ORIENTE MÉDIO

Israel inicia nova ofensiva em Gaza e Netanyahu afirma que se prepara para isolamento global

No mesmo dia em que ONU confirma genocídio, ministro da Defesa celebra que cidade palestina está "em chamas"

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Nesta terça-feira (16), o exército israelense iniciou uma nova ofensiva na cidade de Gaza, no centro do território palestino, em uma nova fase do genocídio iniciado em outubro de 2023.

As forças israelenses fazem uma ocupação terrestre da principal cidade palestina sob a justificativa de eliminar a presença do Hamas na cidade.

Até o momento, o grupo islâmico mantém 48 reféns vivos ou mortos e, após o encerramento total das negociações de paz após o ataque israelense ao território do Catar, há pouca probabilidade de que eles sejam encontrados vivos pelos soldados israelenses.

O projeto aprovado pelo gabinete de guerra israelense comandando por Benjamin Netanyahu fala em ocupação permanente do território palestino por motivos de segurança.

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, celebrou que a cidade palestina está "em chamas": "Gaza está em chamas. As Forças de Defesa de Israel (IDF) estão atacando com punho de ferro a infraestrutura do terrorismo, e os soldados das IDF estão lutando bravamente para criar as condições para a libertação dos reféns e a derrota do Hamas. Não cederemos nem recuaremos até que a missão esteja concluída", escreveu ele na plataforma X.

Até o momento, Israel já assassinou 65 mil palestinos, cerca de 3% da população do território.

"Isolamento total"

Nesta semana, o Netanyahu também afirmou que Israel enfrentará uma "nova e desafiadora realidade diplomática" e que deve se preparar para o isolamento.

A fala vem após diversos países europeus anunciarem o reconhecimento diplomático da Palestina e a decisão da ONU que confirma que os sionistas cometem genocídio em Gaza.

"Cada vez mais, teremos que nos adaptar a uma economia com características autárquicas [...] É uma palavra que não gosto. Acredito em mercados livres; trabalhei para trazer uma revolução de livre mercado a Israel. Mas podemos nos encontrar em uma situação em que nossas indústrias de defesa sejam bloqueadas. Teremos que desenvolver indústrias de defesa locais", declarou.

"Não temos escolha. Pelo menos nos próximos anos, teremos que enfrentar essas tentativas de isolamento. O que funcionou até agora não funcionará de agora em diante", disse ele.

Reconhecimento do genocídio na ONU

Investigadores da ONU acusaram Israel nesta terça-feira (16) de cometer um "genocídio" em Gaza com o objetivo de "destruir os palestinos" que vivem no território e culparam o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, e outros funcionários de alto escalão do país por instigar o crime.

A Comissão Internacional Independente de Investigação da ONU (COI, na sigla em inglês), que não fala em nome da organização mundial e é alvo de duras críticas de Israel, afirma que "está acontecendo um genocídio em Gaza", disse à AFP Navi Pillay, diretora da comissão.

"A responsabilidade recai sobre o Estado de Israel", destacou Pillay ao apresentar o documento.

A comissão, que tem a missão de investigar a situação dos direitos humanos nos territórios palestinos ocupados, publicou o relatório quase dois anos após o início da guerra em Gaza, desencadeada pelo ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 em Israel.

Os investigadores afirmam que as declarações explícitas das autoridades civis e militares israelenses, ao lado do padrão de conduta das forças israelenses, "indicam que atos genocidas foram cometidos com a intenção de destruir (...) os palestinos da Faixa de Gaza como grupo".

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