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Será lançado no dia 13, “Lula e Dilma – 10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil”, no Centro Cultural São Paulo (R. Vergueiro, 1000). O livro, da editora Boitempo, é organizado por Emir Sader, que junto com Pablo Gentili, diretor da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso-Brasil), entrevistou o ex-presidente Lula. Além da entrevista, o livro traz reflexões de diversos pensadores brasileiros sobre o Brasil da última década, como Marilena Chauí, Marco Aurélio Garcia, Marcio Pochmann, Luiz Gonzaga Belluzzo, José Luis Fiori, Luis Pinguelli Rosa e Paulo Vannuchi. Leia abaixo uma entrevista com Emir Sader.

Algumas declarações fortes da entrevista que você realizou com o Lula têm sido divulgadas, como a de que o PT se divide entre partido eleitoreiro e de base, o que mais te impressionou nesta entrevista?

Que o Lula vai articulando uma visão mais global do que foi o seu governo, desde as condições da sua eleição, incluindo a Carta aos Brasileiros, passando pela primeira etapa, pela crise de 2005, a reeleição e o segundo mandato, ate a eleição da Dilma.

O livro analisa 10 anos de governo, 8 de Lula e 2 de Dilma. Você consegue identificar momentos diferentes neste período ou avalia que há uma continuidade de um projeto geral que torna esse período num momento único do ponto de vista histórico?

Como fica claro no artigo do Nelson Barbosa, houve um primeiro momento de prioridade de um duro ajuste fiscal, uma luta ideológica entre os adeptos dessa política e os desenvolvimentistas (liderados pela Dilma), e uma segunda etapa, em que o modelo de desenvolvimento econômico e social se impõe.

Dos artigos sobre este período que foram escritos para o livro, quais são as reflexões mais importantes para se desenhar um projeto futuro para a esquerda brasileira?

Há vários, não seria fácil destacar, mas eu chamaria a atenção para os do Fiori, do Marco Aurélio, do Nelson Barbosa, da Marilena Chauí, do Marcio Pochmann, entre outros.

A vitória apertada de Maduro na Venezuela pode, na sua opinião, ser um sinal de que esse projeto de diminuição da pobreza que foi muito importante para o sucesso de governos de esquerda e de centro esquerda se manterem no poder, pode não ser o suficiente para a continuidade deles?

Os governos progressistas da América Latina perdem apoio quando suas políticas sociais se enfraquecem. É o caso típico da Venezuela, em que as missões fizeram avanços sociais fundamentais, que não foram consolidados por políticas governamentais. No caso atual, entre a grande vitória de dezembro e o resultado eleitoral muito ruim de abril, aconteceram duas desvalorizações da moeda, que tiraram 48% do poder aquisitivo dos salários, fator que certamente pesou na perda de apoios. Creio que o apoio fundamental, que seguem tendo os governos, vem das políticas sociais.

Qual a sua opinião sobre o governo Dilma? Algumas pessoas avaliam que a visão dela de desenvolvimento é ultrapassada e que seu governo poderia ser mais ousado? Você concorda com esta avaliação?

É um governo que mantém o fator fundamental do sucesso desses 10 anos, que é o modelo econômico-social. Mas que se choca com a tendência especulativa de parte importante do grande empresariado, ao qual o governo fez todas as concessões – sem contrapartidas -, mas não tem conseguido efeitos. Há uma confiança na disposição desenvolvimentista do empresariado privado, que não se corresponde com a realidade. À falta de uma visão política, o governo não tem uma estratégia para superar os obstáculos estruturais remanescentes. Concordo que falta audácia, há uma confiança do governo em que “se as coisas forem bem feitas, tudo dará certo”, que não considera os fatores econômicos, políticos e midiáticos do poder dominante.

 

 

Na última terça-feira (9), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o músico irlandês Bono, líder da banda U2, se encontraram em Londres. Durante cerca de uma hora conversaram sobre Bolsa Família, segurança alimentar e fome na África. Além, é claro, de uma paixão compartilhada por ambos, o futebol.

“Lula, você é o único interlocutor capaz de falar com capitalistas e socialistas, com dirigentes dos países ricos e com as lideranças do Terceiro Mundo”, afirmou o músico irlandês.

No final do encontro, Bono fez um desafio para o ex-presidente brasileiro. “Você é hoje a única pessoa em condições de liderar uma cruzada internacional para transformar o Bolsa Família num programa planetário, que atenda a todos os pobres do mundo! Vamos, eu me junto a você e fazemos isso juntos!”, disse.

Bono fez questão de gravar um vídeo com uma mensagem para todos os brasileiros sobre a importância de Lula. Veja o vídeo com o depoimento do roqueiro sobre o ex-metalúrgico que chegou a presidência do Brasil.

 

Lula sem cortes e edição, dizendo entre outras coisas que tem gente que torce pra que seu sucessor seja mais fraco que ele. E chama isso de pacto pela mediocridade. O ex-presidente também faz uma ótima análise sobre a crise na Europa. Bom vídeo.

A pluralidade informativa de um lugar está diretamente conectada à sua qualidade democrática. E hoje o Brasil tem aberto mão de melhorar sua democracia em nome de um mercadismo pouco eficaz e, além de tudo, injusto.

Por Renato Rovai

Há um debate em curso acerca dos critérios adotados pela Secom da presidência da República em relação à compra de publicidade que parecem ser técnicos, mas que na realidade têm alto conteúdo político. Sem ser exatamente político.

No final de 2009, mais precisamente no dia 16 de dezembro, a Secom- PR publicou uma instrução normativa de nº 2 e a partir daquele momento o governo federal e seus órgãos passaram a ser regidos por essa norma em conjunto com o que prevê o decreto 6555/2008.

Essa legislação é baseada num conjunto de critérios que, na opinião da diretoria da Altercom, estão sendo interpretados a partir de uma lógica mercadista que não atende ao espírito público no que diz respeito ao comprometimento com a multiplicidade informativa necessária para o fortalecimento da democracia.

Um dos pontos que tem prejudicado sobremaneira as pequenas empresas de comunicação é a redação e a interpretação do artigo 6o, inciso III, alinea c, da norma que dispõe sobre a “tática de mídia”. Ele diz que:“a apresentação de critérios de distribuição dos investimentos por meio, considerados os objetivos da ação; indicação dos períodos de veiculação; defesa da programação de veículos e respectiva distribuição de peças, de acordo com os objetivos de alcance e audiência”.

Atualmente a Secom-PR tem se pautado demasiadamente sua ação pelos “objetivos de alcance e audiência”, o que favorece os grandes veículos em todos os segmentos, incluindo aí a internet, onde se poderia fazer uma ação muito mais forte de valorização dos pequenos empreendimentos de comunicação.

Mas não é só isso. A Secom também passou a interpretar a partir desse artigo que a compra de espaço publicitários deve comparar como iguais os desiguais. Ou seja, que o valor relativo da publicidade nos pequenos veículos tem que ser semelhante ao dos grandes. Trocado em miúdos, que mil page views num grande portal tem de ter o mesmo valor ou preço semelhante a mil page views num blogue. Ou que o custo relativo da página de uma revista segmentada deve ser semelhante para 1 mil exemplares ao que Veja oferece ao governo.

Nem tecnicamente isso se justifica, porque sabemos que na grande audiência a dispersão é muito maior. Além do que, se esse critério vier a ser o principal, sempre os grandes serão favorecidos porque terão mais condições de barganha.

É a mesma lógica da concorrência entre o grande hipermercado e a pequena quitanda. Quem tem escala sempre tem vantagem.

Para que isso não amplie ainda mais a concentração no setor, a Altercom defende que se estabeleça uma nova regra para compra de publicidade governamental. A de que 30% de todos os recursos publicitários governamentais sejam destinados às pequenas empresas de comunicação. E que esse novo regramento conviva com a norma de 2009 com algumas adequações.

Isso precisa ser considerado até porque os grandes grupos recebem muito mais recursos do que sua força ponderada nos hábitos de comunicação do brasileiro. Há muita gente se informando pela longa cauda do processo informativo. E isso tem sido desprezado em nome das facilidades de operação com os chamados players do mercado.

Hoje, aliás, são as pequenas empresas que asseguram boa parte do contraponto informativo no país. Sem elas, teríamos um processo de uma só voz em favor de interesses muito mais privados do que públicos. Não é novidade dizer que os grandes grupos informativos brasileiros representam os grandes grupos econômicos.

No Brasil, já há legislações em alguns setores que utilizam critérios próximos aos que a Altercom defende. Como na compra de alimentos para a merenda escolar, onde se estabeleceu um percentual para a agricultura familiar. Ou como na lei do audiovisual, onde há também critérios regionais para distribuição dos recursos.

Mas não fosse só essa distorção que vem prevalecendo a partir da interpretação da norma publicada no final de 2009, nos últimos tempos um outro componente passou a fazer parte do rol de critérios para o que se convencionou chamar de mídia técnica.

A nova gestão da Secom estabeleceu uma regra de categorização dos veículos. Regra que não é clara e que nem foi publicizada, mas que, segundo alguns agentes da publicidade nos ministérios e empresas públicas, tem levado a Secom-PR a rejeitar várias sugestões de programação em veículos. O argumento seria o de que se o órgão vier a fazer publicidade num veículo teria de fazer nos outros da categoria a que ele pertence. Quem está pagando o preço dessa categorização novamente têm sido as pequenas empresas.

Do ponto de vista prático, a partir do momento em que esse critério de categorização passou a ser usado, quase todas as pequenas empresas representadas pela Altercom tiveram sua receita de publicidade via Secom reduzida. Em alguns casos, houve uma diminuição de quase 50% de 2011 para 2012 e sem que o veículo tivesse diminuído seu alcance.

É disso que se trata quando se fala que houve mudança de rota nos investimentos de publicidade governamental. É disso que reclamam diretores de muitos produtos de comunicação.

Enfim, parece um debate técnico. Mas não é somente técnico. Parece um debate político. Mas também não é somente político. É também um debate sobre o país que desejamos construir. A pluralidade informativa de um lugar está diretamente conectada à sua qualidade democrática. E hoje o Brasil tem aberto mão de melhorar sua democracia em nome de um mercadismo pouco eficaz e, além de tudo, injusto.

Folha de S. Paulo (vejam bem, a Folha) registrou em recente matéria que 70% das verbas da Secom no período do governo Dilma foram destinadas a apenas 10 veículos. Os outros milhares de veículos ficaram com apenas 30%. Certamente desses, muitos ainda eram grandes empresas. Se a concentração em outros setores no Brasil é absurda, na comunicação ela é indecente. E isso também guarda relação com a distribuição das verbas públicas de publicidade.

Renato Rovai é presidente da Associação Brasileira de Pequenas Empresas e Empreendedores Individuais de Comunicação (Altercom), editor da Revista Fórum e professor da Faculdade Cásper Líbero.

PS: Este texto segue assinado porque não representa só a opinião do blogueiro, mas do representante da entidade. E foi produzido a partir da demanda de alguns filiados na Altercom.

Por Luiz Carvalho e Maria Mello, para o FNDC (Fórum Nacional Pela Democratização da Comunicação)

O PT manifestou no início de março apoio ao Projeto de Lei de Iniciativa Popular para um novo marco regulatório das comunicações, capitaneado pelo FNDC. Em entrevista, o presidente do partido, Rui Falcão, lembra que a regulação foi resolução de conferência nacional e que discutir o marco regulatório representa ampliar a democracia. Para ele, o governo tem uma dívida com a sociedade.

Logo após a divulgação, no início de março, da nota pública do Partido dos Trabalhadores (PT) intitulada “Democratização da mídia é urgente e inadiável”, os veículos que compõem o monopólio da comunicação no Brasil trataram a iniciativa do partido como censura. Em entrevista ao FNDC, o presidente do partido, Rui Falcão, destaca que discutir o marco regulatório representa exatamente o contrário: ampliar a democracia. Para ele, o governo mantém uma dívida com a sociedade ao não adotar a regulação definida pela Conferência Nacional de Comunicação (Confecom).

O presidente do partido destacou, ainda, que a legenda pede o cumprimento dos artigos da Constituição que proíbem a existência de monopólios e oligopólios e a aplicação da complementaridade, ou a convivência de três tipos de sistema de comunicação.

Para Falcão, a resistência à regulamentação será vencida por meio da formação do conjunto da sociedade sobre o tema, e que as ações dos movimentos sociais pela democratização da comunicação devem dialogar com a população e conseguir assinaturas para o projeto de Lei de Iniciativa Popular – esclarecendo a opinião pública sobre as mudanças “difíceis”, pois “mexem com interesses poderosíssimos e que hoje estão interditando o debate político mais livre na sociedade”.

Leia abaixo a entrevista.

FNDC – Por que precisamos de um novo marco regulatório no Brasil?

Rui Falcão – Todos os países têm algum tipo de regulação sobre os meios eletrônicos e não é cerceamento, ao contrário, procuram corresponder ao fato de que o direito à informação, à liberdade de expressão, é também um direito individual. Mas, com os meios modernos de comunicação, com a convergência das mídias, cada vez mais esse direito é interativo, coletivo e social. É preciso que o Estado, em nome da sociedade, fixe parâmetros e regras que não implicam a restrição de conteúdo, mas normas de funcionamento para esses meios, que são cada vez mais poderosos, formam opiniões e difundem interesses. Em todos os países há alguma regulamentação para os meios eletrônicos.

No Brasil, a Constituição fixou algumas regras para os meios de comunicação: os artigos 220, 221,222 e 223. O que temos defendido é que o marco regulatório deve se restringir ao que está escrito na Constituição e carece de regulamentação. Sei que na sociedade há propostas que extravasam isso. Esse debate foi feito na Conferência Nacional de Comunicação, que estabeleceu uma série de compromissos para o governo, você tinha a Lei de Imprensa, de 1969, que foi derrubada pelo Supremo, tem o Código Brasileiro de Telecomunicações, que já completou mais de 50 anos e é de uma época em que não havia nem internet. Até para atualizar a legislação você precisaria de um marco regulatório.

FNDC – O que o PT defende na prática?

Rui Falcão – Primeiro, que se cumpram os artigos da Constituição que proíbem a existência de monopólios e oligopólios e a aplicação da complementaridade, a convivência de três tipos de sistema de comunicação: o privado, que predomina no Brasil e não vai ser desapropriado, nem seus conteúdos serão cerceados; o estatal e o setor público, que também deveria conviver nessa tríade. É preciso estimular o surgimento de um setor público, ter novas normas e leis que protejam as rádios comunitárias para que não aconteça como atualmente, em que boa parte funciona ilegalmente. A própria normatização das TVs abertas exige um percentual de conteúdo nacional e, para isso, precisa produzir um conteúdo que atenda à complexidade do país, as culturas, os sotaques.

Com relação à mídia impressa, não há nenhuma interferência do marco regulatório, a não ser a discussão se é necessário ou não uma lei específica para o direito de resposta, que não tem relação direta com o marco regulatório. A revogação da Lei de Imprensa deixou um vazio jurídico. Pessoalmente, entendo que deveríamos ter uma lei específica que não jogasse sobre o jornalista e sim sobre as empresas a responsabilidade sobre reparações financeiras. Também seria importante os jornalistas apoiarem esse movimento, que significa mais empregos e melhores condições de trabalho e permitiria estabelecermos um código de ética que fosse aceito nas empresas com direito de objeção de consciência – o jornalista não ser obrigado a fazer determinadas matérias que violem suas convicções.

E é importante enfatizar cada vez mais que isso não diz respeito a nenhum cerceamento de liberdade de expressão, não estamos propondo orientar as matérias que os jornalistas produzem e nem suprimir a oposição pela regulamentação dos meios. Se pode haver algum tipo de restrição, é aquilo que está previsto na Constituição.

FNDC – O secretário-executivo do Ministério das Comunicações, Cesar Alvarez, disse que o governo não discutirá o marco regulatório. Como fazer para o governo mudar de opinião?

Rui Falcão – Na reunião do diretório no início de março, fizemos um apelo ao governo para que reconsidere essa decisão. E o próprio Congresso Nacional, se quisesse, poderia regulamentar os artigos da Constituição independentemente do Executivo. Mas não parece ser esse o quadro no Congresso, tanto que tivemos, um dia depois da nossa decisão de apoiar a iniciativa popular da CUT e do FNDC de um Projeto de Lei de Iniciativa Popular, um dirigente do PMDB dizendo que é totalmente contrário a esse tipo de política que defendemos. Há setores do Congresso que se opõem a essa regulação e por isso não se faz. Há propostas, por exemplo, de que político não seja proprietário de meio de comunicação. É evidente que se isso fosse lei você precisaria de um tempo para que o político ou desistisse do mandato ou transferisse para outra pessoa a propriedade. Porque o argumento é que quem autoriza e renova concessão, no caso dos meio eletrônicos, não pode conceder pra si mesmo, mas sabemos que há resistência.

FNDC – E como se vence essa resistência?

Rui Falcão – Através da pressão da sociedade. É uma luta de muitos anos que vem sendo travada por dezenas de entidades e acho que ganhou novo impulso porque parece que há o desejo de grandes entidades de levarem essa campanha pra rua. E é bom que se diga, ninguém vai mexer com o futebol na TV, ninguém vai acabar com as novelas. Ao contrário: em vez de acabar com o futebol, tem que democratizar a possibilidade de mais gente transmitir as partidas.

São coisas assim de senso comum, mas acho que a campanha da CUT, do FNDC, do Intervozes, das dezenas de blogueiros e entidades que lutam pela democratização da comunicação têm de dialogar com a sociedade e conseguir assinaturas e ganhar opinião pública para essas mudanças que são difíceis, mexem com interesses poderosíssimos e que hoje estão interditando o debate político mais livre na sociedade.

Estamos vivendo o período mais longo de democracia no Brasil e há mudanças que são urgentes e inadiáveis, e uma delas é o alargamento da liberdade de expressão. Estamos há anos falando da democratização da comunicação e fica parecendo que não vamos conseguir isso tão cedo, mas a pressão da sociedade e a influência das mídias digitais, a sociedade em movimento, uma grande ascensão social pode mudar a cabeça das pessoas. Por isso a importância dessa campanha ir pra rua, pedir assinaturas, porque cada assinatura requer uma informação, é a sociedade fazendo política.

FNDC – Qual a avaliação que o senhor faz a partir dos governos Lula e Dilma sobre o interesse em democratizar a comunicação?

Rui Falcão – Primeiro, de que não há repressão sobre jornalistas e imprensa. Não há uma atividade de censura, uma invasão de empresa jornalística, um jornalista perseguido. Segundo, aprovamos a Lei de Acesso à Informação, que é um passo importante para democratizar a comunicação oficial, que sempre foi muito fechada. Terceiro, a veiculação de publicidade oficial se espalhou bastante. Essa também é uma postura que favorece ter mais liberdade de expressão no Brasil. Diminuiu muito a perseguição às rádios comunitárias, algumas TVs tiveram autorização para funcionar, como a TVT, que está prestes a conseguir instalar uma antena na Paulista e poderá atingir toda a região metropolitana. Houve a criação da TV Brasil. São avanços ainda insuficientes, mas que, comparados ao período anterior, são avanços. Como a realização da Conferência Nacional da Comunicação que, apesar da oposição de setores da grande imprensa, foi um sucesso. Uma das propostas era, inclusive, a construção de um marco regulatório. E isso o governo está devendo, sua própria deliberação.

FNDC – Em evento recente da CUT, o presidente Lula defendeu que os movimentos sociais se articulassem para a construção de uma mídia própria. Mas como é possível vencer esse gargalo se os critérios técnicos de publicidade federal acabam ainda beneficiando os monopólios e o acesso às concessões de rádio e TV por essas organizações ainda é muito difícil?

Rui Falcão – Quanto mais o campo popular puder reunir suas publicações, seus veículos eletrônicos para ter conteúdo semelhante, eu acho positivo. Mas não creio que esse seja o caminho alternativo à criação de um marco regulador. Cada publicação e cada veículo tem sua linha, representa seus segmentos, representa categorias profissionais, fica difícil ter pauta unificada. Quanto mais sinergia puder haver entre esses veículos, melhor, mas não creio que isso seja um contraponto ao monopólio. Eu acho que deveriam ser revistos os critérios para termos a possibilidade de novas concessões, e é preciso reorientar, sem favorecer, os critérios de veiculação.

 

Eduardo Campos vai tentar atrair os descontentes com o fato de o governo Dilma ouvir pouco. Ele sabe que isso pode funcionar

 

Só Dilma pode tornar Eduardo Campos um candidato forte. Já afirmei isso aqui. Elegê-lo então será um desafio hercúleo não só para Dilma, como para boa parte dos seus ministros e também para o PT.

Uma das formas de fortalecer o governador de Pernambuco é continuar fazendo o que boa parte dos assessores e ministros continuam fazendo, dialogando pouco. Campos já percebeu isso. E ontem em jantar com 60 empresários na casa do dono da Riachuelo, disse: “O governo, além de tudo, às vezes não dialoga. A solução é falar com o governo pela imprensa. Não quer me receber? Você pode tuitar.”

O fato de Campos ter dito que o Brasil não começou ontem e que o governo pode fazer mais não significa nada do ponto de vista político. Mas ter percebido que esse governo é ruim de conversa é um caminho que pode levá-lo a ir se cercando de muita gente descontente com o rumo de algumas coisas.

Conversar pode não resolver o problema, mas como diz um amigo, também não gasta a boca. Além do mais, o diálogo é parte integrante do ritual da política. Governo que conversa pouco, mesmo bem avaliado, se arrisca muito.

Quando um governo conversa pouco ele vai esgarçando a base e criando um campo de descontentamento que pode vir a ser conquistado por outra força. É isso que Eduardo Campos percebeu. Que o governo Dilma, mesmo bem avaliado, tem agradado menos do que que deveria o campo político e setores organizados.

Na setor popular o descontentamento é grande em relação a isso Pelo que tenho ouvido, no empresarial também. Vamos ao exemplo do ministro Comunicação, que foi tema de post recente. É raro encontrar quem defenda, no movimento social, a gestão do ministro Paulo Bernardo. Mas as pessoas não criticam só suas opções políticas na área, mas também a forma como ele se relaciona com os críticos e com as críticas. Bernardo não recebe os movimentos organizados e quando confrontado se comporta de forma ríspida com seus interlocutores. Em alguns casos, grosseira.

No II Encontro de Blogueiros, realizando em Brasília, por exemplo, só faltou mandar o blogueiro Eduardo Guimarães calar a boca, dispensando-lhe um tratamento arrogante e autoritário.

Depois disso, convidou várias entidades para uma reunião em Brasília com o objetivo de discutir a questão da banda larga. Por ter sido criticado no twitter, desmarcou o encontro e nunca mais convocou as entidades para debater esse ou qualquer outro tema.

Esse é um exemplo de coisas que têm sido corriqueiras em várias áreas. E com todos os setores. Creiam, empresários também reclamam desse tipo de tratamento.

Eduardo Campos não é bobo. Já percebeu que o governo Dilma tem esse calcanhar de aquiles. Ou melhor, já percebeu que pode morrer pela boca. Não pelo excesso, mas pela ausência de diálogo. E pela forma pouco polida dispensada por alguns de seus principais assessores e ministros à diferentes setores políticos e organizados da sociedade.

Isso não significa que a reeleição de Dilma esteja em risco. Ela é bem avaliada porque o seu governo é bom. Teve coragem de enfrentar os bancos e diminuiu os juros para padrões civilizados. Ampliou os investimos no combate à pobreza e à miséria. Turbinou o Minha Casa Minha Vida e está fazendo uma gestão criativa e organizada na área de saúde, criando bons programas como o saúde na escola.

Fora isso, teve a coragem de criar a Comissão da Verdade, o que não é pouca coisa.

Certamente, faltaram citar muitas outras boas iniciativas. O que só reforça a tese de que a eleição de Dilma não está em risco.

Mas se eu fosse Dilma, passaria a gastar a boca. E aconselharia a todos os seus ministros a fazer o mesmo. Se isso vier a ocorrer, Eduardo Campos perderá boa parte do seu discurso. Porque o resto, não cola. Principalmente na classe política e entre aqueles que não estão dispostos a correr riscos. Ninguém vai deixar a base porque alguém resolveu dizer que o governo pode fazer mais. Um governo com 80% de aprovação.

 

Hugo Chávez morre, em Caracas, aos 58 anos. A notícia vem acompanhada de uma fala dura do vice-presidente Nicolas Maduro que lança a suspeita de que ele possa vir a ter sido envenenado, como Yasser Arafat. Maduro diz que pretende instalar uma comissão de cientistas para investigar a causa da morte do ex-presidente. A simples suspeita de que isso possa ter ocorrido já é em si uma tragédia. Mas se algo vier a ser comprovado, acabaram-se os limites que garantem algum nível de estabilidade democrática em nosso Continente.

Nos últimos anos várias lideranças políticas de esquerda foram vítimas de câncer na região. Entre elas, Chávez, Lula, Lugo e Cristina Kirchner. Mas isso pode ter sido apenas uma coincidência. E será melhor para todos que sim. Porque senão líderes de todas as partes do mundo que não fizerem o jogo do império e das grandes corporações passam a estar ameaçados. E se isso vier a ocorrer, a democracia será menos do que uma falácia.

A liderança que Chávez exerceu durante seus anos à frente do governo venezuelano incomodou por demais os EUA e seus parceiros. Também porque a Venezuela é um importante país exportador de petróleo, mas não só por isso. Principalmente porque ao conquistar o governo ele ousou estimular líderes de outros países a radicalizarem seus discursos nas disputas locais. E foi fundamental para vitórias de candidatos mais à esquerda na Bolívia, no Equador, no Peru, na Nicaraguá, entre outros.

Chávez sabia que não podia ficar isolado. Precisava fazer com que os EUA perdessem força no Continente para que seu governo pudesse se desenvolver com algum nível de independência. Em 2002, quando Lula disputava a presidência da República, já tinha visitado por três vezes a Venezuela e mantinha contato frequente com pessoas próximas do governo. Quase todas avaliavam que se Lula perdesse, Chávez teria muita dificuldade em continuar no poder.

O ataque mais forte a Chávez foi em abril de 2002, mas depois da eleição de Lula, a Venezuela teve o paro petroleiro. Naquela ocasião o governo brasileiro colocou técnicos à disposição para operar na PDVSA. E contribuiu fortemente contra o apagão no país.

Chávez foi uma liderança fantástica. Seu carisma é difícil de ser entendido pelo brasileiro padrão. Mas cansei de ver venezuelanos chorando enquanto ele discursava. Ao mesmo tempo, ouvi todos os tipos de agressão daqueles que não o suportavam. Chávez sempre ganhou eleições com aproximadamente 55% dos votos. Ele nunca reinou absoluto, mas desde que se candidatou, sempre venceu. Quase sempre pelo mesmo placar.

Hoje milhares de pessoas devem estar chorando sua morte em todas as partes da Venezuela. Nos cierros de Caracas, a desolação deve ser total. Mas em muitas casas, em geral as mais nobres, certamente a noite vai ser curta para as comemorações. Nos Vales, há celebração.

Qual vai ser o destino da Venezuela sem Chávez? Há muitas possibilidades. Mas mesmo no limiar da morte, Chávez fez um movimento que indica que a unidade, ao menos nesta primeira fase, está garantida. Ele indicou Maduro como seu sucessor. E se houver eleição, Maduro repetirá algo próximo dos 55% históricos de Chávez.

Essa é a tendência, mas não é uma certeza. E mesmo vitorioso dificilmente Maduro conseguirá repetir Chávez. A liderança de Chávez era contestada, discutida e criticada, mas ninguém ousava menosprezá-la.

A Venezuela perde muito com sua morte. A América Latina idem.

Mas Chávez morre sem ser derrotado pelos seus adversários. Pode até ter sido assassinado por eles, mas derrotado não. E por isso, ao que tudo indica, morre o homem e nasce o mito.

 

Reproduzo a seguir uma reportagem que acessei pelo Facebook a partir de dica do amigo Eduardo Guimarães. Ela deixa evidente a forma como o presidente do STF respeita a liberdade de imprensa e zela pelo direito à informação livre. No final de semana chamei Joaquim Barbosa de Sinhozinho por conta da nota laudatória de Sonia Racy anunciando o novo afair do ministro, uma garota de 24 anos. “Quem a conheceu atesta ser ela inteligentíssima”, garantiu Racy.

Terminei o comentário com uma simples pergunta: e se fosse o Lula? Não tenho nada a ver com a vida pessoal de Barbosa e acho absolutamente normal relações com grande diferença de idade.  Mas isso não significa que não possa questionar a apaixonada cobertura que certos jornalistas lhe dispensam. E a forma como arrumam muletas para lhe ofertar em qualquer situação que possa exigir um pouco mais de jogo de cintura. Afinal, qual o problema em deixar Barbosa responder sobre o namora. Que nada. Racy já lhe deu a senha, a moça é inteligentíssima.

Mas quem cobre Brasília sabe que Barbosa está longe de ser um gentleman. É um sujeito autoritário e sem limites. E que é sim uma ameça à democracia com o seu desiquilíbrio e com o poder que tem. Leia a matéria abaixo ou ouça o áudio aqui.

Vá chafurdar no lixo’, diz presidente do STF a jornalista

DE BRASÍLIA

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa, chamou nesta terça-feira (5) de “palhaço” um repórter do jornal “O Estado de S. Paulo” e recomendou que ele fosse “chafurdar no lixo”.

A fala ocorreu na saída da reunião do Conselho Nacional de Justiça, que também é presidido por Barbosa.

Ao deixar o local, Barbosa era aguardado por jornalistas. Na primeira abordagem, o ministro interrompeu a pergunta iniciada pelo repórter Felipe Recondo e o destratou aos gritos.

O repórter perguntou: “Presidente, como o senhor está vendo…”. Barbosa não o deixou concluir e respondeu: “Não estou vendo nada. Me deixa em paz, rapaz. Vá chafurdar no lixo como você faz sempre”.

O jornalista questionou o comportamento do ministro. “Que é isso ministro, o que houve?”.

“Estou pedindo, me deixe em paz. Já disse várias vezes ao senhor”, devolveu.

“Eu tenho que fazer pergunta que é o meu trabalho”, retrucou.

Ainda mais irritado, Barbosa afirmou que não tinha nada a declarar. “Eu não tenho nada a lhe dizer, não quero nem saber do que o senhor está tratando”, afirmou.

Afastado por assessores, Barbosa ainda chamou o repórter de “palhaço” ao entrar em um elevador.

Os jornalistas esperavam Barbosa para repercutir a nota divulgada pelas três maiores entidades de juízes do país (AMB, Ajufe e Anamatra) no fim de semana.

As entidades criticaram Barbosa por ele ter dito em entrevista que a magistratura tem mentalidade pró-impunidade, e afirmam que ele vive situação de “isolacionismo” e “parte do pressuposto de ser o único detentor da verdade”.

Em novembro passado, Barbosa já havia criticado um repórter negro como ele que, segundo o presidente do STF, teria replicado estereótipos racistas ao perguntar se ele estava sereno no novo cargo

O senador Fernando Collor de Melo encaminhou à presidência do Senado uma representação contra o Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, pela compra de 1.200 tablets para a Procuradoria Geral da República. Collor pretende processar Gurgel por direcionar a compra dos equipamentos à marca Apple, “nominalmente mencionada no edital do certame”, nas palavras do senador.

“Além de ter sido um processo licitatório escancaradamente dirigido a um dos concorrentes – a ponto de nominar a empresa vencedora no edital do certame, o pregão ocorreu no dia 31 de dezembro – esse pregão eletrônico ocorreu no dia 31 de dezembro, às 4 horas da tarde, rigorosamente ao apagar das luzes do órgão”, disse Collor em discurso que abriu a primeira sessão ordinária legislativa.

A denúncia, publicada em post deste blog, refere-se a menção da marca Apple na licitação, e não à empresa vencedora do certame, uma fornecedora de produtos de informática, que ofereceu a marca que lhe foi imposta pelo edital da licitação.

Durante sua fala, o senador também questionou a denúncia contra o ex-presidente Lula, com base em testemunho de Marcos Valério, encaminhada por Gurgel.

“Causa inquietude entre nós até mesmo a forma como vem sendo conduzida a questão da denúncia contra o ex-presidente Lula. Há algo preocupante nesse processo que ainda não se revelou completamente e para o qual devemos estar muito atentos, muito atentos ao que se poderá ser urdido nessa esguelha manobra do Procurador-Geral”, declarou o senador.

Outro questionamento de Collor sobre a conduta de Gurgel na PGR refere-se ao pedido de prisão imediata de réus da Ação Penal 470, sem que os devidos trâmites legais estivessem encerrados.

“Primeiro, valendo-se do recesso do Supremo Tribunal Federal, na presunção de que o Presidente da Corte, na condição de Ministro de plantão, fosse atendê-lo, ele solicitou a prisão imediata de uma série de réus de ações penais em curso naquele Tribunal, cujos acórdãos sequer foram publicados. Com isso, o Sr, Roberto Gurgel feriu e desprezou as regras mais elementares do Direito, que impedem, em casos como esses, a prisão de qualquer pessoa, antes do trânsito em julgado da sentença condenatória”, disse.

Por fim, Collor criticou a interferência de Gurgel nas eleições para a presidência do Senado, vencidas pelo senador Renan Calheiros.

“Contudo, Sr. Presidente, Srªs. e Srs. Senadores, mais grave ainda foi o flagrante, a indisfarçável e vil tentativa do Procurador-Geral de interferir no processo eleitoral interno do Senado Federal, ao apresentar denúncia ao Supremo Tribunal contra um Senador da República uma semana antes do pleito da nova direção desta Casa. E pior: depois de quase dois anos com o processo estrategicamente estagnado em sua poltrona”.

Está previsto para o dia 18 deste mês, o lançamento do livro A Outra História do Mensalão – As contradições de um julgamento político, do jornalista Paulo Moreira Leite.

A obra é o 7° titulo da coleção História Agora, lançada pela Geração Editorial. Entre os livros da coleção está o best-seller  A Privataria Tucana.

No livro, Paulo Moreira Leite demonstra coragem ao sair do discurso comum, tão propagado pela “grande mídia” e pela direita brasileira, de que a Ação Penal 470 foi um exemplo de moralidade e combate a corrupção pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Nas suas 352 páginas, ele afirma que o julgamento foi contraditório, político e injusto. Um processo pautado pela opinião pública, que expressa a visão daqueles que detém os grandes meios de comunicação.

O jornalista defende que o STF, com a contribuição fundamental da PGR (Procuradoria Geral da República), transformou em crime eleitoral empréstimos bancários do PT, que o partido ao fim pagou. E culpou um acusado por acreditar que ele teria a “obrigação” de saber todos os passos dos seus ex-comandados

Embora o mais alto tribunal do país classifique os atos denunciados na Ação Penal 470 como “corrupção”, ignorou os corruptores. Empresários que sempre financiaram campanhas eleitorais, de todos, inclusive daqueles que acusaram os envolvidos neste processo. Tema este que seria muito caro para a direita que apontou o dedo para o PT.

O livro é uma contribuição fundamental para aqueles que querem entender o que há por trás do deste julgamento. Este blogueiro já reservou o seu exemplar.