Blog do Rovai

08 de fevereiro de 2012, 22h23

Há diferença entre um programa privatizador e uma privatização pontual, mas…

O Estado brasileiro era tão privatizado nos tempos de FHC que quando Lula assumiu quase todos os funcionários do Ministério do Trabalho eram contratados a partir de empresas terceirizadas. Ou seja, o chip neoliberal estava instalado em todos os cantos do governo. Não era apenas na venda de patrimônio público por moeda podre. O modelo fazia parte de uma visão que considerava que o Estado deveria ser mínimo e fazer o mínimo. E que deveria estar a serviço do capital, se possível internacional.

A concessão dos principais aeroportos do país pelo longo período de até 25 anos pelo governo  Dilma pode ser condenada (e está sendo) pelo seu caráter privatista, mas é diferente do que ocorreu nos tempos tucanos. O Estado brasileiro poucas vezes foi tão atuante e forte quanto no período Lula e Dilma.

Quando o senador Aécio Neves fala que o PT está usando um “software pirata” dos tempos de FHC para fazer um bom governo, sofisma. Quando FHC sai gravando vídeos para defender “a privatização” de Dilma, também busca ludibriar a patuléia. E limpar sua barra.

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De qualquer forma o governo precisa dialogar com os movimentos sociais e com amplos setores da sociedade sobre a decisão que tomou.  Dialogar mesmo. Sem arrogância e de forma mais clara.

Os tucanos perceberam que essa privatização (ou concessão) abre caminho para relançar o discurso de que privatizar é bom. E que o PT só obtém sucesso no governo porque os copiou. E isso será usado nas próximas eleições: pra que ficar com o falsificado se você pode ter o original?

Ao mesmo tempo abriu enorme desconfiança nos setores populares sobre os compromissos de Dilma em relação ao que foi base de seu discurso de campanha. E o tema das privatizações acaba unificando uma série de insatisfações.

Há muita gente dos movimentos sociais insatisfeita com o governo em diversas áreas. Só pra ilustrar: cultura, comunicação, reformas urbana e agrária, meio ambiente, movimentos indígena e sindical etc.

Esse processo dos aeroportos não tem nada a ver com as privatizações dos tempos bicudos de FHC, mas ao mesmo tempo pode significar a abertura da porteira para que mosquito neoliberal contamine o atual governo.

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E isso seria o início do fim.

Zapatero achou que poderia se dar bem agradando o sistema econômico e financeiro e brigando com seus aliados históricos do movimento social. Às vezes dá a impressão de que Dilma também acha isso.

Na Espanha, o resultado foi calamitoso. O PS foi massacrado nas últimas eleições. E Zapatero  se tornou um cadáver político.

É melhor errar com os seus, do que achar que se está acertando com aqueles que vão lhe apunhalar na próxima esquina.
É bom levar isso em consideração. Sempre.

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