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14 de março de 2019, 10h49

Atiradores de Suzano teriam articulado plano em grupo de ódio, que comemorou ação na deep web

Guilherme e Luiz Henrique eram frequentadores do Dogolachan, um dos mais conhecidos “chans”, que são fóruns de disseminação de ódio e incitação a crimes que opera na internet. "O perfil dos frequentadores é o dos “incels”, os celibatários involuntários, homens que não conseguem fazer sexo e culpam as mulheres e o mundo por isso: são racistas, misóginos, homofóbicos e compartilham conteúdo pornográficos com predileção a pedofilia, além de incitarem o estupro"

Mensagem após atentado em escola de Suzano em grupo de ódio na deep web. No detalhe, Guilherme e Luiz Henrique (Montagem)
Reportagem de Leonardo Coelho e Maria Teresa Cruz, publicada no portal Ponte nesta quarta-feira (13), relata que Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, de 25, articularam e expuseram os planos de ataque à escola estadual Raul Brasil em grupos de ódio na deep web, uma zona obscura da internet que usa dispositivos para garantir a privacidade e o anonimato na rede. Leia também: Lola recebeu mensagem de membro de grupo de ódio frequentado por atiradores Foi nessa zona cinzenta da internet onde também foram articulados os ataques à professora universitária e blogueira feminista Lola Aronovovich –...

Reportagem de Leonardo Coelho e Maria Teresa Cruz, publicada no portal Ponte nesta quarta-feira (13), relata que Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, de 25, articularam e expuseram os planos de ataque à escola estadual Raul Brasil em grupos de ódio na deep web, uma zona obscura da internet que usa dispositivos para garantir a privacidade e o anonimato na rede.

Leia também: Lola recebeu mensagem de membro de grupo de ódio frequentado por atiradores

Foi nessa zona cinzenta da internet onde também foram articulados os ataques à professora universitária e blogueira feminista Lola Aronovovich – que resultou na condenação a 41 anos de prisão do hater Marcelo Valle Silveira -, e ao diparo que acertou uma mulher de 27 anos em Penápolis (SP). A editora-executiva da Fórum, Dri Delorenzo, também já recebeu ameaças vindas de grupos misóginos da deep web.

Na reportagem, os jornalistas da Ponte dizem que Guilherme e Luiz Henrique eram frequentadores do Dogolachan, um dos mais conhecidos “chans”, que são fóruns de disseminação de ódio e incitação a crimes que opera na internet.

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“O perfil dos frequentadores é o dos “incels”, os celibatários involuntários, homens que não conseguem fazer sexo e culpam as mulheres e o mundo por isso: são racistas, misóginos, homofóbicos e compartilham conteúdo pornográficos com predileção a pedofilia, além de incitarem o estupro”, explica a reportagem.

A divulgação dos nomes dos atiradores pela polícia foi comemorada pelos incels em uma série de postagens anônimas. “Descobriram o perfil do herói”, diz o usuário identificado como Sanctvs, um dos primeiros a celebrar o atentado.

Na sequência, postagens dos participantes do fórum começaram a dar conta de que os atiradores seriam frequentadores do grupo e que, inclusive, teriam informado a pretensão de realizar o ataque.

O moderador do grupo, que usa o codinome “Mr. Hyde” escreveu um texto dizendo que os dois jovens eram “injustiçados por questões culturais” e elencou culpados.

“O sangue desses garotos não está nas mãos da esquerda, direita, pt, psl, psdb, bolsonaro, haddad ou dória, muito menos nas mãos do Dogolachan. O sangue dessas vidas foram e continuaram sendo derramados enquanto permitirmos que esse sistema opressor continue agindo e perpetuando seus ideais socioculturais anos a fio. Um sistema onde o indivíduo é intruido, mesmo que de forma indireta, a odiar e destruir seus semelhantes. Um sistema onde o somos capados fisicamente e mentalmente nôs punindo somente por pensar ou adquirir informações que desejamos”, escreveu.

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Leia a reportagem completa no site da Ponte

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