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01 de janeiro de 2019, 19h29

16 anos depois de Lula, Bolsonaro propõe uma mudança com tanques e sem povo

A encenação militar e o aparato absurdo de segurança deu o tom da cerimônia de posse de Jair Bolsonaro, que foi encerrada com poucos convidados nos salões nobres do Palácio do Planalto e no Itamaraty, abertos apenas aos que tramam essa mudança pelo medo - e bem longe da esperança.

Montagem
O meio milhão de apoiadores esperados para acompanhar a cerimônia de posse na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, não compareceu – o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) estimou em 115 mil; mas, pelas imagens o número não chega nem perto disso. Muitos dos que por lá estiveram levaram bandeiras de Israel e Estados Unidos, além de idolatrias aos resquícios da ditadura militar, como homenagens ao Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, chefe da tortura no Doi-Codi e ídolo do presidente. Na Praça dos Três Poderes, o Rolls-Royce presidencial estava longe de qualquer pessoa que pudesse ser identificada como “povo”. E na...

O meio milhão de apoiadores esperados para acompanhar a cerimônia de posse na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, não compareceu – o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) estimou em 115 mil; mas, pelas imagens o número não chega nem perto disso. Muitos dos que por lá estiveram levaram bandeiras de Israel e Estados Unidos, além de idolatrias aos resquícios da ditadura militar, como homenagens ao Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, chefe da tortura no Doi-Codi e ídolo do presidente.

Na Praça dos Três Poderes, o Rolls-Royce presidencial estava longe de qualquer pessoa que pudesse ser identificada como “povo”. E na subida da rampa para a posse do presidente, em vez de povo, os canhões fizeram a cena de fundo da foto.

Muito diferente do que ocorreu há 16 anos, quando mais de 200 mil pessoas apostaram na esperança para vencer o medo e nas mudanças propostas pelo líder operário Luiz Inácio Lula da Silva para reduzir o fosso da desigualdade no Brasil, a posse de Jair Bolsonaro (PSL) nesta terça-feira (1º) trouxe de volta a Brasília o clima sombrio dos anos de chumbo.

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O confinamento dos profissionais da imprensa, que desde às 7h30, foram vigiados em redutos com condições mínimas de trabalho – sem nem mesmo água ou maçã -, começou a mostrar a face do governo que se instalaria a partir dali.

O governo golpista de homens brancos de Michel Temer foi, aos poucos, dando lugar à nova roupagem dos homens que retiraram a farda para assumir o poder. No Congresso e no parlatório do Palácio do Planalto, os discursos lidos remetiam a 1964 e faziam referência sempre à luta contra o comunismo e o socialismo, um inimigo que ninguém vê – e que poucos sabem do que realmente se trata.

Nas mesmas falas, a contraditória crítica nacionalista do “gigantismo do Estado”, que se prepara para ser dissolvido em interesses de países hegemônicos e empresas transnacionais; à ideologização, como se existisse ideologia somente em um lado da história; e à própria politização do cidadão; como se o presidente empossado não tivesse feito carreira e riqueza nos 7 mandatos parlamentares – sem contar os dos filhos.

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A encenação militar e o aparato absurdo de segurança deu o tom da cerimônia de posse, que foi encerrada com poucos convidados nos salões nobres do Palácio do Planalto e no Itamaraty, abertos apenas aos que tramam essa mudança pelo medo – e bem longe da esperança. Uma mudança sem povo, com tanques e a promessa do presidente de “derramar sangue, se necessário for”, para que a bandeira brasileira “continue verde e amarela”.

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