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Provocada pelo representante do MST, a presidenta Dilma calou-se sobre a ação orquestrada sofrida por vários blogueiros pelos meios de comunicação tradicional (vulgo PIG). Há um ditado que diz que quem cala concente. Mas, na prática neste caso quem cala concede ao lado mais poderoso o poder de continuar agindo da mesma forma. A presidente perdeu a oportunidade de dizer, por exemplo, que o recurso judicial é sempre legítimo, mas que ela, por exemplo, em respeito a liberdade de expressão não o utiliza contra veículos que a criticam. E não são poucos. As vezes, inclusive, de forma muito desrespeitosa. Por isso, lamenta que esse expediente esteja sendo utilizado por veículos de comunicação e por jornalistas contra colegas de profissão. Mas que essa é uma decisão pessoal e de fórum intimo. Mas ela não disse isso. E perdeu a oportunidade de colocar uma importante reflexão para a sociedade brasileira. Provavelmente isso tem relação com o fato de estar assessorada por gente que prefere o lado de lá do que o lado de cá. A Globo e a Veja são hoje mais bem tratadas pelo governo do que a mídia livre e alternativa. No debate da democratização da comunicação, Dilma escolheu seu lado.

MST denuncia perseguição da blogosfera progressista; Dilma não responde

Da Página do MST

(Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)

As organizações que realizam uma jornada da juventude brasileira por mudanças estruturais na sociedade brasileira fizeram uma audiência com a presidenta Dilma Rousseff, na tarde desta quinta-feira (4/4), no Palácio do Planalto.

Na audiência, o coordenador do Coletivo de Juventude do MST, Raul Amorim, cobrou a apresentação do projeto com o marco regulatório dos meios de comunicação e denunciou as ameaças a jornalistas independentes, citando o exemplo da condenação a pagamento de multa pelo jornalista Luiz Carlos Azenha, em processo movido pelo diretor das Organizações Globo, Ali Kamel.

“Está em curso um processo de criminalização de jornalistas independentes a partir de ações da grande mídia no Poder Judiciário, como é o caso do Luiz Carlos Azenha”, disse Amorim à presidenta.

O coordenador da juventude do MST pediu que o governo encaminhe as deliberações aprovadas na 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), realizada em 2009, para que seja respeitado o direito à manifestação do pensamento, à expressão e à informação, como garante a Constituição.

Amorim defendeu a implementação de políticas públicas voltadas para a mídia alternativa, de forma a garantir um sistema de comunicação que represente a pluralidade da sociedade.

A presidenta Dilma não respondeu as propostas e preocupações, mas disse que a internet é um espaço democratizador, que deve chegar a todos os brasileiros por meio da implementação do Plano Nacional de Banda Larga.

Os jovens defenderam também a prorrogação das investigações por mais dois anos, maior transparência na divulgação dos relatórios e criação de um processo de participação popular mais amplo por meio de audiências públicas.

“Nenhum dos relatórios realizados até agora foram apresentados para a sociedade. Não há transparência alguma. Não dá para se ter justiça sem que haja o envolvimento da sociedade civil nesse processo”, disse Carla Bueno, do Levante.

A presidenta Dilma prometeu levar à Comissão Nacional da Verdade (CNV) e aos ministérios envolvidos na discussão a proposta de prorrogação das investigações.

Jornada

Os jovens dirigentes das organizações brasileiras que promovem a Jornada Nacional da Juventude Brasileira apresentaram a plataforma das manifestações à presidenta Dilma Rousseff, em audiência realizada nesta sexta-feira (4/4), no Palácio do Planalto.

A jornada organizada por mais de 40 entidades defende mudanças estruturais na sociedade brasileira, como o financiamento público da educação para universalização da educação em todos os níveis,o fim do extermínio da juventude nas grandes cidades, sobretudo negra, a democratização dos meios de comunicação, garantia de trabalho decente, reforma política democrática e a Reforma Agrária.

A jornada, que começou em 25 de março, somará protestos em 16 capitais. Já foram realizadas manifestações em São Paulo, Brasília, Minas Gerais, Paraná, Porto Alegre, Sergipe, Ceará, Manaus, Piauí e Goiás.

A jornada é um marco histórico na luta da juventude brasileira. Há um antes e depois dessa jornada. Isso demonstra a importância da mobilização de rua, que as mudanças estruturais nesse país só se dão com o povo na rua”, disse Raul Amorim, da Coordenação Nacional do Coletivo de Juventude do MST.

“A reunião acontece no contexto das nossas mobilizações. O principal fruto dessa processo foi levar às ruas milhares de jovens e mostrar o protagonismo da juventude tanto nas pautas mais amplas da sociedade quanto as que dizem respeito à juventude”, disse Carla Bueno, do Levante Popular da Juventude.

Paulo Vinicius, secretário de juventude da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), “os temas da juventude são estratégicos para o desenvolvimento do país, dentro de um contexto em que há 60 milhões de jovens que enfrentam variadas dificuldades”.

Para ele, a jornada demonstra a distinção entre o papel do governo e o papel da sociedade, que tem o dever de pressionar para avançar as mudanças. “Ficou evidente a necessidade do povo brasileiro ir às ruas para mudar a realidade deste país. Temos que fazer nossas lutas. A lutas da juventude tendem a crescer. Essa é a nossa tarefa”, acredita.

Educação

De acordo com Manuela Braga, da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), a educação tem um papel fundamental para o desenvolvimento do país e para a superação da desigualdade.

Os estudantes cobraram de Dilma a destinação de 10% do PIB, 50% do fundo social do pré-sal e 100% dos royalties do petróleo exclusivamente para educação. Segundo Braga, a presidenta declarou apoio à demanda, mas ponderou a necessidade de aprovação no Congresso Nacional da Medida Provisória 592/12, que destina a receita dos royalties do petróleo e recursos do Fundo Social do Pré-Sal para a educação.

Para que o país tenha soberania e independência, é preciso uma reformulação da educação. Essa é uma luta do trabalhador e do estudante do campo e da cidade. Isso possibilitará mudar em profundidade o Brasil ”, disse Amorim, do MST.

Os jovens defenderam as cotas raciais nas universidades públicas, mas colocaram à presidenta a preocupação em relação às universidades estaduais, uma vez que parte delas ainda não incorporou esse sistema.

“Muitas das universidades estaduais trabalham numa lógica de exclusão, e não de inclusão. Levamos essa questão à presidenta e esperamos que se faça algo para mudar esse fato”, disse Braga.

Reforma Agrária

Amorim cobrou da presidenta o assentamento imediato das 150 mil famílias acampadas e a ampliação do programa de agroindústrias do governo federal. Ele denunciou também que, nos últimos 10 anos, 1 milhão de jovens saíram do campo brasileiro e migraram para a cidade.

Para o dirigente do MST, o êxodo rural dos jovens é consequência da paralisação da Reforma Agrária e da lentidão para a generalização de políticas de desenvolvimento da pequena agricultura. “As políticas públicas para os jovens do campo são insuficientes”, disse.

A presidenta Dilma não respondeu as colocações relacionadas ao meio rural.

Reforma política

Os jovens defenderam que o governo federal trabalhe para fazer a reforma política, que garanta financiamento público exclusivo das campanhas eleitorais e a regulamentação do artigo 14 da Constituição que trata da realização de referendos e plebiscitos de iniciativa popular.

“Sem a reforma política, a juventude fica fora do debate político, sendo que é 40% do eleitorado. Mulheres e negros também são sub-representados”, disse Amorim. Para ele, as eleições no Brasil são um “processo desleal”, já que quem tem mais dinheiro é beneficiado.

A presidenta disse que a reforma política depende da mobilização da sociedade, para pressionar o Congresso Nacional a aprovar a proposta de mudança.

QUEM PARTICIPA DA JORNADA
: Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT); Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG); Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP); Associação Cultural B; Centro de Estudos Barão de Itararé; Confederação Nacional das Associações de Moradores (CONAM); CONEM; Consulta Popular; ECOSURFI, Coletivo Nacional de Juventude Enegrecer, Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil (FEAB), Federação Paulista de Skate, Fora do Eixo, Juventude da CTB, Juventude da CUT, Juventude da Contag, Juventude do PSB, Juventude do PT, Juventude Pátria Livre; Levante Popular da Juventude; Marcha Mundial das Mulheres; Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST); Nação Hip Hop Brasil; Pastoral da Juventude, Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP), Rede Ecumênica da Juventude (REJU); Rede da Juventude pelo Meio Ambiente e Sustentabilidade (REJUMA); União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES); União Brasileira de Mulheres (UBM), União da Juventude Socialistas (UJS); União Nacional dos Estudantes (UNE); Via Campesina.

Reproduzo a seguir uma reportagem que acessei pelo Facebook a partir de dica do amigo Eduardo Guimarães. Ela deixa evidente a forma como o presidente do STF respeita a liberdade de imprensa e zela pelo direito à informação livre. No final de semana chamei Joaquim Barbosa de Sinhozinho por conta da nota laudatória de Sonia Racy anunciando o novo afair do ministro, uma garota de 24 anos. “Quem a conheceu atesta ser ela inteligentíssima”, garantiu Racy.

Terminei o comentário com uma simples pergunta: e se fosse o Lula? Não tenho nada a ver com a vida pessoal de Barbosa e acho absolutamente normal relações com grande diferença de idade.  Mas isso não significa que não possa questionar a apaixonada cobertura que certos jornalistas lhe dispensam. E a forma como arrumam muletas para lhe ofertar em qualquer situação que possa exigir um pouco mais de jogo de cintura. Afinal, qual o problema em deixar Barbosa responder sobre o namora. Que nada. Racy já lhe deu a senha, a moça é inteligentíssima.

Mas quem cobre Brasília sabe que Barbosa está longe de ser um gentleman. É um sujeito autoritário e sem limites. E que é sim uma ameça à democracia com o seu desiquilíbrio e com o poder que tem. Leia a matéria abaixo ou ouça o áudio aqui.

Vá chafurdar no lixo’, diz presidente do STF a jornalista

DE BRASÍLIA

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa, chamou nesta terça-feira (5) de “palhaço” um repórter do jornal “O Estado de S. Paulo” e recomendou que ele fosse “chafurdar no lixo”.

A fala ocorreu na saída da reunião do Conselho Nacional de Justiça, que também é presidido por Barbosa.

Ao deixar o local, Barbosa era aguardado por jornalistas. Na primeira abordagem, o ministro interrompeu a pergunta iniciada pelo repórter Felipe Recondo e o destratou aos gritos.

O repórter perguntou: “Presidente, como o senhor está vendo…”. Barbosa não o deixou concluir e respondeu: “Não estou vendo nada. Me deixa em paz, rapaz. Vá chafurdar no lixo como você faz sempre”.

O jornalista questionou o comportamento do ministro. “Que é isso ministro, o que houve?”.

“Estou pedindo, me deixe em paz. Já disse várias vezes ao senhor”, devolveu.

“Eu tenho que fazer pergunta que é o meu trabalho”, retrucou.

Ainda mais irritado, Barbosa afirmou que não tinha nada a declarar. “Eu não tenho nada a lhe dizer, não quero nem saber do que o senhor está tratando”, afirmou.

Afastado por assessores, Barbosa ainda chamou o repórter de “palhaço” ao entrar em um elevador.

Os jornalistas esperavam Barbosa para repercutir a nota divulgada pelas três maiores entidades de juízes do país (AMB, Ajufe e Anamatra) no fim de semana.

As entidades criticaram Barbosa por ele ter dito em entrevista que a magistratura tem mentalidade pró-impunidade, e afirmam que ele vive situação de “isolacionismo” e “parte do pressuposto de ser o único detentor da verdade”.

Em novembro passado, Barbosa já havia criticado um repórter negro como ele que, segundo o presidente do STF, teria replicado estereótipos racistas ao perguntar se ele estava sereno no novo cargo

O meu dileto amigo Altamiro Borges, presidente do Barão de Itararé, fez um discurso na ABI que merece entrar nos compêndios da história política nacional. Miro faz um resgaste histórico da participação da mídia nacional em golpes e coloca o julgamento do Mensalão e o PIG nos seus devidos lugares. É para assistir, guardar e repassar.

Em breve você vai participar de um encontro de família no final de semana e o papo vai começar pela última convocação do Felipão, vai passar pela porcaria do Big Brother e em algum momento vai chegar no desgaste da relação entre Lula e Dilma. Quando isso acontecer, aquele parente ou amigo reaça da família não vai ter dúvida em dizer: “Tá vendo, nem a Dilma aguenta mais o Lula”. Ao que um outro ainda mais politizado pelo PIG acrescentará: “Mas quem aguenta o PT e o Lula? Só o fulano mesmo..”. E vai apontar, morrendo de rir, pra você. Que terá o direito de ficar calado ou então o de ser chamado de encrenqueiro. Afinal, nesses casos, ser bem educado é fazer de conta que o melhor para o Brasil é ser o que era nos tempos de FHC.

Os próximos capítulos da novela piguiana que se iniciou quando LUla ganhou as eleições em 2002 certamamente tratarão dessa questão. É algo pouco criativo, mas que ao menos segura uma parte da audiência. Principalmente aquela que se diverte muito xingando o petismo. E que se divertia muito xingando os comunistas que queriam acabar com a “democracia” brasileira nos tempos da ditadura militar. Tive um amigo que adorava dizer, mudam-se as moscas…

Mas voltando a novela que começou a entrar em cartaz, Dilma está perdendo a paciência com Lula. Afinal, ela teria recebido um país quebrado e está tentando colocar as coisas nos trilhos, mas o sujeito e o PT não lhe dão paz. Por isso, decidiu organizar o seu grupo. Claro, para parecer verdadeira a história precisa de detalhes. Mas quem seria o grupo de Dilma? Aqui e ali já começam a aparecer os nomes dos atores: Gleise, Fernando Pimentel, Tarso Genro, Zé Eduardo Cardoso (que o Lula odeia) e Marta (que estaria muito puta com o Lula por conta do passa moleque da eleição paulistana).

Como o amigo pode ver a história vai ganhando sentido. E aí começam a surgir reuniões fechadas, com informações em off, revelando que um teria falado mal do outro. Que um estaria puto com o outro. E na sequência, boatos de demissão no governo por conta disso. E aí, claro, este enredo acabará desembocando numa reforma ministerial. E as especulações serão sobre quem está ganhando força no governo: a turma da Dilma ou o grupo do Lula.

Ficou fácil fazer jornalismo político hoje em dia. Basta você ir escrevendo colaborativamente a novela da vez com outros colegas dos veículos comerciais. Sem necessidade de fontes que sustentem a história. E sem se preocupar com a possibilidade de que nada daquilo venha a se confirmar. Afinal, o seu compromisso não é com a verdade factual, mas com o interesse do veículo.

Para os donos da mídia, a boa historia da vez é a de que Dilma e Lula estão se distanciando. E é isso o que interessa.

O fato é que isso não existe. Lula ficou doente e está voltando a fazer o que gosta: política.

Dilma só tem a ganhar com isso. Com ele no jogo, a oposição e os que estavam pensando em pular fora do barco do governo, vão pensar duas vezes.

Dilma e Lula hoje não disputam o mesmo espaço. Só um idiota ou mal intencionado pode fazer uma narrativa apostando nisso.

A conta deles é de mais. Não de dividir. Se um ganha algo o outro ganha também.

Há diferença entre eles. Há quem ache um melhor do que o outro. Mas isso não chega a ser nem ao menos um detalhe. O projeto político deles está sacramentado para os próximos muitos anos.

Mas isso não será suficiente para ouvir relatos diferentes no almoço da família. Até porque a mídia tradicional já decidiu que não é assim.

A maior parte dos brasileiros não deve ter a menor saudade do PSDB no governo, até por isso o partido nunca mais voltou ao poder. Mas também não há quem pareça feliz com o que os tucanos fazem na oposição. Exceto a turma do bloco midiático e da banca, o último lance dos caciques do partido desagradou a todos.

O movimento conjunto dos governadores tucanos de São Paulo, Minas e Paraná contra a diminuição do valor no preço da conta de luz só se justifica a partir de uma fé cega no financismo mais barato. Importa mais para os tucanos o quanto acionistas das empresas podem vir a perder, do que quanto os cidadãos e o sistema produtivo podem vir a ganhar com o movimento liderado pela presidenta da República.

Além dos rentistas do capital financeiro, outro setor que parece ter lucrado bastante com o cavalo de pau dos tucanos foi o dos colunistas de caderneta. Você não sabe o que é colunista de caderneta? Explico: há uma turma que além de receber o salário dos veículos para onde trabalha, também é agraciada com convites para palestras e eventos de bancos e empresas do sistema financeiro. Alguns chegam a cobrar de 50 a 100 mil pelas palestras. Evidente que os banqueiros estão dando de ombros para as obviedades que eles têm a dizer . Mas ficam muito felizes em poder tê-los como porta-vozes nos seus veículos.

Pagam não pelas palestras, mas que pelas colunas que fazem. Esse mensalão midiático é que garante que contra todas as evidências, alguns não arredem pé do discurso pró-banca.

Infelizmente ainda há quem acredite na boa fé dessa turma. Mas isso está diminuindo bastante. Tanto que o PSDB não elegeu um prefeito sequer nas capitais da regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste. E estes colunistas não são comentados para além de alguns gabinetes de Brasília.

Aliás, faria enorme bem à política brasileira acabar com o clipping que a Radiobrás faz de jornais e revistas e que todos os ministros e seus principais assessores recebem. Aquilo é um falso recorte do que se debate no país. Não faz o menor sentido ainda existir. E, pior, pautar alguns dos que o recebem.

O Supremo Tribunal Federal acaba de votar as penas do ex-ministro José Dirceu e do deputado federal José Genoino. Dirceu foi condenado a 10 anos e 10 meses e terá de pagar multa de 670 mil reais. Ao menos 1/6 terá de ser cumprido em regime fechado. Ou seja, Dirceu terá de pagar à sociedade ao menos 1 ano e 9 meses na cadeia. Genoíno teve pena de 6 anos e 11 meses e poderá cumpri-la em regime semi-aberto.
A condenação de ambos cumpriu todos os ritos jurídicos. Parece não haver o que se discutir neste aspecto. Mas por outro lado, nem o Procurador Geral e nem o relator do caso apresentaram provas que pudessem resultar na condenação de ambos.
Pior do que isso, para condená-los utilizaram-se do argumento jurídico do “domínio do fato”, teoria do jurista alemão Claus Roxin. Segundo ele, o autor não é só quem executa o crime, mas quem tem o poder de decidir sua realização e/ou faz o planejamento estratégico para que ele aconteça.
Roxin, porém, registrou que, no caso do Mensalão, sua teoria não permite ausência de provas. “Quem ocupa posição de comando tem que ter, de fato, emitido a ordem. E isso deve ser provado”, disse. O que contradiz o argumento de Barbosa. Esta matéria da Folha trata do assunto.
Isso, porém, não foi o suficiente para que os juízes do Supremo sequer debatessem se de fato haviam agido de forma correta na interpretação da teoria e na dosimetria das penas.
Havia uma decisão política que precisava ser tomada. E por ela, Dirceu teria de pagar alguns anos na cadeia.  E Genoino, ao menos, ser condenado por alguns anos.
A despeito do otimismo de alguns que cercavam os reús, este blogueiro sempre duvidou que o STF faria um julgamento técnico. A técnica desses casos, costumava dizer, é a política. Foi o que ocorreu. Infelizmente, mas foi.
Joaquim Barbosa transformou o julgamento num show e contou com a assessoria de alguns dos membros do STF para ladeá-lo no espetáculo. A mídia tradicional cumpriu à risca o seu papel de impedir que o scripit fosse alterado. E os que ousaram fugir dele, como Lewandowski e Tofoli, foram massacrados.
Aliás, no dia 11 de agosto, pouco antes do início do julgamento, Tofoli foi provocado de forma vil pelo blogueiro Noblat, que emitiu um sinal claro do tipo de munição que viria a ser utilizada.
Noblat escreveu um post sem sentido e sem ter quem corroborasse seu relato, afirmando ter ouvido, à distância, Tofoli insultá-lo numa festa. Não só pelos termos utilizados, como pelo que escondia, este texto de Noblat foi um dos piores momento do jornalismo na blogosfera. Uma tentativa clara de intimadação. Algo como: veja do que a gente é capaz. Hoje, Noblat já pedia a inclusão de Lula como réu do mensalão.
Não é exagero imaginar que a condenação de Dirceu e Genoíno seja o que se convencionou chamar nos tempos da ditadura militar de pré-golpe. No Chile, de Alllende, foi assim. Antes de Pinochet liderar o 11 de setembro de 1973, tentou-se um golpe em fevereiro. Pinochet saiu em defesa de Allende. Mas o que se queria naquele momento era verificar o poder de resistência do presidente eleito.
As condenações de Genoino e Dirceu também podem ser entendidas como um teste para um futuro golpe no Supremo. O Paraguai e Honduras viverem recentemente processos se não semelhantes, ao menos parecidos com este.
Não é tese de maluco ver um farol amarelo aceso em relação ao processo democrático brasileiro depois dessas duas condenações. A história brasileira e da América Latina permitem entender esse episódio como parte de um movimento maior. De uma história que já vivemos e da qual Genoino e Zé Dirceu foram inimigos em armas. Num momento em que também foram presos. E torturados.

Atualizado 22h51:

Disse na primeira versão do post que seria justo dizer que dos 11 ministros do Supremo, 8 foram indicados por Lula e Dilma, que ignoraram nomes como o de Dalmo Dalari em detrimento de alguns com trajetórias questionáveis. O Idelber Avelar me alerta para o fato de que Dalmo já tinha mais de 70 anos quando Lula assumiu e não poderia ser indicado. E lembra de nomes como Nilo Batista e Fábio Konder Comparato. Fica mantida a outra observação de que a passividade dos governos à esquerda na democratização das comunicações sempre foi a principal munição dos golpistas.

 

Serra tem tudo para ser o candidato-picolé destas eleições municipais em São Paulo. Quando sua candidatura foi confirmada pelo PSDB, seus índices nas pesquisas dispararam e parecia inevitável sua ida ao segundo turno em primeiro lugar.

Agora, a luta é outra. Conseguir voltar a ter uns 25% dos votos para impedir que a disputa final seja entre Russomano e Haddad.

No caso de Haddad o que está acontecendo é meio óbvio, apesar de muitos “especialistas em eleições” terem ficado os últimos meses batendo bumbo na tese de que sua candidatura corria o risco de ser um fiasco.

O campo lulo-petista em São Paulo é de aproximadamente 30% a 35% do eleitorado no primeiro turno. Se a campanha de Haddad fosse um desastre, teria ao menos uns 70% desses votos. O seja, no mínimo 20%.

Mas Haddad é um candidato consistente e tem bom perfil para a cidade. Mas o que está se vendo é ainda mais interessante. João Santana e sua equipe estão produzindo um programa de TV primoroso, enquanto Serra aparece na sua propaganda como um tiozinho que quer ser o cara. Alguém que fica repetindo velhas histórias (remédios genéricos, Etecs, o anti-PT e o menino que nasceu na Mooca) e tentando se vender como jovem.

Está muito chato e se vier a continuar nesta linha vai derreter ainda mais. Ao mesmo tempo, não pode dar um cavalo-de-pau e começar a bater em Russomano, que é quem está roubando seus votos.

Haddad tira votos do candidato do bispo na periferia e Russomano faz estrago na base de Serra nos bairros de classe média.

O que isso significa é que Russomano vai começar a apanhar. Mas não de Serra. O serviço vai ser feito pela Globo, Veja, Folha, Estadão e o resto do PIG.

O Partido da Imprensa Golpista não vai aceitar que o bispo comande São Paulo com um outsider. E ao mesmo tempo não vão querer ter de apoiar Haddad.

O que resta a eles é detonar o candidato do PRB e deixar o serviço sujo contra o petista para Serra.

É possível que isso leve o tucano ao segundo-turno, mas ele vai chegar lá cambaleando. Mais ou menos como o senador Aécio Neves estava em recente vídeo divulgado pelo Youtube.

PS: Ontem e anteontem tivemos problemas no servidor para acessar este e os outros blogues da Fórum, mas felizmente está tudo resolvido.

 

Está em curso na internet a campanha “Doe 1 tweet pelo Julgamento do #mensalao”, encabeçada pela ONG Brazil No Corrupt – Mãos Limpas. A campanha pede aos usuários do serviço de microblogs Twitter que cadastrem sua conta em um aplicativo que acessa a conta do usuário e publica mensagens a partir dela. No caso, mensagens pedindo a condenação dos réus no processo conhecido como “mensalão”.

No vídeo de apresentação da campanha são sobrepostas imagens do ex-presidente Lula e da presidenta Dilma Rousseff acompanhadas de notícias da Veja (que surpresa!) e de fotos dos réus do mensalão. Uma tentativa risível de associar a imagem de Lula e Dilma a um processo no qual nem sequer são réus.

Acessando a página da ONG Brazil No Corrupt – Mãos Limpas é interessante notar que entre blogueiros e políticos linkados no seu menu principal, está o blogueiro da revista Veja, Reinaldo Azevedo, e o site de campanha do filho do polêmico deputado Jair Bolsonaro, Carlos Bolsonaro, que concorre ao cargo de vereador no Rio de Janeiro.

Outro link no site da referida ONG leva ao site Mídia Sem Máscaras, que define-se da seguinte maneira: “Embora sem recursos para promover uma fiscalização ampla, MÍDIA SEM MÁSCARA colhe amostras, que por si só, bastam para dar uma ideia da magnitude e gravidade da manipulação esquerdista do noticiário na mídia nacional”.

Outro ponto curioso no site da ONG é a crítica à OAB-RJ (Ordem dos Advogados do Brasil – RJ) por apoiar o movimento Levante Popular da Juventude, organização de jovens que tem promovido atos públicos para mostrar quem são e como vivem os militares acusados de envolvimento em violações dos direitos humanos durante a ditadura.

O blog questiona desta maneira o apoio da OAB carioca: “Que OAB é essa que incentiva o revanchismo e desestimula a meritocracia através do forjado exame da ordem? Será que vamos assistir a tudo calados ou nossos filhos terão que reagir a esta juventude fabricada pelo PC do B”. E mais abaixo apresenta foto onde um jovem cospe no rosto de um senhor durante um suposto “escracho” do Levante Popular da Juventude. Sobreposta à foto, a seguinte frase: “A esquerda aproveita-se da nossa juventude crackeira. Comunistazinho metido a revolucionário esquerdista, cospe no rosto de um velho. Cadê a mãe deste comunistazinho?”

É legítimo que a sociedade civil manifeste sua opinião sobre o julgamento do chamado “mensalão”, mas quando se cria uma ONG (Brazil No Corrupt – Mãos Limpas) para atacar um partido e fazer campanha de outros grupos políticos, o mínimo que se pode pensar é que neste mato tem coelho. E eu arriscaria dizer que este coelho tem penas e se disfarça de coelho, mas na veredade é um pássaro meio colorido e bicudo.

 

Ontem recebi ligações de um número desconhecido de Brasília às 19h08, 19h11 e 19h21. Estava sem o celular  e por isso só retornei a chamada às 19h50. Foi neste momento que descobri que o telefone era da repórter Cátia Seabra, da Folha de S. Paulo, que conheci recentemente num evento em Porto Alegre.

Ela me perguntou sobre como seria “o jantar com o Fernando”. Achei estranho, mas como não havia nada a esconder respondi que seria uma conversa com pessoas que moram em São Paulo para discutir a cidade com um candidato a prefeito. Nada mais.

Cátia quis saber se tínhamos “uma pauta de reivindicações”. Disse que não. Que este não era o caráter do nosso papo com ele. Ainda afirmei que entre os que tinham sido convidados havia gente propondo que nos reuníssemos com outros candidatos. E acrescentei: “há alguns candidatos com os quais ainda provavelmente vamos conversar, mas com outros acho que não…”.

Não fui claro e nem direto com a repórter, mas agora esclareço: naquele momento pensava em José Serra. Com ele não tem papo, pelo menos da parte deste blogueiro.

A repórter ainda me perguntou se o grupo iria declarar apoio a Haddad. Disse que não. Sem meias palavras. Ou seja, minha frase não foi um “não deve declarar”. Foi direta e objetiva: não.

Cátia não me perguntou sobre onde seria o papo e nem quem eram os convidados. Não perguntou e não falei. O local do jantar ela acertou, mas entre os citados como participantes, alguns por motivos profissionais nem em São Paulo estavam na noite de ontem.

Até por isso brinquei pelo twitter que o “grampo” que passou a informação para a Folha estava com ruído.

Enfim, o encontro com Haddad não era clandestino e não havia problema em ser divulgado. O que chama atenção é que a patrulha piguiana queira transformar uma conversa entre um grupo de jornalistas, blogueiros e até pequenos empresários de comunicação com um candidato a prefeito em algo suspeito.

Aliás, a quem interessar possa, a conversa foi muito boa. Haddad falou durante 40 minutos sobre seus projetos para São Paulo e depois se seguiu uma quase entrevista coletiva com perguntas variadas sobre questões como transporte, educação, meio ambiente, cultura etc.

Não se falou de campanha.

A não ser quando no meio do papo um dos presentes perguntou se ele se sentia preparado para as sujeiras que virão. “Afinal, Serra é candidato”, acrescentou o interlocutor.

Você acha, caro navegante, que a pessoa exagerou? Existe campanha limpa e o PIG fazendo jornalismo com Serra candidato?

 

Segue a matéria da Folha.

Petista pede ajuda a blogueiros que apoiam governo

DE SÃO PAULO

Diante do impasse nas negociações com outros partidos, o pré-candidato do PT, Fernando Haddad, investe no front virtual para tentar crescer na disputa pela Prefeitura de São Paulo.


Ele procurou blogueiros que apoiam o governo Dilma Rousseff para pedir ajuda a sua campanha na internet. O grupo marcou jantar ontem à noite na casa do jornalista Paulo Henrique Amorim, que é apresentador da TV Record e mantém o blog Conversa Afiada.


“A intenção é ouvir opiniões sobre a campanha e pedir o apoio deles como militantes”, disse o deputado estadual Simão Pedro (PT), da campanha petista.


Na lista de convidados, estavam também Luis Nassif, Rodrigo Vianna, Luiz Carlos Azenha, Renato Rovai, Altamiro Borges, Conceição Oliveira, Paulo Salvador e Sérgio Lírio.

Rovai disse que o grupo pretendia discutir temas da cidade e não deve declarar apoio formal a Haddad.


Os participantes do jantar, que se apresentam como “blogueiros progressistas”, foram recebidos pelo ex-presidente Lula no Planalto no fim de 2010.


No ano passado, o PT montou um núcleo de militantes virtuais para atuar na internet. O grupo será acionado para fazer propaganda de Haddad e atacar rivais nas redes sociais.


(BERNARDO MELLO FRANCO E CATIA SEABRA)

Publico a seguir texto do meu amigo Leandro Fortes com o qual concordo em gênero, número e grau. Há gente celebrando o acordo realizado entre Amorim e o repórter Heraldo Pereira, da TV Globo, como uma vitória contra o racismo. E uma derrota da “blogosfera progressista”. Coisa de gente ingênua, esperta ou tonta mesmo.

Aliás, é bom esse pessoal que anda reproduzindo certos conteúdos da internet começar a prestar atenção a quem está servindo. Um certo site, que mais parece marca de sapato da Vulcabras, seria o grilo falante na rede do esquema de um certo orelhudo.

Você não sabe quem é o orelhudo? Pergunta para o Mino Carta. Ele te conta. Não conhece a Vulcabras? Bem, aí eu não posso te ajudar. Mas fique atento.

Racista é a PQP, não PHA!

Paulo Henrique Amorim, assim como eu e muitos blogueiros e jornalistas brasileiros, nos empenhamos há muito tempo numa guerra sem trégua a combater o racismo, a homofobia e a injustiça social no Brasil. Fazemos isso com as poderosas armas que nos couberam, a internet, a blogosfera, as redes sociais. Foi por meio de pessoas como PHA, lá no início desse processo de abertura da internet, que o brasileiro descobriu que poderia, finalmente, quebrar o monopólio da informação mantido, por décadas a fio, pelos poderosos grupos de comunicação que ainda tanto fazem políticos e autoridades do governo se urinar nas calças. PHA consolidou o termo PIG (Partido da Imprensa Golpista) e muitos outros com humor, inteligência e sarcasmo, características cada vez mais raras entre os jornalistas brasileiros. Tem sido ele que, diuturnamente, denuncia essa farsa que é a democracia racial no Brasil, farsa burlesca exposta em obras como o livro “Não somos racistas”, do jornalista Ali Kamel, da TV Globo.

Por isso, classificar Paulo Henrique Amorim de racista vai além de qualquer piada de mau gosto. É, por assim dizer, a inversão absoluta de valores e opiniões que tem como base a interpretação rasa de um acordo judicial, e não uma condenação. Como se fosse possível condenar PHA por racismo a partir de outra acusação, esta, feita por ele, e coberta de fel: a de que Heraldo Pereira, repórter da TV Globo, é um “negro de alma branca”.

O termo é pejorativo, disso não há dúvida. Mas nada tem a ver com racismo. A expressão “negro de alma branca”, por mais cruel que possa ser, é a expressão, justamente, do anti-racismo, é a expressão angustiada de muitos que militam nos movimentos negros contra aqueles pares que, ao longo dos séculos, têm abaixado a cabeça aos desmandos das elites brancas que os espancaram, violentaram e humilharam. O “negro de alma branca” é o negro que renega sua cor, sua raça, em nome dessa falsa democracia racial tão cara a quem dela usufrui. É o negro que se finge de branco para branco ser, mas que nunca será, não neste Brasil de agora, não nesta nação ainda dominada por essa elite abominável, iletrada e predatória – e branca. O “negro de alma branca” é o negro que foge de si mesmo na esperança de ser aceito onde jamais será. Quem finge não saber disso, finge também que não há racismo no Brasil.

Recentemente, fui chamado de racista por um idiota do PCdoB, partido do qual sou, eventualmente, eleitor, e onde tenho muitos amigos. Meu crime foi lembrar ao mundo que o vereador Netinho de Paula, pagodeiro recentemente convertido ao marxismo, havia espancado a esposa, em tempos recentes. E que havia dado um soco na cara do repórter Vesgo, do Pânico na TV. Assim como PHA agora, fui vítima de uma tentativa primária de psicologia reversa cujo objetivo era o de anular a questão essencial da discussão: a de que Netinho de Paula era um espancador, não um negro, informação esta que sequer citei no meu texto, por absolutamente irrelevante. Da mesma forma, Paulo Henrique Amorim se referiu a Heraldo Pereira como negro não para desmerecer-lhe a cor e a raça, mas para opinar sobre aquilo que lhe pareceu um defeito: o de que o repórter da TV Globo tinha “a alma branca”, ou seja, vivia alheio às necessidades e lutas dos demais negros do país, como se da elite branca fosse.

Não concordo com a expressão usada por PHA. Mas não posso deixar de me posicionar nesse momento em que um jornalista militante contra o racismo é acusado, levianamente, de ser racista, apenas porque se viu na obrigação de fazer um acordo judicial ruim. Não houve crime, sequer insinuação, de racismo nessa pendenga. Porque se pode falar muita coisa sobre Paulo Henrique Amorim, menos, definitivamente, que ele é racista. Qualquer outra interpretação é falsa ou movida por ma fé e vingança pessoal de quem passou a ser obrigado, desde o surgimento do blog “Conversa Afiada”, a conviver com a crítica e os textos adoravelmente sacanas desse grande jornalista brasileiro.