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08 de fevereiro de 2019, 18h28

A ascensão do baixo clero a espaços de poder em Brasília

Sem a ajuda dos grandes e das elites que dominam há tempos a política dificilmente o baixo clero chegaria a postos de destaques no poder de Brasília

Senador Davi Alcolumbre, eleito presidente do Senado (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Analistas políticos e setores da imprensa ainda se perguntam que fatores contribuíram para a ascensão do baixo clero a espaços de poder de destaque em Brasília: o primeiro a triunfar na tarefa foi Jair Bolsonaro (PSL), alçado à Presidência da República pelo voto popular. O segundo, Davi Alcolumbre (DEM-AP), superou expectativas e foi eleito presidente do Senado Federal.

Assim como Bolsonaro viabilizou sua vitória à Presidência como o anti-Lula e o anti-PT, Alcolumbre, até então desconhecido para a maioria dos brasileiros, conquistou o comando do Senado como o candidato anti-Renan.

Grande parte da elite intelectual brasileira, e até mesmo a imprensa, duvidaram da vitória deles e apostavam suas fichas nos representantes da velha política. Um ponto fora da curva nessa briga foi Rodrigo Maia (DEM-RJ), que passou incólume ao movimento de renovação iniciado nas eleições de outubro passado.

Nos dados preliminares que venho colhendo por meio de conversas com líderes no Congresso, cheguei a uma conclusão inicial: sem a ajuda dos grandes os pequenos dificilmente chegariam a postos de destaques.

Bolsonaro, por exemplo, não teria chegado onde chegou sem a ajuda dos seguintes fatores: 1) protestos de junho de 2013 iniciam a descrença aos partidos e políticos tradicionais; 2) em 2014 o avanço da Lava-Jato desmoralizou PT, MDB e PSDB, partidos que até então dominavam a disputa de poder no Brasil; 3) O desgaste da política e de siglas tradicionais abre espaço para “outsiders“, posto que tanto Bolsonaro e Alcolumbre se encaixam, por mais que em muitos momentos eles representem a velha política brasileira.

E Alcolumbre? Nos bastidores agregou apoio do governo com digitais de Onyx Lorenzoni (DEM-RS), hoje ministro-chefe da Casa Civil.

Steven Bannon, formulador da retórica nacionalista de Donald Trump, compõe o personagem externo por trás da ascensão de políticos do baixo clero no Brasil. Em entrevista à Folha de S. Paulo desta quarta (7), Bannon é categórico ao criticar o vice-presidente General Mourão. Para ele o vice “é desagradável, pisa fora da linha”.

Ao que tudo indica o movimento de tornar a América conservadora, iniciado por Bannon e com interesse direto da Casa Branca, passa por manter Bolsonaro onde está: na Presidência. Nesse quesito Mourão seria a pedra no sapato dos EUA, tendo em vista que é mais difícil manipular o vice-presidente do que Bolsonaro.

Como política e economia dificilmente andam separados, há um preço a ser cobrado do baixo clero pela ascensão ao poder: a aprovação, com urgência, das reformas, iniciadas sob o governo provisório de Michel Temer e agora em fins de serem concluídas pela dupla Bolsonaro-Alcolumbre e com pitadas de Rodrigo Maia na retaguarda.


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