O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, transformou sua participação na Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira (23), em um palco para exaltar a própria gestão e, ao mesmo tempo, atacar a instituição e seus adversários internacionais. Sem esconder a falta de modéstia que lhe é característica, Trump chegou a afirmar que os EUA vivem uma “era de ouro” graças a ele.
“Graças à minha gestão, os EUA estão na era de ouro. Somos o país mais ‘sexy’ do mundo”, declarou logo na abertura de seu discurso, em tom de autoelogio que marcou toda a fala.
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Críticas à ONU e “campanha” pelo Nobel
Diante dos líderes mundiais, Trump acusou a ONU de ser mais criadora de problemas do que solucionadora. “A ONU não só não resolve os problemas que deveria com muita frequência, como também cria novos problemas para nós resolvermos”, disparou.
O republicano usou como justificativa sua versão particular da história recente: disse ter “encerrado sozinho sete guerras” — da Ásia ao Oriente Médio — e insinuou que isso deveria lhe render o Prêmio Nobel da Paz. “Muita gente diz que eu deveria ganhar o Nobel da Paz”, reforçou.
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Improviso e provocações
Trump afirmou que seu discurso não seguiu o teleprompter, que estaria com defeito, e que falaria “do coração”. Mesmo com a retórica inflamada, conseguiu aplausos apenas uma vez, ao pedir cessar-fogo na Faixa de Gaza.
Em seguida, voltou a criticar países que reconheceram recentemente o Estado da Palestina, incluindo aliados como Reino Unido e França. “Seria uma recompensa muito grande para o Hamas... Apenas libertem os reféns”, declarou.
Ataques à Rússia, China e mudanças climáticas
O presidente também acusou a Rússia de tentar dominar o mercado de petróleo e gás, prometendo pressionar líderes europeus a aderirem ao boicote que propôs dias antes. À China, atribuiu a responsabilidade pela criação do coronavírus.
Retomando sua postura da primeira gestão, voltou a menosprezar o combate às mudanças climáticas. Para ele, “as energias renováveis são uma piada” e as previsões sobre aquecimento global foram feitas por “pessoas estúpidas”.
Entre aplausos tímidos e vaidade explícita
O discurso de Trump reafirmou a marca de sua liderança: a autoproclamação como protagonista único da política mundial e a insistência em se colocar acima de instituições multilaterais e até de aliados. Se conquistou poucos aplausos na ONU, não deixou dúvidas sobre a certeza que tem de ser, a seu próprio ver, o estadista mais indispensável do planeta.