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31 de maio de 2019, 18h50

Argentinos fazem sua 5ª greve geral na era Macri; entenda os motivos

Argentina parada: todas as atividades econômicas fecharam as portas e a participação de 100% do setor de transporte potencializou a greve no pior momento do governo direitista. A unidade sindical na ação foi outro destaque do dia

Reprodução/Página 12
Por Mariano Vásquez* / Tradução de Vinicius Sartorato** Durante a maior parte de seu mandato, o presidente Mauricio Macri conseguiu manter sob controle, através de concessões e promessas, a maior central sindical da Argentina, a CGT. Entretanto, nesta quarta e quinta-feira (29 e 30), em consonância com o 50º aniversário do Cordobazo, um dos grandes feitos do povo argentino, foi que a 5ª greve geral encontrou todo o arco sindical, os movimentos sociais e  pequenas e médias empresas unidos contra a política econômica macrista. Em um ano eleitoral e três semanas após o fechamento das listas de candidatos para as...

Por Mariano Vásquez* / Tradução de Vinicius Sartorato**

Durante a maior parte de seu mandato, o presidente Mauricio Macri conseguiu manter sob controle, através de concessões e promessas, a maior central sindical da Argentina, a CGT.

Entretanto, nesta quarta e quinta-feira (29 e 30), em consonância com o 50º aniversário do Cordobazo, um dos grandes feitos do povo argentino, foi que a 5ª greve geral encontrou todo o arco sindical, os movimentos sociais e  pequenas e médias empresas unidos contra a política econômica macrista.

Em um ano eleitoral e três semanas após o fechamento das listas de candidatos para as prévias partidárias, a incerteza atingiu a aliança do governo, que sequer concordou se Macri deveria ser seu candidato ou não.

“Hoje paramos os trabalhadores em fábricas, hospitais, transportes, em todos os setores trabalhistas. Perdemos o sono ao viver em uma sociedade onde há crianças que estão com fome. Para alguns hoje é a quinta greve, para nós são centenas e centenas de greves e manifestações, quando nos diziam que tinha que dar tempo ao governo”, disse o secretário-geral da CTA-Autônoma, uma central sindical combativa, Ricardo Peidro,  sobre a necessidade de unidade do campo popular “de forma que este governo acabe em outubro”.

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A contundência da greve geral dá uma resposta lógica a três anos e meio de uma administração que só beneficiou os setores concentrados da economia, enquanto o povo sofria inflação, desvalorização, desvalorização de aposentadorias, pensões e salários, aumento de impostos e custos da alimentação.

Houve também uma queda histórica (e catastrófica) na atividade industrial: 42% do setor foi fechado e 135.000 empregos foram perdidos. Da mesma forma, a perda salarial real no setor público nacional teve um declínio de 31%. E o número chega a 16% na esfera privada. Aposentadoria e pensões tiveram a mesma retração.

A “pobreza zero e a inflação baixa” foram duas das principais promessas de campanha de Macri em 2015. A realidade mostrou a dimensão do golpe macrista: a pobreza chega a 33%, sobe para 48% para menores de 18 anos e a inflação se acumula 185%, o maior registro em quase três décadas.

Esta greve significou um novo golpe para o governo em face da campanha eleitoral. Na frente sindical, a oposição a Macri parece estar fechada com a chapa de Alberto Fernández – Cristina Férnandez de Kirchner, que hoje lidera todas as pesquisas.

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*Mariano Vásquez (@marianovazkez) é um jornalista argentino residente em Buenos Aires. Documentarista, possui experiência em temas políticos internacionais e laborais, tendo trabalhado por muitos anos na TV boliviana e em vários meios argentinos

**Vinicius Sartorato (@vinisartorato) é jornalista e sociólogo. Mestre em Políticas de Trabalho e Globalização pela Universidade de Kassel (Alemanha)

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