Notas Internacionais

por Ana Prestes

04 de julho de 2019, 14h29

Ações do ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro colocam em risco Fundo Amazônia

Ana Prestes releva que um dos fatores que têm desmotivado Noruega e Alemanha, principais investidores, é que o desmatamento da Amazônia aumentou entre 15% e 18% nos últimos 12 meses

Foto: Reprodução/TV Cultura

– O dia 4 de julho (“Independence Day”) é importante para os EUA e para Bolsonaro. O presidente fez questão de ir nesta quarta (3), pela noite, à embaixada norte-americana em Brasília para participar das celebrações dos 243 anos de independência dos EUA. As comemorações comandadas por Trump lá nos EUA nesta quinta (4) estão previstas para ocorrer com um desfile de tanques e aviões de guerra. A participação do chefe direto da presidência da República nesses eventos é bastante rara e incomum, até porque as embaixadas dos demais países também comemoram suas datas nacionais, geralmente celebrando suas independências. O fato da mais alta autoridade do país ir a uma festa e não ir às demais denota relações privilegiadas com um determinado país em detrimento dos outros, mas Bolsonaro não parece se incomodar com isso, muito pelo contrário.

– O Parlamento Europeu já tem novo presidente. Trata-se de David-Maria Sassoli, jornalista e político italiano, do Partido Democrático, membro do Parlamento Europeu desde 2009. Ele substituiu outro italiano, Antonio Tajani, que presidia o parlamento do bloco desde 2017. Ele obteve 245 votos na assembleia parlamentar de 751 membros e sobre o Brexit disse que é preciso haver “bom senso e espírito de diálogo e amizade”. Também alertou sobre a necessidade de se rever as regras sobre migração e asilo político. O italiano ocupará um dos principais cargos do bloco, ao lado da francesa Christine Lagarde, que presidirá o Banco Central Europeu, e a alemã Ursula Von der Leyen, que será a presidente da Comissão Europeia.

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– Depois de anunciar que o Brasil pode se empenhar no comércio de bijuterias de nióbio para o Japão, Bolsonaro voltou ao Brasil, vindo do G20, animado em ativar o mais rápido possível a região de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, como a “Cancún brasileira”. No entanto, para isso, terá que flexibilizar as regras ambientais na Estação Ecológica de Tamoios, que fica na região, e isso só pode ser feito via legislação. A unidade de conservação, localizada na Baía da Ilha Grande, na Costa Verde, nas proximidades do complexo nuclear de Angra dos Reis, é composta por 29 ilhas e foi criada em 1990 por uma exigência legal que determina que todas as usinas nucleares devam estar em áreas delimitadas, como estações ecológicas. O governo Bolsonaro quer transformar a região em “área especial de interesse turístico”.

– O Fundo Amazônia não deve conseguir sobreviver ao governo Bolsonaro. Criado em 2008, seu objetivo tem sido recolher doações para investimentos na prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento da floresta. Os principais colaboradores, Noruega e Alemanha, já depositaram 3 bilhões e quase 200 milhões, respectivamente. Ocorre que medidas recentes do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, estão espantando os países parceiros. Primeiro, o ministro pediu a extinção do Comitê Orientador do Fundo Amazônia no contexto da restruturação do BNDES e, em seguida, disse que gostaria de usar parte dos recursos para indenizações de proprietários de terras que estão em unidades de conservação. Em carta, os embaixadores Nils Martin Gunneng (Noruega) e Geog Witschel (Alemanha) disseram esperar que “o BNDES continue a administrar o fundo e a aprovar os projetos planejados, de acordo com os entendimentos e diretrizes existentes”. Outro fator que tem desmobilizado o fundo é o dado recente de que o desmatamento da Amazônia aumentou entre 15% e 18% nos últimos 12 meses, atingindo uma área de mais de 4.500 km2, os dados são do Inpe.

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– Um dos efeitos aguardados do recente encontro entre Trump e Xi Jinping no âmbito do G20 em Osaka, no Japão, está relacionado ao anúncio do presidente norte-americano de que relaxaria a pressão sobre a Huawei. Na última segunda, o governo foi mais específico e disse que a empresa chinesa seria autorizada a comprar “chips diversos e softwares ou outros serviços que também possam ser encontrados em outras partes do mundo”. As empresas de telecomunicações dos EUA continuariam impedidas de comerciar com a Huawei, mas o Google e outros poderiam voltar a operar no sistema Android dos aparelhos da Huawei. No entanto, pouco foi feito de operacional pelos americanos para que isso ocorra.

– A situação na Líbia não está nada tranquila e um evento desta semana voltou a chamar atenção dos olhos do mundo. Um ataque aéreo a um centro de detenção para migrantes matou pelo menos 40 pessoas e deixou mais de 80 feridas (Reuters/France Press). O centro ficava perto de Trípoli e abrigava nacionais de outros países africanos. A Líbia tem sido, nos últimos anos, o posto de passagem para cidadãos africanos migrarem para a Europa, em especial para a Itália. O Conselho de Segurança da ONU se reuniria nesta quarta (3), de forma extraordinária, para tratar o tema.

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– Por falar em Itália e migrantes, foi libertada a capitã do Sea Watch 3, a alemã Crola Rackete, que afrontou o governo italiano xenófobo, ao tentar aportar com a embarcação que contava com 42 imigrantes africanos no porto Lampedusa. Segundo a juíza que a libertou, ela estava cumprindo seu dever de “salvar vidas”. O ministro do interior e vice-primeiro ministro italiano Matteo Salvini a chamou de “pirata” e “criminosa” e quer que ela seja expulsa imediatamente do país, alegando perigo para a segurança nacional. A capitã violou a proibição e aportou a embarcação após mais de duas semanas de espera por autorização e quando a situação dentro do navio já era de calamidade. Alemanha, França, Portugal, Finlândia e Luxemburgo se ofereceram para receber os migrantes.

– Filha de mãe haitiana, uma pequena brasileira de 2 anos está desaparecida no Rio Grande, na fronteira entre o México e os EUA.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.