Blog do George Marques

direto do Congresso Nacional

08 de maio de 2019, 06h00

Após caso “tchutchuca”, Paulo Guedes volta à Câmara para debater reforma da Previdência

Será a primeira de uma série de audiências públicas na comissão especial para debater a proposta do governo de reforma nas regras das aposentadorias; última sessão com ministro teve muita confusão e polêmicas

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A comissão especial que discute a reforma da Previdência ouve nesta quarta-feira (8) o ministro da Economia, Paulo Guedes. Diferente que aconteceu com Guedes na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ),  marcada por confusão, polemicas e thutchucas, desta vez a tendência é que o clima seja mais ameno. Ao menos foi o que prometeu parlamentares ouvidos pela Fórum. Eles reforçam que irão cobrar do ministro dados técnicos que embasam a proposta apresentada pela gestão de Jair Bolsonaro (PSL), até então mantidas em sigilo pelo Governo.

“O debate na comissão vai depender dele. Se o ministro vier com debate político e não apresentar dados, o clima vai esquentar”, disse a presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann (RS).

O líder da oposição, Alessandro Molon (PSB-RJ), foi nesse sentido. “Estamos aguardando para esta quarta um debate mais técnico”. Já o deputado Bira do Pindaré (PSB-MA) receitou a Guedes suco de maracujá antes de vir à Câmara. “Inclusive cobramos do presidente da CCJ que ele oriente o ministro a ter uma opinião respeitosa com a Casa”, pontuou.

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É latente ainda na memória do brasileiro que a última vez que Guedes pisou na Câmara envolveu-se em uma confusão após o deputado Zeca Dirceu chamá-lo de “tchutchuca”. O clima esquentou, deputados quase saem no tapa e a decisão foi encerrada.

Para o presidente da comissão, deputado Marcelo Ramos (PR-AM), a presença do ministro nesta que é a primeira sessão ajudará a “nivelar” o nível do debate, um vez que ele é o principal interlocutor do governo em relação a essa matéria.

Se repetir o nível da reunião anterior é que o bicho pega.

“Eu acredito que seja bom. Na CCJ [Comissão de Constituição e Justiça], o maior apelo da oposição era a vinda do ministro Paulo Guedes e a apresentação dos números. Nós vamos começar nivelando o debate com a presença do principal interlocutor desta matéria junto ao governo, que é o Paulo Guedes, e com a apresentação detalhada dos números, demonstrando que o objetivo da comissão é dar transparência”, afirmou Ramos.

Parecer em junho

O relator, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), destacou que o objetivo é apresentar o parecer na primeira quinzena de junho, mas disse que esse prazo pode ser alterado dependendo dos debates no colegiado.

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Moreira afirmou que não tem se sentido pressionado por ser o relator da proposta. “Vou apresentar o relatório quando tiver a convicção que estiver preparado, a partir da apresentação das emendas, mas temos que respeitar a dinâmica da comissão.”

Tramitação

A proposta de reforma que mexe nas regras de aposentadoria já foi aprovada pela CCJ, onde foram retirados quatro pontos do texto enviado pelo Executivo.

Agora, tramita na comissão especial, que terá prazo de até 40 sessões do plenário para discutir e aprovar um parecer. Depois, a matéria precisará ser aprovada em dois turnos de votação no plenário antes de seguir ao Senado.

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