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08 de março de 2019, 06h00

Abusadores dentro de casa: maioria dos estupros de vulneráveis são causados por familiares ou conhecidos da família

Estudo sobre violência contra mulher aponta que crianças abaixo de 14 anos são as maiores vítimas de violência sexual por parentes e pessoas próximas à família

Um estudo realizado pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, em parceria com a Associação de Educação do Homem de Amanhã de Brasília (HABRA), sobre casos de violência contra a mulher trazem dados estarrecedores. O levantamento revela que 96,8% dos casos de estupro de menores de 14 anos foram causados por abusadores que compartilham laços sanguíneos ou de confiança com a família da vítima. Apenas 3,2% são de desconhecidos.

No período analisado, janeiro a novembro de 2018, foi identificado 32.916 casos de estupro no país. A informação sobre a proximidade entre a vítima e seu algoz muda radicalmente nos casos que atingem mulheres entre 19 e 59 anos: 52% são de desconhecidos, enquanto 48% possuem algum vínculo familiar ou de confiança com a família da vítima. Para chegar a esse número o levantamento criou três categorias diferentes desse crime:

  1. estupro comum, quando é cometido por um único autor presencialmente contra uma ou mais vítimas, 29.430 casos;
  2. estupro coletivo, cometido por dois ou mais indivíduos contra uma ou mais vítimas de forma presencial, 3.349 casos;
  3. estupro virtual, uma categoria recente na classificação dos crimes sexuais, mas que em nada difere da noção de relação sexual abusiva. Neste cenário, a mulher sofre a ameaça de ter seu corpo exposto nas redes sociais, caso não atenda às exigências libidinosas do abusador. Em 2018, foram encontrados 137 casos de estupro virtual na imprensa.

Segundo a legislação brasileira o crime de estupro é definido como qualquer conduta, com emprego de violência ou grave ameaça, que atente contra a dignidade e a liberdade sexual de alguém. O elemento mais importante para caracterizar esse crime é a ausência de consentimento da vítima.

Sobre a metodologia

Para a realização deste estudo foram analisadas 140.191 notícias veiculadas na imprensa brasileira entre os meses de janeiro e novembro de 2018. A base de dados utilizada como fonte das informações um banco de matérias da Linear Clipping, empresa especializada em monitoramento estratégico de notícias.

A partir dessa análise foram identificados 68.811 casos de violência contra a mulher divididos em cinco categorias: importunação sexual, violência online (crimes contra a honra), estupro, feminicídio e violência doméstica.

Acesse aqui para ler o estudo completo.


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