Ativismo de Sofá

por Flávia Simas, Kel Campos e Thaís Campolina  

O que o brasileiro pensa?
13 de março de 2013, 21h59

A voz das mulheres nas ruas

Acervo pessoal – foto tirada no Ato.

Sexta-feira, eu participei do ato do oito de março de Belo Horizonte. Não foi a primeira vez que fui às ruas pela luta feminista. Antes dessa sexta, eu já tinha participado de duas Marchas das Vadias, mas posso dizer que foi a primeira vez que estive numa manifestação tão plural. 

Cheguei atrasada, confesso que estava bem perdida sobre onde ir, o que gritar, o que fazer, mas logo me situei. Depois de passar rapidamente no bloco da luta contra a violência doméstica, fomos todxs para a frente do Palácio da Justiça. E lá esperamos os outros blocos chegarem cantando, batucando, dançando. Além do bloco que participei, havia o bloco da diversidade da mulher levantando a bandeira da luta contra a lesbofobia e transfobia, o bloco contra a mercantilização do corpo feminino, o contra a violência do Estado, o contra a violência do campo e o bloco das negras e nordestinas.
Acervo pessoal – foto tirada no ato. 

Ouvi mulheres quilombolas, sindicalistas, idosas, estudantes, do movimento sem terra e de vários coletivos falarem de seus problemas principais e me emocionei junto e inclusive vi quem chorasse ao sentir a coragem e a emoção na voz daquelas mulheres. Gritamos por diversas vítimas de violência, entre elas Eliza Samúdio. 

Andamos juntas pela Afonso Pena. Ouvíamos gritos e cantos diferentes em diversos pontos da marcha, havia batuque, havia alegria, havia o sonho de um mundo melhor, havia a vontade de lutar em todos aqueles cantos, que apesar de terem letras tão diferentes e serem tantos, acabavam por ficar uma voz uníssona de esperança. 

Deitei emocionada no chão da Afonso Pena para a minha amiga Carol me desenhar de giz. O objetivo do desenho era que na rua ficasse um lembrete para a sociedade das tantas mulheres que são violentadas diariamente. E o ato teve fim ali.

Acervo pessoal – foto tirada no ato.
Eu e outras mulheres saímos juntas para comer, beber e celebrar a sororidade. Estávamos todas anestesiadas de tanta emoção, cansadas de tanto andar, mas queríamos curtir aquela sensação de dever cumprido e cumplicidade. E meu oito de março acabou sendo o que deveria ser: um dia de luta, amor e esperança.

Participar de uma manifestação, apesar de ser cansativo, dar vergonha aos mais tímidos e etc, é mágico porque ali nós nos sentimos fortes o suficiente para lutar o quanto precisar. Ali me senti renovada, senti que vale a pena e acho que é essa a magia de ir às ruas gritar ao mundo “ME RESPEITE”, essa é a magia da sororidade, de estender a mão para todas as mulheres.

No outro dia, ao andar pelas ruas de um bairro belo horizontino, ouvi uma mulher dizendo que nenhum marido trata a esposa bem e que o cara que estava sendo citado por outra mulher na conversa só podia ser uma exceção. E me relembrei que a luta é todo dia até que todas nós sejamos bem tratadas por todos.
Outras fotos do ato: Aqui e aqui.

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