Blog do Rovai

23 de março de 2018, 11h08

Por que Freixo deve ponderar e aceitar ser candidato a governador do Rio

Volto ao tema hoje para dialogar com alguns argumentos contrários à candidatura de Freixo

Só uma reviravolta na condenação de Lula, garantindo sua candidatura presidencial, seria mais impactante do que uma candidatura de Marcelo Freixo a governador do Rio de Janeiro com o apoio de todo o campo progressista. Por este motivo volto ao tema hoje para dialogar com alguns argumentos contrários a esta tese.

A primeira questão apresentada como se fosse algo insuperável por alguns é de que se Freixo não viesse a ganhar sua vida ficaria em jogo, pois perderia o mandato e a segurança que tem por conta dele. Boulos será candidato presidencial praticamente sem chance alguma e não tem essa segurança. Milhares de lutadores sociais enfrentam essa situação nos recônditos do Brasil sem ter holofotes midiáticos chamando atenção para os seus casos. A diferença no caso de Freixo é que ele seria candidato com grandes chances de vencer e, em isso acontecendo, poderia comandar a segurança pública do Rio de Janeiro como um todo e impedir que milhares de inocentes continuassem morrendo naquele estado. Se viesse a perder, uma rede de solidariedade internacional se criaria rapidamente pra lhe garantir segurança até que viesse a recuperar um novo mandato. O que poderia acontecer em dois ou quatro anos. E neste período ele teria a oportunidade de viajar o mundo trabalhando e fazendo estudos sobre direitos humanos e o que mais achasse importante.

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Recentemente um amigo blogueiro foi ameaçado e teve apoio internacional para isso. Por que Freixo não teria?

Ou seja, este é um argumento pueril. E é bom que se diga, Freixo não o utilizou.

Outro argumento é de que ele puxa votos e aumenta a bancada do Psol no Rio. Esse é não só pueril, mas falso. Quem estuda processos eleitorais sabe que um bom candidato ao executivo melhora a votação da sua bancada. No Rio, muita gente que viesse a votar em Freixo escolheria um candidato do PSoL para votar. Mas além disso, a visibilidade de Freixo como candidato ao executivo, daria muita força a candidaturas do partido em outros estados e isso levaria a que, em alguns deles, onde isso seria difícil, o partido elegesse parlamentares.

Há ainda outros dois argumentos que foram utilizados. Esses são pequenos. Um deles é o de que o estado está numa crise terrível e que Freixo teria problemas pra governá-lo. E que quem deve fazer isso é quem o quebrou. É de uma estupidez terrível esta lógica. Ou seja, dane-se o povo. Vamos esperar as coisas melhorarem pra gente disputar a eleição pra valer. Será que aqueles que dizem isso imaginam que Freixo teria alguma chance se o Rio estivesse vivendo um bom momento?

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Por fim, o fato de a proposta ter vindo do PT e do PCdoB incomodou alguns comentaristas de Facebook. Eles acham que é possível ganhar sozinho o governo? Governar sem qualquer aliança?

E só pra não dizer que não falei das flores, ainda há os que dizem que o candidato do partido é o Tarciso, que teve boa votação em 2014. Tarciso parece ser um cara legal, boa praça e tal. Eu tomaria cerveja com ele numa boa. Mas não tem a menor chance de ganhar. E teve mais um voto de protesto do que qualquer outra coisa em 2014. E mesmo assim foi só o quarto colocado na disputa.

E, o pior de tudo, sua candidatura só terá um papel. A de dividir a centro esquerda. Ele não ganha e não deixa sequer que um candidato deste campo vá ao segundo turno. Há quem diga que não, que ele é muito bom de voto. Então se é isso mesmo, ele substitui Freixo na chapa de federal e estamos conversados. O Psol terá um bom puxador de votos.

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Em resumo, Freixo não pode fazer de conta que o que está colocado à sua frente não é um desafio histórico. E se tratar esse momento como se ele não existisse pode estar dando adeus à possibilidade de ser considerado uma liderança pra valer. Porque lideranças não fogem da responsabilidade. E o craque de verdade não se esconde na hora do pênalti em momentos decisivos.

 

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