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21 de maio de 2019, 20h36

“Agora a tortura é mais sofisticada. Ela é com base na delação premiada”, diz Lula ao The Intercept Brasil

“Eu poderia citar como exemplo a delação do Palocci, em que ele está mentindo da forma mais… sabe, quase que… é quase que uma coisa inexplicável”, disse o ex-presidente

Foto: Reprodução
Na entrevista concedida pelo ex-presidente Lula ao jornalista Glenn Greenwald, do The Intercept Brasil, ele começou falando sobre sua situação na prisão. “Eu não sei o que é tratamento humanitário na prisão. Eu estou preso, estou numa solitária – a verdade é que é uma solitária – porque eu fico a maioria do tempo inteiro sozinho, recebo os meus advogados e só. E a família uma vez por semana. Eu não sei se isso é bom. O que me faz suportar tudo isso sem ódio e com muita esperança é que tem milhões e milhões e milhões e milhões de...

Na entrevista concedida pelo ex-presidente Lula ao jornalista Glenn Greenwald, do The Intercept Brasil, ele começou falando sobre sua situação na prisão.

“Eu não sei o que é tratamento humanitário na prisão. Eu estou preso, estou numa solitária – a verdade é que é uma solitária – porque eu fico a maioria do tempo inteiro sozinho, recebo os meus advogados e só. E a família uma vez por semana. Eu não sei se isso é bom. O que me faz suportar tudo isso sem ódio e com muita esperança é que tem milhões e milhões e milhões e milhões de brasileiros que, mesmo em liberdade, vivem pior do que eu estou vivendo. Eu almoço, eu janto, sabe”, disse.

“O brasileiro ou a brasileira que mora em uma palafita, ela não tem nenhuma cidadania. O cidadão que mora num quarto de três por três e ele é obrigado a almoçar, jantar, cozinhar, fazer sexo com a sua esposa, fazer a sua necessidade fisiológica num espaço de três por três, sabe, ele não está vivendo melhor do que eu estou aqui. Então é por isso que eu me preocupo menos com a minha situação e muito mais com a situação de milhões de pessoas”, acrescentou.

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Questionado sobre se é maltratado ou torturado na prisão, Lula declara “Não, veja. Faz muitos anos que nós brigamos para acabar a tortura. Agora a tortura é mais sofisticada. Ela é com base na delação premiada, onde as mentiras são contadas milhares de vezes ao mesmo tempo, e as pessoas às vezes ficam dois ou três anos presas até dizerem o que o promotor ou o delegado querem ouvir. Eu poderia citar como exemplo a delação do Palocci, em que ele está mentindo da forma mais… sabe, quase que… é quase que uma coisa inexplicável. Você pega o Leo [Pinheiro], que está preso, tentando contar mentiras o tempo inteiro, e a senha é tentar falar do Lula. Isso já faz cinco anos. Você sabe que eu estou aqui e que nem o juiz, nem o procurador, nem o delegado da Polícia Federal que fez o inquérito têm nenhuma prova contra mim. Eles sabem que o apartamento não é meu, eles sabem que a chácara não é minha, mas eles contaram uma mentira”, destacou.

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