Blog do Valdemar

política e teologia

05 de setembro de 2016, 20h33

A “vanguarda” política do golpe do dia 31 de agosto de 2016

Temer é representativo do projeto de poder que os brasileiros querem ver implantado. Figura carimbada para construir a ponte para o futuro e nos guiar na travessia. O símbolo do líder de sucesso que justifica os meios através dos resultados.
Cunha é representativo da qualidade do nosso parlamento. Enquanto alguns gritam palavras de ordem para demovê-lo, judiciário, legislativo e a grande mídia miam baixo, bem baixo, diante dele. O seu enriquecimento ilícito é compensado pela sua função útil.
Moro é representativo do judiciário que encontra o criminoso e depois procura o crime. Capaz de fazer suspenção quando acha o crime e oferece salvo conduto para o criminoso. Um verdadeiro malabarismo de cristais entre bravatas e condescendência. O sistema judiciário na sua versão personalista é parcial e pronto.
Janaína é representativa da elite intelectual que empobrece as ideias em função da celebridade. Exaltada como cérebro do golpe. A professora será estudo de caso nos próximos séculos. Sequer precisa voltar para a rotina do departamento universitário. Pode tranquilamente viver de palestras e falar para o resto da vida as mesmas coisas, pois haverá auditório disposto a pagar para ver as suas performances. Com uma tese jurídica tão fraca, abalou os poderes da nação. Grande feito.
Bolsonaro é representativo das corporações militares ainda ávidas por revanches. Pavimentação de uma sociedade ordeira, disciplinada e amedrontada. O Estado regido por uma mão forte e pesada disposta a constranger os críticos e esmagar os resistentes. A doutrina da violência que gera bem-estar. A figura maiúscula que se diverte enquanto ridiculariza os minúsculos.
Magno Malta é representativo dos pregadores que dão porrada no púlpito com oratórias dominicais diante de plateias embasbacadas. Seria o ícone dos religiosos prolixos encantados com a forma dos discursos, mas descuidados com o conteúdo. Confessadamente rasos. Fanfarrices refogadas com impropérios em nome de Deus.
O Merval Pereira é representativo do jornalismo de alto nível. Tendencioso até o último fio do bigode. Funcionário do mês porque cumpre as metas do patrão sem violentar-se. Há muito deixou de se importar com a pluralidade das fontes e em verificar a veracidade das versões. As suas certezas estão cristalizadas e a sua missão multimídia é o convencimento. Panfletário com ar esnobe de escritor best-seller. O Louro José dos irmãos Marinhos.
A Marina é representativa do sistema partidário. Agrupou supostamente os melhores da ala direita e da esquerda. Propôs-se a implodir o dualismo PT/PSDB com uma campanha sanitária. Reinventar a política porque todos prevaricaram. A versão do messianismo zen. Na tentativa de estabelecer a Rede, provisoriamente, apresentou um balaio cheio de pérolas. Discurso denso que se pretende original, mas não passa de ortodoxias meigas.
A Suzana Vieira é representativa da classe artística. Roubou o protagonismo da Regina Duarte na peça de acusação contra a Presidenta Dilma. Com alta carga dramática, recitou o texto e se assustou com os aplausos. Sequer percebeu que o roteiro é ruim, o argumento fraco e o sucesso de bilheteria tem a ver com a grana derramada pelos patrocinadores e não pelo seu talento.
O dia 31 de agosto de 2016 revelou entre outras coisas que esses ícones da nossa vanguarda política são representativos. O Brasil os consagra com efusivos aplausos. Por onde passam são abordados com selfies. A marcha da insensatez tem base popular. O estranho é que os incomodados estão acomodados.
Quem cantou “não vai ter golpe” precisa inventar outra coisa. O golpe foi dado com requinte de crueldade. As instituições da República foram instrumentalizadas com extrema facilidade para legitimar o golpe. E eis que acordamos no reino dos canalhas.
@ValdemarDema2
Fotomontagem: Pragmatismo Político

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