Correção na vara

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Por Allan da Rosa, Se não for a própria filha, que deve ser corrigida na vara ou no ferro quente... se não for a mãe, essa santidade rezada às seis da tarde, essa do calendário chorando sofrida castidade na porta de tanta geladeira... Se nao for da nossa casa como é a inocente adolescente, a guerreira ou a brava incansável que testemunhamos na alegria e na doença, aí tudo mais é buraco e putanhagem. É isso? E, nalguns casos se pagando e aceitando o nome de guerra ou noutros se cobrando mudez com a faca na costela, aí então se justifica lamber com a mão, atolar e espancar. Né? Se for a irmã mais nova não, que aí a banca macha se organiza com o porrete, o soco inglês e a coleta pra gasolina e roda mundo mas acha até no oco do escorpião o maldito que abordou a caçula de noitinha. Ou outro qualquer que pareça suspeito mas que serve pra desinfetar a honra do asno. No percurso, tá na rotina e integra o roteiro esticar o braço e a boca pelo vidro do carro pra azucrinar a gostosa que passa na calçada. Elogiá-la como 'cavala', saudá-la como 'potranca'... sem nunca lhe ter sido concedida essa graça ( e nem chamá-la de pétala, de lua ou de pluma, que não se desenhou encontro, nem convite nem tempo na intimidade da troca). Bem, toda alcunha foderosa vale, porque quem mostra a barriga quer neném. Né? Isso? E vale também anunciar tudo aquilo que faria no seu colo e na sua boca, pra gargalhar junto com o time, porque na banca de cinco ou seis o cão salsicha fica ainda mais buldogue. E seguir de peito estufado, um pouco mais relaxados na busca do pilantra que estorvou a irmã mais nova. Mas se a mulher, aliás a fulaninha (né?) passar de mini saia... aí então tá proclamada a sentença da confiança. Cabe até parar ali no posto antes da missão e metê-la no carro pra tomar uma cerveja, molhar o decote culpado da brincadeira. Pro beliscão de brincadeira, pro coice de brincadeira, pra humilhação de brincadeira, pro estupro de brincadeira. Põe ela pra dentro que ela vai gostar. Né? Mas que opressão lá no Irã, no Afeganistão, nas mesquitas sírias , hein? Impondo burkas e horas pra andar na rua. Seja bairro de bacana ou quebrada, na largura da viela ou do apart-hotel, com diploma pós-graduado ou a quinta série incompleta, seja no clareado por lampião véio ou luminária de free shop, tá decretada a fuleiragem. Veredito culpado é pra quem mostrou o ombro, a coxa, o umbigo. O nobre viril além de não segurar seu reggae, além de se garantir na máscula soberania de prender e bufar no beco, espetar na cozinha com o garfo do feijão ou se esfregar baboso sob o túnel do metrô, ainda concorre a medalha de corretor, de educador, de aplicador de lição, bem de acordo com a pedagogia da porrada que rege a província. Leia o verso e se arrependa antes do apocalipse. Já são mais de 500 anos de ensino e tu ainda não aprendeu? Porém, se menos interesseiro, o moço dispensa o prêmio didático e assina um contrato de amizadinha, restrito a quem tem a fina sensibilidade de detectar a imensa sanha de gozar, a fome de arrombamento, contemplando o voraz fetiche de ser violentada daquela rampeira ( né?) que cruzou seu caminho heróico. Porca da ousadia que escolheu o shortinho, como dita a cartilha vomitada e assinada pelos músculos, pela testosterona ( a que no cérebro, no hipocampo, se torna estrogênio). Eis a tábua dos bons costumes guiados pelos grãos do escroto, os mesmos grãos que se pode espetar dentro do trem por uma agulha de crochê ou pela ponta do compasso, feitos baioneta da mochila colegial. Mas aí é cana, pra quem não soube se colocar no seu lugar, como comprovam os trajes declarados inapropriados com que chegou a vagaranha na delegacia pra assinar seu B.O de... de que? De provocante... de atiçante... de sem moral... de quem abusou e mereceu... Né? É a maioria nas pesquisas, catarrando seu cérebro. Lastimável e assassino. Allan da Rosa (Cabo Frio, Rio de Janeiro, 27/03/14)

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