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Paulinho no festival Existe Amor em SP, em outubro de 2012 (Foto: Fora do Eixo)

O artista Paulinho Fluxus foi preso há pouco (às 20h) no show de Lobão, na Virada Cultural, por conta de uma intervenção artística. Ele iluminou Lobão, segundo ele, duas vezes por alguns segundos com laser. Era um desagravo por conta das declarações de Lobão que afirmou recentemente que “os torturadores só arrancaram umas unhazinhas durante a ditadura militar”.

Conversei com Fluxus há minutos. Ele estava assinando o depoimento que acabara de dar sobre o episódio  na Delegacia de Polícia do Campos Eliseos. Com razão, ele disse que o que fez não foi diferente do que Lobão fez ao dar suas declarações. “ Foi uma agressão simbólica, da mesma forma que ele me agrediu simbolicamente. Eu me expresso através da performance da luz. Sou iluminador e estou deixando de fazer dois shows na Virada por conta dessa prisão”, revelou.

E acrescentou: “Ele se expressa escrevendo livros e fazendo músicas. E atacou a memória das pessoas mortas e torturadas na ditadura e não foi preso.” Fluxus é filho do editor da Oboré, Sérgio Gomes. Ex-professor da ECA-USP, Sérgião, como é conhecido pelos amigos, foi preso na ditadura militar.

“Enquanto eu jogava luz, o Lobão estava de óculos e não esboçou nenhuma reação. Quando eu tinha terminado minha ação e estava saindo para ir embora é que chegou a Polícia Militar e me prendeu.”

PS: Fluxus ficou de me ligar pra gente conversar mais. Qualquer coisa, volto aqui daqui a pouco para atualizar o post.

Neste domingo, 17, o filho do jornalista e cientista político Dermi Azevedo, Carlos Alexandre Azevedo, cometeu suicídio ingerindo uma quantidade fatal de medicamentos. Seria só mais uma nota triste, não fosse seu lado trágico. Quando tinha apenas um ano e oito meses, em 1974, Carlos foi preso e torturado junto com a mãe no prédio do Deops, em São Paulo. Ainda bebê foi vítima de choques elétricos e outras sevícias. E nunca mais se recuperou. Provavelmente alguns dos seus torturadores, chefiados pelo delegado Sérgio Fleury, ainda estejam vivos.

O suicídio de Carlos Alexandre nada mais é do que a conclusão de um assassinato que se iniciou há 36 anos. E sua morte só é mais um elemento a evidenciar o quanto as consequências dos anos de ditadura ainda estão presentes na sociedade brasileira. E por isso, os crimes cometidos naqueles anos não podem ficar impunes em nome de uma Lei de Anistia, elaborada e imposta por aqueles que torturaram e mataram em nome do Estado. Uma Lei de Anistia negociada ainda em tempos de ditadura.

A sua trágica morte nos lembra o quão importante é o trabalho das comissões da verdade, que se espalham por todos os níveis hierárquicos da política brasileira. Nos lembra também o quão louvável é a atuação do Levante Popular da Juventude, que aponta o dedo na cara dos criminosos da ditadura e revela onde vivem alguns desses monstros do passado.

Porém, não basta só conhecer, temos que punir os responsáveis pelos crimes cometidos. Devemos isso ao Demir Azevedo, à sua família a memória do seu filho, Carlos Alexandre Azevedo.

Leia abaixo a nota do MNDH (Movimento Nacional de Direitos Humanos), em solidariedade a família de Carlos Alexandre, e também o triste relato de um pai que viu a angústia do seu filho terminar da pior forma.

“É com pesar que o Movimento Nacional de Direitos Humanos – MNDH emite essa Nota de Solidariedade para com a família do jornalista e cientista político Dermi Azevedo, militante aguerrido dos ideais libertários e um dos construtores do MNDH, pela morte de seu filho Carlos Alexandre Azevedo, o qual foi preso e torturado durante a ditadura militar, com apenas um ano e oito meses e não conseguiu se restabelecer, o que culminou com sua morte.

Hoje a ditadura militar concluiu a morte de Carlos iniciada em tão tenra idade, este acontecimento entristece a todos nós, profundamente e fortalece nosso empenho na luta por Memória, Verdade e Justiça, de forma que a impunidade não continue se perpetuando.

Leiam a carta de luto do companheiro Dermi Azevedo:

LUTO

Meu coração sangra de dor. O meu filho mais velho, Carlos Alexandre Azevedo, suicidou-se na madrugada de hoje, com uma overdose de medicamentos. Com apenas um ano e oito meses de vida, ele foi preso e torturado, em 14 de janeiro de 1974, no DEOPS paulista, pela “equipe” do delegado Sérgio Fleury, onde se encontrava preso com sua mãe. Na mesma data, eu já estava preso no mesmo local. Cacá, como carinhosamente o chamávamos, foi levado depois a São Bernardo do Campo, onde, em plena madrugada, os policiais derrubaram a porta e o jogaram no chão, tendo machucado a cabeça. Nunca mais se recuperou. Como acontece com os crimes da ditadura de 1964/1985, o crime ficou impune. O suicídio é o limite de sua angústia. 

Conclamo a todos e a todas as pessoas que orem por ele, por sua mãe Darcy e por seus irmãos Daniel, Estevao e Joana, para que a sua/nossa dor seja aliviada.

Tenho certeza de que Cacá encontra-se no paraíso, onde foi acolhido por Deus. O Senhor já deve ter-lhe confiado a tarefa de consertar alguns computadores do escritório do céu e certamente o agradecerá pela qualidade do serviço. Meu filhinho, você sofreu muito. Só Deus pode copiosamente banhar-te com a água purificadora da vida eterna. 
Seu pai

Dermi 

Segue em paz Carlos! Força Dermi e Darcy!

Movimento Nacional de Direitos Humanos. – MNDH”

 

Segue texto do jornalista Antônio Carlos Fon que está circulando em listas de emails. Ele foi visitar o prédio do Doi-Codi à convite da Comissão de Direitos Humanos da OAB. Neste prédio, há 43 anos, Fon foi vítima de tortura. Um texto forte e revelador.

 

Camaradas,

convidados pela Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP, fizemos hoje (29/1/2013) uma visita de inspeção às instalações onde funcionou, principalmente, nas décadas de 60 e 70 – depois, já sem tanto poder, nos anos 80 – o Doi-Codi de São Paulo, inicialmente batizado de Operação Bandeirantes. A visita foi programada pela OAB-SP diante das informações de que o prédio onde funcionou o mais sinistro aparelho de repressão já montado neste país, e onde dezenas de pessoas foram assassinadas, estava sendo descaracterizado como parte de uma estratégia para subtrair da memória deste país os crimes ali perpetrados e seus autores, funcionários públicos das três Forças Armadas e da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo.

Fiquei encarregado de fazer o relatório da visita, coisa que pretendo fazer nos próximos dias com a colaboração dos demais companheiros que fizeram a visita. Esse, porém, é um relato pessoal e impressionista dessa visita. Desde o dia 16 de outubro de 1969, quando deixamos a Operação Bandeirantes, algemados uns aos outros, eu, o Manoel Cyrillo e o Paulo de Tarso, nunca mais eu havia colocado os pés sequer no pátio do 36º Distrito Policial, em cujos fundos funcionava a Oban. Eu até já participei de manifestações ali em frente, mas nunca tive a coragem de passar da calçada.

Dizem que, como num filme, a vida inteira passa por nossos olhos na hora de morrer. Se for verdade, eu morri um pouco hoje. Apesar de todas as obras e mudanças feitas, quando cheguei na porta da edícula onde funcionava a Oban, todas as imagens daqueles 17 dias no inferno desfilaram pela minha cabeça, a começar pelas palavras do delegado Raul Nogueira – membro do CCC, assassino do comandante Marquito e, mais tarde, condenado pelo assassinato de um soldado do Exército – ao me entregar a uma dupla de psicopatas, o capitão do exército Benone de Arruda Albernaz e o sargento PM Paulo Bordini (que ficou conhecido como “Risadinha”, devido ao riso histérico enquanto torturava): “Esse é daqueles que não sabem nada. Tratem bem dele”, recomendou o Raul Careca ao Albernaz. Eu logo descobriria o que era o bom tratamento do lugar.

O filme continuou se desenrolando enquanto subia as escadas. No primeiro andar ficava a sala do major Waldir Coelho, primeiro comandante da Oban, que uma noite me tirou da cela para fazer café e conversar sobre a minha e a sua situação.

No segundo andar, na parte dos fundos da edícula, uma sala maior, na época separada por divisórias de Eucatex em três salas de interrogatório: duas menores, onde era armado o pau-de-arara; a terceira, mais espaçosa, com uma escrivaninha e a cadeira-do-dragão. Foi nesta terceira sala que eu fui jogado, as pernas paralisadas devido a algo entre três e quatro horas de pau-de-arara, para que a câmara de torturas pudesse ser usada para assassinar o Virgílio Gomes da Silva, nosso Comandante Jonas.

As lembranças de 43 anos atrás devem ter feito minha pressão arterial chegar a 18 ou 19. Tive de sentar nas escadas para recuperar o fôlego.

E consegui, finalmente, entender um detalhe que não conseguia explicar. Por que eu não ouvi os gritos do Celso Horta, torturado na outra câmara de torturas, separada da minha apenas por uma divisória de Eucatex, e ouvi os assassinos do Jonas enquanto o interrogavam? Quem matou a charada foi a Darci [Miyaki], que passou por essa experiência inúmeras vezes: a gente não ouve os gritos das outras pessoas enquanto nós mesmos estamos gritando.

Não entrei na área onde ficavam as celas – a carga emocional do dia já era bastante pesada e as pessoas estavam preocupadas com minha reação. E confesso que eu também estava.

De qualquer forma, pudemos comprovar que foram e estão sendo feitas mudanças para descaracterizar o que foi o maior centro de torturas já instalado neste país.

Enfim, companheiros, saí com a impressão de que nós e nossos companheiros continuamos a ser torturados. E que as Forças Armadas precisam decidir se vão continuar, por puro espírito de corpo, a defender e procurar encobrir os crimes desses criminosos ou vão renegá-los para ajudar a construir o Brasil que todos nós queremos.

Foi um dia doloroso, mas essencial para entender muita coisa sobre nosso passado, presente e futuro.

 

Um abraço a todos

 

A.C.Fon

Recebi uma boa notícia, em forma de release, da amiga Tatiana Merlino e comportilho com os amigos.

O coronel reformado do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra foi condenado pela Justiça de São Paulo a pagar uma indenização de R$ 100 mil à família do jornalista Luiz Eduardo da Rocha Merlino, morto sob tortura em 19 de julho de 1971 nas dependências do DOI-Codi (Destacamento de Operações e Informações – Centro de Operações de Defesa Interna), órgão de repressão da ditadura então comandado pelo réu.

A sentença foi proferida por Claudia de Lima Menge, juíza de Direito da 20ª Vara Cível do foro central de São Paulo. Ustra terá que pagar R$ 50 mil a Regina Maria Merlino Dias de Almeida, irmã da vítima, e a Angela Maria Mendes de Almeida, sua companheira na época.

“Evidentes os excessos cometidos pelo requerido, diante dos depoimentos no sentido de que, na maior parte das vezes, o requerido participava das sessões de tortura e, inclusive, dirigia e calibrava intensidade e duração dos golpes e as várias opções de instrumentos utilizados. Mesmo que assim não fosse, na qualidade de comandante daquela unidade militar, não é minimamente crível que o requerido não conhecesse a dinâmica do trabalho e a brutalidade do tratamento dispensado aos presos políticos. É o quanto basta para reconhecer a culpa do requerido pelos sofrimentos infligidos a Luiz Eduardo e pela morte dele que se seguiu, segundo consta, por opção do próprio demandado, fatos em razão dos quais, por via reflexa, experimentaram as autoras expressivos danos morais”, afirma a juíza na sentença.

Segundo Claudia de Lima Menge, o processo em questão não guarda relação com a Lei de Anistia de 1979, por esta ser “de âmbito exclusivamente penal”. “Não é de olvidar, porém, que até mesmo a anistia assim referendada pela Corte Suprema não está infensa a discussões, tendo em conta subsequente julgamento proferido pela Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), em que o Brasil foi condenado pelo desaparecimento de militantes na guerrilha do Araguaia, enquadrados os fatos como crimes contra a humanidade e declarados imprescritíveis”, escreve.

Militantes do Partido Operário Comunista (POC), Merlino e Angela Mendes de Almeida estavam clandestinos desde 1968. Em 1971, após um período na França, o jornalista voltou ao Brasil. Em 15 de julho, quando visitava a família em Santos, litoral paulista, foi levado preso por agentes do DOI-Codi.

Segundo relatos de testemunhas, nas dependências do órgão Merlino passou por severas sessões de tortura, que acarretaram sua morte quatro dias depois. Companheiros de prisão, entre eles o ex-ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, Paulo Vanucchi, afirmam tê-lo visto com evidentes sintomas de falta de circulação nas pernas, consequência das horas no “pau de arara”.

A versão oficial da sua morte foi de suicídio: ele teria se jogado na frente de um carro quando era transportado ao Rio Grande do Sul para reconhecer colegas militantes.

Por volta das 10h desta segunda-feira, 14, aconteceu o “escracho” contra o tenente-coronel reformado, Maurício Lopes Lima, em frente a sua residência no Guarujá. O ato foi organizado pelo Levante Popular da Juventude e fez parte de uma ação coordenada com outros estados brasileiros, com o objetivo de trazer à tona atrocidades cometidas durante a ditadura e pressionar o poder público para que os responsáveis sejam punidos.

Munidos de cartazes, pichações, faixas, imagens desenhadas e pintadas no asfalto da rua, os manifestantes deixaram claro que naquele endereço mora um torturador. Também foram distribuídos panfletos na vizinhança com a foto do militar e a descrição dos crimes cometidos por ele.

Tenente-coronel Maurício Lopes Lima

O militar da reserva chefiou equipes da OBAN (Operação Bandeirantes) e do DOI/Codi (Departamentos de Operações de Informação dos Centros de Operações de Defesa Interna). Lopes também é acusado de comandar as torturas que a presidenta Dilma Rousseff sofreu em 1970. No presídio de Tiradentes e na sede do DOPS paulistano, Dilma foi submetida ao pau de arara, palmatória e choques elétricos.

Em depoimento escrito clandestinamente na prisão, em 1970, o preso político Frei Tito, na época com 24 anos, relata como se deu o seu encontro com o militar. “Fui levado do presídio Tiradentes para a “Operação Bandeirantes”, OB (Polícia do Exército), no dia 17 de fevereiro de 1970, 3ª feira, às 14 horas. O capitão Maurício veio buscar-me em companhia de dois policiais e disse: “Você agora vai conhecer a sucursal do inferno”. Algemaram minhas mãos, jogaram me no porta-malas da perua. No caminho as torturas tiveram início: cutiladas na cabeça e no pescoço, apontavam-me seus revólveres”.

Uma vizinha de Lopes afirmou que conhecia as atividades do tenente-coronel reformado, mas não quis manifestar-se por medo.

O site do Levante Popular da Juventude publicou uma matéria com a cobertura do ato e republicou uma entrevista da presidenta Dilma Rousseff, concedida em 2003 ao jornalista Luiz Maklouf Carvalho, da Folha de S.Paulo, sobre as torturas sofridas por ela na ditadura.

Veja abaixo o vídeo que o repórter do SPressoSP, Igor Carvalho, fez durante o “escracho” do tenente-coronel reformado Maurício Lopes Lima. E leia a matéria aqui.

O meu amigo Luis Augusto Simon, o Menon, acaba de colocar no seu bom blog um texto sobre a homenagem que Eduardo Collen Leite, o Comandante Bacuri, recebeu ontem na Câmara Municipal de São Paulo,  40 anos após a sua morte.

Agora Bacuri é cidadão paulistano. Veja a seguir o texto do Menon, que, entre outras coisas, lembra da cumplicidade que os veículos de comunicação tinham com a ditadura militar.

O mineiro Eduardo Collen Leite, nascido em Campo Belo no dia 28/8/1945, é, desde ontem, cidadão paulistano. A homenagem, por decisão dos vereadores Juliana Cardoso e Ítalo Cardoso, ambos do PT, foi realizada ontem, no plenário Primeiro de Maio, da Câmara Municipal de São Paulo. O diploma foi entregue à Denise Crispim Perez, viúva de Eduardo Leite, o comandante Bacuri, exatos 40 anos de sua morte.

Técnico em telefonia, Bacuri estudou em São Paulo, onde serviu o exército, em 1967. Depois participou de organizações de esquerda como a Polop, a Vanguarda Popular Revolucionária, a Rede (Rede Democrática) e a Aliança Libertadora Nacional.

A morte de Bacuri foi uma das mais bestiais cometidas pela ditadura. Ele foi preso no Rio, em 21 de agosto de 1970, no Rio, e transferido para São Paulo. Foi torturado por 109 dias. A tortura física não se compara à psicológica, que sofreu em 25 de outubro. Nesse dia, os jornais publicaram a morte de Joaquim Câmara Ferreira, comandante da ALN e também a fuga de Bacuri. Fuga inexistente, pois ele mal podia andar. O jornal foi mostrado a ele e, a partir daí, soube que seria morto.

Em 7 de dezembro, o cônsul da Suíça, Giovanni Enrico Bucher, foi sequestrado em São Paulo. A ideia era fazer com que Bacuri fizesse parte da lista de combatentes que seriam soltos em troca da liberdade de Bucher. Fleury não permitiria a soltura de Bacuri, que mal podia andar. Ficaria explícita a prática de tortura. Então, em São Sebastião, ele foi morto. E no dia 9 de dezembro, a Folha da Tarde, do Grupo Frias, aquele que fala em ditabranda, publicou a versão mentirosa de que Bacuri, que estava “foragido desde o dia 25″ havia sido morto em combate.

Na sessão de ontem, Reinaldo Morano, preso político na mesma época de Bacuri, contou como foi a saída dele da prisão. “Soubemos que ele havia recebido o jornal que noticiava a sua fuga. E ficamos alertas porque estava claro que ele sairia da prisão para a morte. Ele ficava na cela do “fundão” e nós mais para a frente. Ficamos em plantão no dia 26, em duplas, sem dormir, para tentar denunciar a sua saída. No primeiro dia, nada aconteceu. Mantivemos o plantão no dia seguinte. Então, os soldados chegaram. Ele saiu carregado e uma colega gritou Eduardo fala comigo, ele apenas olhou. Saiu de cabeça alta, apesar de não estar andando bem. Nós ficamos por mais de uma hora fazendo um barulho enorme, batendo com canecas nas grades da cela. Ninguém veio nos repreender, ninguém veio falar nada conosco. Bacuri saiu e sabia que estava indo para a morte. “

 Foi levado para Bertioga e, daí, para o fim.

 Ivan Seixas, presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, fez um discurso emocionante. “Quero dizer aos parentes de Bacuri que aqui estão, é um grande brasileiro. Um herói da Pátria. Ele é tão grande que continuamos falando dele no presente e não no passado. Ele continua vivo. Os que o mataram, não. Estão mortos. São ratos. Não são seres humanos.”.

 A sessão terminou com o grito de “Companheiro Bacuri, presente. Companheiro Bacuri, presente. Agora, e sempre”.