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Cesar Castanha

Do encanto com os créditos de abertura de "Alice no País das Maravilhas", visto religiosamente sempre que exibido nas tardes de sábado pelo SBT, veio a paixão pelo cinema como experiência estética, transformadora e expressão de uma ideia, uma história ou do próprio experimento. Por amar o cinema para além dos padrões de qualidade impostos a ele pela mídia, por outras instituições e até por uma crítica datada, veio o meu amor por conversar sobre cinema, aderi-lo, defendê-lo, apropriar-me dele. O Milos Morpha é uma conversa sobre cinema. Aqui, o texto nunca é certo e definitivo. O cinema não é uma fórmula para que cada cineasta se aproxime da solução mais correta, é um conjunto de experiências artísticas que já dura mais de 100 anos, é dessa forma que criticamente percebemos e experimentamos o cinema no Milos Morpha.

  • Um outro inferno em “O Bom Lugar”

    Por Cesar Castanha Há grandes spoilers da série O Bom Lugar. Em uma cena da peça Angels in America, de Tony Kushner, Roy Cohn (Al Pacino), um ícone do conservadorismo estadunidense[1], morrendo em decorrência da Aids, pede que Belize, o enfermeiro responsável por ele, fale sobre a vida após a morte, céu ou inferno. Belize, […]

  • Apanhado do Cinema 2017

    Mais uma vez, apresento os filmes e trabalhos cinematográficos que se destacaram, para mim, no ano que passou. Considerei bastante cortar algumas categorias, principalmente a de Documentário. Incomoda-me que essa categorização caia numa visão muito industrial do cinema e não corresponda a imersão de um trabalho em outro (a influência de um roteiro para a […]

  • Uma certa semelhança

    por Cesar Castanha Estou no cinema, em uma das sessões da mostra competitiva de curtas brasileiros do X Janela Internacional de Cinema do Recife. O programa não está especialmente bom, e o quinto e último filme começa. Vemos uma série de planos que vão de uma vizinhança em um bairro de periferia se fechando até […]

  • O futuro das ruínas em “Era uma vez Brasília”, por Alan Campos

    Antes da exibição do longa em competição, Era Uma Vez Brasília (Adirley Queirós, 2017), a décima edição do Janela Internacional de Cinema no Recife sabiamente acertou ao exibir o curta apocalíptico Vacancy (Matthias Muller, 1999). A obra retira quase que por completo a presença humana de suas imagens de arquivo, restando uma cidade fantasma que, […]

  • A América Latina sem esperança de Lucrecia Martel

    por Cesar Castanha Numa casa afastada, cenário de O pântano (dir. Lucrécia Martel, 2001), Momi (Sofia Bertolotto), uma garota adolescente se arrasta entre sussurros apelando pelo afeto de Isabel (Andrea López), uma jovem que trabalha em sua casa. Ela está quase sempre de maiô e seus cabelos têm uma textura oleosa, de algo mal-lavado, o […]

  • O azul de “Boas Maneiras”, por Alan Campos

    É notável a presença marcante da cor azul na primeira parte de As Boas Maneiras (dir. Juliana Rojas e Marco Dutra, 2017). Azul bebê, azul quarto de criança, azul cor de meias e roupas infantis, azul calmante. Entretanto, tal azul muitas vezes surge em tons mais escuros. Azul marinho, azul enquanto uma noite fria, azul […]

  • Reconfigurações neorrealistas em “O Matador de Ovelhas”, por Alan Campos

    O segundo dia do X Janela Internacional de Cinema do Recife começou com a exibição de O Matador de Ovelhas (dir. Charles Burnett, 1977), esse sendo parte da mostra L.A Rebellion. Fortemente enraizado em preceitos do neorrealismo italiano – simplicidade estética, locações reais, desejo por histórias reais, cenas, no geral, desdramatizadas – e interessado pelas […]

  • Um espaço entre dois quartos em “Me Chame pelo Seu Nome”

    por Cesar Castanha “Eu tenho uma ideia — eu ouso dizer erroneamente — que você se sente mais em casa comigo em um quarto.” “Um quarto?”, ela ecoou, perdidamente surpresa. “Sim. Ou, pelo menos, em um jardim, ou em uma estrada. Nunca em um verdadeiro campo como este.” A room with a view – E. […]

  • A imagem que se esgota em “Mãe!”

    por Cesar Castanha Em um pôster do filme Mãe!, o material de divulgação alude ao cartaz do filme O bebê de Rosemary (dir. Roman Polanski, 1968), com o rosto de Jennifer Lawrence deitado, transparente, ao modo do de Mia Farrow no outro. A referência é ambiciosa e um convite à expectativa. É também uma estratégia […]

  • O moralismo cristão de “Bingo”, por Martim Barros

      Na obra “Cinema brasileiro: Propostas para uma História”, há um momento em que Jean-Claude Bernardet faz um mapeamento da abordagem crítica da produção cinematográfica nacional até os anos setenta. Havia uma tendência muito forte dos jornalistas avaliarem os filmes brasileiros de acordo com parâmetros de qualidade baseados na produção europeia e, sobretudo, norte-americana. Eram […]

  • São Paulo e a casa de bonecas em “Como Nossos Pais”

    por Cesar Castanha Um amigo, há algum tempo morando em Bruxelas, disse que o filme Como nossos pais (dir. Laís Bodanzky, 2017) o deixou com saudades de São Paulo. Achei uma afirmação bonita, mas também curiosa, considerando que a cidade de São Paulo se apresenta no filme mais por um conjunto de espaços internos — […]

  • Delírio entre ruínas em “O Estranho que Nós Amamos”

    por Cesar Castanha Na peça The glass menagerie, de Tennessee Williams, o autor apresenta uma família de classe média baixa que foi abandonada pela figura paterna. Amanda, a excêntrica mãe, Laura, a filha retraída, e Tom, o filho poeta e afeminado, vivem em um apartamento pequeno na cidade, isolados do resto do mundo enquanto Amanda […]

  • Não há silêncio em Dunkirk

    por Cesar Castanha A primeira imagem de Dunkirk no filme que leva seu nome não é da praia, mas de uma rua residencial abandonada. Um grupo de soldados vaga por essas ruas, procurando escapar do cerco alemão depois do fracasso dos países aliados na batalha pela França. No início, apenas caminham contemplando as fileiras de […]

  • De Canção em Canção, existencialismo fora de ritmo

    por Cesar Castanha O melhor filme sobre um festival de música, ou a utilizar um como cenário, que eu já vi, Nashville (dir. Robert Altman, 1975). Observando a relação de um extenso grupo de personagens com a música country, Altman propõe um olhar não só para a cultura afetiva de uma cidade, mas também para […]

  • A maravilha do feminismo imperialista, por Susan Abulhawa

    A maravilha do feminismo imperialista Ou como a Mulher Maravilha virou de heroína à apoiadora de crimes de guerra. Por Susan Abulhawa *Susan Abulhawa é uma escritora palestina. Autora do livro best-seller internacional “Morning in Jenin” (Bloomsbury, 2010). Ela também é a fundadora do Playgrouds for Palestine, uma ONG para crianças. Texto publicado originalmente em […]