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26 de outubro de 2018, 10h09

60 motivos para não votar em Bolsonaro

Texto da jornalista Marília De Toledo Kodic, que circula nas redes sociais, lista ainda - como "bônus" - feitos de Fernando Haddad na Prefeitura de São Paulo.

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Um texto da jornalista Marília De Toledo Kodic, que circula nas redes sociais, lista 60 motivos que mostram que Jair Bolsonaro (PSL) não deve ser opção de escolha no segundo turno das eleições presidenciais. “Eu fiz o levantamento com rigor jornalístico. Passei algumas madrugadas pesquisando tudo para te escrever. Tenho todas as fontes de todas as matérias, estudos, entrevistas e vídeos. Sei que está enorme, mas valeu a pena escrever, e espero que valha a pena ler – mesmo que seja aos poucos, mesmo que seja só passando o olho. Quis incluir tudo”, disse a jornalista em sua página no Facebook. A...

Um texto da jornalista Marília De Toledo Kodic, que circula nas redes sociais, lista 60 motivos que mostram que Jair Bolsonaro (PSL) não deve ser opção de escolha no segundo turno das eleições presidenciais.

“Eu fiz o levantamento com rigor jornalístico. Passei algumas madrugadas pesquisando tudo para te escrever. Tenho todas as fontes de todas as matérias, estudos, entrevistas e vídeos. Sei que está enorme, mas valeu a pena escrever, e espero que valha a pena ler – mesmo que seja aos poucos, mesmo que seja só passando o olho. Quis incluir tudo”, disse a jornalista em sua página no Facebook.

A Fórum reproduz abaixo esses 60 motivos.

SOBRE JAIR BOLSONARO
Corrupção
1. O PP (ao qual Bolsonaro foi filiado até dois anos atrás) é o partido com o maior número de deputados investigados pelo STF. Bolsonaro só saiu do PP porque não o admitiram como candidato à presidência. E, quando chegou ao atual, o PSL, houve uma cisão interna, e declararam, em comunicado oficial: “A chegada do deputado Jair Bolsonaro é inteiramente incompatível com o projeto de construir no Brasil uma força partidária moderna, transparente e limpa”.
2. No PSL, Bolsonaro admitiu receber R$ 200 mil de propina da JBS. Disse (está gravado em vídeo): “recebeu propina, sim, mas qual partido não recebe?”.
3. Nos últimos 12 anos (em que Bolsonaro e seus três filhos se dedicaram apenas à política), o patrimônio da família cresceu 427%, com indícios de lavagem de dinheiro. Um exemplo: adquiriram 2 casas num condomínio Barra da Tijuca por um terço do preço avaliado, e, matematicamente falando, as casas tiveram valorização de 450% nos últimos 8 anos – o que não aconteceu com nenhuma outra casa no mesmo condomínio. Como?
4. O irmão de Bolsonaro foi descoberto como “funcionário fantasma” da Alesp – ele recebia um salário de R$ 17 mil mas nunca apareceu no trabalho.
5. Foi descoberta uma “funcionária fantasma” de Bolsonaro – na teoria, era uma funcionária do gabinete parlamentar (paga com dinheiro público), na realidade, trabalhava na casa de veraneio dele em Angra dos Reis.
6. Bolsonaro pagou R$ 240 mil em dinheiro público a uma produtora de vídeo – que não existe a não ser no papel. Isso é gasto ilícito e crime de falsidade ideológica.
7. Quando questionado sobre o auxílio moradia que recebia (mesmo tendo diversas casas), Bolsonaro disse que usava o dinheiro público para “comer gente”.
8. O general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, escolhido por Bolsonaro para o Ministério da Defesa, recebia salário de R$ 59 mil (dinheiro público) no Comitê Olímpico Brasileiro. Segundo a lei, só poderia receber R$ 33 mil. Depois que isso foi divulgado, ele se demitiu.
9. Onyx Lorenzoni, além de ajudar a construir o programa de governo de Bolsonaro, é o seu articulador de apoios. No ano passado, ele confessou ter obtido R$ 100 mil em caixa 2 (dinheiro sujo = crime). “Vou ao ministério público e ao judiciário responder por este erro que cometi”, disse. Até hoje. não foi investigado por isso. Mas está investigado, no entanto, por caixa 2 no caso Odebrecht.
10. Paulo Guedes, responsável pela Economia no governo de Bolsonaro e escolhido como Ministro da Fazenda, está sendo investigado por fraude: captou R$ 1 bilhão de forma irregular. R$ 1 bilhão.
11. Bolsonaro está sendo acusado de usar caixa 2 nas eleições – um crime eleitoral. Ao menos 4 empresas financiaram com dinheiro sujo a compra de pacotes de distribuição de mensagens contra o PT por WhatsApp, no valor de 12 milhões de reais por pacote.
12. “Eu sonego imposto. Sonego tudo o que for possível”, disse Bolsonaro (em vídeo). Nada a acrescentar.

Atuação política
13. Muito se fala de o Brasil “virar uma Venezuela caso o PT ganhe”. Em 1º lugar, isso nunca aconteceu em anos de governo do PT. Em 2º, a Venezuela tem um governo civil autoritário com apoio militar – exatamente o que Bolsonaro defende. Numa entrevista à Veja anos atrás, Bolsonaro disse: “Chávez [presidente da Venezuela e símbolo da esquerda] é uma esperança para a América Latina e gostaria muito que essa filosofia chegasse ao Brasil. Ele vai fazer o que os militares fizeram no Brasil em 1964, com muito mais força. Na verdade, não tem nada mais próximo do comunismo do que o meio militar. Acho ele ímpar”.
14. O partido de Bolsonaro foi o mais fiel a Temer neste ano (mais do que o partido do próprio Temer), de acordo com análise de votações realizadas na Câmara. Com 82% de rejeição, Temer é o presidente mais impopular da história do país.
15. Bolsonaro votou a favor da PEC 241, que congela os gastos do governo em áreas como saúde e educação durante 20 anos. Ao longo de 27 anos como deputado, ele tem votado a favor do aumento dos salários, benefícios e gastos de deputados e senadores. Faz sentido?
16. Bolsonaro foi um dos dois deputados a votar contra a PEC das domésticas, que garantiu direitos básicos de trabalhador com carteira assinada a mulheres que trabalhavam em regime de semi-escravidão.
17. Bolsonaro foi o único deputado a votar contra o Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza, que visa diminuir a desigualdade direcionando recursos públicos para programas de nutrição, habitação, educação e saúde.
19. Bolsonaro defende esterilização de pobres como solução para miséria e crime. “Devemos adotar uma rígida política de controle da natalidade. Não podemos fazer discursos demagógicos, cobrando recursos e meios do governo para atender a esses miseráveis que proliferam cada vez mais por toda esta nação.” “Tem que dar meios para quem, lamentavelmente, é ignorante e não tem meios controlar a sua prole. Porque nós aqui controlamos a nossa. O pessoal pobre não controla.” “Só tem uma utilidade o pobre no nosso país: votar. Título de eleitor na mão e diploma de burro no bolso.”
20. Bolsonaro tentou fazer com que diversos projetos de lei controversos (para dizer o mínimo) fossem aprovados na câmara. Exemplos: uma lei que tira o direito das vítimas de violência sexual de terem atendimento emergencial, outra que desbloqueia o uso de celulares e radiotransmissores em presídios, e outra que faz com que nenhum homicídio cometidos por militares seja investigado.
21. Em 27 anos como deputado, Jair Bolsonaro aprovou o total de 2 projetos. Dois.

Propostas
22. Bolsonaro quer autorizar policiais a matarem sem que sejam depois responsáveis por isso: “Se alguém disser que quero dar carta branca para policial militar matar, eu respondo: quero sim”. Autorização para policiais matarem em serviço não ocorre nem em guerras, e não foi legalizada no país nem nos períodos de maior repressão do regime militar.
23. Bolsonaro quer acabar com ministérios como Cultura e Segurança Pública.
24. O General Mourão, vice de Bolsonaro, criticou o 13º salário diversas vezes, sugerindo o seu fim. (Outras falas polêmicas de Mourão incluem a de que casas com apenas mães e avós são “fábricas de desajustados” e que países latino-americanos e africanos com os quais o Brasil teve relações comerciais são “mulambada”.)
25. Bolsonaro quer o fim do ministério do Meio Ambiente, fundindo-o ao da Agricultura. Isso coloca a preservação do meio ambiente justamente nas mãos de quem está interessado apenas em exploração e lucros com a agropecuária.
26. Bolsonaro questiona se o Brasil tem soberania sobre a Amazônia e defende mudanças na legislação para sua exploração por “países como os EUA”. Ele também defende a mineração, exploração e construção de usinas hidrelétricas em terras indígenas; já garantiu aos grandes fazendeiros e grileiros que vai “segurar as multas ambientais”; e disse que “não haverá nem um centímetro a mais para terras indígenas”, defendendo também que as já demarcadas possam ser vendidas. “Direitos humanos é a pipoca, pô!”, disse.
27. Bolsonaro quer tirar o Brasil do Acordo de Paris, que combate as mudanças climáticas, aprovado por 195 países em 2015. Uma das principais metas dele é reduzir a emissão de gases do efeito estufa para evitar o aquecimento global.
28. Bolsonaro é a favor da reforma trabalhista. Entre outras coisas, ela: aumenta a jornada de trabalho, extingue o piso salarial, exclui a necessidade de contrato de trabalho (que garante direitos ao funcionário) e permite o trabalho de gestantes em “condições insalubres”. Ele também defende a redução da licença maternidade
29. Bolsonaro defende a educação à distância desde o ensino fundamental. Mas a escola é onde são desenvolvidas competências como capacidade de lidar com frustrações, desenvolver empatia, conviver com o diferente etc. Ele também disse que quer usar um “lança chamas” para tirar das escolas autores de teorias sobre o pensamento crítico, e defende a abertura de um colégio militar por capital e a inclusão de matérias herdadas da ditadura, como “organização social e política brasileira”. Também disse que os jovens brasileiros têm “tara” por diploma, e que seria melhor buscarem ensino profissionalizante para atuar como técnico em conserto de eletrodomésticos ou mecânico de automóvel.
30. Bolsonaro admitiu que, se eleito, pode privatizar a Petrobras, uma das maiores empresas do Brasil, e entregar a indústria do petróleo na mão dos estrangeiros.
31. Bolsonaro diz que vai tirar Brasil da ONU se for eleito.
32. Bolsonaro defende o “imposto único”. Funciona assim: a fulana pobre da favela e o banqueiro com milhões na conta pagariam exatamente a mesma quantia fixa de imposto. Proposta injusta, ineficiente, que só reforça a desigualdade.
33. Bolsonaro quer implementar medidas como pena de morte e campos de refugiados, além de “tratamento” para homossexuais.
34. Bolsonaro defende a liberação das armas como principal medida para o problema de segurança pública. Todos os estudos feitos em todos os países do mundo apontam que a liberação de armas só aumenta a violência. Todos, sem exceção. No Brasil, a restrição do porte de armas evitou 13,3 mil assassinatos por ano. O Estatuto do Desarmamento é a medida isolada que teve mais impacto na contenção da violência. Com Bolsonaro eleito, basta ter 25 anos, fazer aula de tiro e apresentar uma foto e um documento e você já pode comprar a arma. Acho que não preciso nem dizer, mas violência não se combate com mais violência. Obs.: a ascensão de Bolsonaro já está valorizando a indústria das armas. Exemplo: as ações da fabricante de armas Taurus subiram 140% neste ano.

Veja também:  Governo Bolsonaro manobra para dificultar investigações com dados do Coaf

Racismo e machismo
35. Bolsonaro chama refugiados de “escória do mundo”, disse que foram os próprios negros os responsáveis pela escravidão, e que não entraria num avião pilotado por um cotista. Sobre quilombolas, disse: “Eu fui num quilombo. O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada. Eu acho que nem para procriador ele serve mais”.
36. Bolsonaro fala repetidas vezes na existência de “raças” como melhores ou piores: “Alguém já viu um japonês pedindo esmola por aí? Não, porque é uma raça que tem vergonha na cara. Não é igual a essa raça que tá aí embaixo, ou como uma minoria que tá ruminando aqui do lado”. Mourão, seu vice, ao falar da beleza de seu neto, defendeu o “branqueamento da raça”. E também disse: “Temos uma certa herança da indolência, que vem da cultura indígena. A malandragem é oriunda do africano [ou seja, o negro]”. Bolsonaro se referiu a Hitler como “um grande estrategista”.
37. “Ele soa como nós”, diz ex-líder da Ku Klux Klan sobre Bolsonaro. O grupo existe desde 1865 e defende a supremacia branca sobre os negros e judeus nos EUA.
38. Em 2011, a cantora Preta Gil perguntou a Bolsonaro o que ele faria se seu filho se apaixonasse por uma negra. Ele respondeu: “Ô Preta, eu não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco porque meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambientes como lamentavelmente é o teu”.
39. “Não estupro porque você não merece, sua vagabunda”, disse Bolsonaro a Maria do Rosário, ex-ministra dos Direitos Humanos, apontando o dedo na sua cara e a empurrando. Há registros em vídeo. Minutos antes, Maria do Rosário havia discursado em defesa da punição a militares que cometeram crimes durante a Ditadura. Sem comentários.
40. Bolsonaro diz que não pagaria a mulheres o mesmo salário dos homens, com a justificativa de que mulher pode engravidar.
41. Em palestra, Bolsonaro disse que ter filha foi ato de fraqueza: “Foram quatro homens, a quinta eu dei uma fraquejada e veio uma mulher”.

Homofobia
Deixemos o Bolsonaro falar por si mesmo. Quase tudo está disponível em vídeo.
Obs.: O Brasil é um dos países que mais mata homossexuais no mundo.
42. “Seria incapaz de amar um filho homossexual. Prefiro filho morto em acidente.”
43. “Se um casal homossexual vier morar do meu lado, isso vai desvalorizar a minha casa! Se eles andarem de mão dada e derem beijinho, desvaloriza.”
44. “Você contrataria um motorista gay pra levar seu filho na escola? Tá na cara que não, cada coisa no seu lugar. Ninguém gosta de homossexual, a gente suporta.”
45. “Nenhum pai tem orgulho de ter um filho gay. Nós, brasileiros, não gostamos dos homossexuais.”
46. “O filho começa a ficar assim meio gayzinho, leva um coro, ele muda o comportamento dele. Vejo muita gente por aí dizendo: ainda bem que eu levei umas palmadas, meu pai me ensinou a ser homem. Ter filho gay é falta de porrada.”
47. “E eles não querem igualdade, eles querem privilégios. Eles querem é nos prender porque nós olhamos torto pra eles, nos prender porque nós não levantamos de uma mesa pra tirar nossos filhos ‘menor’ de idade de ver dois homens ou duas mulheres se beijando na nossa frente, como se no restaurante fosse um local pra fazer isso. Eles querem é privilégios! Eles querem é se impor como uma classe à parte.”
48. “O sangue de um homo pode contaminar. Isso não é discriminação. São dados.”
49. “A imensa maioria vem por comportamento. É amizade, é consumo de drogas. Apenas uma minoria nasce com defeito de fábrica.”mpre mostram os gays bem sucedidos, que trabalham pouco e ganham muito, têm carrões…
50. “Só porque alguém gosta de dar o rabo passa a ser um semideus e não pode levar porrada?
51. “Não vou combater nem discriminar, mas, se eu vir dois homens se beijando na rua, vou bater.”
52. “Gays não terão sossego comigo. E eu tenho imunidade pra falar que sou homofóbico, sim, com muito orgulho.”
53. Uma frase de Bolsonaro resume bem o que ele pensa sobre diversidade: “Eu quero respeitar é a maioria e não a minoria, tá entendendo? Minoria tem que se calar, se curvar diante da maioria ou desaparecer. E acabou.”

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Tortura e ditadura
54. Bolsonaro exalta constantemente o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, chefe das torturas na ditadura militar. Ustra espancou grávidas, colocou insetos na vagina de mulheres, as estuprou, administrou eletrochoques, afogamentos e injeção de produtos químicos. Fez isso tudo inclusive com crianças, para os pais assistirem, e vice-versa. Eu não vou dar mais detalhes, porque é tudo repugnante. Mas é isso o que Bolsonaro glorifica. Obs.: durante a votação do impeachment de Dilma, que foi torturada por Ustra, Bolsonaro disse: “pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante, o pavor de Dilma Rousseff”.
55. Nas palavras de Bolsonaro”: “Sou a favor da tortura. Através do voto, você não muda nada no país. Fazendo o trabalho que o regime militar não fez, fuzilando uns 30 mil, começando com o Fernando Henrique Cardoso, que seria um grande ganho pra nação. Não deixar pra fora, não, matando. Se vai morrer alguns inocentes, tudo bem, tudo quanto é guerra morre inocente”. E mais: “O erro da ditadura foi torturar e não matar”.
56. Questionado se fecharia o Congresso se fosse presidente da República, Bolsonaro respondeu: “Não há a menor dúvida, daria golpe no mesmo dia! Não funciona! Se ele é a pessoa que decide, que manda, que tripudia em cima do Congresso, dê logo o golpe, parte logo para a ditadura.” Neste fim de semana, o filho de Bolsonaro disse que bastam “um soldado e um cabo para fechar o STF.”
57. No mês passado, Bolsonaro disse: “vamos fuzilar a petralhada aqui do Acre”. No último fim de semana, na Avenida Paulista, disse: “Vai haver uma limpeza como nunca houve antes nesse país. Vou varrer os vermelhos do Brasil. Ou vão embora ou vão pra cadeia”. Devemos ter medo?

58. O que o resto do mundo diz sobre Bolsonaro
Um Fascista Se Apresentando Como Homem Honesto – Zeit (Alemanha).
Jair Bolsonaro – ascensão de um populista de direita – Der Spiegl (Alemanha)
Alerta vermelho para democracia” – Frankfurter Allgemeine (Alemanha)
Analistas alemães veem democracia no Brasil em risco – Deutsche Welle
Bolsonaro, o candidato mais temido, se lança para a presidência – La Nacion (Argentina)
Jair Bolsonaro: militarista, xenófobo e favorito para a eleição brasileira – El Clarín (Argentina)
Seria este é o político mais repulsivo do mundo? – News.Au (Austrália)
Conheça o Candidato que é um risco a democracia – The Australian (Austrália)
Por que alguns no Brasil estão se virando para um explosivo candidato de extrema-direita para o presidente? – The Sydney Sunday Herald (Austrália)
Bolsonaro assusta com soluções simplistas e autoritárias – El Mercurio (Chile)
Bolsonaro é um Pinochet institutional para o Brasil – El País (Espanha)
Bolsonaro: o candidato racista, homofóbico e machista do Brasil – El Mundo (Espanha)
Bolsonaro ama Trump, odeia gays e admira autocratas. Ele pode ser o presidente do Brasil – Time (EUA)
Brasil flerta com um retorno aos dias sombrios – The New York Times (EUA)
Ditadura militar iminente no Brasil?: Ganhando ou perdendo, a ascensão de Jair Bolsonaro colocar em perigo a jovem democracia brasileira – Americas Quarterly (EUA)
O mais misógino e odioso político eleito pelo mundo democrático: Jair Bolsonaro” e “A mais extrema e repelente face de uma ressurgida direita que tem como objetivo atrasar o país” – Intercept (EUA)
Brasil nas garras da tentação autoritária – Le Figaro (França)
Misógino, homofóbico, racista e atrevido – Le Monde (França)
Trump tropical, homofóbico e machista – Rádio França Internacional (França)
No Brasil, um ex-soldado para liquidar a democracia – Liberation (Franç)
Bolsonaro, líder xenófobo e anti-gay que dá o assalto à Presidência do Brasil – La Republica (Itália)
Um pesadelo chamado Bolsonaro – Corriende della Sierra (Itália)
Bolsonaro, o Neofascista que seduz o Brasil – Milenio (México)
Um canalha à porta do planalto – Publico (Portugal)
Jair Bolsonaro é perigo real no Brasil e segue passos de Adolf Hitler – Diário de Notícias (Portugal)
O “trágico destino” brasileiro de uma rebelião antidemocrática surge novamente:
A raiva pública contra uma elite corrupta poderia precipitar outra revolta – Financial Times (Reino Unido)
A mais nova Ameaça na América Latina – The Economist (Reino Unido)
O candidato ‘perigoso’ que lidera a corrida presidencial do Brasil – The Guardian (Reino Unido)
Brasília, nós temos um problema: O perigo representado por Bolsonaro – The Economist (Reino Unido)
O Faxineiro Racista do Brasil – Neuen Zürcher Zeitung (Suíça)
“Nós, mulheres e homens de várias partes do mundo comprometidos com a democracia e os direitos humanos, expressamos o mais profundo repúdio ao candidato de extrema direita, Jair Bolsonaro. O candidato de extrema direita defende abertamente os métodos violentos utilizados pelas ditaduras militares, inclusive torturas e assassinatos. Tais posições atentam contra uma sociedade livre, tolerante e socialmente justa. Conclamamos as brasileiras e brasileiros a refletirem sobre a gravidade deste momento histórico. Entre a democracia e o fascismo não pode haver neutralidade!” – Manifesto Internacional contra o Fascismo no Brasil (assinado por diversos deputados do parlamento europeu)

Veja também:  “Nada corrompe mais o Brasil do que a desigualdade, a concentração de renda”, avalia Dino ao Intercept

59. “Mas são só as opiniões pessoais dele.”
A imprensa mundial disso muitas coisas sobre Bolsonaro. Mas não é preciso que os outros digam mais uma vez quem ele é. Ele mesmo diz. O tempo todo. Basta que você escute. E você pode argumentar que é só a opinião dele, e como isso afeta o país? Infelizmente, afeta muito. E não é o que pode acontecer. É o que já está acontecendo. São mortes de inocentes, ameaças, intimidações. Há violência e medo generalizados. Não vou listar aqui, mas uma ONG independente mapeou todos os casos de violência recentes atribuídos a seguidores de Bolsonaro, inflamados por seu discurso de ódio (está nesse site: www.mapadaviolencia.org). Vale dar uma olhada. A partir do momento em que o candidato ao maior cargo público do país faz e fala todas essas coisas acima, ele está dando carta branca para que a população aja de acordo. Vale se perguntar: é desse lado que eu quero estar? Porque, quando você vota nele (ou votar nulo – omissão também é uma ação), você está literalmente assinando embaixo do que ele defende.

60. “Não quero votar no PT”
Muitos de nós, talvez a maioria, também não queria. O PT teve muitos erros. Mas não se trata disso. Mesmo que não seja no partido que gostaríamos, talvez seja o voto mais importante do Brasil desde que recuperamos o direito de votar. Esse não é um voto no PT. É um voto pelos princípios da humanidade, é um voto pela vida dos mais frágeis, é um voto por seguir existindo neste país. Nesta semana, o ex-presidente do PSDB, Alberto Goldman, disse: “Nunca me passou pela cabeça que um dia eu pudesse votar no PT, mas o discurso de Bolsonaro me colocou além do limite do que é suportável”. A jornalista Eliane Brum escreveu: “Perguntei a três ribeirinhos do Xingu que foram expulsos por Belo Monte como votariam. Os três tiveram suas ilhas ou terras afogadas, dois adoeceram seriamente, um teve a casa queimada com tudo dentro, outro não conseguiu nem impedir que os ossos do pai fossem submersos e desaparecidos, todos perderam a vida que conheciam e amavam, assim como a própria possibilidade de sobrevivência. De homens e mulheres da floresta se tornaram pobres urbanos em uma das cidades mais violentas do Brasil. Tornaram-se refugiados em seu próprio país, destituídos de tudo, até mesmo da própria identidade. Os três me disseram, sem hesitação, que votariam contra Bolsonaro. Eles compreendem que algo maior que a sua própria vida está em jogo. Se estas pessoas, que perderam tudo por uma obra de Lula e de Dilma, são capazes de compreender o momento histórico vivido pelo Brasil e superar todo o seu sofrimento e sua justa revolta para fazer o que é certo, entendo que eu também posso. E acredito que você também.” É isso. Nós podemos.

Bônus: o outro candidato
O Brasil não conhece muito bem o Haddad. Mas São Paulo conhece. Em 2016, eu (Marília) fiz uma extensa pesquisa (um tanto como essa) sobre a gestão dele na prefeitura. Não vou colar aqui para aumentar o já gigantesco texto, mas coloco alguns destaques abaixo. Isso não contempla a atuação dele em outros cargos, como Ministro da Educação (mas o grande feito dele é unânime: a criação do ProUni, que dá bolsas de estudo em universidades privadas para estudantes de baixa renda e que virou lei nacional). Haddad é professor, formado em direito, mestre em economia e doutor em filosofia. É uma pessoa brilhante, que não deveria ser o procurador do passado do seu partido, mas sim simbolizar o futuro dele.

1. Haddad recuperou mais de R$ 600 milhões de desvios dos cofres municipais com a Controladoria Geral do Município, que ele criou para prevenir e combater a corrupção. Também criou o Contas Públicas do Portal da Transparência, que rendeu a São Paulo o prêmio de terceira capital mais transparente no índice da ONG Contas Abertas.
2. Haddad reduziu as mortes no trânsito em 20,6% e os acidentes com vítimas em 38,5% ao diminuir a velocidade máxima. Foi a maior queda desde 1998, e R$ 6,2 milhões foram economizados em despesas hospitalares e 60 leitos liberados por dia. Com as ciclovias, houve 34% de redução de mortes de ciclistas, e, com as faixas exclusivas para ônibus, economia de 4h semanais nos trajetos dos usuários. São Paulo passou de 7ª para 58ª (de 2013 para 2015) no ranking mundial de congestionamentos. Isso é qualidade de vida.
3. Haddad governou em período de recessão, com dívidas herdadas da gestão anterior, mas renegociou a dívida da cidade de R$ 74 bi para R$ 27,5 bi – e ainda investiu duas vezes mais na cidade do que a média dos últimos 14 anos.
4. Haddad fez a maior obra viária na cidade em 20 anos, investiu 3 vezes mais em drenagem em comparação com as 2 últimas gestões, e duplicou a área destinada à moradia social, transformando mais de 2,3 milhões de m² sem uso em moradias sociais e atividades para a cidade. Aplicou também o IPTU progressivo pela primeira vez, conforme prevê a lei.
5. Haddad aumentou as consultas médicas em 1.8 milhão e reduziu o tempo de espera de 33 para 19 dias, além de construir e reformar diversas unidades de saúde (36 UBS, 34 Rede Hora Certa, 16 Consultórios na Rua, 3 UPAs 24h e + de 450 AMAs, CAPs e CEOs).
6. Haddad fez uma expansão recorde de 94 mil novas vagas na educação infantil com 419 novas creches, abriu mais 9.462 vagas em cursos de graduação e pós-graduação gratuita, contratou mais de 16 mil professores com um dos maiores salários do país, e acabou com a aprovação automática nas escolas.
7. Com o De Braços Abertos – que deu moradia, trabalho, alimentação e capacitação para moradores da Cracolândia –, 88% reduziram o consumo diário, 84% tiveram tratamento de saúde, 72% tiveram emprego, 55% recuperaram o contato com a família e 84% passaram a possuir documento de identificação.
8. A gestão de Haddad ganhou diversos prêmios nacionais e internacionais, como o MobiPrize, o Sustainable Transportation Award, o Prêmio Rainha Letizia de Acessibilidade Universal de Municípios Latinoamericanos, o Prêmio Melhores Práticas Inovadoras da Nova Agenda Urbana da ONU Habitat, o Prêmio Hora do Planeta e o Mayors Challenge Award – no qual foi eleito o “melhor prefeito do mundo).

Leia a pulicação na página da jornalista.

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