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15 de outubro de 2011, 10h52

A todo vapor

Porto Alegre espanta o frio e esquenta o ânimo à espera do próximo Fórum. A expectativa é que mais de 50 mil pessoas se reúnam para discutir a construção de um outro mundo dos dias 29 de janeiro a 5 de fevereiro de 2002. Mas tem gente que não está gostando nada disso. Entre eles os senhores que vão reunir-se em Davos (Suiça) na mesma época

Porto Alegre espanta o frio e esquenta o ânimo à espera do próximo Fórum. A expectativa é que mais de 50 mil pessoas se reúnam para discutir a construção de um outro mundo dos dias 29 de janeiro a 5 de fevereiro de 2002. Mas tem gente que não está gostando nada disso. Entre eles os senhores que vão reunir-se em Davos (Suíça) na mesma época Por Glauco Faria A preparação para o Fórum Social Mundial 2002 já está a todo vapor. De 29 de janeiro a 5 de fevereiro, Porto Alegre será novamente palco do encontro, que deve contar...

Porto Alegre espanta o frio e esquenta o ânimo à espera do próximo Fórum. A expectativa é que mais de 50 mil pessoas se reúnam para discutir a construção de um outro mundo dos dias 29 de janeiro a 5 de fevereiro de 2002. Mas tem gente que não está gostando nada disso. Entre eles os senhores que vão reunir-se em Davos (Suíça) na mesma época

Por Glauco Faria

A preparação para o Fórum Social Mundial 2002 já está a todo vapor. De 29 de janeiro a 5 de fevereiro, Porto Alegre será novamente palco do encontro, que deve contar com número bem maior de participantes. “O primeiro teve aproximadamente 22 mil, para o próximo esperamos que haja de 70 a 80 mil pessoas”, prevê Chico Vicente, membro do Comitê do Fórum Social Mundial do Rio Grande do Sul. A grande novidade é a realização de vários eventos preparatórios como, por exemplo, o que ocorreu em Gênova, durante a reunião do G-8. “Outras cidades européias, como Barcelona, devem ter eventos semelhantes. Em Recife, Fortaleza, e em várias cidades do interior gaúcho também devem Porto Alegre espanta o frio e esquenta o ânimo à espera do próximo Fórum. A expectativa é que mais de 50 mil pessoas se reúnam para discutir a construção de um outro mundo dos dias 29 de janeiro a 5 de fevereiro de 2002. Mas tem gente que não está gostando nada disso. Entre eles os senhores que vão reunir-se em Davos (Suíça) na mesma época acontecer encontros no fim do ano e começo de 2002”, esclarece Vicente. A internet deve ser outro ponto forte, como neste ano. Dessa vez haverá um noticiário diário pela rede.

As temáticas do Fórum já estão definidas. “Temos dezesseis temas principais que serão abordados nas discussões. Para cada um deles serão indicadas redes internacionais que entregarão propostas já em outubro”, explica Antônio Martins, jornalista e membro da Attac, uma das entidades organizadoras do Fórum. As formas de discussão também devem ser ampliadas com a introdução de seminários com duração de dois a três dias, aprofundando assuntos mais específicos, como a instituição da Taxa Tobin e o desenvolvimento de estratégias conjuntas para tratar do problema da dívida externa.

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Entretanto, a estrutura básica do primeiro encontro com oficinas, painéis e testemunhos será mantida. Quanto ao local do Fórum, Chico Withaker, da Comissão Brasileira de Justiça e Paz, acredita que a base do encontro continuará sendo a PUC do Rio Grande do Sul. “A tendência é essa, mas pretendemos expandir as discussões para toda a cidade”, diz. Para ele, a percepção do Fórum como um evento que veio realmente para ficar foi consolidada com a criação do Conselho Internacional em junho deste ano. O conselho terá a função de orientar as diretrizes políticas e definir os rumos estratégicos do Fórum, sendo espaço permanente de discussões entre as várias organizações participantes. “A próxima reunião deverá ser em novembro, na cidade de Dacar, e lá definiremos os últimos detalhes”, adianta Withaker.

Outra tendência do próximo encontro é a afirmação de seu caráter propositivo. É com esse espírito que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) estará presente em Porto Alegre. Gilmar Mauro, um dos dirigentes da entidade, acha que, além das discussões, o evento deve apresentar também propostas que possam ser viabilizadas. “É importante que o Fórum não seja um lugar só de debates, mas que tenha conseqüências práticas na vida do povo”, defende. Outra preocupação de Mauro é que possa ser elaborado amplo arco de forças sociais e políticas para combater o neoliberalismo, incentivando a participação das organizações de massa. “O grande desafio é fazer com que essas organizações estejam cada vez mais presentes, já que não há possibilidade de construir uma alternativa sem a participação delas”, aponta.

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As entidades sindicais também estão se articulando para a realização do próximo Fórum. Para João Felício, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), a formação da Alca tem de ser incluída na pauta de debates. “Precisamos aproveitar a presença de grande parte do movimento sindical das Américas para discutir a questão da Alca, temos que ampliar esse debate que hoje está restrito ao meio acadêmico”, justifica. Segundo Felício, cerca de 5 mil sindicatos devem participar. “Tanto eu como o Kjeld Jakobsen estamos viajando e realizando muitos contatos para que a representação dos sindicatos seja a mais ampla possível”, diz. Tudo leva a crer que 2002 será outro ano em que os magnatas de Davos (Suíça) não terão sossego.

Mundo Afora

Contra o G-8Gênova foi o centro das atenções do mundo durante o mês de julho. Nem tanto pela reunião do G-8, onde dirigentes dos sete países mais ricos e a “agregada” Rússia se reuniram, mas sim pelas diversas manifestações contra o neoliberalismo. Como sempre, os manifestantes primaram pela criatividade, mas ficaram bem distantes do local da reunião dos mandatários do G-8. Mesmo assim, a polícia italiana abusou da violência. Além de inúmeras pessoas feridas, Carlo Giuliani, ativista de 23 anos, foi assassinado com um tiro na cabeça por um carabinieri.

A volta do fascismo

Ato mais bárbaro, a morte do ativista italiano não foi o único “excesso” da guarda neofascista do magnata-presidente Silvio Berlusconni. A polícia invadiu a sede do Fórum Social de Gênova, sem ordem judicial, e o Centro de Mídia Independente. Houve confrontos por mais de 1 hora e o saldo foi mais de quarenta feridos e vários equipamentos destruídos e outros furtados.

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Protestos no Brasil

Em São Paulo as manifestações contra o G-8 transcorreram sem problemas. Cerca de 2 mil pessoas protestaram sem que se repetissem os incidentes do dia 20 de abril, na Avenida Paulista, onde houve violenta repressão policial. O protesto terminou em frente ao consulado americano. Outro consulado, o italiano, foi alvo de manifestações contra a violência da polícia de Gênova. Durante 3 horas os manifestantes impediram a saída do cônsul e dos funcionários.

Washington vem aí!

O próximo grande protesto contra o neoliberalismo deve ocorrer em Washington. De 28 de setembro a 4 de outubro o Banco Mundial e o FMI vão realizar o seu encontro anual e várias organizações já começam a preparar os protestos contra os donos do cassino global.

A força de Fidel

O presidente cubano Fidel Castro comandou uma das maiores marchas da história do país em comemoração ao 48º aniversário do ataque ao quartel de Moncada. O evento contou com 1,2 milhão de pessoas e foi marcado por protestos contra o bloqueio americano à ilha.

Educação globalizada

Mais de 7 mil pessoas são esperadas para o Fórum Mundial de Educação, que acontecerá em Porto Alegre de 24 a 27 de outubro. Promovido pela prefeitura local em parceria com outras entidades, o encontro terá como tema central a Educação no Mundo Globalizado e serão realizadas oficinas, mostras e conferências. Para inscrever-se acesse o site www.forummundialdeeducacacao.com.br

Memorial do Fórum

Porto Alegre já conta com um Memorial do Fórum Social Mundial. O espaço, inaugurado em agosto, pretende preservar e difundir as idéias do próximo encontro.

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