Voltar a Revista Fórum

Provocada pelo representante do MST, a presidenta Dilma calou-se sobre a ação orquestrada sofrida por vários blogueiros pelos meios de comunicação tradicional (vulgo PIG). Há um ditado que diz que quem cala concente. Mas, na prática neste caso quem cala concede ao lado mais poderoso o poder de continuar agindo da mesma forma. A presidente perdeu a oportunidade de dizer, por exemplo, que o recurso judicial é sempre legítimo, mas que ela, por exemplo, em respeito a liberdade de expressão não o utiliza contra veículos que a criticam. E não são poucos. As vezes, inclusive, de forma muito desrespeitosa. Por isso, lamenta que esse expediente esteja sendo utilizado por veículos de comunicação e por jornalistas contra colegas de profissão. Mas que essa é uma decisão pessoal e de fórum intimo. Mas ela não disse isso. E perdeu a oportunidade de colocar uma importante reflexão para a sociedade brasileira. Provavelmente isso tem relação com o fato de estar assessorada por gente que prefere o lado de lá do que o lado de cá. A Globo e a Veja são hoje mais bem tratadas pelo governo do que a mídia livre e alternativa. No debate da democratização da comunicação, Dilma escolheu seu lado.

MST denuncia perseguição da blogosfera progressista; Dilma não responde

Da Página do MST

(Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)

As organizações que realizam uma jornada da juventude brasileira por mudanças estruturais na sociedade brasileira fizeram uma audiência com a presidenta Dilma Rousseff, na tarde desta quinta-feira (4/4), no Palácio do Planalto.

Na audiência, o coordenador do Coletivo de Juventude do MST, Raul Amorim, cobrou a apresentação do projeto com o marco regulatório dos meios de comunicação e denunciou as ameaças a jornalistas independentes, citando o exemplo da condenação a pagamento de multa pelo jornalista Luiz Carlos Azenha, em processo movido pelo diretor das Organizações Globo, Ali Kamel.

“Está em curso um processo de criminalização de jornalistas independentes a partir de ações da grande mídia no Poder Judiciário, como é o caso do Luiz Carlos Azenha”, disse Amorim à presidenta.

O coordenador da juventude do MST pediu que o governo encaminhe as deliberações aprovadas na 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), realizada em 2009, para que seja respeitado o direito à manifestação do pensamento, à expressão e à informação, como garante a Constituição.

Amorim defendeu a implementação de políticas públicas voltadas para a mídia alternativa, de forma a garantir um sistema de comunicação que represente a pluralidade da sociedade.

A presidenta Dilma não respondeu as propostas e preocupações, mas disse que a internet é um espaço democratizador, que deve chegar a todos os brasileiros por meio da implementação do Plano Nacional de Banda Larga.

Os jovens defenderam também a prorrogação das investigações por mais dois anos, maior transparência na divulgação dos relatórios e criação de um processo de participação popular mais amplo por meio de audiências públicas.

“Nenhum dos relatórios realizados até agora foram apresentados para a sociedade. Não há transparência alguma. Não dá para se ter justiça sem que haja o envolvimento da sociedade civil nesse processo”, disse Carla Bueno, do Levante.

A presidenta Dilma prometeu levar à Comissão Nacional da Verdade (CNV) e aos ministérios envolvidos na discussão a proposta de prorrogação das investigações.

Jornada

Os jovens dirigentes das organizações brasileiras que promovem a Jornada Nacional da Juventude Brasileira apresentaram a plataforma das manifestações à presidenta Dilma Rousseff, em audiência realizada nesta sexta-feira (4/4), no Palácio do Planalto.

A jornada organizada por mais de 40 entidades defende mudanças estruturais na sociedade brasileira, como o financiamento público da educação para universalização da educação em todos os níveis,o fim do extermínio da juventude nas grandes cidades, sobretudo negra, a democratização dos meios de comunicação, garantia de trabalho decente, reforma política democrática e a Reforma Agrária.

A jornada, que começou em 25 de março, somará protestos em 16 capitais. Já foram realizadas manifestações em São Paulo, Brasília, Minas Gerais, Paraná, Porto Alegre, Sergipe, Ceará, Manaus, Piauí e Goiás.

A jornada é um marco histórico na luta da juventude brasileira. Há um antes e depois dessa jornada. Isso demonstra a importância da mobilização de rua, que as mudanças estruturais nesse país só se dão com o povo na rua”, disse Raul Amorim, da Coordenação Nacional do Coletivo de Juventude do MST.

“A reunião acontece no contexto das nossas mobilizações. O principal fruto dessa processo foi levar às ruas milhares de jovens e mostrar o protagonismo da juventude tanto nas pautas mais amplas da sociedade quanto as que dizem respeito à juventude”, disse Carla Bueno, do Levante Popular da Juventude.

Paulo Vinicius, secretário de juventude da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), “os temas da juventude são estratégicos para o desenvolvimento do país, dentro de um contexto em que há 60 milhões de jovens que enfrentam variadas dificuldades”.

Para ele, a jornada demonstra a distinção entre o papel do governo e o papel da sociedade, que tem o dever de pressionar para avançar as mudanças. “Ficou evidente a necessidade do povo brasileiro ir às ruas para mudar a realidade deste país. Temos que fazer nossas lutas. A lutas da juventude tendem a crescer. Essa é a nossa tarefa”, acredita.

Educação

De acordo com Manuela Braga, da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), a educação tem um papel fundamental para o desenvolvimento do país e para a superação da desigualdade.

Os estudantes cobraram de Dilma a destinação de 10% do PIB, 50% do fundo social do pré-sal e 100% dos royalties do petróleo exclusivamente para educação. Segundo Braga, a presidenta declarou apoio à demanda, mas ponderou a necessidade de aprovação no Congresso Nacional da Medida Provisória 592/12, que destina a receita dos royalties do petróleo e recursos do Fundo Social do Pré-Sal para a educação.

Para que o país tenha soberania e independência, é preciso uma reformulação da educação. Essa é uma luta do trabalhador e do estudante do campo e da cidade. Isso possibilitará mudar em profundidade o Brasil ”, disse Amorim, do MST.

Os jovens defenderam as cotas raciais nas universidades públicas, mas colocaram à presidenta a preocupação em relação às universidades estaduais, uma vez que parte delas ainda não incorporou esse sistema.

“Muitas das universidades estaduais trabalham numa lógica de exclusão, e não de inclusão. Levamos essa questão à presidenta e esperamos que se faça algo para mudar esse fato”, disse Braga.

Reforma Agrária

Amorim cobrou da presidenta o assentamento imediato das 150 mil famílias acampadas e a ampliação do programa de agroindústrias do governo federal. Ele denunciou também que, nos últimos 10 anos, 1 milhão de jovens saíram do campo brasileiro e migraram para a cidade.

Para o dirigente do MST, o êxodo rural dos jovens é consequência da paralisação da Reforma Agrária e da lentidão para a generalização de políticas de desenvolvimento da pequena agricultura. “As políticas públicas para os jovens do campo são insuficientes”, disse.

A presidenta Dilma não respondeu as colocações relacionadas ao meio rural.

Reforma política

Os jovens defenderam que o governo federal trabalhe para fazer a reforma política, que garanta financiamento público exclusivo das campanhas eleitorais e a regulamentação do artigo 14 da Constituição que trata da realização de referendos e plebiscitos de iniciativa popular.

“Sem a reforma política, a juventude fica fora do debate político, sendo que é 40% do eleitorado. Mulheres e negros também são sub-representados”, disse Amorim. Para ele, as eleições no Brasil são um “processo desleal”, já que quem tem mais dinheiro é beneficiado.

A presidenta disse que a reforma política depende da mobilização da sociedade, para pressionar o Congresso Nacional a aprovar a proposta de mudança.

QUEM PARTICIPA DA JORNADA
: Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT); Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG); Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP); Associação Cultural B; Centro de Estudos Barão de Itararé; Confederação Nacional das Associações de Moradores (CONAM); CONEM; Consulta Popular; ECOSURFI, Coletivo Nacional de Juventude Enegrecer, Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil (FEAB), Federação Paulista de Skate, Fora do Eixo, Juventude da CTB, Juventude da CUT, Juventude da Contag, Juventude do PSB, Juventude do PT, Juventude Pátria Livre; Levante Popular da Juventude; Marcha Mundial das Mulheres; Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST); Nação Hip Hop Brasil; Pastoral da Juventude, Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP), Rede Ecumênica da Juventude (REJU); Rede da Juventude pelo Meio Ambiente e Sustentabilidade (REJUMA); União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES); União Brasileira de Mulheres (UBM), União da Juventude Socialistas (UJS); União Nacional dos Estudantes (UNE); Via Campesina.

O jornalista  Marco Aurélio Mello (do blog DoLaDodeLá) foi condenado pelo excelentíssimo juiz Ricardo Cyfer a indenizar o excelentíssimo diretor de Jornalismo da Rede Globo, Ali Kamel, em R$ 15 mil. A sentença é de primeira instância, ou seja, apesar de alguns jornalistas muito bem-intencionados, como Lauro Jardim, da coluna Radar, da gloriosa Veja, estarem divulgando a vitória de Kamel, como definitiva, isso não é fato. É factoide. Mas convenhamos, nisso a dupla Kamel e Jardim são experts. Imbatíveis.

Cabe recurso e o Marco Aurélio Mello já afirmou quem seu blog que recorreu (clique aqui e leia a notícia pelo próprio Marco Aurélio, inclusive com links para as postagens que geraram essa condenação).

Kamel venceu essa primeira batalha, alegando ter sido atingido por postagens que lhe teriam causado “dano moral”. Vejam como são as coisas, “danos morais”. É nesses momentos que fico pensando como são bundões certos políticos de um certo partido que são frequentemente esculhambados em certos periódicos e que nunca alegaram “danos morais” para nada.
De acordo com Kamel, seu ex-funcionário escreveu no blog que foi demitido por se recusar a assinar um abaixo-assinado para manipular as eleições presidenciais de 2006. Mello também teria escrito que Kamel mantém uma plantação de maconha em seu apartamento, além de informações distorcidas sobre uma discussão com vizinhos.

O juiz considerou que os textos foram levianos ao tratar de questões da vida particular do diretor da Globo e que seu potencial ofensivo não está relacionado com a intenção de quem os escreveu, mas ao dano que podem provocar. Se esse viés analítico criar uma jurisprudência, a Globo de Kamel e da Veja de Lauro Jardim vão abrir falência de tantas indenizações que terão que pagar.

Enfim, este post é só pra dizer ao Marco Aurélio Mello, siga em frente, irmão. E conte conosco pra arrecadar em moedinhas de 1 centavo o quanto for necessário para entregar na casa do Kamel. Tenho certeza que não hão de faltar fiéis da blogosfera suja para contribuir contigo se porventura essa injusta condenação vier a se confirmar em outras instâncias.

O colunista porta-voz da revista Veja, Reinaldo Azevedo, não é nem o que parece e nem o que deseja ser. No dia da morte de Oscar Niemeyer, ele reproduziu um daqueles seus textos sofríveis repleto de citações e deu o seguinte título: “Oscar Niemeyer, metade gênio e metade idiota”. De forma justa, muita gente se indignou. Afinal, o que se espera de um ser humano no dia da morte de outro é no mínimo o silêncio respeitoso. Mas Azevedo não é humano. É uma caricatura. Não é um passageiro comum. É a menina fantasma do elevador.

Azevedo está na revista Veja para isso. Foi escalado para tentar assustar os outros com seus gritos de “buuuuu”. E mesmo que você passe longe do site da publicação que lhe paga os préstimos, ele entra escondido pela sua timeline a partir da indignação alheia e, de repente, faz aquela cara de espantalho.

O texto que produziu sobre Niemeyer deve ser lido neste contexto. Ele sustenta sua prole a partir deste papel ridículo que desempenha. Nada mais do que isso. Não é questão de opinião. É simplesmente um jeito de ganhar a vida.

Mas se por um lado ele é o escolhido para fazer este papel bizarro para Veja, por outro não significa nenhuma ameaça. Como a menina fantasma do elevador, Azevedo pode até assustar um ou outro incauto ou alguém que esteja sugestionado. E pode divertir o público que acha seu estilo, borbulhante de preconceitos, engraçado. Nada mais.

Tanto que Azevedo tentou se colocar como grande articulador da oposição e sempre foi ignorado. Tanto que tentou liderar manifestações que não levaram nem uma centena às ruas. Tanto que liderou pelo seu blogue chapas de movimento estudantil que foram solenemente ignoradas e derrotadas.

Há algum tempo Azevedo ainda era chamado para dar uma palestra aqui e outra ali. Como virou a menina fantasma do elevador da blogosfera, nem isso. Ultimamente o colunista da Veja não é levado a sério nem pela juventude tucana.

O texto que fez sobre Niemeyer não pode ser entendido para além dessa caixinha. A caixinha do bizarro. Azevedo é bizarro, porque é este o seu papel. Foi assim que conseguiu sair da produção e ir para a frente do palco. Vai continuar ainda por algum tempo fazendo suas estrepolias. Cada vez para menos gente, porque mais óbvio. Mas não se pode pedir que faça diferente. Isso o levaria ao ostracismo.

E nesse caso, sua vaidade prefere a fama.

A menina fantasma do elevador pode parecer algo mais ingênuo, mas ele também não é esse bicho-papão que parece e nem que deseja ser. Azevedo é só uma caricatura.

 Veja não tem limites.

Desta vez, a publicação incentivou que estudantes postassem fotos do Enem no Instagram, rede social de fotografias. A revista prometia que os melhores registros seriam publicados por ela.

(Foto: Reprodução / Twitter

A questão é que aos inscritos no Enem é expressamente proibido ingressar com celulares ligados e tirar fotos das provas. Alguns estudantes do ensino médio podem ter cometido a irregularidade por ingenuidade. Mas, Veja não. Fez a ação para criar problemas para o MEC, que teve que punir os estudantes.

Viu o que dá acreditar na Veja, deveriam dizer os pais desses estudantes a eles.

Uma publicação deve ter responsabilidade para com os seus leitores. A Veja fez justamente o contrário, induziu estudantes a um ato que pode ter consequências sérias.

Se Veja tiver que mandar seus leitores pro inferno pra prejudicar um governo que tenha qualquer petista à frente, o faz sem pestanejar. Veja é de dar nojo.

Serra tem tudo para ser o candidato-picolé destas eleições municipais em São Paulo. Quando sua candidatura foi confirmada pelo PSDB, seus índices nas pesquisas dispararam e parecia inevitável sua ida ao segundo turno em primeiro lugar.

Agora, a luta é outra. Conseguir voltar a ter uns 25% dos votos para impedir que a disputa final seja entre Russomano e Haddad.

No caso de Haddad o que está acontecendo é meio óbvio, apesar de muitos “especialistas em eleições” terem ficado os últimos meses batendo bumbo na tese de que sua candidatura corria o risco de ser um fiasco.

O campo lulo-petista em São Paulo é de aproximadamente 30% a 35% do eleitorado no primeiro turno. Se a campanha de Haddad fosse um desastre, teria ao menos uns 70% desses votos. O seja, no mínimo 20%.

Mas Haddad é um candidato consistente e tem bom perfil para a cidade. Mas o que está se vendo é ainda mais interessante. João Santana e sua equipe estão produzindo um programa de TV primoroso, enquanto Serra aparece na sua propaganda como um tiozinho que quer ser o cara. Alguém que fica repetindo velhas histórias (remédios genéricos, Etecs, o anti-PT e o menino que nasceu na Mooca) e tentando se vender como jovem.

Está muito chato e se vier a continuar nesta linha vai derreter ainda mais. Ao mesmo tempo, não pode dar um cavalo-de-pau e começar a bater em Russomano, que é quem está roubando seus votos.

Haddad tira votos do candidato do bispo na periferia e Russomano faz estrago na base de Serra nos bairros de classe média.

O que isso significa é que Russomano vai começar a apanhar. Mas não de Serra. O serviço vai ser feito pela Globo, Veja, Folha, Estadão e o resto do PIG.

O Partido da Imprensa Golpista não vai aceitar que o bispo comande São Paulo com um outsider. E ao mesmo tempo não vão querer ter de apoiar Haddad.

O que resta a eles é detonar o candidato do PRB e deixar o serviço sujo contra o petista para Serra.

É possível que isso leve o tucano ao segundo-turno, mas ele vai chegar lá cambaleando. Mais ou menos como o senador Aécio Neves estava em recente vídeo divulgado pelo Youtube.

PS: Ontem e anteontem tivemos problemas no servidor para acessar este e os outros blogues da Fórum, mas felizmente está tudo resolvido.

 

O juiz federal Alderico Rocha Santos, responsável pelo processo da Operação Monte Carlo, que culminou com a prisão de Carlinhos Cachoeira, afirma ter sido chantageado por Andressa Mendonça, esposa do contraventor. Ela alegava ter um dossiê contra ele e que seria publicado na revista Veja por iniciativa do diretor de redação em Brasília, o jornalista Policarpo Jr.

Mulher de Cachoeira envolveu nome de jornalista da Veja em chantagem contra juiz federal (Foto: José Cruz / ABr)

“Narra o magistrado [Alderico Santos] que a requerida [Andressa] noticiou a existência de um dossiê contendo informações desfavoráveis a ele, que seria publicado pelo repórter Policarpo na revista Veja, mas que ela poderia evitar a publicação. Para tal, bastaria que o juiz federal concedesse liberdade ao réu Carlos Augusto de Almeida Ramos e o absolvesse das acusações ofertadas pelo Ministério Público”, destaca o juiz  Mark Yshida Brandão, no texto de sua decisão que que determinou o comparecimento de Andressa Mendonça à Polícia Federal e buscas em sua residência.

O nome de Policarpo Junior coincidência (ou não) já apareceu outras vezes no círculo próximo de Carlinhos Cachoeira.

Em depoimento à Comissão de Ética da Câmara dos Deputados, em 2005, Policarpo Junior ajudou Cachoeira a comprovar que era vítima de chantagem pelo ex-deputado André Luiz, que acabou cassado. O caso havia sido publicado pela revista Veja, com exclusividade, cerca de três meses antes. A matéria “Vende-se uma CPI”, de 27 de outubro de 2004, assinada por Policarpo Junior, denunciava André Luiz e tratava Carlos Cachoeira como empresário do ramo de jogos.

Em maio deste ano, o site Carta Maior publicou matéria com o título: “Os encontros entre Policarpo, da Veja, e os homens de Cachoeira”. O levantamento apontou que o jornalista esteve pelo menos 10 vezes com Cachoeira e membros de sua organização. Encontros pessoais, ao menos quatro. Em geral, as conversas se transformaram em matérias de Veja.

Gravações da Operação Monte Carlo também indicam como Cachoeira seria beneficiado pela Secretaria de Educação de Goiás na construção de escolas no modelo chinês. E como o “empresário do ramo de jogos” buscou a revista Veja para divulgar o negócio.

Cachoeira ligou para Policarpo Junior, pedindo que fosse feita uma matéria sobre a “revolução na educação” que estaria sendo feita em Goiás. Na gravação, afirma que o secretário de educação de Goiás “tá fazendo uma revolução na educação” e pergunta “com quem que ele vê? (…) Como é que a gente pode fazer uma divulgação disso?”.

Policarpo respondeu que a ligação estava cortando. Em dezembro de 2011, a capa da revista é: “A arma secreta da China: a educação de qualidade e baixo custo para milhões é o verdadeiro segredo dos chineses em sua corrida para a liderança mundial”. Será que agradou?

Outro indício de proximidade entre o jornalista e Cachoeira é uma conversa telefônica entre o “empresário” e o então diretor da construtora Delta no Centro-Oeste, Cláudio Abreu, interceptada em  10 de maio de 2011, durante a Operação Monte Carlo da Polícia Federal (PF). Na conversa, Cachoeira afirma que Policarpo Junior queria sua ajuda para provar que o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, havia ajudado a Delta a “entrar em Brasília” durante a gestão do ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda.

Policarpo ainda teria afirmado que o acordo foi fechado em uma reunião em Itajubá e que estaria atrás de um flagrante da entrega de “dinheiro vivo”. Cachoeira teria dito a Policarpo que “não existiu essa reunião”.

Em determinado ponto da gravação, Cachoeira demonstra seu grau de proximidade com o jornalista. “O Policarpo, ele confia muito em mim, viu?”, afirma.

O deputado Paulo Teixeira (PT-SP), vice-presidente da CPMI, afirmou que pretende convocar o jornalista da revista Veja para depor. “Com os acontecimentos de hoje, está colocada a relação do jornalista com a organização criminosa. Já iremos discutir a convocação na primeira reunião da CPMI”, disse.

Cachoeira é apenas uma das peças do quebra-cabeça que pode ser montado quando a história deste último período de Veja vier à tona. O que o panfleto da editora Abril se tornou é algo que não se pode nem de longe ser chamado de jornalismo. É algo que envergonha a profissão e seus profissionais. E dá nojo.

O senador Demóstenes Torres (ex-DEM, PFL e quetais) foi cassado do Senado por ampla maioria dos votos, 56 a 19. Provavelmente só senadores do DEM e do PSDB votaram pela sua permanência na Casa. O voto secreto nesses casos é algo absurdo. Seria muito importante saber quem votou por ele.

Demóstenes, que foi herói da mídia comercial tradicional por muitos e muitos anos, fazia parte de um esquema bandido. E usava seu mandato para favorecer um grupo criminoso. Mas a sua cassação é apenas um detalhe neste caso.

Há muito o que se investigar na CPI do Cachoeira. Como, por exemplo, a relação entre a revista Veja e o grupo do bicheiro.

A cumplicidade entre um grupo criminoso e um grupo midiático é o mais importante a ser investigado neste caso. Se houvesse alguma punição para aqueles que fizeram acordo com bandidos, avançaríamos.

E neste caso, o que mais precisamos é avançar.

Quanto a Demóstenes, já vai tarde.

Mas não se iludam, em breve nossa doce mídia vai ressuscitá-lo com outro nome. E talvez outro partido. Mas com o mesmo discurso, de paladino da democracia.

A jornalista Cynara Marques, da Carta Capital, publicou ontem um artigo no site da revista denunciando como farsa a matéria que ilustra a capa da última edição da revista Veja.

No artigo, Cynara aponta que o documento apresentado pela Veja, com exclusividade, como uma produção do PT para orientar a atuação de seus parlamentares na CPI do Cachoeira, na verdade não passa de um conjunto de recortes de reportagens de jornais, revistas e sites.

A inspiração para o artigo de Cynara partiu de um e-mail enviado por um leitor que colocava a seguinte questão: “manual do PT ou matéria do 247?”. Apurando a informação, a jornalista percebeu que o leitor tinha razão e que a reportagem de capa da Veja era uma fraude.

Segundo Cynara, a revista copiou e colou trechos de reportagens de terceiros, sem mudar uma virgula, e afirmou, no estilo Veja de tentar enganar trouxas,  que eles fariam parte de um “documento preparado por petistas para guiar as ações dos companheiros que integram a CPI do Cachoeira”.

No artigo, Cynara apresenta os trechos publicados pela revista e os trechos originalmente publicados pelo site Brasil 247 e pelos jornais Folha de S.Paulo e Estado de S.Paulo.

A repercussão da denúncia levou o artigo ao Trending Topics do Twitter. Durante todo o dia de ontem, a hashtag #CtrlCCtrlVeja figurou entre os assuntos mais comentados do serviço de microblogs no Brasil.

Veja a íntegra do artigo:

Control C + Control Veja

No centro do furacão desde que vieram à tona suas relações no mínimo pouco éticas com os bandidos da quadrilha de Carlinhos Cachoeira, a revista Veja parece ter perdido toda a noção de ridículo. Sua capa desta semana é uma farsa: o “documento” que a semanal da Abril alardeia ter sido produzido pelo PT como estratégia para a CPI de Cachoeira é, na verdade, um amontoado de recortes de reportagens de jornais, revistas e sites brasileiros.

Confira neste link (clique AQUI) os fac-símiles do suposto “documento” que a revista apresenta com “exclusividade” e compare com os outros links no decorrer deste texto.

Segundo a revista, os trechos que exibe fariam parte de um “documento preparado por petistas para guiar as ações dos companheiros que integram a CPI do Cachoeira”. Mas são na realidade pedaços copiados e colados diretamente (o manjado recurso Ctrl C+ Ctrl V dos computadores) de reportagens de terceiros, sem mudar nem uma vírgula. O primeiro deles: “Uma ala poderosa da Polícia Federal, com diversos simpatizantes nos meios de comunicação, não engole há muito tempo o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal” saiu de uma reportagem de 6 de abril do site Brasil 247, um dos portais de notícia, aliás, que os colunistas online de Veja vivem atacando com o apelido de “171″ (número do estelionato no código penal). Mas quem é que está praticando estelionato com os leitores, no caso? (confira clicando AQUI).

Outro trecho do “documento exclusivo” de Veja é um “copiar e colar” da coluna painel da Folha de S.Paulo do dia 14 de abril: “Gurgel optou por engavetar temporariamente o caso. Membros do próprio Ministério Público contestam essa decisão em privado. Acham que, com as informações em mãos, o procurador-geral tinha de arquivar, denunciar citados sem foro privilegiado ou pedir abertura de inquérito no STF”. (Confira AQUI)

Mais um trecho do trabalho de jornalismo “investigativo” com que a Veja brinda seus leitores esta semana: “Em uma conversa entre o senador Demóstenes Torres e o contraventor Carlinhos Cachoeira, gravada pela Polícia Federal (…)”, é o lead de uma reportagem do jornal O Estado de S.Paulo do dia 28 de abril (leia AQUI).

Pelo visto, os espiões da central Cachoeira de arapongagem, que grampeavam pessoas clandestinamente para fornecer “furos” à Veja, estão fazendo falta à semanal da editora Abril…

A matéria da Agência Câmara, abaixo, foi sugerida pelo Biruel e é de fevereiro de 2005. Ela mostra Policarpo Júnior, editor de Veja, defendendo Carlinhos Cachoeira em depoimento dado ao Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. Leia a íntegra da nota, veja o vídeo e tire suas próprias conclusões.

Novos depoimentos dificultam a situação do deputado André Luiz, acusado de tentar extorquir o empresário de jogo Carlos Cachoeira. O Conselho de Ética ouviu hoje o perito Ricardo Molina, da Unicamp, que analisou a gravação da conversa entre o deputado e Cachoeira. E o jornalista Policarpo Júnior confirmou a existência de outras gravações que comprometem o deputado.

A TV Record fez jornalismo de qualidade ontem no Programa Domingo Espetacular.
Muita gente critica a emissora por conta da relação dela com a IURD. E com razão. Não há dúvida que no melhor dos mundos grupos religiosos seriam impedidos de controlar concessões de redes abertas com caráter nacional.
No Brasil real, porém, o fato de a Record não ser grupo tradicional midiático brasileiro é algo que ajuda muito.
Veja perde muito com essa matéria de ontem. E isso é bom para a democracia brasileira.
Quase tudo que está na matéria já havia circulado pela rede, mas agora muita gente entendeu o que é a relação da Veja com a contravenção. E isso faz grande diferença. Assista ao vídeo abaixo.