Blog do George Marques

direto do Congresso Nacional

Entrevista exclusiva com Lula
18 de junho de 2019, 12h57

Comissão da Câmara aprova requerimento para ouvir editor do Intercept e Sérgio Moro sobre vazamentos

Desde o início de junho, o site tem divulgado supostas mensagens trocadas por meio do Telegram pelo atual ministro da Segurança Pública e ex-juiz Sergio Moro e procuradores da força-tarefa da Lava Jato articularam estratégias entre os anos de 2015 a 2018

Foto: Lula Marques/PT

Apesar da tentativa de aliados do Governo de vetar o pedido, foi aprovado, nesta terça-feira (18), na Câmara dos Deputados, o requerimento para que o jornalista Glenn Greenwald seja convidado para esclarecer as denúncias envolvendo juízes e procuradores brasileiros no âmbito da Operação Lava Jato. O editor do site ‘The Intercept Brasil’ deverá ter sua visita à Comissão de Direitos Humanos e Minorias definida nos próximos dias, revelando mais detalhes sobre as mensagens envolvendo o atual ministro da Justiça, Sérgio Moro.

Segundo o site, mensagens trocadas entre o então juiz federal Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol, supõem orientações do juiz ao procurador sobre como atuar em processos da Lava-Jato, inclusive em uma ação que investigava o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Procuradores também teriam discutido como barrar uma entrevista do líder petista à “Folha de S. Paulo”, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski.

Signatário do pedido, Márcio Jerry (PCdoB-MA) lembrou que diante das ameaças relatadas por David Miranda (PSOL-RJ), marido de Glenn, a Comissão tem a missão institucional de apurar a origem das intimidações e que não há qualquer obstrução da legislação diante dos fatos apresentados pelo jornalista. “Não há configuração de crime porque as revelações vêm sendo feitas no exercício da liberdade de imprensa”, defendeu.

Jerry, que também foi autor de dois requerimentos para convocação de Sérgio Moro ainda apontou que esta representa uma chance para que o ministro se explique ao Congresso.

“É muito importante que o ministro tenha todo o direito e o exerça, de se defender, de esclarecer ao país por aquilo que ele está sendo gravemente acusado. Há suspeita de que o ministro tenha, no exercício do Judiciário, primeiro ignorado a Constituição brasileira, portanto, traído, os marcos legais do Brasil, e traído a própria missão do Judiciário”, apontou.

Apresentado pelos deputados Márcio Jerry (PCdoB-MA), Camilo Capiberibe (PSB-AP), Carlos Veras (PT-PE), Túlio Gadelha (PDT-PE) e Helder Salomão (PT-ES), o requerimento nº 81/19 citou a necessidade de “dirimir dúvidas sobre a veracidade das denúncias e o conteúdo do material coletado pelo jornalista” como justificativa.

No texto, parlamentares signatários ainda apontam a “grave violação dos princípios do devido processo legal sem qualquer tipo de distinção, evidenciando a atuação parcial e política de um poder que deveria ser neutro”.

No último dia 12, deputados do PSL apresentaram requerimento para convocar o editor do portal, mas o pedido foi retirado de pauta, em uma articulação política de última hora, após os autores do convite receberem o apoio de deputados da oposição.


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