No último 16 de novembro, por iniciativa do deputado socialista argentino Raúl Puy, foi descerrada uma placa na fachada do hotel Normandie, em Buenos Aires, em homenagem ao músico brasileiro Tenório Jr. O hotel, localizado na rua Rodriguez Peña, 320, quase no cruzamento entre as mitológicas avenidas Callao e Corrientes, fica na zona boêmia e cultural da cidade. A placa terá os dizeres: “Aqui se hospedou este brilhante músico brasileiro, vítima da ditadura militar argentina”.
Quem toma conhecimento do episódio assim, à meia distância de quase quarenta anos, pode imaginar que se trata de um passado muito remoto ou ficção, mas não é. Era a década de 1970 e Tenório Jr., conhecido e renomado pianista brasileiro, estava na capital portenha acompanhando a temporada de Toquinho e Vinícius no teatro Gran Rex. Certa noite, saiu do hotel Normandie para comprar remédios, e nunca mais apareceu.
Era 18 de março de 1976, seis dias antes do golpe militar que destituiu Isabelita Perón do poder. Daquela noite em diante foi empreendido um grande esforço dos seus companheiros e amigos ilustres como o poeta Ferreira Gullar, que estava exilado na Argentina. Foram percorridos delegacias e hospitais de Buenos Aires e arredores, solicitada ajuda da embaixada brasileira, e nada. O paradeiro de Tenorinho, como era conhecido, só foi descoberto dez anos depois.


