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02 de abril de 2019, 06h00

Escritório brasileiro em Jerusalém é “provocação desnecessária”, diz ex-ministro Celso Amorim

Decisão do presidente Jair Bolsonaro de abrir escritório brasileiro em Jerusalém foi alvo de críticas de deputados da base aliada, do grupo Hamas além da Autoridade Palestina, que convocou seu embaixador no Brasil

O ex-ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim (Arquivo/EBC)

A decisão do presidente Jair Bolsonaro (PSL) de abrir um escritório em Jerusalém não foi bem recebida pelo ex-ministro das Relações Exteriores Celso Amorim, que atuou durante oito anos no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para ele a medida é uma “provocação desnecessária” ao povo palestino.

“A criação do escritório comercial é, do ponto de vista econômico, descabida”, disse Amorim ao blog nessa segunda. O ex-chanceler justifica que Jerusalém fica a menos de uma hora de Tel Aviv, onde fica a embaixada, e que ela já cumpre perfeitamente a função. “E, como símbolo, é uma provocação desnecessária”.

Nessa segunda o grupo militante Hamas emitiu um comunicado condenando a visita de Jair Bolsonaro à Israel, chamado pelo grupo de “ocupação israelense”. “A visita é um movimento que não apenas contradiz a atitude histórica do povo brasileiro que apoia a luta pela liberdade do povo palestino contra a ocupação, mas também viola as leis e normas internacionais.”

Após a decisão Bolsonaro de estabelecer um escritório em Jerusalém, a Autoridade Palestina (AP) convocou para consultas o seu embaixador no Brasil , Ibrahim Alzeben.

“Entraremos em contato com nosso embaixador no Brasil para chamá-lo para consultas, para tomarmos as decisões apropriadas para lidar com esta situação”, disse o Ministério das Relações Exteriores da Autoridade Palestina, em nota.

A medida também desagradou a deputados evangélicos que dizem apoiar Bolsonaro. O líder da bancada evangélica, Sóstenes Cavalcante (DEM/RJ) disse que lamenta “profundamente a decisão do presidente de abrir só um escritório de negócios do Brasil em Jerusalém”.

Para o ex-ministro das Relações Exteriores do Brasil a visita de Bolsonaro ao país árabe foi feita em momento inapropriado. “Obviamente, acho a visita, com todo o simbolismo que a cercou (inclusive o escritório) lamentável, especialmente em um momento em que Israel aumenta as medidas repressivas contra os palestinos e Trump apoia a anexação das colinas de Golã”, acrescentou Amorim.

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