Imprensa livre e independente
13 de março de 2019, 17h26

Após atentado, deputados da oposição pedem mais controle de armas; governistas se omitem

"Tragédias como essa resultam do incentivo à violência e à liberação do uso de armas", disse Gleisi Hoffmann (PT-PR), em sintonia com outros deputados da oposição; parlamentares governistas se calaram ou apenas lamentaram

Montagem: Viomundo
O atentado a tiros em uma escola pública de Suzano (SP) que deixou 10 pessoas mortas na manhã desta quarta-feira (13) gerou diferentes reações entre deputados governistas e da oposição. Enquanto parlamentares do campo progressista lamentaram as mortes e propuseram debates sobre um maior controle de armas de fogo no país para evitar novas tragédias, deputados governistas e correligionários de Jair Bolsonaro, responsável pelo decreto que facilitou a posse de armamentos, em sua maioria, se calaram. Os que fizeram pronunciamentos se limitaram a lamentar as mortes ou ainda associar o atentado ao “fracasso do Estatuto do Desarmamento”, defendendo ainda mais...

O atentado a tiros em uma escola pública de Suzano (SP) que deixou 10 pessoas mortas na manhã desta quarta-feira (13) gerou diferentes reações entre deputados governistas e da oposição.

Enquanto parlamentares do campo progressista lamentaram as mortes e propuseram debates sobre um maior controle de armas de fogo no país para evitar novas tragédias, deputados governistas e correligionários de Jair Bolsonaro, responsável pelo decreto que facilitou a posse de armamentos, em sua maioria, se calaram. Os que fizeram pronunciamentos se limitaram a lamentar as mortes ou ainda associar o atentado ao “fracasso do Estatuto do Desarmamento”, defendendo ainda mais armas.

Foi o que fizeram os senadores Flávio Bolsonaro e Major Olimpio, ambos do PSL do presidente. “Mais uma tragédia protagonizada por menor de idade e que atesta o fracasso do malfadado estatuto do desarmamento, ainda em vigor”, escreveu Flávio.

“Enquanto as armas forem ilegais, apenas os ilegais terão armas! Fracasso e safadeza da “farsa da política desarmamentista” que armou criminosos e impediu a legítima defesa”, postou Olimpio.

Líder do governo no Congresso, a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) se limitou a dizer que estava “muito triste” e replicar a notícia do ataque.

Muitos parlamentares ativos nas redes sociais e que compõem a base do governo, no entanto, se calaram. Um exemplo é o deputado federal Alexandre Frota (PSL-SP), que faz dezenas de postagens diariamente, muitas defendendo a facilitação da posse de arma. Desta vez, no entanto, o ex-ator pornô se omitiu.

Veja também:  Endividado, patrocinador de filme da Lava Jato entra em recuperação judicial

Já o líder do governo federal na Câmara, deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO), assim como o presidente, demorou mais de 6 horas após o massacre para se pronunciar. “Meus sinceros sentimentos às famílias das vítimas da tragédia de Suzano-SP. Que Deus os conforte nesse momento de dor”, escreveu.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), falou sobre seu empenho para “desarmar espíritos”.

“A tragédia de Suzano, hoje, mostra que é hora de o Brasil unir forças e competências para compreender o que houve e impedir a repetição de massacres como este. Precisamos ser solidários com as famílias, parentes e amigos das crianças e dos funcionários da escola Raul Brasil. Meus pensamentos e toda a minha solidariedade estão com eles. Como homem público, também o meu empenho para desarmar espíritos, buscar convergências e levar paz à sociedade”, postou.

Para a esquerda, menos armas 

Já os deputados da oposição e do campo progressista procuraram, ao comentar o atentado em Suzano, ampliar a discussão para evitar novas tragédias. Em sintonia, a maioria deles defendeu um maior controle de armas de fogo.

Veja também:  As consequências para o mercado audiovisual com o fim da Ancine pelo governo Bolsonaro

“Toda solidariedade às vítimas da escola de Suzano. Tragédias como essa resultam do incentivo à violência e à liberação do uso de armas. O Brasil precisa de paz”, disse Gleisi Hoffmann (PT-SP).

Na mesma linha foi a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ). “A quem interessa um país dividido pelo ódio e armado? Quantas tragédias mais teremos que viver? Quando haverá paz para as famílias destroçadas pela violência? Armas não são a solução”, postou.

Confira, abaixo, a repercussão do ataque entre outros deputados da oposição.

André Figueiredo (PDT-SP)

“Meu Deus, que tragedia em Suzano(SP) ! 5 crianças de uma escola assassinadas junto com um funcionário e muitas outras feridas, provocada por 2 adolescentes que atiraram a esmo e se suicidaram. Esse não é o Brasil que queremos!”

Paulo Pimenta (PT-RS)

“Toda a minha solidariedade às famílias das vítimas da tragédia na escola em Suzano. A bancada do PT vai sugerir à presidência da Câmara a criação de uma comissão externa para acompanhar de perto a investigação do episódio.”

Ivan Valente (PSOL-SP)

“Tragédia em Suzano vitima crianças Lamentamos profundamente o ocorrido na Escola Raul Brasil deixando 10 vidas ceifadas e vários feridos. O estímulo ao uso e o acesso a armas e munições devem ser limitados e inibidos para evitarmos a repetição de tragédias como essa.”

Veja também:  Presidente da UNE denuncia violência durante ato em frente ao MEC

Alessandro Molon (PSB)

“Chocado e entristecido com as primeiras notícias do tiroteio numa escola em Suzano. As informações até agora dão conta de crianças mortas… Que tragédia!”

Tabata Amaral (PDT-SP)

“Recebi com grande tristeza e pesar a notícia da tragédia que ocorreu em uma escola em Suzano, na Grande São Paulo. Me solidarizo com a dor dos pais e repudio todo tipo de violência. Enquanto aguardamos mais informações oficiais sobre o que aconteceu, deixo meu abraço apertado a todos os funcionários e alunos da escola estadual Professor Raul Brasil e aos familiares das vítimas.”

Paulo Teixeira (PT-SP) 

“Triste e lamentável! Espero que as crianças sobrevivam. E o governo Bolsonaro propondo liberar armas. Oito crianças são baleadas dentro de escola em Suzano, na Grande SP.”

Talíria Petrone (PSOL-RJ) 

“Arma mata, destrói famílias, lares e colégios. Esse não pode ser o país das tragédias que tiram vidas, acabam com sonhos. Não é esse o caminho da paz e da segurança que todos queremos. Precisamos falar sobre a facilidade do acesso às armas, cada vez mais banalizado no Brasil.”

Você pode fazer o jornalismo da Fórum ser cada vez melhor

A Fórum nunca foi tão lida como atualmente. Ao mesmo tempo nunca publicou tanto conteúdo original e trabalhou com tantos colaboradores e colunistas. Ou seja, nossos recordes mensais de audiência são frutos de um enorme esforço para fazer um jornalismo posicionado a favor dos direitos, da democracia e dos movimentos sociais, mas que não seja panfletário e de baixa qualidade. Prezamos nossa credibilidade. Mesmo com todo esse sucesso não estamos satisfeitos.

Queremos melhorar nossa qualidade editorial e alcançar cada vez mais gente. Para isso precisamos de um número maior de sócios, que é a forma que encontramos para bancar parte do nosso projeto. Sócios já recebem uma newsletter exclusiva todas as manhãs e em julho terão uma área exclusiva.

Fique sócio e faça parte desta caminhada para que ela se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie a Fórum