MOUZAR BENEDITO

Tinha um bar no meio do caminho

O livro vai ser lançado, claro, num bar dos bons (não é um boteco pé sujo, mas gosto dele), o Canto Madalena, em São Paulo, no dia 4 de abril, uma quinta-feira, a partir das 19h.

Capa do livro "Tinha um bar no meio do caminho", de Mouzar Benedito.Créditos: Divulgação
Escrito en OPINIÃO el

“Em uma época na qual as redes sociais encastelam as pessoas, fechando-as no que chamam de ‘bolhas’ e quando discordar pode ser um pecado capital, o bar é justamente o contrário. É ali que se abrem as portas para o inusitado, arena na qual os diferentes se encontram e aquela tal democracia parece até mais do que uma palavra esvaziada de sentido.

São lugares afetivos que muitas vezes se tornam o nome do dono, como lembra o Mouzar em uma das crônicas que compões este livro. ‘Vamos lá no fulano’ se torna uma expressão mágica, senha para aquele fim de dia amargurado que vai ter a redenção perto de um balcão, em uma mesa de plástico, alumínio ou em um engradado vazio que vira cadeira.

Dali saem sonhos, revoluções que nunca vão ver a luz do dia, ideias geniais, ideias geniais que não chegam à porta de saída... E histórias. Muitas histórias contadas aqui trazem personalidades de uma metrópole como São Paulo, que se acostumou a ter em seus bares seus principais pontos de encontro, trazendo retratos de momentos distintos de uma cidade que nunca parou de mudar. 

Na leitura de Tinha um bar no meio do caminho, certamente você vai rir, se identificar e identificar pessoas que já conheceu ou conhece, e também sentir a nostalgia ou mesmo saber de alguns lugares que já não existem fisicamente, mas que permanecem vivíssimos no imaginário de muitos. Um livro para curtir, como uma cachaça boa ou um papo com os amigos. Aproveite a leitura quase etílica sem medo de ressaca. E um brinde (com copo americano)”.

O texto acima foi escrito para a orelha deste livro. O autor, um bom botequeiro, o jornalista Glauco Faria. 

Pensei em escrever esse livro quando estava em Havana, há décadas, e lá era difícil encontrar bons botecos. Mas não vou contar aqui como foi, está numa das crônicas. Só sei que sentia saudade dos botecos de esquina de São Paulo, simples e eficientes. E diferente dos tempos atuais, com preços acessíveis. 

De volta a São Paulo, comecei a me lembrar de cada bar que frequentei ou frequentava e fui escrevendo uma crônica sobre cada um deles, boa parte publicada no blog da Boitempo décadas depois. Não são recomendações ou indicações, ainda mais que muitos desses bares não existem mais. São lembranças de coisas divertidas que aconteciam neles, às vezes extrapolando para depois que a gente saía. 

Como o período a que se refere vai de meados dos anos 1960, quando comecei a frequentar os botecos paulistanos, até final da década de 70 e de vez em quando esticando para o começo da de 80, mostrei o texto à socióloga e minha amiga Lúcia Helena Gama, que pesquisou bastante a vida na Pauliceia daqueles tempos, para escrever dois excelentes livros também sobre os bares (o mais recente, Eram a Consolação...) e ela se dispôs a fazer um texto contextualizando tudo, o que enriqueceu demais meu modesto livrinho. 

O título, claro, é uma brincadeira com o poema famoso de Carlos Drummond de Andrade, que nasceu e viveu vários anos em Itabira, cidade que quando conheci achei que as pedras no caminho eram mesmo uma realidade. 

Ah... a foto da capa. Vaidade minha? Com essa cara? Foi decisão do editor. “Batida” (como se dizia antigamente) pelo amigo Luciano Dinamarco, num bar de Taubaté, numa rara saída minha nos tempos de pandemia, para um evento do Dia do Saci. Era para ir na orelha, mas o editor gostou e, está bem, eu também.  

O livro vai ser lançado, claro, num bar dos bons (não é um boteco pé sujo, mas gosto dele), o Canto Madalena, no dia 4 de abril, uma quinta-feira, a partir das 19h.

O endereço é rua Medeiros de Albuquerque, 471, Vila Madalena, perto do lendário Beco do Batman.

Quem quiser o livro mas não puder ir ao lançamento, pode adquirir direto no site da Editora Limiar.