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20 de maio de 2019, 15h02

‘A Crise das Utopias e o Cinema Militante Pós-68’ na 8ª Mostra Ecofalante

Serão mostradas 14 obras realizadas entre 1970 a 1984 de diretores como Agnès Varda, Michelangelo Antonioni, Chris Marker, Frederick Wiseman e Glauber Rocha, entre outros

Foto: Divulgação
A 8ª Mostra Ecofalante de Cinema, considerado como o mais importante evento audiovisual dedicado ao tema socioambiental da América do Sul, acontece de 30/05 a 12/06, em São Paulo. No total, serão exibidos 132 filmes, de 32 países, com toda programação gratuita. A mostra, que tem a sua sessão de abertura para convidados no dia 29/05, celebra a Semana Nacional do Meio Ambiente e o Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado no dia 5 de junho. Programação de destaque deste ano, A Crise das Utopias e o Cinema Militante Pós-68 reúne 14 obras realizadas entre 1970 a 1984 e assinadas por grandes diretores, como Agnès Varda, Michelangelo...

A 8ª Mostra Ecofalante de Cinema, considerado como o mais importante evento audiovisual dedicado ao tema socioambiental da América do Sul, acontece de 30/05 a 12/06, em São Paulo. No total, serão exibidos 132 filmes, de 32 países, com toda programação gratuita. A mostra, que tem a sua sessão de abertura para convidados no dia 29/05, celebra a Semana Nacional do Meio Ambiente e o Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado no dia 5 de junho.

Programação de destaque deste ano, A Crise das Utopias e o Cinema Militante Pós-68 reúne 14 obras realizadas entre 1970 a 1984 e assinadas por grandes diretores, como Agnès Varda, Michelangelo Antonioni, Chris Marker, Frederick Wiseman e Glauber Rocha, entre outros. O evento propõe uma reflexão e revisão sobre o mundo e a sociedade que se seguiram à grande efervescência cultural dos anos 1960. Dois debates estão agendados: “Contracultura e 68” e “Ativismos Emergentes”

Sessão de Abertura:

A sessão de abertura (só para convidados) acontece no dia 29/05, quarta, às 19h30, na Reserva Cultural, com a exibição de “Bem-vindos a Sodoma” (Áustria/Gana, 2018, 92 min), de Florian Weigensamer e Christian Krönes, premiado no Festival de Zurique, que retrata o maior lixão de lixo eletrônico do mundo: Agbogloshie, em Gana. Lá, crianças e adolescentes desmontam equipamentos, em meio a fumaça tóxica, em uma rotina venenosa. (filme inédito).

Trailer: https://vimeo.com/276260242

Homenagem ao diretor brasileiro Silvio Tendler – a mostra exibe onze de suas mais marcantes obras. O filme “O Fio da Meada” (Brasil, 2019, 77 min), que estreia no festival, acompanha a luta de caiçaras, quilombolas e indígenas para sobreviver e para tentar impedir que suas reservas naturais sejam destruídas pelo processo de urbanização.

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Panorama Internacional Contemporâneo – está organizada em sete eixos temáticos: Cidades, Economia, Povos & Lugares, Recursos Naturais, Saúde (novo), Sociobiodiversidade e Trabalho. Estão reunidos um total de 44 títulos, representando obras de 22 diferentes países.

Alguns destaques:

Saúde (estreante na programação) – “Operação Enganosa” (EUA, 2018, 99 min), o documentarista indicado ao Oscar, Kirby Dick, traz as histórias de vítimas da tecnologia usada inadequadamente na medicina + “Mulheres Contra a AIDS” (EUA, 2017, 67 min), de Harriet Hirshorn, é o primeiro documentário sobre a história das mulheres na vanguarda do movimento global contra a AIDS.

Cidades –  “Memórias do Oriente” (Finlândia, 2018, 86 min), de Niklas Kullström e Martti Kaartinen, tem como foco o linguista e diplomata finlandês Gustaf John Ramstedt, considerado pai da moderna Mongolística, e questiona sobre como a linguagem pode conectar as pessoas sobre fronteiras culturais; e como a economia de mercado conseguiu substituir os velhos modos do passado.

Sociobiodiversidade – “Jane” (EUA/Reino Unido, 2017, 90 min), que tem por base mais de 50 anos dos arquivos da National Geographic. Seu diretor, indicado ao Oscar, Brett Morgen conta a história de Jane Goodall, cuja pesquisa sobre chimpanzés desafiou a consenso científico e revolucionou a compreensão do mundo natural. A obra tem ainda composições do músico Philip Glass.

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Recursos Naturais – “Vulcão de Lama: A Luta Contra a Injustiça” (EUA, 2018, 80 min), de Cynthia Wade e Sasha Friedlander, que conta a luta de moradores que tiveram suas vilas soterradas por um tsunami de lama em ebulição. Consagrada mundialmente, a diretora Cynthia Wade ganhou mais de 40 prêmios, com destaque para um Oscar em 2008, além de uma segunda indicação em 2013.

Povos & Lugares –  “Pra Cima, Pra Baixo e Pros Lados: Cantos de Trabalho” (Índia, 2017, 83 min), selecionado pelo prestigiado Festival de Amsterdã, o IDFA. Dirigido por  Anushka Meenakshi e Iswar Srikumar, retrata uma aldeia no estado indiano de Nagaland, perto da fronteira com Myanmar, com cerca de 5.000 habitantes, quase todos cultivando arroz para consumo próprio. Nele, o ritmo e o movimento de capinar, arar, plantar e colher é acompanhado por músicas e letras que ecoam pelas colinas.  (Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=zJsCbJfICoY)

Trabalho- O premiado “A Verdade Sobre Robôs Assassinos” (EUA, 2018, 83 min), de Maxim Pozdorovkin, mostra como os humanos estão se tornando cada vez mais dependentes de robôs e traz os vários pontos de vista, de engenheiros a jornalistas e filósofos, que falam sobre diferentes situações em que os robôs causaram a morte de seres humanos e como eles representam uma ameaça para a sociedade.

Economia – “Eldorado” (Suíça/Alemanha, 2018, 92 min), obra premiada nos festivais de Berlim e de Palm Springs, do mesmo diretor de “Mais que Mel”. Inspirado em seu encontro pessoal com uma criança refugiada italiana durante a Segunda Guerra Mundial, o diretor Markus Imhoof conta como os refugiados e os migrantes são tratados hoje: no Mar Mediterrâneo, no Líbano, na Itália, na Alemanha e na Suíça. + “Golpe Corporativo” (Canadá/EUA, 2018, 90 min), de Fred Peabody, retrata como o Presidente Trump é o resultado de fracassadas políticas globalistas neoliberais e um “golpe corporativo”, no qual corporações e bilionários gradualmente assumiram o controle do processo político.

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Mostra Brasil Manifesto (Novo programa), traz um conjunto de filmes que constroem um retrato denso e agudo do Brasil – um dos destaques é o inédito “O Amigo do Rei” (Brasil, 2019, 142 min), que faz sua estréia na Mostra Ecofalante. O filme tem como tema a maior tragédia ambiental da História do Brasil: o rompimento da barragem da Samarco em Mariana-MG e suas consequências. O trabalho anterior do diretor André D’Elia, “Ser Tão Velho Cerrado”, foi o vencedor em 2018 do prêmio do público da Mostra Ecofalante.

Competição Latino-Americana – abriga títulos da Argentina, Brasil, Colômbia, México, Peru e Venezuela, em um total de 24 obras.

A Sessão Infantil, concurso Curta Ecofalante, Debates e o 2º Seminário de Cinema e Educação, além do novo programa Realidade Virtual, completam a programação da mostra.

A programação completa está disponível no site: http://www.ecofalante.org.br

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