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24 de maio de 2019, 07h34

Avanço da extrema direita e Brexit levam à renúncia de Theresa May no Reino Unido

Corrida para sucedê-la deve durar entre seis e oito semanas. O ex-prefeito de Londres Boris Johnson, defensor de um brexit duro, até sem acordo com a UE, é dado como favorito

Theresa May (Reprodução)
Sofrendo fortes pressões do próprio partido, o Conservador, e de aliados da extrema direita após três derrotas no parlamento para aprovar o plano do Brexit, a primeira-ministra britânica, Theresa May, anunciou nesta sexta-feira (24) que vai deixar o cargo em 7 de junho. “Está claro agora para mim que é do melhor interesse do país que um novo primeiro-ministro lidere o esforço (da saída do Reino Unido da União Europeia). Assim, anuncio hoje que vou renunciar ao cargo de líder do Partido Conservador na sexta-feira, 7 de junho”, disse May em pronunciamento na sede do governo, em Londres. May, que...

Sofrendo fortes pressões do próprio partido, o Conservador, e de aliados da extrema direita após três derrotas no parlamento para aprovar o plano do Brexit, a primeira-ministra britânica, Theresa May, anunciou nesta sexta-feira (24) que vai deixar o cargo em 7 de junho.

“Está claro agora para mim que é do melhor interesse do país que um novo primeiro-ministro lidere o esforço (da saída do Reino Unido da União Europeia). Assim, anuncio hoje que vou renunciar ao cargo de líder do Partido Conservador na sexta-feira, 7 de junho”, disse May em pronunciamento na sede do governo, em Londres.

May, que estava há quase três anos no poder, afirmou que decidiu deixar o cargo após o terceiro fracasso em aprovar no Parlamento Britânico o acordo costurado por ela com a União Europeia.

“Eu fiz tudo que podia para convencer os deputados a apoiar este acordo. Tentei três vezes. Infelizmente, não consegui. Sempre será motivo de profundo pesar para mim que eu não tenha sido capaz de entregar o Brexit”, afirmou premiê, que ficou com a voz embargada e chegou a chorar no fim do seu pronunciamento.

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Sucessão

May assumiu o posto em julho de 2016, depois da renúncia de David Cameron, fragilizado pelo resultado surpreendente do plebiscito sobre o brexit, um mês antes.

Depois de um ano e meio de negociações, ela conseguiu, no fim de 2018, fechar um acordo com a UE para o desligamento do Reino Unido do consórcio europeu, mas ele foi rejeitado três vezes pelo Parlamento em Londres.

No processo, ela resistiu a duas moções de desconfiança, uma delas submetida por seus próprios colegas de partido.

A pressão para sua saída voltou a subir no começo desta semana, quando ela apresentou um plano “retocado” para tentar convencer os deputados a endossar o “divórcio” do bloco europeu.

A nova proposta abria a possibilidade de uma segunda consulta popular sobre o brexit, o que enfureceu os correligionários de May. Até seus ministros a repreenderam, dizendo que o item não havia sido acordado em reunião do gabinete.

A corrida para sucedê-la no comando do Partido Conservador (e, por extensão, do país) deve durar entre seis e oito semanas. O ex-prefeito de Londres Boris Johnson, defensor de um brexit duro, talvez até sem acordo com a UE, é dado como favorito.

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