O deputado federal bolsonarista Nikolas Ferreira (PL-MG) chegou a um ponto de pavor que até então ainda não tinha sido visto. Acostumado a espalhar suas mentiras nas redes e prejudicar qualquer figura que não se alinhe ao movimento extremista do qual faz parte, agora ele se vê na posição de alvo. E com toda a razão.
Após a Operação Carbono Oculto, a maior da História do Brasil, deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira (28), e que revelou que o PCC operava uma espécie de megacorporação em associação com várias empresas da Faria Lima, o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, disse que o episódio do vídeo com fake news sobre o Pix, massivamente disseminado pelo parlamentar em janeiro deste ano, acabou por ajudar o crime organizado, já que o governo precisou voltar atrás nas medidas anunciadas de fiscalização das transações financeiras realizadas pelas fintechs.
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O PCC movimentava e aplicava seu bilionário patrimônio justamente nessas fintechs que, sem o endurecimento do governo por conta da polêmica artificial gerada por Nikolas, seguiu cometendo crimes sem ser incomodado.
Diante de uma avalanche de “Nikolas ajudou o PCC” nas redes e já sabendo de antemão que várias autoridades querem que ele pague na Justiça pelos prejuízos gerados por seu vídeo mentiroso, o deputado resolveu requentar uma história já desmentida e enterrada para atacar o governo Lula: a da tal “dama do tráfico”. Ele fez uma postagem em seu perfil oficial no X (antigo Twitter) e ainda colocou um print de uma matéria sobre o tema, publicada antes da história ser desmentida e explicada.
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Relembre
O caso "dama do tráfico", ocorrido em novembro de 2023, envolveu uma série de reportagens do jornal O Estado de S. Paulo, que rotulou Luciane Barbosa Farias, presidente da Associação Instituto Liberdade do Amazonas e esposa de Clemilson dos Santos Farias, ligado ao Comando Vermelho, com o apelido sensacionalista "dama do tráfico". O termo, conforme admitido pelo jornalista André Shalders, foi inventado com base em uma única fonte e não tinha registro na imprensa ou em investigações oficiais, gerando acusações de manipulação jornalística. A denúncia, publicada pela Fórum, revelou que a editora-chefe de Política do Estadão, Andreza Matais, foi acusada por repórteres de assédio moral para publicar a matéria com o objetivo de prejudicar o então ministro da Justiça, Flávio Dino, em sua disputa por uma vaga no STF, favorecendo outro candidato. O caso gerou forte reação do governo, com Dino negando qualquer encontro com Luciane e criticando a narrativa como “politicagem”.