Após ofender travestis, Pedro Bial pede desculpa: “Jamais foi a minha intenção”

Durante entrevista com o ex-jogador de futebol Ronaldinho, o apresentador se referiu no masculino ao falar das pessoas travestis

O jornalista e apresentador Pedro Bial publicou um vídeo em suas redes sociais onde pede desculpas às pessoas travestis por ter utilizado o artigo masculino ao se referir a elas durante entrevista realizada com o ex-jogador de futebol Ronaldinho.

“Não é nem pela reação na internet que venho aqui hoje me penitenciar pelo mau uso, pelo uso infeliz de um artigo, da forma descuidada que eu me referi às travestis. É pela minha consciência, consciência de alguém que eu não preciso fazer um levantamento histórico, mas de alguém que tem uma história para a causa trans. Lamento demais de ter ofendido a quem quer que seja, isso jamais foi a minha intenção”, disse Bial em vídeo.

O apresentador, depois de se desculpar, chama a atenção para a luta contra a transfobia. “Alguns poderiam até achar desproporcional a reação, a violência das manifestações…, mas acho que violenta não, violenta é a vida dura, terrível das pessoas trans. É uma tragédia que o Brasil tem que enfrentar. Então estou aqui para dizer, em primeiro lugar, que contem comigo, sempre, para o bem, para a construção, para a mudança desse estado de coisas. Um grande beijo para todos e todas”, finalizou Bial.

Na edição do dia 20 deste mês do programa “Conversa com Bial”, o jornalista recebeu o ex-jogador de futebol Ronaldinho. Em determinado momento, Pedro Bial pede para que o ex-atleta comente sobre a história dele “com os três travestis”.

A fala do apresentador gerou ampla repercussão negativa, pois, as pessoas travestis possuem identidade de gênero feminina, portanto, a forma correta ao referir é com artigo feminino. Visto que, sempre que utilizado no masculino é para difamar e ofender.

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).

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