Urbanidades

17 de dezembro de 2013, 19h22

A lei do Fluminense

Passados quase 40 anos da Lei de Gerson, a elite brasileira deixou claro em 2013 que continua valendo o ditado de que para os amigos tudo, para os outros, a lei. A justiça brasileira nunca foi cega e opera muito bem seus vários pesos e várias medidas

Se o ano de 1976 nos deu a Lei de Gerson na famosa propaganda dos cigarros Vila Rica, o ano de 2013 nos deu a Lei do Fluminense. Agremiação favorita da elite carioca, o Fluminense que tem no pó-de-arroz um terrível passado racista mal resolvido tem também no seu longo currículo de viradas de mesa a mais perfeita tradução da justiça brasileira: a capacidade de encontrar um formalismo qualquer para atrasar, prescrever, cancelar ou mesmo virar julgamentos a seu favor.

Pois se o brasileiro cansar de ser preto e pobre basta estar carregando um frasco de desinfetante e outro de água sanitária para ser condenado a 5 anos de prisão. Nem falo aqui dos outros “pês” como prostitutas e petistas ou, no caso, torcedores da Portuguesa. Para estes, como sabemos, vale o peso da lei.

A propaganda que celebrizou a “Lei de Gerson”

Mas para aqueles com lugar assegurado hereditária e eternamente na elite brasileira haverá sempre um jogador escalado irregularmente; um mandado de segurança na véspera de fugir para o exterior; um piloto de helicóptero que trabalha sozinho;  um funcionário público corrupto sem que haja corruptor.

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Às favas os escrúpulos de consciência, às favas a própria jurisprudência passada (ver o caso do próprio Fluminense em 2010).  Nelson Rodrigues deve estar se revirando de vergonha no túmulo enquanto outros tricolores, calados, se fazem cúmplices de tamanha desfaçatez.  Tudo perfeitamente legal na sua imensa imoralidade.

Passados quase 40 anos da Lei de Gerson, a elite brasileira deixou claro em 2013 que continua valendo o ditado de que para os amigos tudo, para os outros, a lei.  A justiça brasileira nunca foi cega e opera muito bem seus vários pesos e várias medidas.

Proponho que a partir de agora a desigualdade operada pelo Judiciário passa a se chamar Lei do Fluminense.

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