O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL-SP), afirmou que a oposição usa o tema da segurança pública com o objetivo de auxiliar em uma possível intervenção do presidente dos EUA, Donald Trump, no Brasil.
Boulos explicou que o discurso da direita em torno da chamada “Lei do Terror”, que busca enquadrar facções criminosas como organizações terroristas, repete uma estratégia usada em outros países para justificar ações militares norte-americanas.
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“Gente traidora da pátria. Por que não aprovaram a PEC da Segurança do Lula? (...) E ainda vem dizer que é terrorismo? Vamos falar o português claro: o que eles querem com esse negócio de narcoterrorismo é dar condições para os EUA terem um grau de intervenção maior no Brasil”, disse o ministro durante uma entrevista ao repórter Guga Noblat, na noite da quinta-feira (6).
O enquadramento de facções como grupos terroristas poderia servir de fundamento jurídico internacional para incursões militares dos EUA sob o pretexto de combate ao narcotráfico — como já ocorreu em países latino-americanos. “Foi o mesmo argumento usado na Colômbia e na Venezuela para colocar porta-aviões. O mesmo que usaram no Iraque e no Afeganistão para tomar petróleo”, afirmou.
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A declaração ocorre no momento em que governadores ligados à oposição, como Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Cláudio Castro (PL-RJ), defendem o Projeto de Lei do Terrorismo, que propõe classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. A proposta conta com o apoio público do presidente Donald Trump, que recentemente impôs sanções econômicas ao Brasil.
O governo federal, no entanto, rejeita a equiparação entre facções criminosas e terrorismo, alegando que as duas tipificações possuem naturezas distintas. O ministro da Justiça (MJSP), Ricardo Lewandowski, já havia explicado que o terrorismo envolve “motivação ideológica e política”, enquanto as facções são voltadas a “fins econômicos e criminais”.