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O Datafolha divulgou novas pesquisas eleitorais em algumas capitais brasileiras. Afora as que listei no título, o instituto também traz o resultado de Curitiba. Confesso que é uma das que menos me interessa das grandes cidades. Não existe um único candidato da capital paranaense com história vinculada aos movimentos sociais. Por isso, deixei a capital de lado na análise que segue.

São Paulo apresenta um resultado aparentemente surpreendente, mas que tem lógica. Com a desistência de Netinho, que tinha 6% no último DataFolha, a tendência era que os candidatos mais conhecidos na periferia da cidade, onde se concentravam seus votos, crescessem. Dois deles tinham mais chances, Serra e Russomano. Haddad, Chalita e Soninha são pouco conhecidos nos bairros populares.

O que surpreende é que mesmo com a desistência de Netinho, Serra tenha variado negativamente um ponto. Ele tinha 31% em 25 de junho e agora tem 30%.

A análise que se pode fazer desse movimento é que a cidade não quer Serra prefeito. E que o tucano pode ter chegado ao seu teto. Ou seja, mesmo com a desistência de adversários, não cresce.

Outra questão importante é que na mesma pesquisa 40% dos eleitores dizem que tenderiam a votar num candidato indicado por Lula. Ou seja, Haddad tem ao menos este potencial de votos, porque Lula vai trabalhar intensamente pela sua candidatura. Por outro lado, 72% dos eleitores não votariam num candidato apoiado por Kassab. Isso pode levar Haddad a passar o tucano ainda no primeiro turno. É uma previsão arriscada, mas é algo que não surpreenderia. Basta que João Santana consiga colar Lula em Haddad e Serra em Kassab que isso pode se configurar. A ameaça de Haddad é alta rejeição do apoio de Maluf, 77%. Espera-se que o 1,5 minuto que o petista vai ter na TV seja suficiente para aliviar essa carga negativa chamada Maluf.

A candidatura de Russomano não deve ser desprezada, mas é preciso verificar em que patamar estará depois de duas semanas de horário eleitoral. A tendência é que Haddad cresça no eleitorado dele, que é o eleitorado de Lula.

Outro ponto negativo para o tucano é seu índice de rejeição de Serra, 37%. Não chega a inviabilizá-lo para a disputa num segundo turno, mas é muito alto. Seu marqueteiro deve estar bastante preocupado.


Rio de Janeiro

Os 10% de Marcelo Freixo  (PSoL) contra os 54% de Eduardo Paes (PMDB) parecem uma enorme distância. E são. Mas levando em consideração que um tem o apoio de quase todos os partidos e é prefeito e o outro tem apenas um movimento de parte da sociedade civil a ampará-lo, é preciso ficar atento.

Freixo tem potencial de crescimento se utilizar seu pequeno tempo no horário eleitoral para enviar mensagens diretas e agudas, com soluções para problemas crônicos do Rio. E pode ganhar musculatura se nos debates conseguir encurralar o atual prefeito.

Em isso acontecendo, como o Rio que é uma cidade que permite ondas. Não surpreenderia que vivesse mais uma. E aí, Paes terá vida dura. Por ahora, é favoritíssimo.

 

Belo Horizonte

O atual prefeito Marcio Lacerda (PSB), apoiado por Aécio, tem 44%. O ex-ministro Patrus (PT), 27%. Para quem tinha uma eleição tranqüila, Lacerda abriu a guarda e passa a ter a renovação de seu mandato em risco.

Quem conhece Patrus sabe que ele é o mineiro típico. Daqueles que come pelas bordas e espera o centro do prato esfriar. O lançamento de sua candidatura saiu meio que atabalhoadamente, mas empolgou boa parte da cidade e dos movimentos sociais que estavam decepcionados com o PT.

Desde a gestão de Fernando Pimentel que parte da esquerda está em crise com os rumos da administração da cidade.

Se Patrus souber canalizar este sentimento de insatisfação para a sua candidatura, sua campanha crescerá nas ruas. Some-se a isso o fato de que a presidente Dilma agora está tratando da campanha de BH como uma de suas prioridades, a eleição por lá promete.


Porto Alegre

O favoritismo já imaginado por este blogueiro da candidatura do atual prefeito, José Fortunati (PDT) está se confirmando. Ele abriu 8% em relação à deputada Manuela (PCdoB). Já o candidato petista Adão Villaverde corre o risco de ter o pior desempenho da história do partido. No momento tem apenas 3%.

O eleitorado brasileiro é conservador e um detentor de cargo executivo tem que se esforçar muito para não se reeleger. Fortunati não tem uma avaliação ruim e isso o coloca em boa situação para disputar novo mandato.

Manuela terá de ser muito criativa para superar essa dificuldade. Para Villaverde, essas dificuldades parecem quase intransponíveis.

 

Recife

Com 35%, Humberto Costa (PT) está em primeiro, seguido pelo ex-governador Mendonça Filho, 22%. Mas quem parece ser o grande adversário do petista é Geraldo Júlio (PSB) que tem 7%, mas que com o apoio do governador Eduardo Campos deve crescer.

Se Geraldo Júlio passar para o segundo turno a eleição de Costa fica ameaçada. Se a disputa for com Mendonça Filho, suas chances são boas.

Muita gente está tratando a disputa de Recife como uma prévia da articulação para a disputa presidencial, mas quem conhece Eduardo Campos diz que sua primeira preocupação é com sua própria sucessão. Sua tese é de que se o PT viesse a reeleger o prefeito da capital iria tentar indicar um nome para disputar o governo.

Se isso era uma possibilidade com a disputa que se avizinha pela capital, agora é uma realidade. Vai ter pau na eleição de Pernambuco entre PSB e PT também em 2014.

A eleição de São Paulo é a mais importante de 2012 não só por conta de ser travada na maior cidade do país, mas porque o maior líder da oposição, José Serra, está na disputa. Se vencer, ele se habilita para novas disputas, podendo se recandidatar a presidência da República em 2014 ou ainda incentivar uma candidatura presidencial de Geraldo Alckmin para poder disputar o governo do estado.

A derrota de Serra praticamente encerra sua participação na vida pública, o que não é pouca coisa. Afinal, desde 2002 é o principal protagonista do PSDB.

Há outras cidades grandes do país que terão disputas interessantes. No Rio de Janeiro, por exemplo, tudo indica que Eduardo Paes (PMDB) vai renovar seu mandato, mas a candidatura de Marcelo Freixo tem conseguido apoio de uma sociedade civil que não está satisfeita com a hegemonia peemedebista no estado. E há gente de todos os partidos que está embarcando na canoa do candidato do PSoL.

Esse movimento é capaz de alterar a lógica da disputa. Até porque, é bom lembrar, na cidade do Rio de Janeiro, Marina Silva ganhou a eleição no primeiro turno presidencial. Há uma grande fatia do eleitorado que pode ser conquistada por Freixo.

Claro que se vier a ganhar a eleição do Rio, o PSoL terá de reinventar e isso será o grande fato novo desta eleição.

Mas há uma disputa que não precisa do “fator surpresa” para ser importantíssima para o que vai acontecer em 2014. É a de Recife. Depois da decisão do governador Eduardo Campos em lançar um candidato do PSB à prefeitura, ficou claro que o PSB pretende ampliar sua hegemonia no Nordeste e que o movimento do partido em Fortaleza, onde também vai ter candidato contra o PT, não foi uma atitude isolada da família Ferreira Gomes.

O PSB quer testar sua força para ou conseguir a vaga de vice na chapa da presidenta Dilma ou para lançar Eduardo Gomes como candidato a presidente buscando criar um novo campo político.

Há também uma possibilidade que não pode ser desprezada. A de o partido preferir ir de Aécio Neves em 2014. Até porque, em Belo Horizonte isso acaba de acontecer. Como o PSDB exigiu que o PT estivesse fora da chapa de vereadores do PSB para apoiar Márcio Lacerda, o partido de Campos preferiu romper com o PT. E ficar com Aécio.

No PT, membros da direção nacional já registraram a movimentação de Campos e por isso ganhar em Recife passou a ser considerado estratégico. Como também passou a ser muito importante vencer em Fortaleza e Salvador. Se vier a perder nessas três cidades, o PT enfraquece demais suas bases nordestinas e pode vir a ter dificuldades na reeleição de Dilma.

Não é só a prefeitura de Recife que vai estar em disputa nas eleições municipais da capital pernambucana deste ano. Há outras coisas em jogo. E tanto PSB e PT sabem disso.