sexta-feira, 18 set 2020
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As cinzas do carnaval, impeachment e a Previdência de Bolsonaro

A destreza do presidente Jair Bolsonaro (PSL) em criar problemas para seu próprio governo é impressionante. O Brasil virou piada mundial após repercussão do vídeo publicado pelo chefe do Poder Executivo brasileiro que mostra um garoto urinando na cabeça de outro. Segundo o presidente é uma cena comum nos blocos de carnaval país afora.

Eleito para comandar reformas, periga mesmo é o presidente sofrer um impeachment antes mesmo de conseguir explicar “chuva dourada”. Durante a polêmica “golden shower”, o nome de Bolsonaro mais a palavra impeachment atingiu o primeiro lugar nos assuntos mais comentados no Twitter. Manifestações contra ele tomaram o carnaval como um dos primeiros sinais de insatisfação com os rumos do governo.

Sobre a Reforma da Previdência, em Brasília já é sabido: a) será a prova de fogo de Bolsonaro; b) que o presidente é um fantoche, um personagem que foi pautado pela agenda econômica para ganhar as eleições enquanto outros governam; c) que Bolsonaro, hoje, desempenha um papel simbólico de chefe de Estado, enquanto quem manda mesmo é, nesta ordem, o vice-presidente, General Hamilton Mourão, o ministro Paulo Guedes, Economia, e o desprestigiado Sérgio Moro, Justiça.

Em conversa com o blog líderes no Congresso relatam estado de estupefação com o empenho do presidente em criar polêmicas infrutíferas enquanto a discussão sobre a Reforma da Previdência está emperrada. Um deles diz não acreditar como será possível criar ambiente para aglutinar 308 votos em favor da Previdência, quórum mínimo necessário para aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC).

Para o governo, a avaliação final do episódio escatológico é de perda de imagem para Bolsonaro, que mais uma vez se mostrou medíocre para exercer a função que, acima de tudo, exige equilíbrio e serenidade.

George Marques
George Marques
Jornalista e Relações Públicas pela Faculdade JK de Brasília. É também especialista em comunicação pública e comunicação política no legislativo, tendo já sido indicado ao Prêmio Comunique-se de Jornalismo Político. Já trabalhou na cobertura de política para o site The Intercept Brasil e Metrópoles. É colunista da Fórum.