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01 de julho de 2015, 11h16

Adesivos misóginos são a nova moda contra Dilma

Neste momento, circulam peles redes sociais imagens de montagens feitas com o rosto da presidenta Dilma Rousseff, em que ela aparece de pernas abertas. São colados adesivos com essa imagem na entrada no tanque de gasolina dos carros, que, quando abastecidos, passam a ideia de que a bomba de gasolina está penetrando sexualmente a figura falsa da presidenta.

Segundo os adeptos dessa aberração machista, a intenção é “protestar” contra o aumento da gasolina. Parece que para eles a melhor analogia para um protesto é um estupro, uma violação sexual que ainda é exibida como se fosse algo engraçado. A penetração, nesse caso, é a punição contra a presidenta, que está sendo “castigada” por ter subido os custos do abastecimento.

A hipocrisia das pessoas que compactuam com esse tipo de atitude é desconcertante.  Muitos desses indivíduos fazem parte de camadas conservadoras, que defendem uma suposta “preservação da família” e uma ideia de moral pautada nos anos 40. Curiosamente, essas pessoas não refletem e não se preocupam com a mensagem que estão passando para as pessoas nas ruas, incluindo crianças, que verão a imagem da presidenta de pernas abertas e darão de cara com a bomba de gasolina “entrando” em seu corpo dessa maneira.

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Essa prática, que jamais deve ser chamada de protesto, evidencia que faltam argumentos políticos e embasados em fatos, análises sérias e dados convincentes para respaldar as críticas contra o governo Dilma. Porque, sim, é possível criticar o governo atual e até mesmo manifestar revolta sem apelar para misoginia e analogias de estupro. A presidenta Dilma não deu o seu consentimento para que isso fosse feito, com essas montagens grotescas; certamente, essa prática só serve para banalizar e naturalizar, ainda mais, a violência sexual contra as mulheres.

Atualização: a imagem foi embaçada a pedido de leitores.

Foto de capa: Reprodução / Facebook