À frente do lobby pró Donald Trump, o governador Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos) exonerou nesta quinta-feira (6) o secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP-SP), que vai reassumir o mandato de deputado na Câmara Federal para relatar, no lugar de Nikolas Ferreira (PL-MG), o Projeto de Lei 1283/2025, do deputado bolsonarista Danilo Forte (União-CE), que classifica facções criminosas como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.
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A aprovação do PL é uma demanda da "guerra aos narcoterroristas", promovida pelos EUA em países com grandes jazidas de petróleo e terras raras. Na América Latina, o alvo principal é a Venezuela de Nikolas Maduro, acusado sem provas por Trump de liderar um cartel "narcoterrorista" que abastece os EUA.
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Ao ser indagado na segunda-feira (3) sobre a PEC da Segurança Pública, proposta do governo Lula para atuação integrada das polícias e órgãos de investigação dos Estados sob um comando federal, Tarcísio escancarou os interesses do consórcio da terceira via, capitaneada pela direita, em trazer a segurança pública - considerado o Calcanhar de Aquiles do campo progressista - à tona. Em seguida, detalhou o plano pró Trump.
“Eu ainda não vi o texto do projeto de lei que o governo federal mandou, mas a gente tem o PL do (deputado do União-CE) Danilo Forte, que deve ser relatado pelo (secretário de Segurança Pública Guilherme) Derrite agora. Derrite vai ser liberado agora para tomar conta desse projeto. Isso foi combinado com o próprio presidente da Câmara (Hugo Motta)”, disse.
No acordo, Motta deve colocar a pauta em discussão assim que o deputado bolsonarista entregar o texto final.
Durante a tramitação do projeto, a direita vai contar com amplo apoio da bancada bolsonarista para promover um levante sobre o tema nas redes sociais. Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta segunda-feira (3) revela que 72% defendem "enquadrar organizações do crime organizado como organizações terroristas", incluindo CV e PCC.
Na entrevista, Tarcísio ainda citou o apoio de governadores de direita em torno da matança promovida por Cláudio Castro que, em jogada eleitoreira, anunciou a criação do "Consórcio da Paz" - na prática, um conluio da direita para fazer lobby em torno do PL pró Trump e antecipar o embate da campanha presidencial em torno da segurança pública.
Segundo o Estadão, Tarcísio afirmou que "o objetivo do consórcio entre os Estados do Sul e do Sudeste é ampliar a adesão de Unidades da Federação para 'dar mais agilidade' ao intercâmbio de informações e garantir que as inteligências atuem de forma integrada" - exatamente o que está descrito na PEC da Segurança, do governo Lula, com o adendo que a proposta incluiria todos os estados, e não só aqueles governados pela direita.
Tarcísio para a Presidência, Derrite para o Estado
Comandando a política de repressão policial no governo paulista, Derrite já tem garantida a candidatura ao Senado, mas já sinalizou que pode entrar na disputa ao governo do Estado caso Tarcísio confirme a candidatura à Presidência.
A exoneração para relatar o PL do Terror foi o sinal dado por Tarcísio de que deve abandonar a disputa no Estado para alçar o deputado, que até a ascensão junto ao bolsonarismo, em 2018, foi acusado de comandar o grupo de extermínio batizado de "Eu sou a morte" em Osasco ao comandar um pelotão da Rondas Ostensivas Tobias Aguiar, a Rota, entre 2013 e 2015. Em 2021, Derrite afirmou que deixou a política "porque eu matei muito ladrão. A real é essa, simples. Pá!".
Nas campanhas, Tarcísio e Derrite devem levar o debate sobre segurança pública como principal bandeira para fazer frente ao que a direita considera o calcanhar de Aquiles do governo Lula e do campo progressista, em uma nova versão do "bandido bom é bandido morto" de Jair Bolsonaro (PL).
Após a chacina no Rio, Tarcísio foi às redes e sinalizou que encampará a guerra ao "terror", assumindo o lobby pró Trump.
"Não se pode imaginar que esses criminosos não sabem o que fazem ou que são vítimas da sociedade", escreveu, alfinetando Lula pela declaração recente do presidente sobre o tema, usada pela ultradireita. "Eles impõem o terror", segue, revelando o verdadeiro propósito da publicação.
Após citar o general prussiano Carl von Clausewitz, autor do livro Da Guerra - de leitura obrigatória nas colunas militares -, Tarcísio cita a questão das "fronteiras", em mais uma sinalização ao governo dos EUA.
"As armas e drogas comercializadas no país, em sua grande maioria, não são produzidas aqui. Então, como chegaram às comunidades do Rio? Por onde entraram? Isso evidencia o quanto o Estado tem falhado na vigilância de suas fronteiras".
Eduardo Bolsonaro: "Tarcísio é o candidato do sistema"
Cada dia mais isolado dentro da própria ultradireita, Eduardo Bolsonaro (PL-SP) cometeu sincericídio ao admitir que Tarcísio Gomes de Freitas (PL-SP) é o "candidato do sistema" que, segundo ele contaria até com o apoio do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para encampar o "anti-Lula" pela chamada terceira via, consórcio que une centrão, mídia liberal e o sistema financeiro.
A declaração foi feita em uma longa live, de 37 minutos, em que Eduardo concorda até com o ex-ministro petista, José Dirceu, para atacar a deputada estadual bolsonarista Ana Campagnolo (PL-SC), que se rebelou contra a candidatura de Carlos Bolsonaro (PL-RJ) ao senado por Santa Catarina, escanteando a deputada Carol De Toni (PL-SC) e abrindo uma crise na direita no Estado.
Em resposta a um primeiro ataque de Eduardo, a aliada insurgente diz que sabe que ele "espera obediência em todas as propostas da família" e indaga: "mas você contrariou seu pai quando foi ventilada a hipótese dele lançar o Tarcísio à Presidência. E talvez ele lance. Como vai ser? Por que você pode manifestar sua contrariedade e os outros aliados não?".
"Não é família Campagnolo, é um projeto de país, de Brasil, encabeçado por uma pessoa altamente qualificada", diz Eduardo, referindo-se ao pai, Jair Bolsonaro (PL).
Na sequência, Eduardo é direto ao responder sobre Tarcísio, um dos protagonistas das brigas dele com o pai.
"Campagnolo, o Tarcísio é o candidato do sistema, é o cara que o Moraes quer, que gostaria que fosse eleito, porque ele ainda viria com apoio de Jair Bolsonaro", responde.
A declaração expõe o conluio da terceira via em torno de Tarcísio para alçar o governador paulista, ex-ministro de Bolsonaro, como candidato anti-Lula.
Servilismo a Trump
Na segunda-feira (3), um novo fato revelou que a matança nas comunidades da Penha e do Alemão foram premeditadas, em um timing perfeito com a pauta de Donald Trump para a América Latina.
No início de 2025 - enquanto David Gamble, chefe interino da Coordenação de Sanções de Trump tentava, sem sucesso, convencer o governo Lula a classificar as facções como terroristas -, Castro entregou à embaixada dos Estados Unidos no Brasil um dossiê em que escancara que atuará pelo lobby no Brasil.
No documento, intitulado “Análise Estratégica: Inclusão do Comando Vermelho nas listas de sanções e designações dos EUA”, o governador do Rio de Janeiro afirma que “a crescente sofisticação, transnacionalidade e brutalidade do Comando Vermelho colocam esta organização dentro dos critérios estabelecidos pelas autoridades dos EUA para sanções econômicas, designações terroristas e bloqueio de ativos”.
No documento, Castro afirma ainda que designação como organização terrorista “facilitaria pedidos de extradição de chefes do CV refugiados em países como Paraguai e Polícia”, “abriria caminho para parcerias com Interpol, DEA, FBI e ONU no combate às redes de trafico e armamento pesado e “ampliaria o alcance de sanções para empresas de fachada e aliados econômicos do CV no exterior”.
Aliados de Trump, Paraguai e Argentina já estariam em vias de declarar o CV e o PCC organizações terroristas, atendendo às pretensões dos EUA para a América Latina.