Blog do Rovai

03 de agosto de 2018, 23h29

O jornalismo da GloboNews não dá conta de entrevistar Bolsonaro

A verdade é que Bolsonaro está se mostrando mais resiliente nas entrevistas do que se imaginava. Alckmin vai ter muito trabalho para tirá-lo do páreo.

Com um discurso tranquilo, falando a língua do povo, fugindo das perguntas mais escamosas, Bolsonaro sambou no primeiro bloco da entrevista da GloboNews, contra nove jornalistas que estavam preparados para triturá-lo.

Bolsonaro usou, como das outras vezes, a citação de Joaquim Barbosa na época do mensalão para dizer que nunca se envolveu contra corrupção.

Também usou uma frase que com certeza vai repetir muito: “Eu detesto o PT como regra, desde antes que o PT era o PT. Porque pior que a corrupção é a questão ideológica”.

E quando os jornalistas falavam de economia, ele chamava o Paulo Guedes, a quem diz que vai entregar a economia do seu governo.

Quando indagado sobre ter procurado o PR para ter Magno Malta para vice, sendo que o presidente do PR, Waldemar da Costa Neto, foi preso no mensalão e também investigado na Lava Jato, saiu-se com a frase: “Eu tenho caráter. Não vai ser a filiação político partidária que vai me contaminar”.

A verdade é que Bolsonaro está se mostrando mais resiliente nas entrevistas do que se imaginava. Alckmin vai ter muito trabalho para tirá-lo do páreo.

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Ele está treinado e não se deu por intimidado mesmo tendo nove jornalistas da maior empresa de comunicação pela frente.

Aliás, jornalistas muito mal preparados para entrevistá-lo. Como se estivessem ali esperando um frango numa máquina daquelas que em São Paulo apelidamos de televisão de cachorro. Bolsonaro não é um frango num espeto.

Já havia escrito isso na entrevista do Roda Viva. Bolsonaro não vai ser derrotado com perguntas pegadinhas sobre economia ou num debate sobre a história da ditadura militar. Ele precisa ser indagado sobre coisas simples, o que vai fazer com o Salário Mínimo, o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida, o Fies, o Pró-Uni. Isso é que muda a vida do povo, boa parte do seu eleitorado.

Ao mesmo tempo, Bolsonaro tem uma boa parte do seu eleitorado na classe média alta branca e mascu. Se vier a defender esses direitos para pobres, perde esse eleitorado.

É nas perguntas simples que Bolsonaro pode se enrolar, não nas pegadinhas ou nas complexas.

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Infelizmente o jornalismo desaprendeu a fazer perguntas simples.

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