Notas Internacionais

por Ana Prestes

28 de maio de 2019, 10h58

Após eleições, esquentam articulações para presidência do Parlamento Europeu

Ana Prestes informa que os resultados do pleito apontam um reequilíbrio entre as principais forças políticas organizadas no legislativo continental, o que acirra a disputa por quem vai fazer a maior coalizão para indicar o presidente

– Um repórter da FSP, Fábio Zanini, teve acesso a uma série de documentos da participação dos militares brasileiros na Minustah – Missão de Paz da ONU no Haiti. O Brasil esteve no comando da missão, que contou com mais de 20 países, de 2004 até 2017, e neste período houve um terremoto que matou mais de 200 mil haitianos. Quase 40 mil militares brasileiros participaram de alguma forma da missão. Foram comandantes da missão os seguintes militares brasileiros, General Augusto Heleno, Gen. Carlos Alberto dos Santos Cruz, Gen. Floriano Peixoto Vieira Neto, Gen. Fernando Azevedo e Silva, Gen. Tarcísio Gomes de Freitas e Gen. Edson Pujol, quase todos são membros hoje do Governo Bolsonaro. A missão completa 15 anos no sábado, 1º. de junho. Um dos pontos sensíveis revelados pelos documentos é o tratamento dedicado às violações de direitos humanos. Em comunicados, militares brasileiros afirmam não ter um “protocolo de direitos humanos” a ser seguido ou mesmo “ausência de conhecimentos básicos sobre o tema” (aparece em um documento de junho de 2005). Por outro lado, em nota sobre os documentos, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), dirigido hoje pelo Gen. Augusto Heleno, diz que “independentemente da existência ou não de legislação sobre direitos humanos, a tropa brasileira se notabilizou pela urbanidade, solidariedade, conduta exemplar e profissionalismo, qualidades reconhecidas pela ONU e pelo governo e povo haitianos”.

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– Passadas as eleições para o Parlamento Europeu, a disputa agora será por sua presidência. A questão é que houve um reequilíbrio entre as principais forças políticas organizadas no legislativo continental e, assim, se acirra a disputa por quem vai fazer a maior coalizão para indicar o presidente. O PPE (Partido do Povo Europeu), de centro-direita, com maioria do CDU da Alemanha e que há anos tem a maior bancada, saiu de 221 para 180 cadeiras. O S&D (Socialistas e Democratas), de centro-esquerda, saiu de 191 para 145. Subiram os Verdes, de 50 para 69 e os Liberais Democratas de 67 para 109. Macron trabalha para aliar os Liberais Democratas, onde estão seus parlamentares do “La République en Marche”, com os Verdes. Já Merkel trabalha para fortalecer a coalizão já tradicional entre o PPE e S&D. Por fora e sem condições de indicar a presidência, Salvini, Le Pen, Orban e os britânicos do Partido do Brexit batalham para formar o grupo da ultradireita nacionalista chamado Europa de Nações e Liberdade.

– O líder indígena brasileiro Raoni Metuktire, de 87 anos, está na Europa (desde 12 de maio) para o lançamento de um filme sobre sua vida em Cannes e foi recebido nesta segunda-feira (27) pelo Papa Francisco. De acordo com o porta voz do vaticano, Alessandro Gisoti, em matérias divulgadas na imprensa europeia, a visita faz parte do contexto “da preparação para a Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a região Pan-Amazônica, que se realizará de 6 a 27 de outubro, no Vaticano, sobre o tema ‘Amazônia: Novos Caminhos para a Igreja e por uma ecologia integral’”. Raoni é da etnia kayapó, viajou com outros indígenas do Xingu e foi recebido por outras autoridades na Europa, entre elas o presidente da França, Emmanuel Macron.

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– A delegação dos EUA abandonou a Conferência de Desarmamento da ONU em Genebra depois que a Venezuela assumiu a presidência rotativa e por ordem alfabética da reunião. Nas palavras do representante americano Robert Wood: “Um representante de Juan Guaidó, o presidente interino, deveria estar neste fórum, deveria estar sentado na cadeira agora mesmo”. No ano passado foi o mesmo estresse quando a Síria assumiu a presidência. Como diz o ditado árabe, os cães ladram e a caravana passa.

– Na Áustria já havia caído o vice-primeiro-ministro no “Ibiza Gate”. Agora, caiu o primeiro-ministro ou chanceler, como chamam na Europa. A oposição e aliados conseguiram aprovar uma moção de desconfiança e derrubar Sebastian Kurz e seu gabinete. Novas eleições devem ser realizadas em setembro. Desde o pós-guerra, é a primeira vez que um governo da Áustria é destituído assim.

– O governo russo se prontificou nesta segunda (27) a colaborar nas negociações de paz entre governo e oposição venezuelana que estão ocorrendo em Oslo.

– Ainda sobre Venezuela, chegou na segunda (27) a Caracas a quarta entrega de Assistência Técnica Humanitária proveniente da China. São 269 toneladas de medicamentos e material médico cirúrgico.

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– Na Argentina, a onda verde pró-aborto legal, seguro e gratuito volta nesta terça-feira (28) ao Congresso Nacional. O protesto da capital, Buenos Aires, será a partir das 17h30, no pátio do anexo da Câmara dos Deputados, mas mais de 100 cidades estão com atividades marcadas. As organizações estão aproveitando a passagem do Dia Internacional de Ação pela Saúde das Mulheres para apoiar a reapresentação do projeto de Interrupção Voluntária da Gravidez no parlamento argentino. Ano passado, o projeto passou na Câmara, mas foi barrado no Senado. A primeira vez em que o projeto foi apresentado foi 2007.

– O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, chamou de “decepcionante e incompreensível” a decisão governo canadense de retirar o setor consular de sua embaixada em Havana. Os diplomatas da missão informaram em 8 de maio que já não aceitaram solicitações de vistos de visitantes, nem permissões de estudo/trabalho ou entrevistas para residência permanente.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.