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O FSM de Túnis está fazendo história e tem toda a pinta de que vai se tornar um ponto de virada para o evento. É certamente a melhor das últimas edições. Vibrante, politizada, alegre e cheia de jovens que estão sonhando com a construção de um mundo melhor neste pedaço do planeta. Não há dúvida que as flores da primavera árabe estão vivas e que este FSM é o melhor exemplo disso.

Hoje, fizemos uma entrevista que será publicada na próxima edição da Fórum com três garotas de 19 anos: Dorra Bador (a de Niqab na foto), Ben Chahla Cyrine (à esquerda) e Boudhraa Safa (ao centro).

Elas são da União Geral dos Estudantes Tunisianos (Union Générale Tunisienne des Etudiants – UGTE) e refletiram sobre as mudanças que a Tunísia está vivendo. As três defendem a revolução e acreditam que hoje a vida é muito melhor do que antes do processo que derrubou Ben Ali.

As três, como o leitor já deve ter percebido, são islâmicas e explicaram na conversa o que as leva a usar o véu e como se sentem discriminadas, principalmente Dorra Bador (de Niqab na foto), pela opção que fazem.

Na universidade, por exemplo, Dorra não pode usar o Niqab durante as aulas. E há um movimento buscando garantir isso. E o debate entre quem defende e quem é contra é bastante duro. E Impressiona a força dos argumentos delas em relação ao direito de expressar sua opção religiosa.

Num dado momento, depois de contar que no governo de Ben Ali, quando na Tunísia era proibido o uso público de Niqab,  foi presa várias vezes por andar assim na rua, disse: “Não somos terroristas, não posso ser tratada assim porque quero usar uma roupa diferente”. E continuou sua narrativa explicando que a forma como a mídia, principalmente ocidental, trata essa questão, as criminaliza.

Ao fim da conversa, expliquei às garotas (a entrevista foi feita em conjunto com a repórter Adriana Delorenzo e o amigo Américo Córdula, secretário de Políticas Culturais do MinC) que no Brasil estávamos em uma campanha contra um deputado federal cuja principal plataforma política é o preconceito e a intolerância com a diversidade. E traduzimos algumas das frases de Feliciano. Na hora  toparam, nas palavras delas, entrar na “revolução” para derrubar Marcos Feliciano. E foi dessa conversa que surgiu a foto que você vê neste post.

Além da foto, este post tem mais dois vídeos selecionados para mostrar o clima musical deste Fórum. São vídeos curtos que dão uma ideia do que está acontecendo por aqui. E só pra não dizer que não falei das flores. A gente percebeu que o texto do Feliciano não me representa em inglês tem um pequeno erro. Ao invés de don´t o correto seria doesn´t. Mas, convenhamos, o que vale é a intenção.

Esta matéria publicada no IG e que reproduzo a seguir é importante para entender o novo Brasil que está sendo modelado a partir de novas referências religiosas. O crescimento do evangélicos é impressionante nos últimos 10 anos. A ampliação de 15,4% para 22% significa um aumento de mais 50% de fiéis numa década. Mas também é importante destacar que este crescimento se deu quase tão somente no grupo de fiés das denominações Pentencostais. Os grupos evangélicos tradicionais permanecem do mesmo tamanho, com 4%. Segue o texto.

Com mais 16 milhões de fiéis em 10 anos, evangélicos são 22,2% dos brasileiros

Dados do Censo 2010 revelam que de 2000 até 2010, parcela da população que se declarou evangélica passou de 15,4% para 22%. Maior parte da população brasileira segue católica

iG São Paulo

Os evangélicos foram o segmento religioso que mais cresceu no Brasil no período entre os censos de 2000 e 2010. Segundo os números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira, em 2000, os evangélicos representavam 15,4% da população. Em 2010, com um aumento de cerca de 16 milhões de pessoas (de 26,2 milhões para 42,3 milhões), chegaram a 22,2%. Em 1991, este percentual era de 9,0% e em 1980, 6,6%.

De acordo com o Censo, a proporção de católicos seguiu a tendência de redução observada nas duas décadas anteriores, embora permaneça majoritária. Em paralelo, consolidou-se o crescimento da população evangélica. A pesquisa indica também o aumento do total de espíritas, dos que se declararam sem religião, ainda que em ritmo inferior ao da década anterior, e do conjunto pertencente às outras religiões.

No questionário feito pelo Censo 2010, os evangélicos foram divididos entre evangélicos de missão – luteranos, presbiterianos, metodistas, batistas, congregacionais, adventistas etc. -, evangélicos pentecostais – Assembleia de Deus, Igreja do Evangelho Quadrangular, Igreja Universal do Reino de Deus, Maranata, Nova Vida, entre outras – e igrejas evangélicas não determinadas.

Dentro do crescimento de 15,4% para 22,2% do números de evangélicos, os pentecostais foram os que mais cresceram: passaram de 10,4% em 2000 para 13,3% em 2010. Também foi observado aumento expressivo do segmento da população que apenas respondeu ser evangélica, não se declarando como de missão ou de origem pentecostal: de 1% para 4,8%. Já a parcela da população que se declarou evangélica de missão teve ligeira redução proporcional, caracterizando estabilidade em sua participação relativa no total da população: de 4,1% para 4,0%.

Ainda segundo os dados do Censo 2010, os evangélicos tem perfil jovem. Os pentecostais eram mais jovens, com uma idade média de 27 anos e os de missão, 29 anos. A maioria dos evangélicos também se identificou como de cores parda (45,7%) e branca (44,6%).

A comparação da distribuição por rendimento mensal domiciliar per capita entre todas as religiões revelou que os evangélicos pentecostais são o grupo com a maior proporção de pessoas concentrados na faixa até 1 salário mínimo (63,7%), seguidos dos sem religião (59,2%).

A Folha de S. Paulo publica o artigo que segue de Frei Betto no Tendências e Debates. Excelente. Sugiro que o leitor envie para aquelas pessoas que conhece e por algum motivo foram influencidas pelo que chamei de #fatorDeus.

 


Em tudo o que Dilma realizou, falou ou escreveu, jamais se encontrará uma única linha contrária aos princípios do Evangelho e da fé cristã


Conheço Dilma Rousseff desde criança. Éramos vizinhos na rua Major Lopes, em Belo Horizonte.
Ela e Thereza, minha irmã, foram amigas de adolescência.
Anos depois, nos encontramos no presídio Tiradentes, em São Paulo. Ex-aluna de colégio religioso, dirigido por freiras de Sion, Dilma, no cárcere, participava de orações e comentários do Evangelho.
Nada tinha de “marxista ateia”.
Nossos torturadores, sim, praticavam o ateísmo militante ao profanar, com violência, os templos vivos de Deus: as vítimas levadas ao pau-de-arara, ao choque elétrico, ao afogamento e à morte.
Em 2003, deu-se meu terceiro encontro com Dilma, em Brasília, nos dois anos em que participei do governo Lula. De nossa amizade, posso assegurar que não passa de campanha difamatória -diria, terrorista- acusar Dilma Rousseff de “abortista” ou contrária aos princípios evangélicos.
Se um ou outro bispo critica Dilma, há que se lembrar que, por ser bispo, ninguém é dono da verdade.
Nem tem o direito de julgar o foro íntimo do próximo.
Dilma, como Lula, é pessoa de fé cristã, formada na Igreja Católica.
Na linha do que recomenda Jesus, ela e Lula não saem por aí propalando, como fariseus, suas convicções religiosas. Preferem comprovar, por suas atitudes, que “a árvore se conhece pelos frutos”, como acentua o Evangelho.
É na coerência de suas ações, na ética de procedimentos políticos e na dedicação ao povo brasileiro que políticos como Dilma e Lula testemunham a fé que abraçam.
Sobre Lula, desde as greves do ABC, espalharam horrores: se eleito, tomaria as mansões do Morumbi, em São Paulo; expropriaria fazendas e sítios produtivos; implantaria o socialismo por decreto…
Passados quase oito anos, o que vemos? Um Brasil mais justo, com menos miséria e mais distribuição de renda, sem criminalizar movimentos sociais ou privatizar o patrimônio público, respeitado internacionalmente.
Até o segundo turno, nichos da oposição ao governo Lula haverão de ecoar boataria e mentiras. Mas não podem alterar a essência de uma pessoa. Em tudo o que Dilma realizou, falou ou escreveu, jamais se encontrará uma única linha contrária ao conteúdo da fé cristã e aos princípios do Evangelho.
Certa vez indagaram a Jesus quem haveria de se salvar. Ele não respondeu que seriam aqueles que vivem batendo no peito e proclamando o nome de Deus. Nem os que vão à missa ou ao culto todos os domingos. Nem quem se julga dono da doutrina cristã e se arvora em juiz de seus semelhantes.
A resposta de Jesus surpreendeu: “Eu tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; estive enfermo e me visitastes; oprimido, e me libertastes…” (Mateus 25, 31-46). Jesus se colocou no lugar dos mais pobres e frisou que a salvação está ao alcance de quem, por amor, busca saciar a fome dos miseráveis, não se omite diante das opressões, procura assegurar a todos vida digna e feliz.
Isso o governo Lula tem feito, segundo a opinião de 77% da população brasileira, como demonstram as pesquisas. Com certeza, Dilma, se eleita presidente, prosseguirá na mesma direção.


FREI BETTO, frade dominicano, é assessor de movimentos sociais e escritor, autor de “Um homem chamado Jesus” (Rocco), entre outros livros. Foi assessor especial da Presidência da República (2003-2004, governo Lula).