alguém bem próximo a ela que “não valia a pena gastar nem uma vela sequer com aquele defunto”. Ou seja, o PMDB na avaliação daquele interlocutor não existia. E Marta compartilhava daquela avaliação, em garantiu o gajo.

Acontece que o partido à época de Quércia tinha um precioso tempo de TV que poderia ter sido fundamental para diminuir a rejeição a então prefeita e aumentar a aprovação de sua administração, que era alta.

Quem perdeu aquela eleição não foi a gestão, foi Marta. Quem tinha rejeição alta era a prefeita. Não seu governo.

Após a derrota de 2004, Marta disputou as prévias para disputar o governo do Estado com Mercadante e perdeu no olho mecânico. Ou seja, convenceu boa parte da militância petista de que era a melhor candidata. E quase disputou o cargo de Alckmin pelo partido.

Em 2008, tentou a prefeitura de novo. E sua campanha foi um desastre. Foi coroada pelo “é casado, tem filhos?”, que se tornou uma mácula no seu currículo tão próximo às lutas da comunidade LGBT.

Perdeu feio de Kassab no segundo turno.

Na eleição seguinte, em 2010, disputou a eleição para o Senado pelo PT. Fez uma campanha fraca, mas se elegeu com a segunda maior votação. Tendo sido superada por Aloysio Nunes na reta final.

Ou seja, Marta teve de 1998 até 2010 o apoio do PT paracinco disputas majoritárias. Ganhou duas e perdeu três. Perdeu e ganhou com o apoio da militância do seu partido.

Fez disputas bonitas, como a de 1998 e 2000. E disputas mais complicadas, posteriormente.

Fez uma bela gestão municipal em São Paulo e teve duas chances para defender essa história, em 2004 e 2008. Não conseguiu convencer o eleitor de que merecia voltar.

Por acaso Marta foi rifada pelo partido? Ela não teve condições de defender seu legado?

Essa tese que a senadora tenta vender ao não ir ao lançamento da candidatura de Fernando Haddad é falsa. Ela não tem do que reclamar.

Sua postura, ao contrário, reforça o preconceito que boa parte do eleitorado tem dela. De que é uma pessoa arrogante e que se as coisas não forem do seu jeito, não brinca. Aquela menina(o) mimada(o) que só se diverte se for o centro das atenções. Quando há alguém disputando espaço, pega o seu brinquedo e vai embora.

A atitude da senadora Marta na manhã de ontem de não ir ao encontro municipal do PT São Paulo e não atender o telefone é de um ridículo ímpar.

Conhecendo um pouco o partido, aposto que ela jogou fora uma boa parcela de sua credibilidade com a militância principalmente. Principalmente porque os jornais de hoje exploram mais a sua ausência do que a festa. Muitos petistas vão guardar essas matérias no bolso.

Marta fez o que o Serra gostaria que ela fizesse.

E, o pior, talvez tenha se divertido com isso.

Por duas vezes nas últimas semanas acompanhei a caravana do PT com Haddad por alguns bairros da periferia de São Paulo. Aproveitei para ir a locais que não visitava há algum tempo, mas também para sentir a temperatura da campanha. E, claro, verificar como andava o desempenho do ex-ministro da Educação no seu novo papel, o de candidato.

A campanha ainda está muito fria e pouca gente o conhece. Mas engana-se quem pensa que Haddad está preocupado com isso. Essas visitas à periferia não têm por objetivo torná-lo popular e até por isso são poucos o que o acompanham. Nunca mais do que 30 militantes.

Mas sempre há alguém do grupo que está construindo o Plano de Governo.

Quem vai coordená-lo é o diretor da Fundação Escola de Sociologia e Política, Aldo Fornazieri. Aldo não é mais filiado ao PT, mas teve longa militância no partido, sempre vinculado ao ex-deputado federal José Genoino.

Evidente que não é da cartola de Aldo que vão sair os projetos que “salvarão” São Paulo. Seu papel será de organizador. Os projetos serão construídos por um grupo muito maior de intelectuais e estudiosos de diferentes áreas. Mas Haddad não quer que ele seja feito de cima para baixo. Por isso a ideia das caravanas pela periferia.

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O ministro da Educação Fernando Haddad conseguiu ampliar suas chances de ser o candidato do PT para a disputa da prefeitura neste mês de agosto. Entre outros motivos, pelos apoios que conseguiu fora da cidade de São Paulo.

Os eleitores pesos-pesados do ministro são, além de Lula, os prefeitos de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, e de Osasco, Emídio de Souza. Além do presidente estadual do PT, o deputado estadual com base em Araraquara, Edinho Silva.

É esse trio de mosqueteiros que tem realizado todos os movimentos político partidários em nome de Lula para avançar com a candidatura do ex-ministro.

Isso não significa que na cidade a ex-prefeita e atualmente senadora reine soberana hoje no petismo. Uma boa parte das lideranças políticas considera Marta Suplicy uma boa candidata para o primeiro turno, mas com teto para o segundo.

Ou seja, ao mesmo tempo em que o PT tem dois candidatos, não tem nenhum que empolgue totalmente o partido para a disputa.

Mas isso não é exclusividade do PT.

A disputa em São Paulo está completamente aberta. O nome mais forte seria o de Serra, mas mesmo no PSDB há quem avalie que ele não é tão imbatível assim.

Se Serra vier a ser candidato, o PMDB deve sair com Chalita e o PCdoB com Netinho. Ou seja, dificilmente a fatura seria liquidada no primeiro turno. E mesmo que Serra unisse Kassab e Alckmin no seu palanque, teria todos os outros pleiteantes contra ele no segundo turno.

E ainda teria que dizer mil vezes que terminaria o mandato como prefeito. Mas mesmo jurando isso no pé da santa, não convenceria boa parte do eleitorado.

Sem Serra, o PSDB deve ir de Bruno Covas ou de Aloysio Nunes Ferreira, nome que ganhou força nos últimos dias. A candidatura de Andréa Matarazzo é ladainha para boi dormir. Os tucanos sabem que com um Matarazzo candidato de um partido notadamente de elite seriam massacrados nos bairros populares.

Enquanto tucanos e petistas ficam na indefinição, Kassab vai armando seu jogo. Dá sinais de que vai com Serra se este vier a ser o candidato e ao mesmo tempo prepara uma candidatura pelo PV, Eduardo Jorge, e outra pelo PSD, Guilherme Afif.

Dificilmente qualquer uma delas teria alguma chance na próxima eleição.

Kassab tem a força da máquina, mas tanto tucanos como petistas também. Um partido governa o Brasil e o outro o estado.

Tudo indica que o segundo turno de São Paulo terá um candidato petista e outro tucano. E por isso Lula prefere Haddad. Acha que ele conseguirá aglutinar mais apoios para vencer.

Mas Lula sabe que Haddad precisa convencer o partido em São Paulo. O que não é tão difícil quanto parece. Mas o ministro vai precisar mudar seu estilo. Terá de aprender a enfiar o pé na lama sem levantar a barra da calça e a conversar olhando no olho das pessoas. Também vai ter de aprender a ouvir.

Aliás, esse é o maior dom político de Lula. Ele ouve. Se o ministro tem o presidente como parâmetro, é bom começar a prestar mais atenção no seu jeito de fazer política.