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Efeito Trump: déficit comercial dos EUA cresce acima do previsto com alta nas importações

Dados do Departamento de Comércio mostram que entre os setores que mais aumentaram suas importações estão de suprimentos industriais e bens de consumo

Créditos: Foto por FREDERIC J. BROWN / AFP
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O déficit comercial dos Estados Unidos aumentou mais do que o previsto em julho, segundo dados oficiais publicados nesta quinta-feira (4), devido a um aumento nas importações pouco antes das novas tarifas alfandegárias entrarem em vigor.

Segundo o Departamento de Comércio, o déficit comercial geral cresceu 32,5% em julho, chegando a 78,3 bilhões de dólares (R$ 439 bilhões, na cotação de julho).

Nesse mês, as importações registraram um aumento de 5,9%, alcançando 358,8 bilhões de dólares (R$ 2 trilhões), enquanto as exportações marcaram o crescimento de apenas 0,3%, chegando a 280,5 bilhões de dólares (R$ 1,6 trilhão).

O site Briefing.com previa, com base em um consenso de analistas, um saldo negativo muito menor, de 64,2 bilhões de dólares (R$ 360 bilhões).

Os observadores da Pantheon Macroeconomics acreditam que o crescente déficit comercial está relacionado à "outra onda de movimentos pré-tarifários".

Em abril, o presidente Donald Trump impôs uma tarifa de 10% sobre quase todos os parceiros comerciais dos Estados Unidos, mas adiou as mesmas duas vezes, até o início de agosto, um plano para aumentar estas taxações a dezenas de economias, incluindo parceiros estratégicos como a União Europeia, o Japão e a Índia.

De acordo com os analistas, as empresas que aumentaram suas importações para antecipar as tarifas estão esgotando seus estoques, sinalizando que provavelmente deverão efetuar novas compras a custos mais elevados.

Segundo dados do Departamento de Comércio, entre os setores que mais aumentaram suas importações estão os de suprimentos industriais e bens de consumo.

O déficit com a China aumentou 5,3 bilhões de dólares (R$ 30 bilhões) em julho, chegando 14,7 bilhões de dólares (R$ 82,3 bilhões).

O México, com 16,6 bilhões de dólares (R$ 93 bilhões) positivos, e principalmente o Vietnã, com 16,1 bilhões de dólares (R$ 90,2 bilhões), aparecem como os países que melhor aproveitam a reorientação dos fluxos comerciais para os EUA.

O déficit com a União Europeia continua se reduzindo, chegando a 8,6 bilhões de dólares (R$ 48,1 bilhões).

© Agence France-Presse

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